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requentado

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.06.16

gols_portugal_islandia_euro_2016.jpg

"Não fizemos um jogo brilhante mas sim um jogo médio-baixo. Faltou-nos uma melhor decisão no terço final, nos cruzamentos e nas acelerações do jogo. Tínhamos obrigação de fazer mais porque tínhamos de desestabilizar a Islândia jogando [nas] entrelinhas e com acelerações de jogo" - Fernando Santos 

 

O Pedro Correia já aqui referiu a apatia manifestada em Saint-Étienne pelos portugueses que ali se deslocaram para apoiarem a equipa das quinas. Eu acredito que se não tivéssemos a comunicação social que temos, que delira antes dos jogos de cada vez que um técnico ou jogador estrangeiro diz que Portugal é uma equipa muito forte e que os seus jogadores são os melhores do mundo, e que se não se vivesse tanto o jogo virtual, como se fosse o real, fazendo do futebol a panaceia de todas as nossas desgraças, talvez fosse mais fácil ter outra atitude em campo e se tornasse desnecessário o seleccionador nacional vir dizer o óbvio.

Quem em casa já tinha visto correr irlandeses, polacos, galeses, belgas, suíços ou húngaros, só para dar alguns exemplos, estaria seguramente à espera que a Selecção Nacional tivesse entrado no jogo com a Islândia com outra garra, com outra precisão no passe, outro fulgor no remate, não perdendo infantilmente bolas pela linha lateral, não atirando bolas de qualquer maneira para as bancadas, demorando menos tempo a armar o remate na hora da verdade, adornando menos os lances junto à área adversária, jogando mais pela relva e menos pelo ar, discutindo menos as decisões dos árbitros, enfim, não se deixando cair ao mais leve toque e, em especial, não se mostrando fiteiros e afastando-se da imagem de que estão sempre à espera do apito do árbitro para assinalar uma falta muitas vezes inexistente.

Fernando Santos tem a noção dos problemas e das dificuldades, mas parece que não conseguiu transmitir isso aos seus (nossos) jogadores. Em todo o caso, será bom dizê-lo, a equipa é a de todos nós. As escolhas é que são as dele e, pelo que se viu, as de ontem não terão sido todas as mais acertadas. Todos têm momentos menos felizes e esperamos que o de Fernando Santos se tenha esgotado já. Muitos jogadores estiveram abaixo daquilo que é normal, mas de outros todos temos a noção de que não é expectável que possam vir a render mais, seja pela falta de jeito ou pela má época que fizeram, compreendendo-se mal como puderam ter sido primeiras escolhas.

De qualquer modo, nada está perdido. Não se faça do resultado de ontem um drama, já que esta também não é a primeira vez que as coisas não começam tão bem como o desejado. E espera-se que já no próximo sábado se endireitem, que não falte uma voz forte nas bancadas e que o treinador e os jogadores sejam capazes de rectificar o que de mal fizeram no jogo com a Islândia, deixando uma melhor imagem e assumindo um estatuto mais adequado aos seus pergaminhos, às promessas que nos foram feitas e às expectativas que legitimamente todos temos. Quanto mais não seja pelo tempo de antena e espaço nos jornais que lhes tem sido dado. E, por favor, não queiram fazer de Ronaldo o patinho feio. Uma equipa faz-se de onze jogadores e os que começaram o jogo no banco também contam, ainda que as suas tatuagens, os seus tiques ou os penteados não sejam os mais populares.

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barbeiro

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.06.14

Não há nada como um bom estampanço para o povo voltar à realidade. As fragilidades daquele grupo desconjuntado a que chamam selecção nacional são postas a nu de cada vez que tocam na bola. O jogo contra os EUA confirma a sofrível qualificação para o Mundial e a necessidade do treinador e dos jogadores começarem a frequentar barbearias para homens. Aquelas osgas que hoje se passearam por Manaus, com cortes de cabelo terceiro-mundistas e que só arrancavam quando um mosquito as estimulava, mostraram à evidência que uma equipa de futebol não se constrói na base de convicções e com afirmações patrioteiras e inconsequentes de orgulho nacional. Têm técnica, têm estatuto, têm chuteiras personalizadas, mas continua a faltar-lhes um bom barbeiro. Um tipo que lhes faça a barba e o cabelo numa cadeira das antigas, com uma tesoura bem afiada para lhes cortar as melenas da cagança, e que no fim lhes lave a fronha com aftershave tradicional, daquele com muito álcool que lhes faça arder a pele, antes de lhes esfregarem com um bom creme amaciador e os mandarem para a luta. Enquanto continuarem a tratar a selecção nacional e os seus jogadores como umas meninas finas de casa de alterne para empreiteiros ricos, dando-lhes lençóis de seda, oferecendo-lhes massagens e condescendendo com as suas birras, dificilmente farão na selecção nacional o que já mostraram ser capazes de fazer nos clubes. Por muito que treinem, se não houver um líder com coragem, com preparação, com visão e arrojo, é impossível construir o que quer que seja. Seja na Federação Portuguesa de Futebol, seja na selecção ou no governo do país. A sorte por vezes ajuda, mas é preciso ir buscá-la. E como milagres já não há, sugiro que quando despacharem o Paulo Bento comecem por arranjar um bom barbeiro, para homens, e que saiba de futebol para lhes ir dando umas sabatinas enquanto usa a navalha. Vão ver como eles crescem num instante.

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coluna

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.02.14

A velha Lourenço Marques vira-o nascer em 6 de Agosto de 1935. A jovem cidade do Maputo viu-o ontem partir. Pelo caminho ficam 57 jogos com a camisola de Portugal, capitaneando a selecção nacional que brilhou no Mundial de 1966. Com um domínio perfeito dos espaços, uma presença física que impunha respeito e uma calma e lucidez que desconcertavam qualquer um, dominava o centro do terreno como poucos. Com a camisola das quinas ou a do Benfica representava na hora de defender a primeira barreira dos adversários. E quando se tratava de construir o jogo ofensivo era o motor que fazia disparar os homens das alas e o foguete Eusébio. O último golo fê-lo no antigo Estádio da Luz, no dia 25/10/1969, numa tarde em que o Boavista saiu da Luz com oito golos no cabaz. Com Mário Coluna vão dez títulos de campeão nacional, mais sete taças de Portugal e duas taças dos campeões europeus, registando-se que marcou nas duas em que esteve presente. Irá agora fazer companhia ao seu protegido e amigo Eusébio, no Olimpo das lendas, deixando por aqui muitas saudades pelo exemplo e pela classe.

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