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blue

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.19

Lá fora chove intensamente. Cai o céu em mais uma noite de tempestade tropical. Relampeja e troveja quando, a propósito do admirável documentário de Bruce Weber, recordo o fabuloso Chet Baker e ouço Almost Blue.

Há sempre uma encruzilhada na vida de um homem normal. Talvez várias na vida de um homem que escape à mediania. Uma ou várias implicam escolher. Pode ser a decisão de dar ou não dar um beijo, o destino de uma paixão, a escolha de um amor (sim, o amor também é uma escolha). Para alguns a descoberta de uma vocação, por vezes a opção entre uma vida livre a sofrer ou uma do tipo vegetativa, rica e sem dramas. Com princípio, meio e fim, ignorando a dor, própria ou alheia.

Tirando aquela parte em que o entrevistador pergunta a Chet Baker qual terá sido o momento mais feliz da sua vida, cuja compreensão — digo eu, que não sou tão exagerado como ele ou Faulkner — só está ao alcance de um alfista(*), recordo aquele momento em que Baker, olhando para si próprio, diz o que aconselharia a um filho. Era mais ou menos isto: descobre o que queres ser, vai por ti, e depois procura ser um génio no que escolheste.

O problema é que nem todos têm o mesmo grau de loucura nas escolhas que fazem para atingirem a genialidade. E depois é preciso levar o resto da vida a conviver com isso. Uma chatice.

 

A diferença entre um homem e um génio está na sua dose de loucura.

E ser capaz de colocá-la ao serviço dos outros dando prazer a si próprio. Seja na literatura, na pintura, na música, na medicina, num artigo de jornal ou numa sala de audiências, sem nunca se esquecer que a genialidade só pode ser reconhecida se no meio de toda a loucura o génio ainda for capaz de realizar que vive em sociedade. E por causa dela.

Os outros tornam os génios menos infelizes quando reconhecem a sua loucura. Sem dizê-lo. E ao tirarem partido dela, em cada instante, ainda quando não o reconhecem, ajudam a prolongá-la. A realização do génio passa por trazê-lo até à nossa dimensão. Até à ignorância. É nisso que está a genialidade. E só os que humildemente o aceitam conseguem atingir esse estatuto. Almost Blue.

21539474_zKiM7[1].jpg(a foto tem direitos de autor)

(*) Contra tudo o que se poderia imaginar, Baker diz ter sido o momento em que guiou pela primeira vez o seu Alfa Romeo. Eu não vou tão longe, embora não possa deixar de sorrir.

(via Delito de Opinião)

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extramuros

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.04.19

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(foto daqui)

Apresenta-se como um olhar sobre "a China além da China, além das fronteiras físicas, mentais, pessoais, das muralhas do nosso conhecimento. Este é um laboratório escrito e visual que dá voz a quem, como nós, quer contornar obstáculos, sejam eles a língua, a cultura ou a dimensão de um espaço aparentemente inalcançável."

Na altura em que o Presidente da República percorre o novo Império do Meio, conversa com Augusto Santos Silva ao longo da Grande Muralha, se prepara para as selfies de Macau e para celebrar o Primeiro de Maio numa região especial de um país socialista que vinte anos depois de se tornar "patriota" continua sem ter uma lei sindical e de regular o exercício do direito de greve, previstos na sua mini-Constituição, e que, vergonhosamente, continuam a aguardar regulamentação, nada como dar uma vista de olhos por estes dias ao Extramuros.

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nasceu

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.04.18

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O parto correu sem incidentes e ontem começou a chegar a casa dos leitores. A edição do livro do Delito de Opinião, do qual sou co-autor, entrou em distribuição. Quem o encomendou antecipadamente irá recebê-lo nos próximos dias.

Disse-nos o Pedro Correia que a edição ficou belíssima e que valeu a pena esperar. Para ele e para a nossa Ana Vidal, que tanto se esforçaram para que a obra conhecesse a luz do dia, deixo aqui o meu obrigado, com um abraço para ambos e um beijo para a Ana. Aos demais autores, amigos e companheiros de blogue, vão os meus parabéns. 

A apresentação terá lugar no dia 10 de Maio, pelas 18:30, na livraria Almedina, no Atrium Saldanha, em Lisboa. Eu não poderei lá estar, com muita pena minha, mas os outros autores estarão à vossa disposição para autografarem os vossos exemplares.

Quanto às despesas da conversa, dir-vos-ei que ficarão a cargo do Tiago Salazar, que apresentará o livro, do Embaixador Francisco Seixas da Costa e do Ferreira Fernandes, autores dos prefácios, e do João Taborda da Gama, que escreveu o posfácio.

Estão, desde já, todos convidados. E boas leituras.

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