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paralelos

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.01.17

Não leio chinês. Aquilo que tenho aprendido não me chega para isso. Nem para coisa que se pareça. Estou por isso mesmo totalmente dependente do que me traduzem em relação ao que se vai publicando na imprensa chinesa sobre o processo do antigo Procurador, Ho Chio Meng, caído em desgraça e já desgraçado.

Curioso é, por isso mesmo, que em relação ao que se tem passado no Tribunal de Última Instância, os jornais chineses tenham tanto pudor em relatar o que lá se diz, alguns dos factos, e em apontar os nomes que vão sendo falados na audiência, dessa forma evitando identificar alguns dos intervenientes.

Uma coisa já se percebeu: os familiares da actual e da ex-Secretária para a Administração e Justiça são só isso. Isto é, "familiares". Gente sem nome. Em contrapartida já toda a gente sabe o nome do sobrinho do ex-Procurador.

Entretanto, também registara que igual pudor não têm tido com os familiares de um deputado macaense, a propósito de uma outra situação que nem sequer lhe diz respeito, mas que envolve os seus filhos, por sinal maiores e trintões, ou muito perto disso. Como se o pai tivesse de responder pelos disparates de filhos maiores e emancipados.

Não sei porquê fiquei com a ideia de que a imprensa chinesa de Macau, e alguma que se publica em língua inglesa, receia sempre alguma coisa quando se refere ao poder político, o que não sucede quando se referem a quem caiu em desgraça, sejam eles chineses, macaenses, portugueses ou outros estrangeiros.

E quanto a este caso do ex-Procurador, não há dúvida de que tratam o assunto com pinças. Tantas que até têm dificuldade em relatar para a opinião pública o que efectivamente se passa no julgamento.

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masoquismo

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.07.14

Ainda um luto não acabou e de novo o pranto recomeça. E quando as lágrimas ainda frescas se preparam para ir secando na face, logo os olhos se humedecem de novo. Ultimamente, há sempre qualquer coisa nos céus que se abate sobre a Terra. Seja por causa do combustível, da cegueira ou de um tufão. Deus é grande, a gravidade incontornável e a estupidez humana incomensurável. Alguém que lhes diga que a segurança tem um preço.

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medo

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.10.13

Raul Rêgo (Diário Político), estando preso, falava de incompreensão relativamente a Angola e aos movimentos que na década de sessenta do século passado lutavam pela autodeterminação e a independência, não se esquecendo de referir que do outro lado da sua cela também estava preso Agostinho Neto. Quatro décadas volvidas e de novo se fala em incompreensão. Mas incompreensão de quê?

Fátima Campos Ferreira fez desfilar no Prós e Contras de ontem à noite uma multitude de figurantes, entre gente séria e laparotos, para discursarem sobre as relações entre Portugal e Angola e as pretensas incompreensões que "poluem" as relações entre os dois países. No final, bastaram duas palavras para demonstrar o tempo que se perdeu naquele estúdio. Entre a ingenuidade e a "cabotinice" - que terá o bacalhau a ver com as relações entre Estados? - a apresentadora fez questão de sublinhar a dificuldade que era ter outros convidados em estúdio e que muitos havia que, tanto de um lado como do outro, mesmo depois de se comprometerem acabavam por rejeitar a comparência em estúdio.

Como alguém ajuizadamente referiu, a literatura pode ter algumas respostas aos problemas recentes, incluindo para a ausência dos convidados que se fazem desconvidar e para a forma pressurosa como alguns empresários, cujas laranjas não apodrecem dentro do porão dos navios à vista de Luanda,  correm a deitar água na fervura. A leitura das memórias do dia-a-dia de Angola desse grande artífice das relações entre os dois povos, recentemente desaparecido, que foi o embaixador Pinto da França, pode ser um bom começo para quem queira perceber o que se esconde por detrás do actual relacionamento e das declarações do senhor "dos Santos". 

Não há nisto nada de incompreensivo. Como não havia no tempo de Raul Rêgo.

O que há, sempre houve, é o medo a pairar sobre as relações ente Estados e sobre o carácter dos homens. Há medo nos negócios, como há medo nos compromissos políticos. Há medo do que possa vir do outro lado. Sobretudo há medo das palavras. Quer se queira quer não as relações entre Portugal e Angola são relações assentes no medo. Não é preciso ler o Jornal de Angola nem o Expresso para se perceber isso. O medo de um é a liberdade do outro.

Enquanto prevalecer o medo não haverá estratégia, não haverá perenidade nas relações, inexistirá a confiança, que é a base de qualquer relação. Porque é a confiança que torna credíveis as expectativas, porque é a confiança que aproxima os homens. Os povos já perceberam isto. As actuais elites nunca perceberão. 

O mau político tem medo. Da mesma forma que o corrupto também tem. O medo é a força dos cobardes, dos fracos, dos receosos, da gente de carácter mole. As relações entre Portugal e Angola desde 1975 que assentam no medo. Por isso não passam de relações circunstanciais e interesseiras.

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