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biden

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.11.20

Aos poucos, o circo das eleições presidenciais estadounidenses vai chegando ao fim.
Passada a fase do folclore, dos foguetes, do barbecue e da bebedeira, perdidas que foram mais de quarenta acções judiciais nos tribunais federais, num deplorável espectáculo de sombras em que se seguiu um guião escrito por um fantasma e com executantes medíocres, por cujo rosto escorria a tinta mais ordinária, chegou a hora da ressaca.
Torna-se evidentemente natural que a bebedeira não poderia ser eterna, pois todos sabemos que, também, nem o amor o é, sendo assim natural que assentada a poeira as coisas comecem a regressar à normalidade.
É verdade que nada voltará a ser como antes. Trump está politicamente morto, aguardando-se agora as exéquias. Obama não voltará; os Clinton e os Bush fazem parte dos livros de história. A página virou-se.
Neste momento, o palco pertence a Joe Biden. E por muita desconfiança que se pudesse ter relativamente às suas propostas, às suas capacidades físicas e intelectuais e à composição da equipa, o que ontem se viu justifica a mais fundada das esperanças.
Num discurso curto, claro e bem articulado, alinhavando as linhas de força da política interna e externa dos EUA para os próximos quatro anos, rodeado de gente devidamente qualificada, experiente e de uma honradez a toda a prova, Biden foi capaz de fazer em poucos minutos o que há mais de quatro anos não se via: apresentar um discurso de Estado sem floreados, mentiras, graçolas de mau gosto e ignorância.
No ouvido ficou-me a frase de que “America leads not only by the example of power, but by the power of the example”, o que não sendo tudo diz muito.
A partir de Janeiro veremos o que acontece, mas o simples facto de passar a haver um programa e uma agenda na Casa Branca, depois de quatro anos de bacanal político, delírio, insânia e balbúrdia melbrookiana são afinal uma pequena prova, se não da existência de Deus, pelo menos de que também a loucura não é eterna.

E este é um excelente sinal para o futuro. Para todos nós que ainda acreditamos nalguma coisa antes de nos levarem para a vida eterna.

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cristalino

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.11.18

"Look at what’s happening in Georgia, where Brian Kemp — the Republican secretary of state, who oversees elections — is running for governor against Democrat Stacey Abrams. In any other democracy, letting a man supervise his own election would be inconceivable."

"But with the crucial moment here, everyone should bear in mind what’s at stake. It’s not just tax cuts or health coverage, and anyone who votes based simply on those issues is missing the bigger story. For the survival of American democracy is on the ballot." (Paul Krugman, The New York Times)

 

Cristalino e certeiro, embora não seja só por lá que essas coisas estejam em jogo. Enfim, Krugman no seu registo habitual. A ler, enquanto não chegam os resultados finais.

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insânia

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.08.15

Gun murders.png

Já várias vezes me manifestei contra a facilidade com que se comercializam e se acede a armas nalguns países. Sei que o resultado é igual a zero, mas nem por isso deixarei de exercer a minha liberdade de crítica e de opinião e de me manifestar contra a situação. O que se passa nos Estados Unidos da América e que se tem vindo a agravar em cada ano que passa ultrapassa os limites do aceitável num mundo civilizado. As justificações que têm sido dadas para a continuação da bagunça, numa espécie de prolongamento do Far West pelo século XXI, são as mais bizarras, apesar dos números há muito dizerem que a situação é insustentável aos olhos de qualquer civilização digna desse estatuto.

A quantidade de casos verificados nos últimos anos, de mortes fortuitas ou deliberadas provocadas pela liberdade de acesso às armas, de atentados facilitados pelo livre mercado de armas e explosivos, há muito que devia ter obrigado à adopção de outras medidas para sua própria segurança e dos seus cidadãos. A forma como os EUA se arvoram em polícias do mundo e campeões dos direitos humanos contrasta com as cenas diárias de violência e com os constantes abusos cometidos pela suas forças policiais. Ontem ouvi uma notícia dando conta de que uma dessas cadeias comerciais especializadas no comércio de armamento deixaria de vender ao público "armas de assalto". Calculo que se tratem "apenas" de armas automáticas, metralhadoras e coisas do género, do tipo das que têm sido utilizadas nalgumas carnificinas. Será um pequeno passo dado que revólveres como o que foi utilizado há dois dias para tirar a vida a um par de jovens jornalistas devem continuar a ser livremente comercializados. O milionário Trump, com aspirações a presidente, e de cuja boca saem diariamente as maiores inanidades, diz que o problema não são as armas mas antes a falta de apoio a doentes do foro psiquiátrico. Não sei se quando o disse estaria a pensar no "Obama Care" ou se estaria a contar que os potenciais criminosos com problemas psiquiátricos ou psicológicos tivessem seguro de saúde que cobrisse os custos desse apoio. De qualquer modo, é duvidoso que se estivesse também a referir a si próprio, embora me pareça que não esteja muito longe da verdade.

Não é por nada, e não me estou agora a referir à pena de morte e ao sadismo utilizado nas execuções de alguns condenados, cujo fim se prolonga ao longo de horas, mas quando se olha para as estatísticas dos mortos e para o número de armas vendidas, e ao mesmo tempo se fica a saber que o responsável pela morte de uma dúzia de pessoas foi condenado a 12 (doze) penas de prisão perpétua, somos levados a pensar que não é só uma meia dúzia de loucos que precisa de acompanhamento psiquiátrico. Não sei se há alguma coisa de lógico na condenação de uma pessoa - presumo que o crime não o faça perder essa condição por muitas interrogações que o seu acto suscite - numa pena dessas. Ou se haverá alguma coisa que me esteja a escapar.

Perante isto, lendo as estatísticas, vendo na televisão o sentenciado vestido com a farda cor-de-laranja do estabelecimento prisional, de mãos e pés algemados perante um tribunal, embora esteja também ladeado de polícias fortemente armados e com o dobro da sua altura e volume, numa imagem que é um retrato da humilhação da própria espécie a que o juiz que condena pertence, num quadro que em nada difere dos que as cavalgaduras do auto-proclamado estado islâmico apresentam a essa mesma televisão quando exibem os seus troféus de carne e osso, sou levado a concluir que é toda uma nação que está a precisar de acompanhamento médico. A começar pelo seu direito penal e pela forma como trata os seus cidadãos, seres humanos, tratamento que por aquilo que nos tem sido transmitido difere muito pouco do estado natural que Hobbes nos descreveu no Leviathan e em que a vida mais não é do que "an egoistic quest for the satiation of desires". Ou pior, porque ali ninguém caía no ridículo de condenar o seu semelhante a doze penas de prisão perpétua. Como se uma só não fosse já suficiente para mostrar a miséria do sistema, a sua absoluta indigência, a sua total incapacidade para regenerar. Se ao menos ainda servisse para melhorar as estatísticas...

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