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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.
Quando virem este táxi a aproximar-se de uma passadeira é melhor terem cuidado.
Hoje à hora do almoço não fui atropelado por muito pouco em plena Alameda Dr. Carlos D' Assumpção.
Quando saí do escritório, e me preparava para atravessar para o jardim, não parou na passadeira no sentido descendente, seguindo em direcção ao rio, embora houvesse outros veículos parados.
Depois, minutos volvidos, do outro lado do jardim, no sentido ascendente, quando os carros das outras duas faixas também já estavam imobilizados, e os peões haviam iniciado a travessia, só parou travando a fundo no sítio que a imagem documenta.
Passado o susto fica o registo.
As câmaras do sistema "olhos no céu" terão registado tudo.
A fotografia foi tirada às 13:08. Havia muitos peões a circularem e a atravessarem a passadeira.
E é evidente que o facto do tipo ter saído do carro para me pedir desculpa não serviu para nada porque vai voltar a fazê-lo noutra passadeira qualquer.
A PSP se quiser que actue.
(créditos: Macau Daily Times)
As notícias são da semana passada, mas não devem por esse motivo merecer menos atenção face à urgência de resolução do problema e ao estado calamitoso a que chegou o serviço de táxis e de rádio-táxis em Macau.
De Hong Kong chegou a notícia, via Macau Daily Times, de que os seus legisladores aprovaram um diploma para regulamentar os chamados "online ride-hailing services", visando o licenciamento de plataformas como a UBER no sentido de se permitir que os seus veículos e motoristas sejam habilitados à prestação de serviços de táxi, colocando-se um ponto final na resistência dos lobbies locais à sua introdução.
Em Macau continua tudo por fazer.
E em cada dia que passa são piores as notícias que chegam, apesar de há dias nos ter sido dada a promessa de que alguma coisa irá mudar.
Enquanto não se sabe quando, esta manhã lá veio mais um dado assustador e que devia envergonhar os dois anteriores Chefes do Executivo e os titulares da pasta dos Transportes e Obras Públicas: os taxistas praticam cada vez mais irregularidades e o número de infracções aumentou quase vinte vezes nos últimos quatro anos. É obra.
Ou seja, o serviço de táxis é mau, não há veículos em número suficiente e apesar disso as infracções cometidas pela casta aumentaram desmesuradamente.
Este é um bom indicador da impunidade em que os taxistas têm vivido e do total desinteresse de anteriores governos em resolver satisfatoriamente tão candente problema em benefício de toda a população e dos que nos visitam.
Esperemos que com a mudança de titular na Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego, e a nomeação de Chiang Ngoc Vai, seja possível dar resposta às exigências do serviço público de táxis numa cidade de turismo. O Natal está aí à porta.

Ao longo dos anos têm sido inúmeras as vezes em que os residentes e os turistas se queixam da falta de táxis em Macau. Neste momento, não me vou aqui referir à péssima qualidade do serviço prestado, à falta de educação e de simpatia da maioria dos condutores, aos modos rudes e ordinários de muitos destes, às irregularidades que aumentaram 17 vezes em três anos, ao mau estado de muitas viaturas e à poluição que os veículos mais antigos provocam, vendo-se sair nuvens de fuligem dos escapes quando arrancam ou nas subidas das pontes; enfim, veículos que em cidades que funcionassem com normalidade, com uma supervisão e fiscalização eficientes, e não estivessem à mercê dos lobbies, já teriam ido para abate.
Pois bem, ontem à noite, ao ver o Telejornal da TDM fiquei a saber que numa cidade onde há uma falta imensa de táxis, na maior parte das horas do dia, mas em especial entre as 17:30 e as 20:00, talvez porque os motoristas resolvam todos render e ir jantar à mesma hora, vamos passar a ter ainda menos táxis. Isto porque há 100 licenças de táxis que irão expirar já em Setembro.
Neste cenário, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que é uma entidade que vive completamente à margem da realidade, graças à incompetência de quem a tutelou e dirigiu na última década, e continua a dirigi-la, veio dizer que como no ano passado foram atribuídos 500 alvarás de táxis, e que estes já estão todos ao serviço, isso "compensa, praticamente, o número de táxis cuja licença expira". Então se compensa escusavam de ter aberto concurso para 500, porque já então teriam 100 em excesso.
É claro que na DSAT nenhum dos patriotas que lá trabalha tem de andar de táxi, nem nunca precisou de chamar um táxi entre as 17 e as 20 horas para ir até ao terminal da Ponte Macau/HK/Zhuai para apanhar um autocarro que o leve até ao Aeroporto Internacional de Hong Kong. Ou num dia de chuva. É que nem mesmo o agendamento funciona. Ainda agora tentei agendar um carro e como se pode ver pela foto da aplicação está tudo "full". O cenário de hoje repete-se para amanhã e todos os dias até ao final da semana. Será que alguém acredita que a aplicação que utilizei ou as outras funcionam bem? Tirando no momento de lançamento do serviço nunca mais foi possível agendar um carro na aplicação para as horas e dias que necessito. E já me aconteceu agendar, confirmarem e depois não aparecer ninguém à hora marcada.
Parece-me, pois, mais do que manifesto que na DSAT e em quem a tutela se padece de um défice de compreensão da realidade envolvente. Atente-se ademais no seguinte:
1. Em 29 de Outubro de 2024, o "director da DSAT, Lam Hin San, disse no final de Setembro que existem actualmente cerca de 1.500 táxis em funcionamento e haverá um aumento para 1.700 a 1.800 táxis depois da entrada em funcionamento de todos os novos táxis", acrescentando que "o número de táxis em Macau “tem vindo a aumentar”, e que serão feitos ajustamentos no futuro de acordo com as necessidades da sociedade". (...) "[A] DSAT recordou que a RAEM lançou “atempadamente” o concurso público para a atribuição de licenças gerais de táxis ao abrigo da nova lei de transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer, visto que alguns alvarás de táxis viram o seu prazo terminado sucessivamente, respondendo assim à procura do público no que se refere ao serviço de táxis".
2. Essa mesma entidade, em 8 de Janeiro de 2025, revelou que "até ao final do ano passado, cerca de 1.700 táxis estavam em operação em Macau, sendo que o número vai aumentar para cerca de 1.800 este mês, com mais 100 táxis a prestar serviço para responder à procura do público".
3. Em Fevereiro deste ano, 2025, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok, a mesma DSAT veio dizer que "está a preparar um novo concurso público para substituir as licenças que vão caducar este ano. As autoridades indicaram também que estão a estudar formas para aumentar a taxa de resposta dos táxis às solicitações."
4. Nessa ocasião, a DSAT acrescentou que “continuará atenta à actualização legislativa e os trabalhos complementares relacionados com a prestação de serviços de transporte de passageiros por marcação online nas regiões vizinhas”, indicando que vai proceder aos “estudos necessários em tempo oportuno” e que estava a estudar “o número de táxis especiais e formas para aumentar a sua taxa de resposta à chamada, continuando a auscultar as opiniões da sociedade e a apresentar sugestões, no sentido de responder às necessidades dos residentes e turistas”.
Perante isto, seria de esperar que a DSAT tivesse realizado os estudos que prometeu à população e que a urgência impunha, em tempo oportuno, como referiu, e que já tivesse estudado as formas de aumentar a taxa de resposta dos táxis às solicitações, estando neste momento em condições de fazer os ajustamentos e dar resposta às necessidades de residentes e turistas.
Em vez disso, temos a DSAT a dizer que só agora vai encomendar um estudo – que andou a fazer desde Fevereiro de 2025? –, embora não se saiba quando, nem a quem, nem quanto tempo esse estudo vai demorar e custar. E, como se isso não bastasse e andasse a brincar com a população, a DSAT ainda vem dizer que afinal os cem táxis que faziam falta em Janeiro de 2025 já não são precisos!
Eu sei que os dirigentes desta terra estão habituados a tratar os residentes como gente estúpida, ou como crianças sem formação adequada e destituídas de massa cinzenta, que precisam de ser orientadas e esclarecidas com aqueles cartazes, anúncios e vídeos publicitários infantilizados, que dir-se-ia preparados para mentecaptos, com que somos diariamente brindados pelas instituições públicas. Como se não fossemos todos adultos, com suficiente capacidade de entendimento e compreensão, podendo raciocinar sem a ajuda dos dirigentes. Escusavam era de ir tão longe.
O sector dos taxistas, diz esta manhã o Ponto Final, "tem uma opinião completamente diferente e acredita que é necessário repor as licenças de táxi de acordo com a situação real do mercado". O Presidente da Associação de Auxílio Mútuo de Condutores de Táxi sugere atribuir mais licenças aos táxis pretos, realçando o tempo que leva o processo de concessão de novas licenças.
O vice-presidente do Conselho Consultivo do Trânsito, Lam Chi Chiu, "concorda com a necessidade complementar o número de táxis, uma vez que os cidadãos e turistas em Macau continuam a encontrar dificuldades em apanhar táxis", acrescentando que "o número de turistas tem vindo a subir os residentes relatam sempre que não conseguem apanhar ou chamar táxis", pelo que "em breve [se] vai intensificar a falta de táxis".
A reportagem que a TDM ontem passou no Telejornal mostrou cidadãos chineses a compararem, em chinês, a falta de táxis em Macau com o bom serviço oferecido no Interior do país. Numa terra onde toda a gente critica sempre com medo, esses cidadãos não se coibiram de apontar o dedo ao péssimo serviço de táxis que aqui temos e que toda a gente vê menos os Secretários para as Obras Públicas e Transportes, a DSAT e os seus dirigentes, passados e actuais.
Toda a gente se apercebe do estado miserável em que está o serviço de táxis e da gritante falta de oferta, mas tal como acontecia antes, na equipa governativa que saiu e com ex-titular da DSAT, os actuais dirigentes continuam a querer fazer dos residentes estúpidos.
É com os táxis, mas é também com a poluição dos lagos Nam Van, com as obras nas estradas, com a falta de escoamento de águas de cada que chove um pouco mais, quase que reeditando o que aconteceu no tempo do tufão Hato, com tudo entupido e os carros a boiarem. A RAEM está em obras permanentemente. A região farta-se de gastar dinheiro. Aos empreiteiros, aos fiscais e aos consultores não falta trabalho. Todos enriquecem e continua-se a não se fazer nada de jeito. Os problemas são recorrentes e passam de um ano para o outro, de um Chefe do Executivo para o seguinte, sem solução e com o maior desplante de quem é pago, e bem pago, para servir os residentes.
O Comissariado de Auditoria em 30 de Junho passado dizia que a DSAT, nem mesmo com um medíocre serviço de táxis como o que temos nesta aldeia, foi capaz de cumprir “adequadamente as suas atribuições de fiscalização”, que "o problema é particularmente grave durante os horários de pico diurnos de tráfego” e que "prejudicou a realização do interesse público".
Perante isto, numa democracia decente, só haveria uma solução. Não, não me interpretem mal, não me refiro a "dar-lhes com um pano encharcado na fronha", que com isso não se resolveria nada, embora fosse o que muitos esperariam.
O que se impunha era demiti-los com o máximo escarcéu, como fazem com aqueles que "violam a disciplina do partido", pois que isto que se passa em Macau é tão ou mais grave, atentos os elevados salários que recebem e o pouco ou nada que produzem.
Impunha-se que se mostrasse à população que vão ser tomadas medidas urgentes, sérias e eficazes para se poder ter um serviço de táxis civilizado e normal, que se corrigissem todos estes desmandos, discursos, comunicados e respostas da DSAT que envergonham qualquer governação patriótica, ofendem os residentes e são uma afronta ao bom serviço de táxis que é oferecido aqui ao lado e nas principais metrópoles chinesas aos cidadãos e aos turistas que as visitam. Isso seria o mínimo.
Não há desculpa para tanto desprezo pelos cidadãos e o interesse público. Não há desculpa para tanta falta de vergonha.

Uma pessoa abre os jornais, ouve os noticiários da rádio e da televisão e não há dia que não seja bombardeada com estatística sobre os números de pessoas que entram e saem de Macau. Dir-se-ia que há uma contínua insistência na mesma tecla.
Há duas maneiras de olhar para a insistência; que por vezes também é resistência.
Se, por um lado, a insistência pode ser uma virtude, por outro também admite ser vista como um erro.
Ali, tem-se a tentativa de correcção, de aperfeiçoamento, de ultrapassem de obstáculos, criando soluções para os problemas, acrescentando valor ao esforço, procurando melhorar os resultados. No segundo caso, a insistência é a aposta permanente nas mesmas receitas que já se mostraram discutíveis, inadequadas, erradas, ultrapassadas e que em nada contribuem para uma melhoria dos padrões, um aumento de qualidade, uma progressão positiva.
A aposta no turismo de massas por parte das autoridades de Macau é cada vez mais um mau exemplo de gestão, de insistência no erro, de persistência no empobrecimento do sector, de aposta na mediocridade. Não é qualidade, é defeito.
Mas vamos aos exemplos para que melhor se perceba.
Em 19 de Maio pp., uma noticia do Ponto Final, com base num despacho da Agência LUSA, referia "o consumo médio de cada visitante caiu 13,2% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado". A explicação, diz-se, estará no aumento do número de excursionistas que passaram de 54% para 59%.
O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, lê-se na mesma notícia, alertou para a circunstância de Macau ter cada mais "turistas", sublinhando que "o nível de consumo está a baixar". Já todos os residentes se aperceberam há muito tempo. Será isto normal numa cidade que reclama ser um "Centro Mundial de Turismo e Lazer", pergunta-se?
Este mês, a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos assinalou uma descida do padrão de consumo dos visitantes. O PIB pela primeira vez diminuiu desde o final da pandemia, em 2022, e os benefícios do sector turístico caíram 3,8% neste mesmo primeiro trimestre de 2025. Repito a pergunta: Será isto normal?
Hoje, 22 de Maio, o Ponto Final e o Macau Daily Times assinalam que só em Abril houve um aumento do número de visitantes de 18,9%. Nos primeiros quatro meses significaram mais 12,9% do que no ano anterior.
A estes dados acrescentem-se mais dois.
As vendas a retalho caíram 15% nos primeiros quatro meses, com os gastos em actividades não-jogo a descerem 3,6%, prevendo os economistas um aumento das rendas habitacionais.
A satisfação estatística da DST e da TDM decorrente do contínuo fluxo de "turistas" não traz nada de positivo a Macau. São cada vez mais, gastam cada vez menos, e não é por serem mais que o volume final de receita cresce. Bem pelo contrário.
A segunda nota de registo vem, invariavelmente, da cambada dos táxis: "as irregularidades praticadas por taxistas registaram, nos primeiros quatro meses deste ano, uma subida a pique", o que corresponde a um aumento de 187% no número de infracções.
O aumento de infracções dos taxistas é pornográfica. E isto numa terra onde esse cancro da actividade económica e dos transportes está identificado. A carência de táxis, a má condução, a falta de oferta de veículos, ausência de educação e impreparação dos motoristas começa a ser lendária e internacionalmente conhecida.
Ainda há dias em Jacarta, por comparação, numa cidade cuja área metropolitana é de mais de 30 milhões de pessoas, pude utilizar os seus serviços de transportes urbanos, autocarros e táxis, de diversos operadores, incluindo Grab, Blue Bird, Silver Bird, sem qualquer problema ou o mais leve incidente, em percurso curtos e longos, de e para a cidade e dentro dela, sempre com taxímetro, sem dificuldades de chamada, com motoristas educados, simpáticos, prestáveis, falando inglês e sem tentativas de extorsão.
Aquilo que é cada vez mais uma evidência é que as políticas que há anos vêm sendo seguidas pelo Governo de Macau e o seus departamentos de turismo e transportes são um desastre. Não acrescentam valor, inflacionam os preços, congestionam as ruas e as estradas, aumentam o grau de poluição urbana e contribuem para a degradação da qualidade do ambiente para os residentes. Aos anteriores Chefes do Executivo muito se deve da lástima de serviços e miríade de problemas que o actual CE herdou.
Importaria por isso que a aposta hoje fosse não num aumento puro e simples, contínuo, desregrado e idiota do número de pessoas que entram e saem, sozinhas ou em excursão. É preciso fazer uma volta de 180 graus nas políticas até aqui vigentes nestas áreas. E apostar numa substancial melhoria dos padrões sociais, culturais, de riqueza e de consumo de quem nos visita.
E ao mesmo tempo acabar com os bandos que operam no sector dos transportes, impondo-lhes, se necessário com medidas de polícia, a obrigação de um serviço de táxis decente e competitivo. Aqui seria ainda preciso acabar com o preconceito e os oligopólios. Permitir a concorrência de empresas estrangeiras do sector, como se faz com os casinos, e acabarmos com o proteccionismo interno de cariz trumpista em que há décadas vivemos e que só serve aos mandarins locais. Se não for assim ainda voltaremos ao tempo dos riquexós.
(créditos: South China Morning Post/Getty Images)
Há pouco mais de dois meses, o deputado Ron Lam questionou o Governo na Assembleia Legislativa, através de uma interpelação escrita, sobre o verdadeiro custo do transporte de cadáveres em Macau, queixando-se do preço. O assunto foi abordado numa interpelação escrita e resultou de, nas últimas semanas, a empresa com o monopólio do transporte de cadáveres ter aumentado o preço do serviço de 1.500 patacas para 2.200 patacas.
Há muito que a população se queixa, também, do custo dos serviços de cremação. Não havendo um crematório em Macau, esse serviço só pode ser prestado em Zhuhai.
Todos sabemos que a existência de monopólios favorece as más práticas, pelo que se é absolutamente incompreensível que os residentes de Macau estejam sujeitos aos preços que são praticados pela única entidade que presta esse serviço.
No início deste mês de Agosto, o referido deputado quis agendar um debate na Assembleia Legislativa sobre a criação de um crematório permanente em Macau e a situação dos táxis. Ambos os debates foram rejeitados, escreveu o atento jornalista João Santos Filipe, em razão, explica-se, "da conjugação dos votos entre as associações tradicionais, deputados eleitos indirectamente e deputados nomeados". Isto é, os que não respondem democraticamente aos eleitores no sufrágio directo.
Em relação ao crematório por haver, disseram alguns, falta de soluções locais e devido ao aumento do número de mortos cujos familiares recorrem aos serviços de cremação.
Quer dizer, como há uns indígenas que entendem que não há solução, nem sequer se discute o problema e as possíveis alternativas que sejam mais benéficas para a população.
No que aos táxis diz respeito houve quem dissesse que a população não quer saber dos táxis e está preocupada é com a existência de mais passeios públicos, embora, como quem não quer a coisa, reconhecesse que a situação dos transportes não é boa.
Curiosamente, por estes dias tivemos conhecimento de que o Presidente Xi Jinping lançou uma campanha de limpeza da indústria funerária chinesa depois de serem conhecidos casos em todo o país implicando "graves violações da displina do Partido e da lei". Traduzido por miúdos isto significa a existência de um problema generalizado de corrupção.
Pois a mim quer-me parecer que tal como em relação aos junkets e aos negócios de alguns empresários bem relacionados com a classe política, e ultimamente também "educativa", de Macau, será necessário que Pequim dê ordens expressas ao futuro Chefe do Executivo para acelerar a integração e coordenação das políticas da RAEM em matéria de cremações, transporte de cadáveres e serviço de táxis com as seguidas no Interior do país.
Quanto aos táxis, ainda hoje, querendo proceder à reserva de um táxi para um transporte na próxima quinta-feira, fiquei a saber que está tudo "fully booked". Tanto faz ser à meia-noite, às duas ou às seis da manhã. Alguém acredita que isto não seja de propósito e que não haja falta de vontade política das elites locais para resolverem este problema? Ou o das cremações? Ou o das obras públicas de má qualidade?
O combate à corrupção e aos monopólios tem de ser levado a todos os cantos do país. Macau não é excepção. O Governo Central tem de ser capaz de mostrar à população de Macau que os seus representantes conseguem fazer mais e melhor do que o que se fez no passado sobre essa matéria.
É que, entretanto, já passaram quase 25 anos desde a transferência de Macau para a China e a única preocupação visível de integração é ao nível da segurança e dos negócios – como se fosse só isso que tornasse possível diversificar e "salvar" Macau. Importa que essa integração chegue ao quotidiano dos residentes de Macau e se traduza numa efectiva melhoria da sua qualidade de vida. O combate à corrupção tem de ser a todos os níveis, em especial nestas áreas em que a população mais sofre, não podendo poupar as elites locais.
Os residentes de Macau estão fartos de serem explorados pelos monopólios e pelas negociatas das suas elites políticas e empresariais, exploração que nada tem de patriótica.
E também estão fartos de nada verem acontecer por estas bandas de relevante para que se assista a uma política de melhoria substancial dos transportes – mais da oferta e qualidade do serviço de táxis –, com uma oferta plural de serviços, o mesmo sucedendo em relação ao custo do transporte de cadáveres e das cremações.
O que se passou na Assembleia Legislativa, e muitas vezes acontece sempre que estão em causa os monopólios e oligopólios das elites da terra, foi uma vergonha.
É preciso saber quem ganha com esses negócios, e que tem capitalizado à sua sombra com a inércia da Assembleia Legislativa e do Governo. Assim como com as agências de emprego e outras aberrações similares que por aí há e se continua a proteger.
As operações de limpeza interna contra a corrupção têm de chegar mais depressa a Macau. Não são para se ir fazendo aos bochechos para não se incomodar o vizinho, a empresa do primo ou o casineiro. Têm de acompanhar o ritmo imposto internamente. No respeito pelo Estado de direito e pelos legítimos interesses da população.
Isto está a precisar de alguém que não se acanhe, que não seja, ou esteja capturado pelas elites locais, ou próximo de situações de conflitos de interesses, e que dê uma varridela a sério. De alto a baixo. Incluindo na Assembleia Legislativa.
(créditos: Macau Business)
A muito custo, depois de múltiplas e permanentes críticas da população, com os taxistas a dizerem que era um exagero a atribuição de mais 500 licenças, apesar do número total de táxis ter sido reduzido nos últimos anos em cerca de 300 viaturas, e da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) inicialmente anunciar apenas concurso para atribuição de 300 licenças, lá se abriu, finalmente, concurso para colocar na estrada mais 500 táxis.
Os primeiros dados revelados pela apresentação das propostas indicam que se apresentaram cerca de 40 (quarenta) candidatos desejosos de largarem, cada um deles, MOP$2.500.000 (dois milhões e quinhentas mil patacas) e entrarem num mercado que em breve será "caótico", de acordo com as previsões de um dirigente associativo.
Com o tempo que levou a abertura deste concurso, mais a miserável argumentação qe venderam aos residentes para o protelarem ao longo dos anos e a dificuldade que foi elevar o número de 300 para 500, a primeira conclusão que podemos tirar é que na DSAT, como em muitos outros serviços públicos da RAEM, não se tem um conhecimento mínimo da realidade. Ou tem-se e faz-se de conta que a realidade é outra para não se estragar o negócio aos que estão no mercado.
O número de concorrentes indicia, pelo menos, que o concurso deveria ter sido aberto para ser outorgado o dobro das licenças e que a DSAT não tem dados credíveis sobre o que se passa na sua área de actuação. Nada que fuja ao habitual.
Este elevado número de candidatos constitui mais uma prova de que o mercado dos táxis não estava saturado, ao invés do que apregoaram durante anos, e que há gente disposta a investir no negócio dos táxis, se os deixarem e não inventarem obstáculos, apesar do cenário calamitoso oferecido pelas associações e dos receios dos responsáveis.
Claro que na RAEM, tal como com o Ministério Público em Portugal, ninguém se sente responsável por coisa alguma, seja pela má gestão dos processos, seja pelos danos causados à comunidade em razão do irrealismo, da negligência grosseira, da protecção dada aos lobbies e clientelas ou do simples desinteresse pela salvaguarda do interesse público.
É a estas coisas, mas também aos preços nos mercados e supermercados, à qualidade dos transportes públicos, do ar e das águas – cada vez mais sofríveis –, e atentos ao que se faz em matéria de obras públicas, e não ao espiolhanço do se publica ou não se publica nos jornais, à crítica do que surge desalinhado ou aos disparates que saem nas redes sociais, que os representantes de Pequim deviam prestar atenção e dar o seu recado atempado às autoridades locais, censurando-os publicamente quando têm de ser censurados para que a população perceba que não estão cá só para cortar fitas ou frequentar vernissages.
Porque só assim poderão ajudar a corrigir os desequilíbrios da terra e a melhorar a qualidade de vida dos residentes, aproximando o serviço de táxis de Macau, e todos os outros que precisam de reforma, daqueles que são oferecidos em muitas metrópoles do interior do país.
Os táxis voltaram à ordem do dia. Não quer isto dizer que alguma vez tivessem deixado de ser tema de conversa, crítica, indignação por parte de residentes e visitantes. Mas desta vez trata-se da ordem do dia do plenário da Assembleia Legislativa. E não foi essa a primeira vez que o assunto foi levado ao hemiciclo.
Dos deputados à população não há quem há anos não se queixe quer da pura e simples ausência de veículos, quer da péssima qualidade do serviço prestado.
Tratando-se de um problema recorrente, que aliás tem motivado muitas e fundadas queixas por parte de nacionais que vêm do interior da China até Macau, é difícil compreender a inércia, falta de vontade, resistência ou simples incapacidade do Chefe do Executivo e do seu Governo para resolverem este problema.
O serviço de marcações não funciona. Acontece muitas vezes ser feito um agendamento, dizerem que será confirmado e que no próprio dia, cerca de dez minutos antes da hora marcada, entrarão em contacto com o utente, quando na realidade sucede que nesse dia e à hora prevista ninguém diz nada, ninguém telefona ou atende os telefones e não é dada qualquer justificação para a ausência da viatura. Um drama para quem tem de viajar para o exterior e se arrisca a ficar pendurado em Macau por falta de táxis e de transportes públicos capazes.
Depois, nas ruas, muitas vezes é o salve-se quem puder. Veja-se o que se passa, por exemplo, na Taipa, com dezenas e centenas de pessoas a aguardarem a sua vez por um táxi e com os motoristas a largarem os passageiros antes ou depois do local destinado para esse efeito, de maneira a que não tenham de esperar e possam negociar directamente preços com quem está fora das filas, muitas vezes nas barbas dos polícias que nada fazem, fechando os olhos e ignorando a confusão gerada.
A indignação de muitos viajantes que chegam de Hong Kong e do interior do país é notória. Alguns manifestam, como sucedeu recentemente numa reportagem da TDM, a sua insatisfação e incompreensão perante uma situação que não se verifica do outro lado da fronteira.
Como se tal não bastasse, sabe-se que há períodos do dia em que é quase impossível apanhar um táxi, pois parece que vão todos tomar as refeições e render à mesma hora. É o que acontece entre as 18 e as 20 horas, e nos dias de chuva então é melhor nem dizer nada.
E o problema da falta de táxis em Macau não se resolverá com um aumento de tarifas, com a "legalização" das irregularidades ou a atribuição de "prémios de desempenho", como peregrinamente sugeriu o deputado Ma Io Fong.
A única solução viável para o problema da falta de táxis e a recorrente má qualidade do serviço é o desmantelamento do lobby que manda nos táxis e a liberalização dos serviços com a introdução de mais concorrentes, já que também continua a ser incompreensível a ausência de outros serviços do tipo UBER à semelhança do que existe em Hong Kong, em muitas cidades chinesas e em quase toda a Ásia.
Quando há dias ouvi o dirigente de uma associação de táxis local considerar que a atribuição de mais 500 licenças seria um exagero, aconselhando-se prudência na sua atribuição, lembrei-me dos dados publicados pela revista Macau Business que salientavam ser o número de residentes e turistas por táxi de 19086 em Macau, de 3491 em Hong Kong, de 388 em Taiwan e de 1814 em Singapura, números que dizem tudo sobre a irracionalidade do serviço de táxis que temos e a condescendência dos responsáveis governamentais, há um ror de anos, perante esta inqualificável bagunça que não tendo sido, seguramente, herdada do tempo colonial, nada abona a favor do patriotismo e talento dos dirigentes locais.
A incompetência, a incapacidade governativa para a resolução do problema dos táxis e o seu arrastamento ao longo de anos com conversa fiada não têm nada de patriótico. Pelo contrário, dão cabo da imagem da pátria perante quem nos visita, prejudicam e exasperam a população, colocam a reputação da cidade nas ruas da amargura, causam múltiplos transtornos aos residentes, mancham a imagem do turismo, são fonte de conflitos nas ruas e colocam Macau ao nível do caos.