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leitura

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.11.22

f4121930-6776-45c1-aba5-0576dd2c3e40_206e403d.jpg(fonte: Getty Images/TNS)

My Take, by Zhou Xin (South China Morning Post, 29/11/2022)
China faces moment of truth on its zero-Covid-19 policy amid public defiance, pandemic fatigue

"China’s zero-Covid drive is not going as smoothly as Beijing wished: the country has found itself locked in an impossible battle after trying for nearly a year to contain the Omicron variant, using its old playbook of mass lockdowns and mandatory testing to fight a faceless enemy that cannot be eradicated.
That approach, which had once convinced Beijing of the supremacy of its governance system, is looking increasingly cumbersome, costly and unsustainable.
A well-implemented zero-Covid policy is supposed to do the trick of containing the virus while keeping economic activities humming and ensuring that development is on track. But the hard reality is that the virus is now out of control, the economy is in tatters, and angry citizens are showing public defiance.
The Chinese government this month relaxed some Covid-19 controls and introduced what is known as the “20 measures”, offering hope that the country is finally pivoting to living with the virus. But if this counts as a pivot, it is a weak one, as Beijing’s overall guiding principle remains unchanged. Unsurprisingly, the move has created confusion and the big question lingers: what does Beijing really want?
For local governments, it is a burning question that awaits a clear answer. If Beijing’s ultimate goal continues to require rooting out virus transmissions in communities as quickly as possible, local authorities have no choice but to maintain universal testing, impose snap lockdowns and drag patients into makeshift hospitals deemed by some people as “coronavirus gulags” that often consist of hundreds of beds crammed together under one big roof.
A number of Chinese cities, including Shanghai, have even imposed fresh restrictions, such as keeping domestic travellers away from restaurants and pubs – a clumsy upgrade of a similar three-day ban in Hong Kong directed at international arrivals. That means tourists at the Shanghai Disney Resort can have fun taking rides and watching character parades, but they cannot dine in indoor restaurants.
Yet under the new “20 measures”, local authorities are explicitly told to refrain from imposing additional restrictions. In other words, they are directed to steer left even when the destination is on the right. Some grass-roots officials have resorted to the informal way of governance by giving out verbal instructions for lockdowns so as to leave no written evidence for people to file complaints to higher-level authorities.
Such tricks, however, have backfired as residents under lockdowns demanded proof of authorisation. In Beijing, several communities tried to negotiate over the weekend with grass-roots Communist Party committees, which are legally self-organised bodies without government authority, to lift lockdowns. Piece by piece, China’s zero-Covid system is crumbling under its own weight.
t has been a year since the World Health Organization declared the arrival of Omicron, calling it a new and different variant that would change the pandemic trajectory. Since then, many countries are forced to, or have voluntarily chosen to give up on zero-Covid-19 as a strategy.
But China, which achieved stellar performance in minimising death while maintaining economic growth in 2021, neglected the warnings and doubled down on its approach, wrongly assuming that Omicron would make no difference.
China earlier this year budgeted a 5.5 per cent GDP growth target for 2022, a clear sign of excessive confidence, and it briefly pushed for mainland-style universal testing in Hong Kong. In May, the government promptly quashed debates about Shanghai’s painful two-month lockdown by declaring war against any words or actions that “doubt, distort and negate” zero-Covid.
A lot of things have happened over the past year. China’s pursuit of zero-Covid is losing support and no longer resonates with the great majority of the population, who have had enough lockdowns and testing. It is time for Beijing to face the reality and make the right choice."

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critérios

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.11.22

9e13084c13d3e9fe8df1c7a178a6e7de.jpg(foto daqui)

Seria importante perceber quais os critérios do Governo de Macau e dos Serviços de Saúde em matéria de controlo dos riscos epidémicos porque há cada vez mais gente que não consegue entender a razão para que sejam tomadas decisões díspares num curto espaço de tempo.

Em 30 de Outubro pp., detectada que foi a existência de um caso de Covid-19 numa trabalhadora de um casino e seus filhos, as autoridades determinaram de imediato o encerramento do casino, o sequestro dos hóspedes do hotel e frequentadores do casino durante vários dias no seu interior, o cancelamento do último dia da Festa da Lusofonia, bem como de diversas outras actividades desportivas e culturais, obrigando-se toda a gente na cidade a fazer testes durante vários dias.

Pouco mais de duas semanas volvidas, em plena semana de Grande Prémio e com um festival gastronómico a decorrer na cidade em barracas ao ar livre, em situações em tudo idênticas às verificadas na Festa da Lusofonia, mas com muito mais gente, e durante mais dias, há uma turista vinda do interior da China, em 14 de Novembro, que se hospeda no Hotel Harbourview e que quatro dias depois de se andar a passear pela cidade testa positivo. Uma outra pessoa, também vinda do outro lado, instalou-se no edifício "The Residencia Macau", na Areia Preta.  

E que dizem os Serviços de Saúde? Que o risco para a comunidade é baixo, não se mostrando necessário realizar testes em massa, e podendo, naturalmente, o Grande Prémio e o Festival de Gastronomia, que trouxeram à cidade uns milhares de visitantes, prosseguir sem limitações, ainda que ninguém tivesse de apresentar testes de ácido nucleico negativos para se sentar nas bancadas ou conviver à volta de uns petiscos.

A mim não me pareceu mal que as actividades programadas continuassem a decorrer durante o passado fim-de-semana, uma vez que entendo que a situação devia ser gerida de outro modo e que Macau, não sendo propriamente uma aldeia nos confins do mundo entregue a um chefe tribal, já há muito devia ter regressado a uma vida normal.  

Uma coisa é os visitantes de um conhecido restaurante da cidade não compreenderem a razão para deixarem de ter guardanapos decentes às refeições. Este é apenas um problema deles e de quem gere os custos insignificantes dos guardanapos, e que só tem repercussões no bem-estar dos comensais e na imagem e nível do estabelecimento. Um problema privado de caserna.

Outra coisa é todos os residentes perceberem quais são os critérios que guiam as autoridades sanitárias, para além obviamente dos políticos, para que em situações em tudo aparentemente idênticas haja diferentes decisões. Aqui, contrariamente ao exemplo anterior, os custos são elevadíssimos, dizem respeito a toda a população e têm graves consequências na saúde e bem-estar dos residentes e das empresas. Um sério problema público.

Não se percebem as exigências absurdas, e com custos elevados, para algumas situações que à partida não oferecem qualquer risco visível – outro caso de absoluta desproporcionalidade foram as limitações impostas à publicidade, aos advogados e ao exercício de direitos de defesa de arguidos num julgamento que está a decorrer invocando-se razões sanitárias –, e outras em que, pese embora estejam envolvidas milhares de pessoas que nem sequer residem em Macau, trazendo o vírus do exterior e circulando livremente pela cidade, se relaxem as medidas.

Todos nós percebemos que há cada vez mais discriminação em relação aos estrangeiros e não falantes de mandarim, embora também não compreendamos, mas ao menos que se conheçam, as razões em matéria de saúde.

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inacreditável

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.11.22

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Compreendo que todos queiram saber o que se passa na sua terra. E também me parece pertinente que lhe seja dado algum destaque no espaço informativo mais importante do único canal de televisão em língua portuguesa. Só que daí até ao que se tem visto, começa-me a parecer um exagero sem sentido e sem qualquer justificação.

Refiro-me ao tempo de antena que é dado às conferências de imprensa dos Serviços de Saúde e às descrições detalhadas dos percursos de cada vez que aparece um infectado. Sim, um infectado. Ou dois, vá lá.

Um director de serviços agarrado a uma folha de papel a descrever minuciosamente todos os passos do infectado? O telejornal dando-lhe cobertura durante minutos a fio? Ninguém se enxerga?

Bem sei que somos candidatos a "Centro Mundial de Turismo e Lazer" com a dimensão e a mentalidade de uma recôndita paróquia transmontana ou beirã nos anos 50 do século passado, mas era escusado brindarem-nos com os números "CT" do pai, da mãe, da filha, e com a descrição detalhada da vida de cada um, do estágio que a filha está a fazer num restaurante, com indicação do nome deste, mais o que fizeram às 11:18, as carreiras de autocarros que utilizaram, e por aí fora. Podemos agradecer que não se fizessem acompanhar de animais de estimação, com o que nos pouparam aos resultados dos testes do canário e da tartaruga e ao percurso do cachorro quando foi à rua alçar a perna.

Enfim, se há momentos deprimentes em televisão, os do Telejornal da TDM, a propósito da situação epidémica, nalgumas ocasiões conseguem bater todos os recordes. Ontem foi um deles. Estavam lá ingredientes com fartura para se mudar de canal. A descrição detalhada e desinteressante para o público em geral, as imagens descoloridas num cenário vazio, o tom monocórdico, um tempo longo e vagaroso, a sensação de que nunca mais acaba a lengalenga, o martírio. E depois, quando a apresentadora regressa, as cores frias e distantes do fundo e a falta de gosto do painel também não ajudam. Cores mais alegres e mais quentes também são importantes para o estado de espírito de quem está em casa a ver. Ou em observação num hotel de quarentena.

Se em vez de um caso, de tempos a tempos, como tem acontecido, tivéssemos dezenas ou milhares de casos diários, iriam fazer o mesmo com todos? O director dos SSM não tem mais nada com que se entreter? Qual o interesse de durante largos minutos nos estarem a dar a vida do infectado e da família próxima? E a TDM tem de embarcar nisso? Isso não podia ser resumido? Qual é o critério editorial?

Tomem as medidas que se impõem, aprendam a viver com o vírus, evoluam, usem os neurónios. E poupem-nos a mais deprimência. Já basta como estamos.

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fantochada

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.11.22

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Na passada sexta-feira, 11 de Novembro, as autoridades da RPC anunciaram a redução das suas quarentenas para observação médica para um período de cinco dias mais três, sendo os primeiros em hotel.

Como seria de esperar, logo o Governo da RAEM e os Serviços de Saúde de Macau, que, ao contrário do que acontece com os seus homólogos de Hong Kong, seguem acriticamente tudo o que seja feito do outro lado da Porta do Cerco, sem ao menos curarem da respectiva utilidade para Macau, copiaram a decisão do Governo Central e reduziram as quarentenas em Macau, para quem chega de Hong Kong, de Taiwan ou do estrangeiro dos anteriores sete dias mais três (7+3) para cinco dias mais três (5+3).

Aparentemente tratar-se-ia de uma redução. Na prática não é, e isto foi desde logo notado pelo Macau Daily Times e por todas as pessoas que não embarcam na conversa para tontos das autoridades locais. A redução é afinal um aumento de quarentena de 7 para 8 dias.

Na verdade, se antes uma pessoa estava em quarentena sete dias e depois saía, poderia fazê-lo com código amarelo, o que sendo limitativo da sua liberdade de deslocação e para poder levar uma via normal, pelo menos permitir-lhe-ia deslocar-se livremente durante os três dias seguintes sem necessidade de ficar confinado às paredes de uma casa.

Agora, com a tal "redução", as pessoas saem com código vermelho, são obrigadas a ficar em casa, só podem sair para irem fazer testes nos três dias seguintes, os táxis podem recusar-se a transportá-las, não podem andar de transportes públicos, não conseguem sequer ir às compras, caso não tenham nada em casa, e as próprias habitações devem cumprir regras especiais se as pessoas não viverem sozinhas. O único benefício será uma redução do custo do hotel para quem tem de pagá-lo. Mas se houver uma única dessas pessoas que nos três dias seguintes à saída do hotel testar positivo, todos os que o rodeiam, e que vivam na mesma casa e no mesmo prédio, estarão em risco. Os transtornos serão superiores aos benefícios.

É óbvio que esta "redução" não tem qualquer impacto para o turismo, para a melhoria da economia da RAEM ou para a vida das pessoas, servindo apenas a propaganda oficial e para enganar os tolos para quem os SSM continuam a falar nas conferências de imprensa.

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carrossel

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.22

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E ao fim de quase três anos voltamos ao mesmo. Desta vez, o alerta foi no Fai Chi Kei. Uma mulher de 66 anos, sem vacinas, que regularmente se passeava entre os dois lados da fronteira. E uma vez mais o caso é detectado pelas autoridades de Zhuhai, que depois avisam os Serviços de Saúde de Macau.

Trata-se de um filme repetido, que de novo conduziu ao fecho de uma zona da cidade, à realização de testes em massa, ao desperdício de dinheiros públicos, à insatisfação da população.

Vivemos numa espécie de carrossel que nunca mais pára, com imensas luzes e uma música horrível e repetitiva, onde nos obrigam a andar e de onde não nos deixam sair sem que haja uma montanha de limitações e exigências. A não ser que seja para se ir ao interior da China onde continuam a nascer, e continuarão, casos de infectados. Com ou sem tolerância zero, com zero dinâmico ou com outro nome qualquer que dê cobertura à teimosia.

As autoridades de Macau continuam preocupadas com os que chegam de avião, do estrangeiro, ou de Hong Kong, pessoas que estão sempre controladas, que só viajam com testes negativos e são mantidos sob sequestro durante dias a fio sem qualquer justificação. Mas, curiosamente, as situações que levaram em Macau a situações de confinamento, ao encerramento de moradores nas suas residências, ao fecho de ruas, de bairros e da própria cidade, como sucedeu há três meses, vieram do interior da China, de e para onde muitos residentes de Macau se deslocam nos dois sentidos, de férias e em excursões, uma delas promovida por uma "escola patriótica", sem qualquer vacinação e sem estarem sujeitos às regras apertadas que se impõem a quem chega são e vacinado do estrangeiro, ou que aqui vive diariamente sem se deslocar a qualquer outro lado.

Agora dizem que vão apertar as regras das excursões, exigir mais testes e em períodos mais curtos, mas a irracionalidade mantém-se em relação ao que está errado e se recusa a corrigir. Sem qualquer justificação racional ou científica. Basta ver que para se ir à Oktoberfest do MGM é preciso realizar teste de ácido nucleico, mas se for para se andar "à molhada" e aos encontrões na MIF, num espaço interior, exíguo entre expositores, onde há muito mais gente a circular, já ninguém quis saber dos testes. Qual a diferença? Quando dentro de algumas semanas se realizar o Grande Prémio caseiro e um tipo for para o meio daqueles milhares na curva do Hotel Lisboa ou na bancada do reservatório também vão pedir testes? Será que tudo isto continua a ter algum sentido?

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insultuoso

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.22

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Para quem reside em Macau e ao longo dos últimos dois anos e meio se viu impedido de levar uma vida normal devido às restrições impostas pela pandemia, tendo estado sujeito, caso se ausentasse para o estrangeiro, fosse por que razão fosse – tratamento médico, visita a familiares, acompanhamento de um funeral, participação em seminários ou congressos ou férias – a quarentenas de 14, 21, 28, 10 e, mais recentemente, de 7 dias, acrescidos de mais uns quantos de observação médica em casa, com código amarelo e acompanhados de múltiplos testes de ácido nucleico, não deixa de ser insultuoso ouvir a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura dizer que está agora, a um mês da corrida, a ser estudada a hipótese de redução de quarentena para os pilotos que queiram vir ao Grande Prémio

E isto acontece, note-se, depois do Presidente do Instituto dos Desportos ter pomposamente anunciado a vinda de mais de dez pilotos estrangeiros.

Ora, se estes fizessem questão de vir a Macau, ainda que com quarentena, não haveria necessidade de estar a negociar com eles, a menos de um mês da data prevista para as corridas, a sua vinda. Muito menos a negociar a entrada de apenas meia-dúzia de pilotos, da metade inferior, diga-se de passagem e com o devido respeito por todos eles que não têm culpa nenhuma do que está a acontecer, admitindo-se um eventual regime de excepção de duração mais reduzida.

Já todos tinham percebido que de um ponto de vista político, social e económico a gestão da crise pandémica em Macau tem sido um desastre. Mas desportivamente não fica atrás, tendo-se apostado em igual nível. E não só nos desportos motorizados, também no futebol, no hóquei em patins, no voleibol e noutras modalidades. 

Aquilo que havia de verdadeiramente importante em relação ao Grande Prémio de Macau era a obrigação de preservar o seu estatuto internacional, o que foi desprezado a partir do momento em que em todo o mundo se começou a regressar à normalidade e aqui ficou tudo na mesma, sendo incompreensível para muita gente do desporto automóvel mundial, como ainda este ano me pude aperceber quando acompanhei a última edição das 24 Horas de Le Mans, que se tivessem deixado cair as principais provas internacionais.

Muito mais importante do que trazer um punhado de pilotos de motas ao Grande Prémio de Macau era ter assegurado este ano, depois de dois anos de interregno, a continuidade da corrida de F3, a Taça do Mundo de GT e a etapa macaense do Mundial de carros de turismo.

Ao invés, anda-se a enganar as pessoas, atirando-se-lhes areia para os olhos, anunciando-se a vinda de pilotos – e os mecânicos e demais pessoal das equipas também vão ter um regime de excepção em matéria de quarentenas? – que ainda ninguém sabe se virão, a gastar dinheiro com eventos absurdos (melhor prova são os reduzidos patrocínios angariados este ano), sem qualquer interesse desportivo, e a negociar a vinda de pilotos para a corrida de motas, invertendo-se as prioridades e sem a mínima noção do mal que se está a fazer a Macau, ao seu Grande Prémio e ao prestígio internacional de uma jornada do desporto automóvel construída ao longo de décadas e que se tornara incontornável no calendário mundial.

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dúvidas

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.09.22

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De todos os líderes dos países que estiveram representados no convénio de Samarcanda, quantos usaram máscara de "modelo KN95 ou superior" ou máscara cirúrgica? Quantos respeitaram uma distância entre si de, pelo menos, 1,5 metros? Quantos têm uma política de tolerância zero ou "zero dinâmico" nos seus países? Quantos destes paíes retomaram a normalidade? Quantos mantêm populações confinadas e obrigam ao uso de máscara? Quantos obrigam os seus residentes e os viajantes oriundos do estrangeiro a programas de quarentena em hotel? Quantos vão fazer quarentena no regresso? Dos países ali representados, quais é que são, tirando os que enfrentam situações de guerra, instabilidade interna ou embargos internacionais, os mais atrasados na sua recuperação económica e que se confrontam com mais problemas desde o início da pandemia?

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académicos

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.22

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Ontem e hoje a comunicação social em português (A um passo do céu, na edição impressa) e inglês (Local scholars Consider Gov’t pandemic response faultless’) deu conta de um estudo (research paper) de dez académicos, nove de Macau e um da RPC, publicado no International Journal of Biological Sciences, 2022, vol. 18., sob o título "COVID-19 prevention and control strategies: learning from the Macau model.".

Estou certo de que toda a gente vai aprender imenso com o que se publicou. O estudo é demonstrativo do talento de alguns académicos que temos por cá. Estão de parabéns.

Houve quem reparasse no facto dos reviewers, que eu desconheço quem foram, e que aprovaram o estudo para publicação tivessem sido indicados pelos autores, o que para mim é uma novidade, pois que normalmente os reviewers ou peer reviews são personalidades com prestígio científico, independentes e anónimas da escolha da publicação, que se admite prestigiada, onde se pretende publicar e que a validam.

Contudo, há sempre novidades nos meios académicos de Macau, e aquela foi uma delas. A outra, o que confere ainda mais elevado valor científico ao estudo, é que apenas 30% dos reviewers tinham de ser de outro país. Um número ainda assim alto.

Outro dado interessante é que o referido estudo, presume-se que na sua versão final, pois que não me parece razoável enviarem-se rascunhos para análise científica, foi submetido para apreciação em 17/12/2021, aceite para publicação em 16/7/2022, e publicado em 21/8/2022.

Não fossem esses detalhes e eu não teria reparado, por mero acaso, que tendo o estudo sido submetido em Dezembro de 2021 e aceite para publicação em 16 de Julho deste ano, já contém dados até 11 de Agosto de 2022. Brilhante. Fiquei a pensar se essas alterações introduzidas depois da aceitação para publicação mereceram qualquer apreciação pelos reviewers, mas não deixa de ser notável, quase fantástico que assim tivesse acontecido. Um verdadeiro contra-relógio. Mais uma semana e sairia com os dados de Outubro e antes destes serem conhecidos.

É claro que um estudo com estas credenciais só podia recorrer a fontes altamente credíveis. E elas estão lá todas. Das 67 (sessenta e sete) referências bibliográficas – vamos chamar-lhes assim – , é citado 1 (um) artigo de 2020 (vol. 16), por acaso publicado na mesma revista.

A esta referência juntam-se 30 (trinta) citações de artigos de imprensa publicados pelo Macau Daily (Ou Mun Iat Pou), mais 16 (dezasseis) consultas a documentos e locais da Internet do Governo de Macau (SSM, DST, PSP, IAS, GPPDP, DSEC, Portal do Governo, DSAL, etc.), 5 (cinco) referências a documentos existentes na Internet da OMS (WHO) e da ONU, e, espantoso, ainda 2 (duas) citações da BBC, e mais algumas de sites tão reputados como os da Tencent, Sina, Zhuhai News, Weixin ou a Xinhua Net. A destoar ficaram apenas 2 (duas) citações das únicas fontes que me pareceram pouco fiáveis: a Revista Lancet e a Johns Hopkins University. Tenho pena que em 67 (sessenta e sete) citações só haja 2 (duas) que não sejam de locais na Internet, embora uma delas também aí esteja disponível.

Porém, num trabalho desta envergadura é natural que não se possa exigir mais.

Tudo isto confere uma aura de tal cientificidade ao trabalho dos académicos de Macau que deviam ser estes aqueles a quem na Assembleia Legislativa alguém se referia dizendo que tínhamos de empregar em Macau alguns prémios Nobel e medalhados olímpicos. Estes ainda não o serão, mas se continuarem a publicar a este nível os académicos da Universidade de Macau (UM) são capazes de receber esse tão respeitado galardão do Nobel. Não uma, nem duas, nem três, mas várias vezes, com o que poderão dispensar mais uns quantos TNR e comprar mais terminais para acederem a mais locais interessantes na Internet.

Motivos que me levam a deixar aqui registado com comovida satisfação uma parte das conclusões finais a que a imprensa deu justo destaque: "Generally speaking, the measures and methods for managing COVID-19 in the Macau region have almost reached perfection, with the only shortfall that the economy has not yet recovered to its level as of before the pandemic outbreak because the economic connections between Macau and other countries are almost at a standstill.".

Perfeição. Evidentemente. Melhor era impossível, tanto no conteúdo quanto nas fontes.

Já antevejo o salto que a UM vai dar no ranking das universidades. No mínimo serão uns 200 a 300 lugares para gáudio do Prof. Rui Martins, do Prof. Jorge Godinho, e de todos os outros académicos que associam o seu nome à UM e que de quando em vez nos ofertam estas pérolas. 

O talento está aí. Não há nada como ver a credibilidade e a reputação internacional da UM a treparem pelos rankings acima.

Todos os PhD., MSc, Ed. D. e MD que assinam o "research paper" estão de parabéns. Este valeu por uma dúzia. Oxalá façam muitos mais assim. Macau agradece. Bem hajam.

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insegurança

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.08.22

A política da "covid zero dinâmica", tal como tem sido "vendida" aos residentes de Macau pelos Serviços de Saúde, aliás por um custo muitíssimo elevado, tem sempre em vista, ao que dizem e repetem até para justificar os maiores disparates, a segurança da população.

Isso seria verdade, e muito interessante, se houvesse em termos práticos efectiva correspondência com essa ideia de segurança.

Na realidade, o que se passa é que de cada vez que surge um caso está-se sempre à procura de ver se veio do exterior, isto é, de fora da China; ou se chegou, ainda que por hipótese académica para vender à comunicação social alinhada, nos alimentos congelados; ou se veio nas cartas e encomendas distribuídas pelos CTT; ou se o vírus entrou a cavalo de algum daqueles que teve a ousadia de se ausentar de Macau, não obstante todos os entraves levantados, os custos elevadíssimos e as penas impostas pelo Governo da RAEM.

Ontem fiquei à espera de ver o Chefe do Executivo esclarecer que, desta vez, o vírus nos chegou de Zhuhai. Sim, do outro lado da fronteira, pendurado num padeiro que trabalha num supermercado da Taipa. E que não andou a veranear no estrangeiro.

E também contava que com tanta segurança dos SSM nos fosse esclarecido como é possível que o homem tivesse andado para cá e para lá, pernoitando, subindo e descendo de autocarros, pegando ao trabalho, atravessando a fronteira, cheio de códigos coloridos, de RAT e de NAT, com todos os seus passos escrutinados, até que as autoridades do outro lado informassem as deste lado, que tantos cuidados têm para nos protegerem e não deram por nada, de que havia uma pessoa com um vírus à solta.

Não se percebe por que razão se fazem tantos testes, dando tanto dinheiro a ganhar a meia dúzia de pessoas e empresas, para depois um só indivíduo cruzar a fronteira entre Zhuhai e Macau, andando por aí à solta com o vírus, num supermercado, e logo depois obrigarem toda a gente que vive nas imediações desse estabelecimento, ainda que não tenha lá ido às compras, a fazer testes de ácido nucleico, e todos os demais a realizarem em suas casas testes de antigénio em dois dias consecutivos.

Aquilo que efectivamente se confirma, perante um caso tão corriqueiro, é que a insegurança é enorme, e que a política de "covid zero dinâmica" da RAEM é uma farsa. E não só aqui, como também se viu pelo que aconteceu este fim-de-semana numa ilha aqui perto, sem estrangeiros.

Por mais voltas que se dêem, por mais acusações que façam aos outros e aos produtos que chegam de fora, por mais bodes expiatórios que procurem, à primeira situação entram em pânico e causam transtornos e prejuízos a toda a gente, menos aos que estão a lucrar milhões com os testes.

Com um exemplo tão simples, e vindo de dentro da própria casa, se demonstra a impossibilidade de controlo de um inimigo invisível que não se compadece com a cartilha nacionalista e xenófoba de alguns crânios.

Não há nada como um banho de realidade para lhes demonstrar o quão errados estão. Bastou um caso para a casa ruir.

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mal

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.08.22

Tenho criticado as conferências de imprensa dos Serviços de Saúde de Macau sobre a situação da Covid-19. Não porque não sejam necessárias ou importantes; antes pelo que representam de atraso e paroquialismo quanto ao que ali se diz e como se diz sobre questões importantes.

Tem-se ouvido de tudo um pouco. De coisas sérias a banalidades, de dados estatísticos correctos a conversa fiada, disparates e pura propaganda. Repare-se que, muitas vezes, o que ontem era mentira hoje é verdade, e tudo é dito com igual, por vezes atabalhoada, monocórdica displicência.

Voltou a acontecer, e não será a última, com a defesa de medidas que são um insulto à inteligência de qualquer residente.

Houve quem sublinhasse a ausência de um plano de saída da crise e de abertura das fronteiras, cuja premência é cada vez mais visível, em especial depois de conhecidas as exigências que os candidatos à atribuição de concessões no próximo concurso dos jogos de fortuna ou azar devem satisfazer. Andrew W. Scott teve oportunidade de referir o irrealismo de algumas dessas condições incluídas no caderno de encargos que se colocadas de outra forma ou num contexto diferente do que nos é dado viver poderiam fazer sentido. Acrescentar aqui algo mais seria despiciendo.

Contudo, quero recordar que quando o afastamento da realidade se torna tão notório por parte de alguns dirigentes, e as decisões se apresentam de tal modo caricatas que somos tentados a beliscar-nos, passamos do que é confrangedor e deprimente para o campo da alucinação. E não será caso para menos quando há decisões que sendo tão cientificamente indefensáveis, e socialmente desajustadas, surgem justificadas com a maior desfaçatez perante o auditório como se verdades absolutas fossem.

As explicações dadas a um jornalista sobre a eventual origem da vaga de Junho, e a insistência na realização de análises em alimentos vindos de fora, isto é, de qualquer lado menos do interior do país, à revelia daquilo que é o entendimento do Governo Central e da OMS, e sem que concomitantemente seja dada uma resposta clara e se apresentem os tais estudos, não merecem qualificativo. 

A imolação de funcionários em conferências de imprensa não abona a favor de quem lá está a prestar as justificações, inexistentes, para supostamente esclarecer a opinião pública. Menos ainda funciona em benefício de quem os manda para lá arrastarem-se durante meses, semanas e dias seguidos para explicarem o que foi decidido por um obscuro comissário político e carece de senso, de razoabilidade. Porque esta simplesmente está ausente e a explicação não pode ser dada.

Para quem assiste, a insistência torna-se então sinal de um mal maior, muito maior. Vem nos livros.

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injustiças

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.05.22

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Ontem teve lugar mais uma conferência de imprensa promovida pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus dos Serviços de Saúde de Macau.

A extensão da denominação dessa entidade não tem correspondido às expectativas. E à medida que o tempo passa e a onerosidade das medidas vai agrilhoando muitos residentes, aumentam as injustiças e as dificuldades para quem, finalmente, pensava poder descobrir uma nesga de céu azul no húmido e pesado emaranhado de nuvens e poeiras que por aqui circulam.

Quando em Pequim e Hong Kong se levantam restrições, reduzindo-se períodos de quarentena e permitindo-se a entrada de estrangeiros, em Macau continua tudo aferrolhado com sete trancas. Uma espécie de colónia penal de luxo.

Se em Pequim a quarentena foi reduzida para dez dias, e em Hong Kong para sete dias, em Macau continuamos a ter catorze dias de quarentena e mais sete de auto-observação em casa. Um incompreensível sufoco.

Bem sei que a natureza dos talentos de Hong Kong e de Macau é diferente, mas será que o vírus que assintomaticamente, de quando em vez, vai aparecendo por cá também se apresenta de outra estirpe? E a variante que levou alguns ao Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane em quê que difere do vírus que circula no Interior e na região vizinha? Será que os tempos de incubação do vírus em Macau são excepcionais? Mas então tudo isso é extraordinário.

Científica e politicamente as decisões dos SSM e do Governo de Macau, que aqui não pode ficar à margem em matéria de responsabilização pelos seu efeitos nefastos, não têm qualquer justificação.

Não se pode copiar Pequim e Hong Kong só quando se trata de aumentar os ónus sobre os residentes e de cercear os seus direitos, impondo-lhes sempre maiores encargos à custa de uma visão doentia da segurança nacional. É também conveniente manter igual coerência quando em causa está o alívio de restrições e o bem-estar das populações que sempre se souberam comportar e respeitaram escrupulosamente as directivas oficiais.

E depois, a talhe de foice, repare-se que durante dois anos houve muitos residentes que entraram e saíram de Macau, beneficiaram de quarentenas gratuitas, alguns mais do que uma vez, de testes gratuitos, em muitos casos podendo escolher hotéis. Agora, quem esteve em Macau durante mais de dois anos, se quiser sair este Verão, vai ter de fazer quarentena no Hotel Tesouro, se houver quarto na data do regresso. Se escolher o Art Regency vai te de pagar por inteiro a sua estada, quando o que faria sentido, pelo menos para quem nunca beneficiou de quarentena gratuita em nenhum dos hotéis que estiveram anteriormente disponíveis, era que para a primeira vez o residente também pudesse escolher. E se esse período não fosse gratuito, então que fosse dada a possibilidade de pagar apenas a diferença de custo entre os dois hotéis. 

O sistema de marcação das quarentenas, por outro lado, está a funcionar  muito mal. Não se compreende que não haja um local único na Internet para esse efeito, na própria página dos SSM, com ligação directa aos hotéis, facilmente acessível e de leitura fácil, sem ruído visual extra. E menos se compreende que não estejam sempre garantidos quartos para as quarentenas dos passageiros dos voos que chegarão a Macau, que se sabe antecipadamente quais serão e quantos passageiros trazem. Tudo isto devia ser mais fácil, menos burocratizado e mais transparente.

Está na altura do Governo de Macau, a começar pelo seu Chefe do Executivo, assumir alguma coragem e deixar de se refugiar no medo e na acomodação.

A política, tal como a vida, é feita de riscos. Em cada momento é preciso ponderar e decidir. Não se pode ficar eternamente à espera, nem desgastar irremediavelmente o terço até que um milagre aconteça. Não se podem ignorar os malefícios de tudo o que é excessivo em matéria de controlo do vírus e de quarentenas. Basta olhar para as falências, para o aumento do desemprego e a caminhada para o abismo de pequenas, médias e até algumas grandes empresas, para se perceber que convém fazer alguma coisa que se veja. A crise não se resolve com cartões de consumo, com vales de 250 patacas para os velhinhos que se vacinarem e autorizando-se meia-dúzia de empregadas domésticas a virem das Filipinas. 

O futuro não espera. Constrói-se todos os dias. E muitas vezes chega antes do momento em que o aguardamos.

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hino

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.04.22

partito-amore.jpg

Houve tempo em que acompanhava em directo as intervenções do Chefe do Executivo (CE) e os debates na Assembleia Legislativa (AL). Depois, com o correr dos anos e o método das perguntas formuladas com antecedência, cujas respostas vinham preparadas de casa e eram monocordicamente lidas no plenário, começou a bastar-me ler o que a imprensa publicava e os resumos na rádio e na televisão para ficar com o filme completo.

Porém, esta manhã apercebi-me de que devia ter tirado o dia de ontem para escutar a intervenção de Ho Iat Seng na AL e, em especial, as suas respostas às preocupações manifestadas por alguns deputados.

Não deixa de ser notável que ao fim de mais de dois anos de pandemia, com a economia de Macau a bater no fundo, com milhares de lojas e estabelecimentos comerciais fechados por toda a cidade, com muitos técnicos qualificados a abandonarem a RAEM, sem eventos desportivos, profissionais e culturais internacionais, sem excursões nem visitantes dignos desse nome, com os casinos às moscas e a apresentarem resultados sofríveis, o CE mantenha a boa disposição, um apurado sentido de humor e continue a surpreender-nos pela sua iniciativa, despacho, incentivos e optimismo que a todos transmite.

E isso é de tal forma visível que será caso para dizermos, todos e em uníssono, que até Hong Kong, após a atribulada e interminável experiência de governação de Carrie Lam, sonha em ter um Chefe do Executivo com a visão e a confiança do nosso. Não creio que consigam. 

É verdade que o CE de Macau não pode garantir, nem sabe, como confessou, se daqui a cinco anos vamos ter prosperidade. Ninguém estava à espera que dissesse o contrário. Se aos dois anos de "tolerância zero" que levamos juntarmos os mais que aí vêm de "zero dinâmico", teremos aí à volta de sete anos; prazo curtíssimo para se garantir o que quer que seja. Muito menos uma retoma económica. 

E então se o país for milenar, e não se souber quantas variantes mais surgirão da Ómicron, nem durante quantas décadas permaneceremos fechados ao mundo, sem tradutores habilitados de Covid-19 em número suficiente, e gozando as férias sempre sonhadas na zona balnear do Canal dos Patos, parece-me que o CE esteve bem. Ele só poderá, na melhor das hipóteses, cumprir dois mandatos. Sabe do que fala. Ali, em Hong Kong, para Carrie Lam, foi um mandato e foi um pau. Compreensível, sem drama, quando se recebe o salário em notas e o espaço em casa se torna curto para guardar os maços do pé-de-meia.

Também gostei de ouvir o CE recordar 2008, quando "as concessionárias nem queriam os terrenos", e "não estavam interessadas em obter os terrenos porque as perspectivas não eram boas." A comparação foi excelente porque, como disse, "agora as concessionárias continuam a ter confiança". E a confiança é tanta, acrescente-se, que algumas acabaram por recorrer ao Tribunal de Última Instância para se livrarem de vez dos terrenos que obtiveram, havendo até empresários que se retiraram do mercado e hoje, para desgosto de alguns que também se esforçaram e ainda estão cá fora, gozam umas merecidas férias no "Coloane Hilton".

Não foi tudo. A taxa de desemprego de 4,3% entre os residentes preocupa toda a gente. Ao CE também. Dizer aos desempregados que tomem a iniciativa, que adquiram novas competências, e pedir à DSAL que simplifique os procedimentos de divulgação dos postos de trabalho é uma decisão acertada. Ex-trabalhador de empresa de promoção de jogo ou ex-comissionista do ramo da criptomoeda deverá tirar um curso de "bilingual domestic helper" junto da DSAL para preencher as vagas de trabalhadoras não-residentes e aprender a levar o cão à rua ou lavar o carro do patrão depois do entardecer para não se estragar a pintura.  

Em matéria de turismo ainda chegou uma sugestão oportuna do CE. Perante a evidência de que "não podemos ser um centro de turismo e lazer só para o interior da China" — espero que no Gabinete de Ligação e no Macau Post Daily ninguém o tenha ouvido —, o CE considerou ser agora crucial explorar novos mercados e dar continuidade ao rumo anterior no Japão, na Tailândia e Índia.

Com as fronteiras de Macau praticamente encerradas há dois anos, com os estrangeiros impedidos de entrar e com centenas de hotéis vagos destinados a quarentenas de residentes e estrangeiros, parece-me elementar que se envie o pessoal da DST a esses mercados, convidando-os a visitarem Macau num pacote que inclua uma quarentena de 21 dias no Treasure Hotel, ou noutro de qualidade similar, antes de começarem a tirar fotografias nas escadarias de S. Paulo. Um pacote destes seria sucesso garantido. E talvez viesse a ser necessário, não digo para já, aumentar as quarentenas para se facilitar a ambientação a um destino de lazer e turismo que de dia para dia afirma a sua classe mundial.

Lembrei-me, aliás, que se podia pedir ajuda a um velho general, vizinho de um banqueiro que contratava sumidades como ele para fazerem publicidade a um banco falido que burlava os depositantes, e fazer dele embaixador do turismo da RAEM.

É que o homem, caso não saibam, não só tratou de instituir a Fundação Jorge Álvares, em circunstâncias que a todos nos honraram nos jornais d'aquém e d'álém-mar, ainda conseguiu ser elevado a doutor honoris causa (que significa para os leigos "doutor por causa da honra") por uma universidade local onde ninguém o conhecia, provocando, qual filho de Deus, que Camões ressuscitasse. Um milagre que só não foi maior por não ter coincidido com o Domingo de Páscoa, o que lamentavelmente impediu o chanceler da dita de lhe enviar um ovinho de chocolate com brinde e umas amêndoas em memória da gulodice dos velhos tempos.   

O zénite da intervenção do CE só aconteceu mesmo, todavia, quando resolveu dar uma descasca nos mandriões dos deputados.

Então não é que o deputado Lei Chan U resolveu falar-lhe em "medidas para incentivar a procriação"? Pensava que o CE estava distraído. Logo este o topou e lhe perguntou qual a razão para o deputado não ter mais filhos. Toma! Já levaste. Pois claro, se só tem um, que fazia ele no hemiciclo, àquela hora, em vez de estar a ...., quer dizer, a procriar?

É verdade que "essa vontade de as pessoas procriarem tem vindo a baixar", reconheceu o CE, mas a expectativa é que "os casais tenham mais vontade". Como? Com os deputados a darem o exemplo. Muito bem. Dali, desde há muito, só nos chegam bons exemplos. Pena alguns exemplares nem sempre saírem perfeitos. Nada de grave, pois que, como escreveu a grande Natália, o importante é que "temos na procriação / prova de que houve truca-truca". O que conta.

Apesar de tudo, talvez seja este, penitencio-me, o único ponto em que não estou totalmente de acordo com o CE. Para que essa vontade de procriação cresça, ganhasse volume, e não apenas em palavras, ainda seria necessária uma pequena ajuda do Governo. Os tais estímulos à procriação que o deputado queria e com os quais concordo.

E quanto a este ponto, dir-vos-ei que como casinos, iluminações LED e néones já temos com fartura, a minha sugestão é que se invista em bares de alterne. Isso. Tanto para cavalheiros como exclusivos para senhoras. Nada de discriminações, mas onde seja proibido interagir com a mão-de-obra especializada. Para estimular a libido. Que é o que estimula a procriação. Nada de bailarico e falatório. Coisa séria. A sociedade é conservadora e convém respeitar as diferentes sensibilidades na hora do truca-truca.

Com isso, e mais uns lubrificantes finos, como acontece com as máscaras de protecção, estou seguro de que além de diversificarmos a economia se aumentava, com vontade genuína, a procriação. 

E não precisava de ser nem assistida nem com assistência. Bastavam mais uns vouchers. Ou umas "senhas para procriação" para uso exclusivo em floristas, perfumarias, casas de atoalhados, colchões, barbearias e cabeleireiros, sais de banho, automóveis desportivos, alta costura, hotéis de luxo e restaurantes discretos.

Tomem nota.

Um dia que ficará nos anais da AL. Um hino à boa governação, à procriação, aos talentos. Ao futuro.

Brindemos pois: Feliz Páscoa.

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inimaginável

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.02.22

Hong Kong enfrenta el peor brote de covid-19 desde el inicio de la pandemia  | Sociedad | EL PAÍS(créditos: El Pais, Miguel Candela/EFE)

Dois anos depois do aparecimento em Wuhan do vírus da Covid-19, e de uma apertada política de tolerância zero, Hong Kong enfrenta a sua pior vaga.

Os casos são aos milhares, diariamente, já desencadearam o auxílio do interior do país, motivaram o adiamento do calendário para escolha do próximo Chefe do Executivo, e têm gerado múltiplos apelos à vacinação por parte das autoridades locais e do próprio Governo central, incluindo do Presidente Xi Jinping, que veio lembrar ser a tarefa primordial de Carrie Lam o controlo da situação.

Curiosamente, esta vaga acontece num momento em que as fronteiras continuam fechadas, não há ligações por barco a Macau há dois anos, os movimentos pró-democracia de Hong Kong foram entretanto desmantelados, os seus líderes processados, silenciados, presos ou "exportados" para um qualquer local de exílio, o sistema eleitoral foi mudado e o Legislative Council só tem patriotas. Aparentemente estariam criadas todas as condições para que o combate à pandemia se tivesse processado de uma forma simples, segura e eficaz.

Porém, aquilo que se verifica é que esse combate está a revelar-se um fracasso. É verdade que um bandido à solta, um perigoso estudante do movimento pró-democracia ou um assaltante de ourivesarias não é o mesmo que um vírus, em qualquer uma das suas variantes, e o que serve para apanhar os primeiros não se aplica ao último. Mudar o sistema eleitoral também não serviu para ajudar a combater o vírus.

Não obstante, a semana que findou mostrou que o encarceramento social e cívico, o cerceamento de direitos e liberdades e uma política de tolerância zero, ou aparentada, que nem sequer poupou as desgraçadas das trabalhadoras filipinas, sempre com o aval do Governo central, não impediu o reaparecimento do vírus e o espectáculo deprimente dos últimos dias. As políticas de combate à pandemia, e controlo desta, impostas ao longo destes anos provocaram um rombo fortíssimo na economia e no tecido social, gerando inclusivamente problemas de natureza psicológica em muitos residentes.

Ver uma cidade como Hong Kong, rica e poderosa, uma das mais importantes praças financeiras da Ásia, em tempos uma referência mundial, actualmente governada exclusivamente por patriotas, ser chamada à atenção pelo Presidente Xi face às imagens de caos e incapacidade dos seus serviços de saúde, mostrando pacientes na rua em dias frios de Inverno, como se de uma metrópole do terceiro-mundo se tratasse, é uma tristeza que há alguns anos seria inimaginável. Mas é um bom sinal do desgoverno e do desacerto das políticas. Não é por se apertar a malha que se melhora a governação, ou os impreparados se tornam capazes.

Com a autonomia e o governo pelas suas gentes há muito hipotecado pela suas elites, seria bom que também em Macau, onde só agora se acordou para a vacinação, e o sinos tocaram a rebate, se ponha os olhos no que se está a passar em Hong Kong. 

Se aqui não se for capaz de ver o filme, continuando-se à procura de "turistas" para encherem os hotéis de Macau e a distribuir medalhas a eito aos amigos, há quem se arrisque a ser declarado incapaz para todo o serviço.

Os custos estão a ser demasiado elevados e persistentes sem qualquer garantia de recuperação a curto ou médio prazo. E uma coisa é certa: na hora de apreciação da governança o critério também será de tolerância zero. E não apenas por parte dos residentes de Macau.

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falácia

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.07.21

O Rui de Matos, irmão de um bom amigo, esteve internado com a COVID-19, mas entretanto já recebeu alta.

Fico feliz por sabê-lo, e desejo-lhe uma óptima recuperação, mas não gostaria de deixar de aqui compartilhar, com a devida vénia e agradecendo a autorização, o seu testemunho, o espírito com que enfrentou esses momentos difíceis e a sua reflexão.

Pode ser que aqui em Macau também nos sirva para alguma coisa, embora já saibamos que a nossa autonomia é, nesta matéria, também pouco menos do que zero.  

 

"A FALÁCIA DO RISCO ZERO
A minha estadia de 10 dias no “SPA” da Infeciologia C do Egas Moniz (Co\/id) apôs uma semana difícil em casa, não veio alterar uma vírgula àquilo que já pensava sobre “risco zero” e o efeito perverso deste "erro de pensamento".
Lembra-se do filme “o Caçador" em especial a forte cena da “roleta russa”? Imagine que é obrigado a jogar à “roleta russa”. Faz girar o tambor leva o revolver à testa e puxa o gatilho…Tenho duas perguntas para si:
1- Se houver 4 balas no tambor, quanto estará disposto a pagar para retirar 2 balas?
2- E se o revolver tiver apenas 1 bala no tambor, quanto estará disposto a pagar?
Curiosamente, a maioria das pessoas, tendencialmente está disposta a pagar mais no segundo caso porque o “risco” de morrer seria anulado. E o que é que isto tem de racional? Absolutamente nada! Se fizer as contas no 1º caso, a probabilidade de morrer é reduzida em dois sextos enquanto no 2º. caso é de apenas um sexto. Assim, racionalmente, a primeira hipótese vale pelo menos o dobro.
- Então, porquê que tendencialmente somos atraídos a sobrevalorizar a “ausência de risco” como a mosquitada (“especialistas” e decisores) atraídas pela "luz" do “risco zero”?
Este “erro de pensamento” apesar de comum - “zero-risk bias”- é ignorado pelos especialistas e decisores políticos. Senão vejamos, o número de “casos positivos” está a ser sustentado, com os testes antigénios (testes rápidos) pouco rigorosos e sem confirmação do PCR… No meu caso, fiz um teste rápido de farmácia dia 11 julho que deu negativo. No entanto, dois dias depois já dava positivo. Obviamente que já estava contagiado dois dias antes…
Se for adepto do “risco zero” então terá que passar a deixar o seu carro fechado na garagem pois na circulação automóvel, o risco zero só é atingido se não circular. Não existe “risco zero” e disso fui testemunha, pois o oxigénio e o soro estiveram presentes para não me deixar esquecer isso. Felizmente, esta não é a realidade da esmagadora maioria das pessoas testadas positivas, onde uma grande parte nem chega a ter sintomas e as que têm, resolvem-no em casa com 3 dias de paracetamol. Os decisores políticos estão presos a uma "matriz de risco" obsoleta, infantil mesmo, simplesmente porque o aumento de número de “casos positivos” já não “espelha” desde Março a mesma relação de aumento de mortalidade nem a ocupação hospitalar. Como se sabe continuamos com 3/4 mortes médias diárias. Porque razão, mantemos então a crença nos benefícios do risco zero, quando estamos a entrar na fase endémica da pandemia onde haverá sempre “positivos” se se testar em “massa arroz e legumes”? A explicação está na RESIGNAÇÃO da esmagadora maioria da população que prefere a falência, o desemprego e a fome, desde que mantenha a "crença no risco zero". Não percebe que com este erro de pensamento, vão também perder a saúde que resta, quando não tiverem como pagar os IMIs, a água, a luz, a prestação da casa, etc. Dificilmente sairemos deste ciclo vicioso porque os decisores políticos governam para a "maioria" convencida dos benefícios das restrições à circulação, do recolher obrigatório, que não é diferente do Estado de Emergência. Tenho sérias dúvidas que estes “especialistas de TV” que berram como cassandras, evocando sempre o aumento de restrições, venham a alterar uma vírgula do seu discurso apocalíptico enquanto o cheque deles continuar a cair na suas contas. Enquanto você empobrece a passos largos!
O recolher obrigatório decretado pelo Governo a partir das 23h é "inconstitucional". A liberdade de circulação é um direito fundamental, consagrado na Constituição da República e, segundo o seu artigo 19.º os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência". Ora não estamos em estado de emergência mas com subterfúgios conseguiram o mesmo efeito só que com outro nome. São vários os constitucionalistas que já alertaram para a "inconstitucionalidade" da medida, porque é uma medida "autoritária" e um "atentado aos direitos liberdades e garantias". Como sair deste impasse? Eu que nunca fui de manifestações, neste momento só vejo realmente uma saída. Chama-se desobediência civil, ordeira e sem vandalismo. Tem que ponderar rapidamente se tem mais medo das coimas ou do que do desemprego e da falência. Coragem, não pague e siga para tribunal. Quando encherem os tribunais cujos juízes dificilmente os condenarão pela inconstitucionalidade das medidas, os decisores políticos mudarão de opinião, tal como aconteceu na UK. Foi o facto dos ingleses massivamente virem para a rua e reclamar que já chegava de medidas restritivas sem efeito prático, que fez com que Boris Johnson anunciasse o fim das restrições a 19 de julho. Por cá, o efeito seria o mesmo mas seria necessário que os portugueses deixassem de ser RESIGNADOS e tivessem a coragem de reclamar pelos direitos fundamentais que nos estão a ser negados e sugados ao ganha-pão. Conseguiríamos o mesmo efeito prático tal como em Inglaterra. Quer melhor exemplo do que o "caso" da medida absurda com o Costa? Como se trata do PM vacinado com as 2 doses e com teste negativo, claro que não gostou da quarentena de 10 dias imposta, então a DGS, já pondera alterar algumas regras de quarentena absurdas e sem racionalidade, pois é! Deixe de ser RESIGNADO na crendice do "risco zero" e tome a mudança nas suas mãos antes que o mudem definitivamente! Se você não tomar nenhuma atitude agora, em Outubro estaremos a discutir novas medidas e restrições, com os mesmos tiques tirânicos desta gente para "salvar o Natal e nos salvar a todos!"
Rui de Matos"

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ressaca

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.07.21

Por estes dias de intensa e renovada canícula, enquanto se aguarda a chegada dos inevitáveis tufões sazonais, duas breves notícias chamaram a minha atenção.

Uma dizia respeito aos resultados das receitas do jogo durante o mês de Junho. De acordo com o que foi noticiado, o mês findo constituiu o pior mês do ano, assinalando uma quebra de 77,4% face ao primeiro semestre de 2019 e menos 37,4% de receita em relação ao mês de Maio. Junho foi também o pior mês desde Novembro de 2020. Os números não mentem e são absolutamente avassaladores para uma economia que depende quase exclusivamente do jogo para sobreviver.

A outra notícia rezava que assistimos à primeira queda anual do consumo de energia desde 1972 quando foi fundada a Companhia de Electricidade de Macau (CEM). Este é um dado assustador. 

Estamos a viver tempos de pandemia, sabemos isso, e daí? A pandemia não pode servir de justificação para tudo.

Se o ano passado, quando a situação epidémica na China e internacionalmente era muito mais complicada, ainda não havia vacinas, como justificar neste ano de 2021 os números de Macau, quando aqui as vacinas estão a ser ministradas desde Fevereiro? Como pode o Chefe do Executivo defender-se perante tais números quando a situação este ano até é melhor à nossa volta do que era no ano passado? Se a situação não fosse melhor não teríamos tantas viagens para o interior da China, a Air Macau ainda estaria a voar muito menos do que está e nem sequer se pensaria em negociar com Hong Kong a vinda de turistas do outro lado do delta.  

A conjugação desses dados, mais os cancelamentos de todas as actividades turísticas e promocionais que poderiam aumentar a receita – o Festival Internacional de Fogo de Artifício foi de novo cancelado – geram cada vez mais dúvidas e incertezas.

Está visto que não é pela distribuição de cartões de consumo que a economia vai ter qualquer melhoria. Até porque o dinheiro não dura sempre e não se pode continuar a oferecê-lo aos residentes como se caísse do céu sem nada se produzir.

Neste momento, há residentes que não arranjam trabalho e continuam a fazer muita falta trabalhadores não-residentes para inúmeras actividades. Muitas pessoas e empresas passam por dificuldades fora da Administração Pública. 

Todavia, qualquer pessoa medianamente sensata quando verifica que errou procura corrigir o erro e melhorar.

O mesmo se diga quanto a um Governo ou a um partido político. O Partido Comunista da China várias vezes no passado fez  exercícios de auto-crítica. E isso foi também estimulado por alguns Secretários-Gerais.

Por isso mesmo, hoje, em relação a momentos e episódios da sua história centenária de que não se orgulha, tratou de rectificá-los, corrigiu a sua análise histórica e postura e, inclusivamente, omitiu-os nas celebrações em curso. Isto é possível confirmar, por exemplo, pela exposição fotográfica que está patente no Fórum Macau. Quando foi preciso enveredar pelo capitalismo para o país crescer e arrancar milhões à pobreza, em Pequim não se hesitou em mudar a cartilha.

Isto leva-me a colocar a dúvida de saber quando é que na RAEM se começarão a dar passos em direcção a uma vida mais normal. Não faltam, pelo que tenho ouvido, os que começam a duvidar das capacidades de gestão política e económica locais. Que não se conseguia diversificar a economia já nos tínhamos apercebido. Mas não poderemos continuar eternamente fechados ao exterior enquanto a RAEM e os residentes empobrecem e à espera que a crise passe. Isso é muito pouco saudável e não contribui para a resolução da crise.

Se em Macau ninguém consegue ver isto, talvez seja altura de alguém dar orientações a quem precisa delas e não tem iniciativa própria. Além de não ser crime é do interesse de todos.

E também não é muito difícil de perceber que quem se comporta sempre como se tivesse o rei na barriga, pensando que sabe tudo e se mantém numa atitude passiva, de expectativa, dificilmente alguma vez obterá resultados.

Da maneira que estamos, isto é, pior do que no auge da pandemia, é que não poderemos continuar. Não se pode permitir que a recuperação seja ainda mais dolorosa do que foi o período crítico da doença.

Já nos bastou o tufão Hato para aprendermos alguma coisa.

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