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insultuoso

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.22

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Para quem reside em Macau e ao longo dos últimos dois anos e meio se viu impedido de levar uma vida normal devido às restrições impostas pela pandemia, tendo estado sujeito, caso se ausentasse para o estrangeiro, fosse por que razão fosse – tratamento médico, visita a familiares, acompanhamento de um funeral, participação em seminários ou congressos ou férias – a quarentenas de 14, 21, 28, 10 e, mais recentemente, de 7 dias, acrescidos de mais uns quantos de observação médica em casa, com código amarelo e acompanhados de múltiplos testes de ácido nucleico, não deixa de ser insultuoso ouvir a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura dizer que está agora, a um mês da corrida, a ser estudada a hipótese de redução de quarentena para os pilotos que queiram vir ao Grande Prémio

E isto acontece, note-se, depois do Presidente do Instituto dos Desportos ter pomposamente anunciado a vinda de mais de dez pilotos estrangeiros.

Ora, se estes fizessem questão de vir a Macau, ainda que com quarentena, não haveria necessidade de estar a negociar com eles, a menos de um mês da data prevista para as corridas, a sua vinda. Muito menos a negociar a entrada de apenas meia-dúzia de pilotos, da metade inferior, diga-se de passagem e com o devido respeito por todos eles que não têm culpa nenhuma do que está a acontecer, admitindo-se um eventual regime de excepção de duração mais reduzida.

Já todos tinham percebido que de um ponto de vista político, social e económico a gestão da crise pandémica em Macau tem sido um desastre. Mas desportivamente não fica atrás, tendo-se apostado em igual nível. E não só nos desportos motorizados, também no futebol, no hóquei em patins, no voleibol e noutras modalidades. 

Aquilo que havia de verdadeiramente importante em relação ao Grande Prémio de Macau era a obrigação de preservar o seu estatuto internacional, o que foi desprezado a partir do momento em que em todo o mundo se começou a regressar à normalidade e aqui ficou tudo na mesma, sendo incompreensível para muita gente do desporto automóvel mundial, como ainda este ano me pude aperceber quando acompanhei a última edição das 24 Horas de Le Mans, que se tivessem deixado cair as principais provas internacionais.

Muito mais importante do que trazer um punhado de pilotos de motas ao Grande Prémio de Macau era ter assegurado este ano, depois de dois anos de interregno, a continuidade da corrida de F3, a Taça do Mundo de GT e a etapa macaense do Mundial de carros de turismo.

Ao invés, anda-se a enganar as pessoas, atirando-se-lhes areia para os olhos, anunciando-se a vinda de pilotos – e os mecânicos e demais pessoal das equipas também vão ter um regime de excepção em matéria de quarentenas? – que ainda ninguém sabe se virão, a gastar dinheiro com eventos absurdos (melhor prova são os reduzidos patrocínios angariados este ano), sem qualquer interesse desportivo, e a negociar a vinda de pilotos para a corrida de motas, invertendo-se as prioridades e sem a mínima noção do mal que se está a fazer a Macau, ao seu Grande Prémio e ao prestígio internacional de uma jornada do desporto automóvel construída ao longo de décadas e que se tornara incontornável no calendário mundial.

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sequestrados

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.08.22

1.-saude.png(foto daqui)

A notícia de que pessoas que se encontravam em quarentena no Hotel Tesouro foram avisadas ao fim de sete dias e cerca de quarenta minutos antes da hora prevista para a sua saída de que a sua quarentena havia sido alargada por mais cinco dias é mais uma evidência da arbitrariedade e irracionalidade da gestão epidémica e da política seguida em Macau.

Durante todo o tempo que estiveram em quarentena essas pessoas testaram negativo à Covid-19. Obrigá-las a continuar presas no Hotel Tesouro, em quartos sem arejamento e sem limpeza, não tem qualquer justificação. 

Desde logo porque não é verdade que as pessoas em quarentena tenham qualquer contacto com o pessoal do hotel. Este pessoal não ajuda ninguém a transportar as bagagens nem à chegada, quando falam com as pessoas através de um vidro, nem à saída, mantendo-se sempre afastados, sempre a mais de metro e meio, mesmo sabendo que todos tinham acabado de testar negativo e permaneceram durante horas numa sala do aeroporto e depois em quarentena.

Durante todo o tempo de quarentena a única pessoa que contacta com os sequestrados é quem faz as colheitas para os testes de ácido nucleico, mas mesmo esta pessoa vem toda equipada e protegida. As próprias refeições, por sinal de péssima qualidade, são largadas à porta dos quartos. Quando o hóspede do hotel abre a porta do quarto já há muito desapareceu a pessoa que largou a caixa plástica na mesinha que se encontra do lado de fora.

Não foi esclarecido, mas devia ter sido, quais as funções desempenhadas por esse trabalhador e como foi possível testar positivo com todas as medidas de segurança que impuseram. 

E também terá de ser esclarecido se os sequestrados terão de pagar um adicional pelo sequestro aos seus sequestradores e qual a razão para que aqueles, ainda que tenham direito à primeira estada paga, tenham de avançar com o pagamento do custo da quarentena até que os senhores do hotel procedam ao reembolso, depois da aprovação pela DST.  

É, ademais, particularmente grave que já não seja a primeira vez que hóspedes corram risco de contaminação por parte de empregados de um hotel.

Se uma pessoa em quarentena arrisca ser contaminada pelos trabalhadores que dela cuidam, então isto só quer dizer que as quarentenas dos SSM não são seguras, e que a somar à arbitrariedade, ao custo elevadíssimo, à destruição da economia, aos problemas físicos e psicológicos, agora temos também a insegurança e o risco decorrentes da má governança.

Numa altura em que até o primeiro-ministro Li Keqiang reconhece que os efeitos da política de tolerância zero foram mais graves do que o esperado, e é ordenado que seja encontrado um "equilíbrio entre as medidas de controlo do vírus e a necessidade de dar um impulso ao crescimento", as políticas do Governo de Macau retrocederam décadas, mostrando a falta de talento dos "talentos" que gerem a crise.

Dir-se-ia que esta gente saiu de um episódio dos Flintstones. A desgraça que caiu sobre Macau não podia ser maior.

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memória

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.06.19

merlin_155529741_1308c562-024d-46ea-9e15-6a044a6c4(Catherine Henriette/Agence France-Presse — Getty Images)

Trinta anos depois promove-se a estratégia OBOR (One belt, One road) e a Grande Baía. Há sorrisos, brindes e fatos de bom corte em tecidos nobres. Tudo o que aconteceu em 4 de Junho se mantém escondido e silencioso. Em Hong Kong e Macau, outrora locais de abrigo e acolhimento de quem precisava, são poucos os que conhecem a história recente do País. Há jovens que desconhecem, inclusivamente, o passado anterior a 1997 e 1999 e a herança de outras administrações. Pensam que tudo foi sempre assim. A ignorância ajuda a manter o silêncio. Goza da cumplicidade dos poderosos. E tirando uma ou outra vigília, uma ou outra vela que se acende, os anos passam sem que se faça luz sobre o que aconteceu em 4 de Junho de 1989. A perpetuação da memória é a única forma de honrar os mortos e manter a chama acesa, mesmo sem quebra-vento que a proteja dos golpes que diariamente lhe são desferidos em nome do patriotismo e do desenvolvimento. A História pode ser escondida, manipulada, deturpada, omitida, ostracizada, vilipendiada, numa palavra ignorada. Só não se apaga.

 

Mais leituras:

The land that failed to fail

What I learned leading the Tiananmen protests

How I learned about Tiananmen

The new Tiananmen papers

Reflections from Macau – We don't talk (enough) about Tiananmen

Acontecimentos em Portugal noticiados como banho de sangue

O outro lado

As datas-chave de Tiananmen

Atonement

How Tiananmen crackdown left a deep scar on China's military psyche

Tiananmen Square crackdown 30th Anniversary

Tiananmen: resistir para não esquecer

Sete semanas de sonhos democráticos destruídas numa madrugada

There is every reason why Beijing must revisit its June 4 verdict

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trágico

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.05.19

A gente vê o que se está a passar em Portugal, isto é, na Assembleia da República e nos partidos por causa dos professores, e a única conclusão a que se chega é que a tragédia está para durar.

O grau de incompetência da oposição medíocre que temos só é comparável com o grau de irresponsabilidade populista do BE e do PCP e o modo eleiçoeiro como muitas vezes se aprovam resoluções na Assembleia da República com o voto do PS.

Os avanços e recuos infantis de Cristas e do CDS-PP, a errância e falta de sentido de Estado de Rui Rio, a autogestão do acampamento bloquista e o sindicalismo vesgo do PCP e seus satélites não justificam tudo, ou pelo menos não deviam justificar, mas há que saber tirar consequências do que se está a passar.

O primeiro-ministro tem uma boa oportunidade para marcar a diferença, só que antes de fazê-lo seria aconselhável que primeiro pusesse ordem em casa.

E, se não for pedir muito, que aproveite para perder alguns momentos a olhar para a bancada parlamentar do PS antes de começarem a preparar as listas para deputados. A redução do número de emplastros nas listas, e a sua substituição por gente capaz, que não dependa do partido para sobreviver e que pense pela sua cabeça, seria certamente bem acolhida pelo eleitorado que vota PS e pelo país em geral.

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aterradora

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.03.19

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(foto Macau Daily Times)

Oportuna e corajosa. É o mínimo que se pode dizer da entrevista dada pelo Presidente da CESL-ASIA e publicada no jornal Macau Daily Times, no mesmo dia em que se inicia o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau, conhecida em inglês pelo acrónimo MIECF (Macau International Environmental Cooperation Forum and Exhibition).

Já todos, os que aqui residimos, sabíamos da situação ambiental assustadora que se vive em Macau. E da forma como a incompetência se foi arrastando ano após ano, sem que os enfeudados às famílias e poderes tradicionais e aos seus negócios tomassem as medidas apropriadas para defesa do interesse público. De tal forma que para se exercer o poder e manter o status quo se conseguiu arruinar a qualidade de vida dos cidadãos de Macau, aquele que era o seu bem mais precioso, transformando o seu dia-a-dia num inferno poluído, sujo, doentio e mal cheiroso.

Inferno que, embora possa ser mascarado, a bem dizer envergonha localmente a República Popular da China e o Governo Central. E é uma humilhação para Macau e as suas gentes quando vê a sua governança colocada ao lado de uma cidade como Shenzhen, que com muito menos milhões e sem os recursos proporcionados pelo jogo, é incomparavalmente melhor gerida, e onde não existem os aterradores problemas ambientais de Macau, lugar em que até os peixes, dizem os serviços oficiais, morrem aos milhares por falta de oxigénio na água.

Triste, muito triste e revoltante.

Do que foi dito por António Trindade retive algumas considerações que, pela sua pertinência e manifesto interesse público, aqui traduzo, desde já me penitenciando por qualquer lapso de tradução:

"Eu diria que mais de 80% da água de esgoto produzida em Macau é descartada, sem tratamento, em águas costeiras, e isso significa que não há possibilidade de uma economia marítima. Mas o problema é muito mais amplo, porque não são apenas os peixes que morrem. É que depois surgem problemas de saúde como, por exemplo, gastroenterite, que aumentam quando ocorrem tufões e inundações. Toda essa poluição afecta o meio ambiente e o lugar em que vivemos”;

"Infelizmente a situação está a deteriorar-se e precisamos de ter uma solução";

Essa poluição não aparece por acaso; ocorre porque nenhuma das estações de tratamento de esgoto [ETARs] funciona adequadamente, e está provado que a Administração sabe disso há muito tempo e confunde a opinião pública sobre a verdadeira situação”;

"Trindade observou que, ao contrário da poluição resultante dos resíduos plásticos, o impacto das águas residuais não tratadas tem consequências diretas e imediatas, embora a maioria da população não tenha consciência da gravidade da sua exposição";

Não estamos falando apenas de gastroenterite, há muitas coisas envolvidas. Houve explosões ocorrendo no esgoto de Macau há alguns meses [devido a concentrações de gás metano], o que poderia ter conseqüências muito piores ”. O CEO da CESL Asia também disse que outros casos estão sendo relatados. Por exemplo, as pessoas que ficam intoxicadas por gases residuais em suas próprias casas são uma situação que normalmente ocorre durante a noite, quando há menos uso da tubulação de esgoto, disse ele. "O mesmo acontece com as toneladas de peixe que morrem a cada semana ou mais e a administração responde que isso se deve à falta de oxigênio, que é uma afirmação quase grotesca." "As pessoas comuns provavelmente não sabem, mas os especialistas sabem que a falta de oxigénio é um termo técnico para a poluição extrema";

Há 15 anos, Macau era considerado um centro de excelência em termos de infra-estrutura ambiental pública. Os problemas foram claramente identificados, mas infelizmente nada mudou ”;

"(...) passados mais quatro ou cinco anos, não há ETAR e não o teremos - pelo menos nos próximos três ou quatro anos. Então, o que estamos vendo é um atraso que chega a quase 10 anos, algo completamente impensável ”;

Macau não pode ser transformada em um Centro Mundial de Turismo e Lazer para a Grande Baía em condições tão precárias”. 

Recorde-se que o número dois da CESL-ASIA, e também seu accionista de referência e membro do Conselho de Administração, é o antigo deputado Dominic Sio, actualmente membro do 13.º Congresso Popular Nacional da RPC.

Dada esta sua qualidade, responsabilidades que tem na RAEM e perante a sua população e inerente sentido patriótico, certamente que não deixará de colocar ao corrente do que se está a passar em Macau a liderança chinesa em Pequim, a qual deverá extrair todas as consequências do trágico quadro actual (que deverá incluir ainda uma análise séria sobre a situação da saúde pública local, em que inclusivamente doenças praticamente erradicadas aparecem em força e numa instituição hospitalar privada largamente subsidiada pelo Governo) quando chegar o momento de emitir as suas "instruções" para a escolha do futuro Chefe do Executivo.

Se ao quadro ambiental actual juntarmos aquele que foi apresentado pelo Comissário Contra a Corrupção (CCAC), no seu último relatório, onde se denuncia o aumento de casos de abuso de poder, burlas e fraudes, roubos de materiais e até férias pagas com dinheiros públicos, mais o que se sabe sobre a falta de profissionais qualificados a todos os níveis – de médicos e enfermeiros a motoristas –, atraso e derrapagem nas obras públicas, crítica a diligências de altos titulares para admissão de familiares na função pública, então o panorama na RAEM, em final de ciclo do actual Chefe do Executivo, é o de um verdadeiro filme de terror. 

Uma coisa é certa: persistir nas soluções do passado, apenas porque estas têm o apoio de alguns ricaços maiorais locais, que há muito perderam a vergonha e apenas possuem um sentido patriótico de fachada para garantirem os seus privilégios em prejuízo de todos, só vai servir para agravar os problemas.

Hoje falta na água o oxigénio aos peixes. Em matéria de decisão política e boa administração, a avaliar pelo deserto de ideias, há muito que também vem rareando o oxigénio. Esperemos que amanhã o oxigénio não acabe de vez para todos os outros que não têm culpa nenhuma e que nem sequer podem escolher os seus governantes.

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dimensão

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.05.18

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(Tiziano, 1549) 

A tragédia é tão profundamente absurda e dolorosa que quando ocorre torna totalmente irrelevante a dimensão da catástrofe. Só o tempo, desgraçadamente, conta até ao final.

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perfis

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.03.15

mac5_0.jpgSabendo-se a quantidade de gente a quem o "perfil" encaixa na perfeição e que já o vieram legitimamente reclamar, não me pareceria mal que também tivesse sido dito que os currículos podiam ser enviados para triagem preliminar ao cuidado da Casa Civil do Presidente da República. Ou, se fosse mais prático, para o Secretário-Geral do PSD que oportunamente os remeteria ao destinatário final. Imperdoável é, no entanto, que os assessores do Presidente da República não o tivessem aconselhado, para poder ser levado a sério e as pessoas não pensarem que está incapacitado para o exercício do cargo, a avançar logo com o nome de Durão Barroso ou Deus Pinheiro e, ao mesmo tempo, não lhe recomendassem a proposta de uma ideia para revisão constitucional no sentido dos próximos titulares do cargo poderem designar, e preparar atempadamente, os respectivos sucessores, limitando as candidaturas aos militantes do PSD, de preferência condecorados por ele e que tivessem dados aulas na Universidade de Verão.

De uma penada resolvia-se o problema do perfil, o das qualificações, o da confiança política, o do PS e o dos convidados para a tomada de posse. E o Presidente seria igual a si próprio. Enfim, era só vantagens e não se corria o risco do Xanana Gusmão ainda se querer candidatar.

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