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carrossel

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.22

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E ao fim de quase três anos voltamos ao mesmo. Desta vez, o alerta foi no Fai Chi Kei. Uma mulher de 66 anos, sem vacinas, que regularmente se passeava entre os dois lados da fronteira. E uma vez mais o caso é detectado pelas autoridades de Zhuhai, que depois avisam os Serviços de Saúde de Macau.

Trata-se de um filme repetido, que de novo conduziu ao fecho de uma zona da cidade, à realização de testes em massa, ao desperdício de dinheiros públicos, à insatisfação da população.

Vivemos numa espécie de carrossel que nunca mais pára, com imensas luzes e uma música horrível e repetitiva, onde nos obrigam a andar e de onde não nos deixam sair sem que haja uma montanha de limitações e exigências. A não ser que seja para se ir ao interior da China onde continuam a nascer, e continuarão, casos de infectados. Com ou sem tolerância zero, com zero dinâmico ou com outro nome qualquer que dê cobertura à teimosia.

As autoridades de Macau continuam preocupadas com os que chegam de avião, do estrangeiro, ou de Hong Kong, pessoas que estão sempre controladas, que só viajam com testes negativos e são mantidos sob sequestro durante dias a fio sem qualquer justificação. Mas, curiosamente, as situações que levaram em Macau a situações de confinamento, ao encerramento de moradores nas suas residências, ao fecho de ruas, de bairros e da própria cidade, como sucedeu há três meses, vieram do interior da China, de e para onde muitos residentes de Macau se deslocam nos dois sentidos, de férias e em excursões, uma delas promovida por uma "escola patriótica", sem qualquer vacinação e sem estarem sujeitos às regras apertadas que se impõem a quem chega são e vacinado do estrangeiro, ou que aqui vive diariamente sem se deslocar a qualquer outro lado.

Agora dizem que vão apertar as regras das excursões, exigir mais testes e em períodos mais curtos, mas a irracionalidade mantém-se em relação ao que está errado e se recusa a corrigir. Sem qualquer justificação racional ou científica. Basta ver que para se ir à Oktoberfest do MGM é preciso realizar teste de ácido nucleico, mas se for para se andar "à molhada" e aos encontrões na MIF, num espaço interior, exíguo entre expositores, onde há muito mais gente a circular, já ninguém quis saber dos testes. Qual a diferença? Quando dentro de algumas semanas se realizar o Grande Prémio caseiro e um tipo for para o meio daqueles milhares na curva do Hotel Lisboa ou na bancada do reservatório também vão pedir testes? Será que tudo isto continua a ter algum sentido?

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resumindo

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.09.19
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(Ring Yu | HK01 via AP)

 

I had not given myself the choice to take an easier path and that is to leave. I’d rather stay on and walk this path together with my team and with the people of Hong Kong.”

As declarações desta tarde da Chefe do Governo de Hong Kong podem ajudar a esclarecer alguma coisa sobre o que se está a passar, mormente quanto à sua consistente falta de aptidão para resolver a crise política e social em que a Região Administrativa Especial de Hong Kong está mergulhada.

O caos está instalado há várias semanas. Pelo que hoje se ouviu estará para continuar. 

Diz Carrie Lam que até ao momento nunca apresentou a sua demissão ao Governo Central, que jamais discutiu com este essa possibilidade, e que a decisão de continuar, não se demitindo, é exclusivamente dela.

Nada disto, e a forma veemente como o afirmou, permite a alguém concluir que não seja assim. Daí, talvez, que a própria refira que não quis escolher o caminho mais fácil – admito que para ela e para Pequim –, preferindo ficar e prosseguir com a sua equipa e "o povo de Hong Kong".

Sem querer dar toda a razão ao cronista Alex Lo (Hong Kong: a failed political experiment), quando categoricamente nos diz que Hong Kong é um falhanço tão grande que conseguiu colocar de acordo "mainlanders" e chineses de Taiwan, talvez que a explicação do desastre – visto não em termos teóricos, pois continuo a pensar que o princípio "um país, dois sistemas" tem virtualidades, mas em termos práticos – resida na admissão de factos, por parte da senhora Carrie Lam, que não têm qualquer correspondência na realidade.

Fê-lo noutras ocasiões. Repetiu-o hoje para confirmá-lo. 

Quando a Chefe do Executivo assume que não se demite porque quer continuar o caminho com a sua equipa e o povo de Hong Kong, isso estará  muito certo quanto à sua equipa. A sua equipa foi convidada, aceitou o convite, foi nomeada, e é paga (bem) para isso. Mas quanto ao povo de Hong Kong, quem é que lhe perguntou se queria a senhora Carrie Lam a mandar? Quando é que o povo se manifestou? E perante a crise actual, e com toda a inaptidão revelada pela senhora e a sua equipa, alguém perguntou ao povo de Hong Kong se queria prosseguir com a actual Chefe do Executivo? Pagaram ao povo de Hong Kong para aceitá-la?

A mim parece-me que a Chefe do Executivo de Hong Kong se predispôs, uma vez mais, a transportar no seu veículo passageiros que há semanas não se cansam de berrar, e alguns até de vandalizarem vidros e estofos, para vincarem a sua posição. Isto é, que não querem prosseguir a marcha nas actuais condições; e ainda menos se conduzidos pela senhora. E acrescentam entre gritos e choro que só continuarão dentro daquele veículo à custa de muita pancada. 

Poder-se-á sempre dizer que o povo de Hong Kong não escolheu, e que também não manifestou oportunamente a sua oposição à solução negociada. E que até poderia tê-lo feito no tempo colonial. Em todo o caso, quanto a este ponto, penso que como qualquer pessoa de bem e de boa fé confiou no que lhe foi prometido, tanto pelo tutor colonial que lhe foi imposto após a Guerra do Ópio, como pelo mãe biológica da qual fora apartado há mais de 150 anos. 

Vinte e dois anos depois da transferência de soberania, embora tivesse começado a dar sinais anteriormente, a confiança desmoronou-se de vez.

Como num qualquer contrato de casamento, um dos cônjuges, neste caso o povo, fartou-se das juras e das promessas não cumpridas pelo outro, o Chefe do Executivo de HK. Juras e promessas avalizadas pelo sogro que vive em Pequim. Vê-se por aqui que não se trata, obviamente, de uma relação entre mãe e filho, ao contrário do que candidamente pensava Carrie Lam, ainda em Junho, em mais uma leitura distorcida da sua situação, digamos assim, político-familiar.

A senhora Carrie Lam, mais a mais sendo pessoa evangelizada e habituada a ouvir homilias, devia saber que por mais que os anos passem um casamento por conveniência só será eterno se a ele não sobrevir o sofrimento e a infelicidade de uma das partes. Se a estes se juntarem depois os maus tratos físicos, verbais e psicológicos por parte de um cônjuge autoritário e dominante, então estarão criadas as condições para a louça se começar a partir e os móveis voarem pelas janelas e varandas. Tudo perante a revolta dos filhos trintões que, não conseguindo arranjar casa para se mudarem, se sentem injustiçados e estão fartos de assistir às cenas de insulto e de estalada à hora da novela. A paciência destes é igualmente um recurso finito.

E é claro que chamar o vizinho, só porque é um primo bem colocado na polícia, com amigos em Macau e da confiança do sogro, para bater no cônjuge queixoso e nos filhos incompreendidos, em vez de procurar acalmá-los e resolver o problema sem violência, como gente civilizada, também poderá não ser a melhor solução. No limite zangam-se todos, não fica nada de pé, e ainda correm o risco de chegarem a 2047 deserdados pelos tios que têm o negócio das antiguidades e velharias.

Em termos sucintos é assim que estão do outro lado do delta do rio das Pérolas.

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