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irresponsabilidade

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.01.21

Ando há anos a chamar a atenção das autoridades, designadamente da PSP, para a grave situação que se vive na Urbanização One Oasis, em Coloane, com as transgressões que são diariamente cometidas e que colocam em risco a segurança da circulação de outros veículos e de peões.

Ora são as dezenas de rádio-táxis e de carrinhas de junkets parados à direita e à esquerda, fazendo das vias de circulação uma enorme praça de táxis, como é a circulação em contramão para se pouparem uns metros e umas gotas de combustível.  

Da última vez que falei com um agente que se entretinha num domingo a multar carros estacionados em locais onde não estorvam ninguém, a única coisa que consegui foi que colocassem, não apenas um pino nas passadeiras dos separadores centrais entre as vias, para impedir que os veículos fizessem inversão de marcha por cima daquelas, mas um monte de pinos metálicos verdes, assim se dando mais uma verba apreciável a ganhar ao fornecedor que encheu Macau e as ilhas dessas novos emplastros urbanos.

Hoje, quando atravessava uma das passadeiras da Rua dos Bombaxes fui surpreendido com dois veículos fazendo inversão de marcha em contramão, pela Estrada de Seac Pai Van.

Não foi ninguém atropelado por pouco, visto que a velocidade a que a transgressão é feita implica que não se perca tempo. O motorista do táxi ao aperceber-se que estava a ser fotografado pelos peões ficou aflito, quis fazer marcha-atrás, e pediu desculpa. O outro condutor achou imensa piada ao flagrante e começou a rir-se.

Se as autoridades em vez de perderem tempo a multar os carros às duas ou três da manhã, a identificar quem passa no Leal Senado, a instalarem câmaras onde não fazem falta ou a levarem pseudo-manifestantes para as esquadras fizessem o que lhes compete, talvez esta situação estivesse resolvida.

Assim, resta esperar até que um dia alguém seja atropelado numa passadeira do One Oasis ou que ocorra um choque frontal na Estrada de Seac Pai Van, com muita chapa, mortos e feridos, junto à Rua dos Bombaxes ou nas traseiras daquele hotel cujas condições de atribuição da licença ainda estão por esclarecer pelo CCAC, para se fazer alguma coisa.

Mas garanto que nesse dia irei pedir contas ao Secretário para a Segurança e a todos os que, perdendo tempo com questões de lana caprina, há muito ignoram o que se passa enquanto os tipos que colocam os pinos e barreiras metálicas vão enriquecendo. 

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factura

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.07.18

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(créditos: Kirsty Wigglesworth /Getty Images)

Há pouco mais de dois anos, num pequeno texto que aqui deixei chamei-lhe "the perfect English fool". Houve quem não gostasse do que então escrevi, mas no dia seguinte Lord Michael Heseltine, uma das mais sólidas referências do conservadorismo britânico, parlamentar desde 1966, figura de proa dos governos de Margaret Tatcher e John Major, acusava-o de ter dado origem à maior crise constitucional em tempos de paz que lhe fora dado assistir e de desbaratar as poupanças dos seus concidadãos.

Steph, com o seu traço genial, um ano depois, deu conta do modo como já via as consequências dos resultados eleitorais nas negociações para o Brexit.

Volvido este tempo, os eleitores do Partido Conservador, os ingleses e o mundo em geral assistem estupefactos à continuação do deprimente espectáculo burlesco de Boris Johnson tendo por referência o Brexit.

Na carta de demissão que remeteu a Theresa May, a cada vez mais descalça primeira-ministra britânica, o despenteado de Eton escreveu que "[w]e are now in the ludicrous position of asserting that we must accept huge amounts of precisely such EU law, without changing it an iota, because it is essential for our economic health – and when we no longer have the ability to influence these laws as they are made. In that respect we are truly headed for the status of colony – and many will struggle to see the economic or political advantages of that particular arrangement".

Com a saída de David Davis, primeiro, e agora de Boris Johnson, é possível perceber o atoleiro em que o Reino Unido se encontra e que os custos do Brexit estão a ser incomensuravelmente superiores aos que a irresponsabilidade de tipos como Johnson e Farage prometia aos eleitores.

Se Johnson antes quis substituir o motorista do táxi que não sabia inglês, e o levava para onde não queria ir, por alguém em quem confiava e que falava a sua língua, agora que o GPS deixou de funcionar e a condutora está completamente aos papéis, a solução que encontrou foi a de abrir a porta e saltar do táxi antes deste se despenhar pela primeira ribanceira que apareça na escorregadia e sinuosa estrada a que ele, navegador, o conduziu com as suas sempre brilhantes tiradas. Como antes já fizera quando surgiu a hipótese de liderar o Partido Conservador.

Não conheço expressão inglesa equivalente, mas na minha terra chama-se a isto "dar de frosques".

Que, por sinal, era o que normalmente fazia o palhaço que na minha infância vestia o fato de idiota no final daqueles números de circo a que assisti. Só que neste caso a tragédia é real. E há quem no final limpará as lágrimas e pagará a conta pelos disparates dele e dos amigos.

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