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regresso

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.10.19

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Devagar, a gente regressa aos poucos à rotina. A normalidade nunca é igual quando interiormente nos preparamos para a mudança. 

O tempo não perdoa. E mói a dor da distância.

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descalabro

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.08.19

Uma pequena crónica de Dinis de Abreu chamou a minha atenção. O título é “O descalabro da Global Media” (JTM, 31/07/2019).

Para quem não sabe, convém dizer que a Global Media se anuncia como “um dos maiores grupos de Media em Portugal, marcando presença nos se[c]tores da Imprensa, Rádio e Internet”, contando no seu universo com “marcas de referência como a TSF, marcas centenárias como o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias”, entre outras de menor projecção e história. É também accionista da LUSA, “maior agência de notícias de língua portuguesa”, onde detém uma participação de 23,36%, de que é accionista maioritário o Estado português.

E que nos relata o experiente e reputado cronista? Em resumo, que o património do DN foi entregue à “gula imobiliária, perante a indiferença do Município [Lisboa] e do Governo”, que a sede do JN seguiu a “mesma lógica de vender os anéis para salvar os dedos”, que o Grupo tem vindo a ser paulatinamente destruído, entrou em colapso e tem o futuro comprometido.

Admito que haja quem tenha ficado espantado com o que aconteceu. Eu não.

Vejamos resumidamente os factos.

Em Novembro de 2016 foi anunciada a entrada da KNJ (Investment) Limited, liderada pelo empresário Kevin King Lun Ho, na Global Media, através de um investimento de 17,5 milhões de euros. A KNJ fora constituída em 2012 tinha como objecto social o “investimento imobiliário”, acrescentando depois o investimento “médico e saúde”, bem como “a restauração”, esta vista como “comes e bebes”, e não recuperação de antiguidades e velharias ou restauração de imóveis.

Quando li a notícia confesso que não percebi o que iria uma empresa com tal objecto fazer para um grupo de comunicação social. O programa anunciado parecia-me coisa a atirar para o megalómano, mas o apelido Ho, o facto do empresário ser sobrinho do primeiro Chefe do Executivo e director do Banco Tai Fung ainda deixava a hipótese de haver mais do que castelos no ar.

Já antes de isso, em Outubro de 2016, o próprio Kevin Ho dissera que “o conteúdo dos media do grupo não sofrerá alterações e não haverá despedimentos”, o que bem se compreendia porque em 2014 uma reestruturação da Global Media levara ao despedimento colectivo de 134 pessoas. A Global Media preparava-se para voltar aos “seus tempos de glória”, tendo para isso um plano a dez anos. Ora bem.  

Oito meses depois da assinatura do memorando, o Clube Português de Imprensa escrevia que o dinheiro de Macau estava “em falta na Global Media”. Assim, sem mais, de chofre.

Um ano volvido sobre a primeira data, em Novembro de 2017, o então vice-presidente da Global Media, anunciava que Macau iria dirigir a rede externa do grupo, cuja ambição era conquistar quotas de mercado nas áreas digitais e no espaço económico que representa a língua portuguesa”. Havia “a ambição de crescer”, e como “Portugal não conseguiu encontrar relações de parceria com o mundo lusófono eficazes e consistentes”, havendo necessidade de “proteger o jornalismo, encontrando formas de o pagar”. Como se isto fosse pouco, Kevin Ho ainda iria “ajudar a LUSA a desenvolver-se”. Um verdadeiro mecenas.

Pelo caminho, os 17,5 milhões de euros prometidos eram afinal 15 milhões, verba nada desprezível, mas situação normal entre quem se habituou a lidar com milhões como quem lida com tremoços e por isso nunca sabe quanto dinheiro tem disponível para “investir”.

Com uma regularidade impressionante, em Novembro de 2018, não sabendo eu se a escolha do mês tem algo a ver com as cheias que por essa altura do ano ciclicamente ocorrem nalguns locais, Paulo Rego deixou de ser vice-presidente do Grupo, passou a administrador não-executivo. Eu fiquei ainda mais desconfiado e pensei para com os meus botões: a água está a chegar à casa das máquinas.

Ainda em 2018, os trabalhadores começaram a ver atrasos nos pagamentos a que tinham direito, e 2019 viria confirmar, tristemente, as desconfianças que tinha quando, depois de ter lido que não iria haver despedimentos, me apercebi de que Ho se preparava para despachar uns meros duzentos trabalhadores, e começava a pairar o espectro da insolvência, pois não havia dinheiro para pagar aos fornecedores. Apesar disso, ainda há duas semanas, Kevin Ho admitia reforçar o investimento na Global Media. Visão de futuro, claro.

Neste momento está tudo muito mais transparente. Não há ninguém que em Portugal não esteja satisfeito. Até o Presidente português se reúne com o Sindicato dos Jornalistas, para comer umas chouriças e beber um copo de tinto, digo eu.

Dinis de Abreu está preocupado com o facto de Proença de Carvalho ficar “com o nome manchado e ligado ao naufrágio”. Pois eu não estou.

Tirando Stanley Ho, a CESL-ASIA e um ou outro dos antigos, fico preocupado, isso sim, com a imagem que alguns empresários locais ultimamente dão de cada vez que se metem em cavalarias. Andam de braço dado com aqueles autarcas que por lá temos, muito holofote, muito croquete, muita viagem, e no fim nada. Há tempos era um investimento gigantesco em Tróia. Depois veio a Global Media. Amanhã dizem que será um hotel no Porto. Anunciam sempre imensos milhões, projectos fantásticos, a longo prazo; depois é ver os balões esvaziarem-se rapidamente, os foguetes encherem-se de humidade e os milhões evaporarem-se. Serão mal aconselhados?

Seria interessante saber o que o Presidente Xi e os conservadores dirigentes do Partido Comunista Chinês pensam destes “investimentos”. Ou melhor, deste tipo de empresário.

E que nos dissessem se a imagem que um empresário delegado de Macau à Assembleia Popular Nacional, sobrinho de Edmundo Ho, deixou em Portugal em tão pouco tempo – “um descalabro”, escreveu Dinis de Abreu – se coaduna com os projectos de cooperação com os PALOP, com a estratégia do Fórum Macau ou com o objectivo “uma faixa, uma rota”.

Uma coisa é dizer a um jornal local, à laia de humor negro, que em Macau “não há especulação imobiliária”. Ou que não é necessária uma lei sindical. Ninguém o leva a sério. Outra é ser patriota, ter um nome sonante, e deixar em Portugal aquela pegada.

No fim, a gente revê o filme e só pergunta, entre nós, aqui, que contribuição deu Kevin Ho, através da Global Media, para a credibilidade e prestígio dos empresários de Macau? E aos investimentos chineses na Europa? Que confiança se transmitiu?

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vertigem

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.06.18

Há dias assim.

A sensação de caminhar sobre gelo fino é terrível. Uma espécie de roleta russa. Depois de se partir é preciso chegar à outra margem, mesmo que não se saiba muito bem como e ainda que a decisão de partida tenha sido involuntária nos termos em que aconteceu. Nervosa e precipitada.

A meio do percurso é impossível voltar. No meio do lago não há protecção. E quando uma pessoa assim se vê, o arrependimento de nada serve. Em especial se houver um sniper escondido numa das margens. 

Resta apenas uma certeza: a de que não se desiste, a que de que é preciso resistir, seguir em frente, confiando que esse momento será a tua irrepetível hora de sorte. Uma lição de vida.

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espelho

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.03.18

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A imagem que ilustra este texto foi obtida no passado Sábado, 10 de Março, no Centro Cultural de Macau (CCM), em dia de concerto. Actuavam a Orquestra de Macau e o violoncelista Mario Brunello. E a captação não ocorreu durante o concerto mas sim durante o seu intervalo, quando muita gente procura uma bebida qualquer, um aconchego para o estômago, uma guloseima. A casa estava cheia, muitos vieram do exterior, mas o bar estava impecavelmente encerrado. 

O que se passou nesse dia no CCM não foi inédito. O bar fechado no CCM é hoje um cenário normal, que se repete, e que tem vindo a agravar-se sem que os responsáveis pelo Instituto Cultural ou o Secretário para a Cultura e os Assuntos Sociais tomem quaisquer medidas que se vejam. Até há uns meses, embora a situação já fosse deplorável e de uma pobreza franciscana, ainda era possível tomar alguma coisa. Neste momento nada. Nem uma água.

Esta é a primeira casa de espectáculos de Macau. Todavia, se alguém dissesse que estava encerrada para férias muita gente acreditaria. Apesar de recorrentemente as audiências esgotarem e de ali se realizarem muitos dos concertos do Festival Internacional de Música, do Festival das Artes ou, mais recentemente, do Festival de Cinema. Uma tristeza que é bem o espelho da falta de vistas, da desorganização e do desleixo que vai grassando para os lados das tutelas do Dr. Alexis Tam (para governar não basta ser simpático e educado).

Se o que se passa no CCM é um exemplo de Macau "governado pelas suas gentes", então o melhor é chamar alguém de fora. Alguém que seja pago para trabalhar, para fazer alguma coisa. 

Será que é assim tão difícil pôr o bar do CCM a funcionar nos dias dos espectáculos? Já nem peço que aproveitem o espaço e a varanda contígua durante os dias de semana para servirem refeições ligeiras à hora do almoço ou uns snacks ao final da tarde. Isso seria pedir muito. Mas se não querem entregar o espaço ao IFT, nem fazer um concurso público para a sua exploração, coisa deveras complicada, então que convidem um dos amigalhaços da praxe para fazer esse serviço. Até pode ser um primo afastado. Um dos mais magrinhos. As adjudicações a familiares e amigos de quem manda não constituiriam novidade por estes lados, mas ao menos prestava-se um serviço aos utentes do CCM. Isto é, os que pagam os bilhetes para os espectáculos. 

E, olhem, se não encontrarem ninguém disponível chamem o Clube Militar. Ninguém gosta de ficar à sede e um presuntinho, uns croquetes e umas tapas de queijo marcham sempre. O coronel Manuel Geraldes que o diga.

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estranhezas

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.11.17

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Desligado como vou estando dos fait-divers da pátria, estranho cada vez mais algumas notícias que me vão chegando e que vou lendo aqui e ali. Não se tratam sequer de comentários de terceiros, mas de puros factos sobre os quais fico depois a matutar.

Mal refeito, se é que se refez, da desastrosa gestão política da desgraça dos incêndios, do caso do armamento de Tancos e da atribulada candidatura do Porto a sede da Agência Europeia do Medicamento, eis que o Governo tem agora entre mãos a trapalhada do Infarmed

O primeiro-ministro diz que a comunicação "não foi a melhor". Está no seu direito de ser caridoso. O presidente da Câmara Municipal do Porto, ao que parece também sem pensar muito, ficou todo contentinho com o anúncio da mudança, o que numa situação destas – refiro-me ao atabalhoamento que se manifesta na forma como tudo foi preparado e anunciado, bem como pelas reacções de descontentamento dos trabalhadores (outra coisa não seria de esperar) –, revela em todo o seu esplendor um provincianismo atávico, muito pouco condizente com a postura moderna, inovadora, refrescante que tem assumido e que eu julgava ser a dele. Uma vez mais estava enganado. Basta ver a linguagem utilizada por ele para se referir aos que criticam a decisão.

Como alguém diria, é lá com eles. A mim é-me neste momento indiferente que transfiram o Infarmed para o Porto, para o Faial ou para as Selvagens, desde que não me chateiem nem me venham cravar. Mas que tudo isto me faz cada vez mais espécie, muita, é inegável. E não me sentisse eu (ainda) tão português (que raio de condição esta que à distância me faz sofrer tanto só de ouvir pronunciá-lo e de saber que o sou) mandava-os a todos para as urtigas.  

Pior do que esta cegada do Infarmed só me lembro mesmo daquela das secretarias de Estado do Dr. Santana Lopes. Pensadas com os pés, espalhadas pelo país e com os motoristas a fazerem aos 500km quase todos os dias para irem a Lisboa buscar e levar chefes de gabinete, adjuntos e assessores foram rapidamente abandonadas sem que alguém tivesse feito as contas aos verdadeiros custos e aos benefícios.

Se há tempo para mudar o Infarmed, como foi dito, qual é que foi então a pressa em anunciar as coisas, ainda com tudo por pensar e resolver? Estavam com saudades do Garcia Pereira? Somos um caso perdido. E caro.  

 

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canalizador

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.10.17

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O ar já estava pesado. A terra ficou ainda mais com o inferno que persiste, pelo que aquela frase não podia ser mais apropriada: ''aquela merda ainda não entupiu... ”

 

Não se pode dizer que não tivessem feito tudo para isso. 

Quanto ao país, bom, já estava há muito. E não sei se haverá alguém que consiga desentupi-lo nas próximas décadas.

Não há purificadores do ar que cheguem. Nem mesmo em Marte.

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mal-entendido

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.05.17

Às vezes, um mal-entendido é um problema de comunicação. De outras vezes é um problema de inteligência, de iliteracia ou de ignorância. Mas a pior de todas as situações é a que acontece quando um mal-entendido é tudo isso. Isto é, um problema de comunicação, de inteligência, de iliteracia e de ignorância. Aí é o caos.

Não há nada que torne reversível o efeito multiplicador do desastre. 

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números

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.05.16

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Nascemos e crescemos como números. Quando morremos voltamos a ser um número. Entre esses momentos há alturas em que os números fazem sentido. Lampejos de humanidade. A morte leva-nos tudo menos esses momentos em que os números ganharam sentido. Porque um número, muitas vezes, substitui outro, articula o anterior, completa-o, não raro protege-nos. Quando se tem dois pais e duas mães os números fazem sentido. Quando se deixa de ter, o caminho torna-se mais longo.

A morte é o último número. O único que nos subtrai acrescentando dor.    

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explicações

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.03.16

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Num país que continua a ter meio milhão de analfabetos, isto é, gente que não sabe ler nem escrever, a desastrada (e inaceitável) intervenção do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na Assembleia da República pode ter muitas explicações. A começar pelo nervosismo. Essa será uma parte da história mas que, apesar de tudo, não a tornará desculpável.

A um primeiro-ministro que conjugava o verbo haver no plural junta-se agora um ministro que diz "interviu", em vez de interveio, e "tinhemos", em vez de tenhamos. O currículo do ministro pode ser o melhor do mundo, mas não há acordo ortográfico nem reforma educativa que remedeie o que aconteceu.

O ideal era voltarmos todos à Cartilha de João de Deus, a uma edição actualizada e aumentada, e que as televisões organizassem alguns concursos que, em vez de mostrarem analfabetos a dizerem asneiras e a exibirem os cus e as mamas à hora do jantar, ou que ande a perguntar aos concorrentes o preço dos electrodomésticos, os obrigasse a responder a questões sobre a cultura e a língua portuguesa. Um concurso que atribuísse prémios chorudos, em euros, e levasse os concorrentes a estudarem os tempos verbais, os advérbios, os pronomes e a fazerem provas de composição, talvez pudesse operar milagres. E, quem sabe, se até não poderia contar com o patrocínio do Presidente da República eleito e das fundações que por aí temos para levar todo o país a reaprender a ler, a escrever e a dizer. Eu também; que com estes exemplos que nos chegam em cada dia que passa vou desaprendendo e esquecendo o pouco que me ensinaram.

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autonomia

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.16

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A detenção de Ho Chio Meng é uma tristeza, nunca se esperando que um homem à partida inteligente e bem preparado caia na tentação do vulgar larápio que não perde uma oportunidade. Mas para além de uma tristeza é também um cisma político, ético e moral de dimensões e consequências imprevisíveis para Macau.

Em quinze rápidos anos a voragem de meia-dúzia de bandalhos deu cabo de uma autonomia prevista para, pelo menos, mais cinquenta anos. Em vez de terem trabalhado para o seu aprofundamento e para o bem das gentes de Macau, andaram a trabalhar para eles próprios por todo o lado por onde passaram, inflacionando, especulando, poluindo, comissionando. 

Dir-me-ão que aprenderam muito com alguns portugueses de má memória que por cá andaram, sim, eu sei, e com alguns outros que por cá pregam com a Lei Básica numa mão e o missal e um livro de cheques na outra, mas ao menos que tivessem respeitado o povo de Macau e a confiança e o empenho de Portugal e da R.P. da China na garantia da construção de um futuro melhor para os seus cidadãos.

Assim, quando tudo isto terminar, não ficará nada de pé. A autonomia de Macau, o segundo sistema, os direitos humanos, o oásis no estuário do Rio das Pérolas, os sonhos de todos, não passarão de uma miragem num sistema neo-colonial de prestação de contas ao cuidado de ovelhas e grilos falantes. Um desastre. 

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cara-de-pau

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.01.15

Quando está em causa o interesse e a saúde da comunidade, a incompetência de gestão não pode ser premiada, ao fim de meia dúzia de anos, com mais um ano probatório. E é preciso ter uma grande falta de amor-próprio, ausência de brio, e possuir um espírito de tal forma subserviente para depois de ser descomposto publicamente, recebendo uma reprimenda por manifesta falta de competência pelo responsável governativo, que o tinha ali ao lado, ter estofo para se manter em funções.

Que o homem não tinha perfil, nem qualidades, que o indicassem para o lugar era há muito público e notório. Que estivesse disposto a levar para casa um desaforo dessa grandeza, como se fosse uma criança mal comportada, aceitando que lhe dessem mais um ano para mostrar que nada vale, é que é novidade. 

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