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entrevista

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.07.20

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A TDM Rádio transmitiu no sábado passado (11/07/2020) a entrevista realizada, a partir de Macau, pelo jornalista Gilberto Lopes ao académico Luís Tomé, professor da Universidade Autónoma.

Debruçando-se sobre vários temas, que foram da actual situação política de Hong Kong, em resultado da aprovação e entrada em vigor da nova Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, aos desafios da liderança chinesa, passando pelas iniciativas "uma faixa, uma rota" e a "nova rota da seda", as relações da China com os países do Sudeste Asiático e os Estados Unidos da América, as lideranças de Trump e Xi Jinping, a perpetuação dos autocratas no poder, e, ainda, as repercussões em Macau do momento vivido, tratou-se de um excelente trabalho jornalístico, valorizado pela correcção da dicção, a fluência do discurso e os sólidos conhecimentos teóricos e factuais do entrevistado.

Tratou-se de uma verdadeira lufada de ar fresco, a fugir ao habitual ramerrão e à tradicional e pouco informada conversa de café local, trazida por alguém que, como é timbre dos verdadeiros académicos, não esteve com meias-palavras, nem se preocupou em fazer passar opiniões politicamente correctas para não melindrar as luminárias locais que se dedicam à caça de subsídios e de lugares na mesa da copa do Chefe do Executivo da RAEM. 

Pela sua actualidade e importância, recomendo a todos a audição da entrevista, que é pena não ser transmitida pelo canal português da TDM num horário decente, deixando aqui o link para esse efeito, e agradecendo ao entrevistador o saudável trabalho realizado e a escolha do convidado.

Nada como ouvir os outros que sabem, com um discurso estruturado e que se apresentam bem preparados sobre os temas em discussão, para se aprender alguma coisa, melhorar a reflexão e alargar horizontes. 

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marcello

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.08.17

"Julgo que todas as vidas são falhadas, mesmo aquelas que aparentemente foram conseguidas. Não falo dos domínios profissionais, mas do nosso foro íntimo, através das afetividades, dos encontros ou desencontros, das nossas ações, da diferença entre o sonho e a verdade, entre ambição e realidade... Somos todos uns falhados, uns mais do que outros, uns conseguem esconder isso melhor. Há no fundo de todos nós um recheio de obsessões íntimas e a vida é uma tentativa de nos resgatarmos dessas obsessões e dessa sensação de fracasso."

"Agora, vou ver se publico um livro sobre o meu pai. Estou entretido nesta ocupação, além disso, sou muito pessimista. Estou sempre convencido de que tenho uma espada sobre a cabeça... Tive três cancros e, portanto, estou à espera do último. O próximo vai ser definitivo, creio, e vivo um pouco com essa mania do que me irá acontecer."

"A meu ver, o país vive doentiamente ligado ao futebol, existe uma omnipresença desse desporto entre nós. Também vivi na Bélgica, em França, no Brasil e na Argentina, e em nenhum destes quatro países onde o futebol é importantíssimo tem esta dimensão na sociedade. Até as tradições são esquecidas à conta do futebol."

 

Da entrevista ao DN de Marcello Duarte Mathias, um autor que muito aprecio e ao qual recorrentemente volto, respigo estas três tiradas.

Admiro nele a escrita, mas mais este modo simples e directo de estar na vida. Na Abuxarda. Ele é um dos poucos que ainda sabe olhar para nós, portugueses, com os olhos de quem os estima e os ama sem com isso perder a razão e a distância necessária para ver com olhos de ver. Vejo nisso uma continuação do serviço público que durante décadas nos prestou. E que continua a prestar.

Não sei porquê, mas a serenidade que me transmite de cada vez que o leio ou ouço ajuda-me a reecontrar a medida das coisas. O mundo.

Quem sabe se um dia não tomaremos um café.

 

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entrevista (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.04.14

Da entrevista dada pelo primeiro-ministro a José Gomes Ferreira há muito pouco a dizer. Uma dezena de remodelações depois atreveu-se a afirmar, sem sombra de remorso e sem se engasgar, que fez uma, registei, uma remodelação para aumentar a coesão do Governo. Presumo que todas as restantes foram executadas para divertir as clientelas do seu partido e o parceiro de coligação, transmitindo a ideia de que até hoje tudo correu sobre rodas. Bateu sempre na mesma tecla, justificou erros e opções como se fossem fatalidades, a seu tempo escrutináveis, quando sabe que já não há remédio. Fê-lo sem transparência sobre as escolhas realizadas e sem esclarecer o que lhe era suposto esclarecer numa entrevista de uma hora. Fez de conta que o penoso cumprimento de um programa de ajustamento e reajustamento, para cujo agravamento sobremaneira contribuiu, é função de que um governante se deve orgulhar. Em rigor, comportou-se com a desfaçatez de um comentador político sem responsabilidades, recordando aos portugueses - quando para fugir às perguntas recordou que não se poderia comprometer com as respostas sem estudar as questões - que as promessas feitas em campanha eleitoral foram dolosas. Sem um acto de contrição, sem nobreza. Por trinta moedas que jurara ir buscar à reforma do Estado e ao despesismo dos antecessores. E que, traiçoeiramente, acabou a tirar dos depauperados bolsos dos irmãos, fechando os olhos aos vendilhões e protegendo os seus facilitadores dos negócios.

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entrevista

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.04.14

Quer queiramos quer não, a entrevista de José Manuel Barroso ao Expresso foi uma excelente entrevista.

Ao contrário de muitos fait divers, reportagens e artigos absolutamente inócuos que preenchem as páginas dos jornais e revistas nacionais, uma entrevista é uma peça jornalística de interesse inquestionável pelo que revela das ideias e personalidade do entrevistado e da argúcia e perspicácia do entrevistador. Dessa perspectiva, a entrevista de Barroso é um tratado que durante muitos e bons anos será objecto de estudo e análise.

Confesso que graças a essa entrevista, pela primeira vez, pude compreender o verdadeiro alcance do pensamento barrosista e a forma como a cartilha maoísta se entranhou no espírito do ainda presidente da Comissão Europeia. Repare-se que a clareza, tantas vezes ausente do discurso de Durão Barroso, esteve agora insofismavelmente presente.

Clareza na forma como fazendo apelo ao interesse nacional - o mesmo que o levou a negociar a sua ida para Bruxelas depois de dias antes ter desmentido com toda a convicção que estivesse de partida ou interessado no lugar, manifestando inclusivamente na ocasião a sua intenção de levar o mandato em que fora investido até ao fim -, afirma a necessidade do próximo Presidente da República ser mais um fruto da trapalhada ideológica e da vacuidade em que medram os partidos do centrão. Estão lá tudo e todos, incluindo o apelo a essa desgraça chamada consenso, espécie de mistura de águas e detritos de variadas origens que conduziu a democracia portuguesa, formalmente inquestionável, à substantiva podridão actual.

Clareza também na afirmação de que não tem qualquer intenção de ser candidato às presidenciais, o que deve merecer tanta credibilidade quanto as declarações de Passos Coelho em campanha eleitoral sobre os cortes dos subsídios de férias e de Natal, a defesa do Serviço Nacional de Saúde, a reforma do Estado ou a redução défice pelo lado da despesa. Ou, se quiserem, colocando as coisas no seu devido lugar, dou-lhe o mesmo valor que às prédicas semanais de putativos candidatos presidenciais e ex-primeiros-ministros em final de sabática.

Clareza igualmente na forma como se predispôs a atacar Vítor Constâncio mais de dez anos depois dos factos que relatou na entrevista e de ter estado calado todo este tempo relativamente aos pornográficos negócios do BPN/SLN, fazendo de conta que o silêncio e a passividade não teriam consequências. A deficiente supervisão de Constâncio e do Banco de Portugal, sobre esse e outros assuntos, embora coloque em causa o seu desempenho e a eficácia da instituição no cumprimento das suas atribuições, em nada belisca a sua seriedade. Daí que não tenha podido deixar de registar, à semelhança de Silva Lopes, Beleza, Vilar, Santos Silva e Teodora Cardoso, o ataque doloso, que alguns diriam canalha, que foi feito ao ex-governador. Tendo sido o próprio Barroso, a fazer fé no relato, quem se quis chegar à frente, querendo substituir-se ao entrevistador na escolha e oportunidade do tema, atirando voluntariamente para a fogueira as achas com as quais pretendia continuar a imolação do infeliz Constâncio, a intenção letal do ataque foi manifesta, colocando-o ao nível de um qualquer desses deputados saídos das "jotas" que se apressam a dar lustro à voz de quem lhes garante o emprego. Atitude que, convenhamos, está ao nível de quem se afadigou em chegar às Lajes a tempo de se acocorar perante um dos mais vis - pelas consequências - ataques à verdade e ao direito internacional de que há memória. 

A entrevista de Barroso ao Expresso, sendo ele um ex-primeiro ministro e ex-titular dos Negócios Estrangeiros, por tudo aquilo que põe a nu, é o espelho da ambiguidade europeia, do permanente desencontro em que vive a União, da ausência de um líder e de um pensamento ideológico estruturado e coerente. Incapazes de encontrarem um líder que a una e prestigie, os burocratas eunucos que mandam na União preferem figuras menores, inconstantes, de pensamento proteiforme e com uma visão enviesada e ajustável à medida dos seus interesses.

Percebe-se, por isso mesmo, que a recente anexação da Crimeia pela Rússia não foi fruto de um acaso. Putin sabia que o barrosismo, digno sucessor do blairismo, tomou conta da Europa e se assume como uma espécie de wilsonianismo tardio e à deriva. Os resultados das municipais francesas são a melhor prova do triunfo da estupidez e do esgotamento da paciência dos eleitores.  

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distracção

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.02.14

Ouvi alguns excertos da entrevista do general Garcia Leandro à Antena 1 e posso dizer que concordo com quase tudo. Da impreparação de quem governa à ausência de reformas. Há um momento, porém, em que caiu uma nódoa, aliás perfeitamente desnecessária. Não me custa acreditar no relato do encontro de 28 de Outubro de 2011, com o ministro da Defesa, e até poderia ter alguma compreensão para com o estado de espírito do senhor general. Mas como sempre aprendi que tudo pode ser dito dependendo da forma como se diz, admito que um homem como o general Garcia Leandro, com o seu passado, conhecimento e experiência, também tinha obrigação de saber isso. Não posso, por isso mesmo, reconhecer nele o homem que desvendou o encontro com Aguiar Branco e veio relatar, publicamente e mais de dois anos volvidos, o teor de uma conversa a dois. E não estamos a falar numa situação do tipo das que obrigaram Passos Coelho a ser desmentido quando disse que não tinha sido informado sobre o pedido de ajuda à troika ou que nunca tinha estado em S. Bento com o anterior priemiro-ministro. O ministro da Defesa, que aproveitou já para o vir desmentir, como seria de esperar, não sai melhor nem pior, porque todos compreenderam há muito tempo que este executivo só chegou ao poder sem saber ler nem escrever graças a um desastrado e teimoso José Sócrates que lhe abriu caminho. Quanto a Garcia Leandro, lamento dizê-lo, sai muito desfocado na fotografia. E não sei se algum dia conseguirá voltar a ter uma lente que lhe faça justiça. Se não foi uma deslealdade, pelo menos aparenta sê-lo.   

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