Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


surpresas

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.11.15

o-CLIMATE-CONFERENCE-UN-570.jpg

COP21: Costa não pode discursar em Paris. Governo de Passos não inscreveu Portugal

Já era tarde para nos inscrevermos quando António Costa e o Governo tomaram posse. Esta conferência tem regras muito estritas e Portugal não está de facto inscrito porque não o fez em devido tempo."

 

Primeiro foi aquela história do orçamento que devia ter chegado a Bruxelas até 15 de Outubro, agora isto e o mais que há-de vir a seguir.

Explicações deve haver muitas, como para a milagrosa devolução da sobretaxa do IRS, e algumas até surgirão nos próximos dias, atabalhoadas como é a regra, mas percebe-se que fosse bem mais importante tratar da vidinha e despachar tudo à pressa e em cima do joelho do que cumprir as regras mais elementares e defender o interesse de Portugal se fazer ouvir numa das mais importantes reuniões internacionais.

Da venda da TAP a toque de caixa aos trinta mil euros para o salário de Sérgio Monteiro, de maneira a que este pudesse tratar de vender nos próximos doze meses o que eles prometeram fazer antes das eleições - o Novo Banco, para o qual diziam ter imensos interessados -, não se esqueceram eles. O país que se lixe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

cornudos

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.15

No dia 9 de Julho de 2015, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, através do Louvor 340/2015, reconhecia a qualidade do desempenho do adjunto do seu gabinete, enfatizando o seu papel na reestruturação do sector da água e dos resíduos.

Menos de dois meses volvidos fiquei a saber pelo Expresso que a Águas de Portugal (AdP) aprovou para o conselho de administração de uma das suas empresas, a AdP Serviços, a entrada desse mesmo adjunto que até ao final de Junho trabalhara com Jorge Moreira da Silva na reestruturação do sector da água.

 

Para alguns, o serviço público continua a ser uma via verde, rosa, laranja, azul-bebé, a cor é indiferente, para se ser premiado e subir na vida.

Há tempos, alguém reproduziu-me uma frase que ouvira a um seu antepassado que fora ministro: "no dia em que entrei para o Ministério os meus cavalos estavam calçados a prata, quando eu saí estavam calçados a ferro". Os tempos mudaram e já ninguém exige que o serviço público seja um serviço à borla e que uma pessoa não seja devidamente compensada pelas funções que desempenha em benefício da comunidade. Um tipo não deve, não pode, ser prejudicado, mas o exercício desse serviço à comunidade não pode servir de razão para que se transformem funções banais, desempenhadas num qualquer gabinete ministerial, num tgv social e profissional. Por muito mérito que possua quem prestou esse serviço, essa é uma imagem errada que continua a ser transmitida para as futuras gerações. Qualquer que seja a cor do governo.

Aquilo que era uma vergonha - e para mim já era e continuará a ser - com os antecessores, repete-se à beira das eleições com os laranjinhas. E não há sequer a preocupação de lhes arranjar um lugar noutra área que não tivesse estado na sua dependência ou numa relação directa com o ministro de onde se saiu. Quando o lugar desejado não é soprado ou imposto, sabe-se como se faz. Dá-se o lamiré, avança-se com a sugestão, formula-se a recomendação, e rapidamente os serventes põem o comboio em marcha. O decoro, o pudor, a vergonha, a decência, tudo isso são conceitos que há muito caíram em desuso. Nas universidades e escolas de quadros estivais ensina-se hoje que tudo deve ser feito com "transparência", às claras, tal e qual como alguns outros de má memória faziam, para que ninguém seja "prejudicado" na "carreira". Tudo de janela aberta, se possível escancarada, com direito ao louvor da praxe no jornal da caserna para que ninguém duvide dos méritos do elogiado. Às vezes, se bem me recordo, os méritos resumem-se ao transporte da mulher e dos filhos de quem elogia durante o período em questão.  

Tempos houve em que a mulher de César era e fazia questão de parecer séria. Hoje em dia tudo mudou. Caiu em desuso. Nos dias que correm a mulher de César não precisa de parecer séria porque toda a gente sabe que é uma devassa das piores, uma concubina que gosta de se exibir toda descascada nos jornais, nas revistas cor-de-rosa e nas televisões populares e do regime. E não se importa de ser vista como uma devassa porque só assim garante o futuro. Os seus amantes também não se importam de partilhá-la e de vê-la publicamente partilhada porque entram invariavelmente pela porta do cavalo, são promíscuos, dependentes e poucos dados ao recato. César, esse, lá vai pagando os seus impostos, enquanto vai fazendo figura de cornudo.

No dia 4 de Outubro, César irá colocar a cruzinha nas promessas que lhe fizeram durante dois meses. Para que tudo possa continuar na paz do Senhor. Como convém a qualquer cornudo agradecido por os amantes o deixarem continuar a viver lá em casa. Na sua casa. Na terra dos cornudos agradecidos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

vantagens

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.15

Não estou no grupo daqueles que estão sempre contra a autogestão. Penso, aliás, que a autogestão em período pré-eleitoral, no que diz respeito à actividade de governos, permite aos eleitores aperceberem-se de alguns pormenores que noutras situações passariam despercebidos. Foi assim com alguns governos do PS em fim de ciclo, está a ser assim com o actual governo. No caso das colocações dos amigalhaços em embaixadas e consulados, com a reabertura do que havia sido encerrado por Paulo Portas, bem como em relação aos serviços que andam a ser prestados para fins partidários por diversos organismos da Administração Pública, assim se justificando os impostos que pagamos, é possível ainda encontrar sinais vitais no corpo da coligação PSD/CDS. A profunda sintonia de posições entre as atitudes dos ministros e as propostas políticas dos representantes de cada um dos partidos sobre os mesmos assuntos não permite outras leituras. Mais transparente e mais sincero não há.

Autoria e outros dados (tags, etc)

negócio

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.04.15

JOSÉ_COELHOLUSA1757ad72_664x373.jpg

(Foto José Coelho, Lusa) 

 Já aqui tinha assinalado as razões pelas quais me parecia oportuna a reedição da coligação PSD/CDS-PP para as legislativas do Outono. Aproveitando a aprovação pelo Conselho Nacional do CDS-PP do acordo entre Passos Coelho e Paulo Portas, hoje registo a forma inteligente como o CDS-PP se "integrou" nessa coligação.

De acordo com o que foi conhecido, os termos desse acordo e a formação das listas respeitarão os resultados das legislativas de 2011. Em princípio, atendendo ao desgaste de quatro anos de Governo, às muitas decisões polémicas, ao número de casos obscuros - alguns em investigação, outros a iniciarem esse caminho -, às brechas no relacionamento entre os dois partidos e à diferença de discursos, seria pouco previsível que houvesse coligação. Mas o que é facto é que há e vai continuar a haver coligação. 

À partida, os resultados de 2011 para a elaboração das listas e inclusão de candidatos de cada um desses partidos favorecerá mais o CDS-PP do que o PSD. Porquê? Porque com a apetência do método de Hondt para favorecer os maiores partidos, se os partidos concorressem  isolados uma quebra da votação teria efeitos mais gravosos para o CDS-PP, em termos de deputados eleitos, do que teria para o PSD. Mas, por outro lado, também seria admissível que a verificar-se uma queda eleitoral dos partidos da coligação - ainda por provar -, essa queda seria mais pronunciada para o PSD, que liderou o Governo, do que para o CDS-PP. Para já, o PSD parte com 108 mandatos e o CDS-PP com 24, ou seja, a coligação parte com 132 deputados.   

Porém, aquele que para mim é o facto mais relevante é verificar que o CDS-PP desvaloriza a circunstância de não ter havido qualquer acordo em relação aos cabeças de lista. No PSD deve haver muita gente a esfregar as mãos. No CDS-PP talvez não tantos, pois seria natural que nalguns círculos, como por exemplo em Aveiro, aparecesse o próprio Paulo Portas a encabeçar a lista. Ao recusar o tal braço-de-ferro com o PSD por causa dos cabeças de lista, o líder do CDS-PP protege-se, ao mesmo tempo que protege o seu próprio partido.

O cumprimento do programa de ajustamento, ainda que indo muito para além da troika e com resultados péssimos ao nível do défice, da procura interna, do desemprego, da qualidade de vida dos portugueses, bem ou mal foi levado até ao fim. Se o CDS-PP se pode "orgulhar" disto não poderá, certamente, contornar as consequências desse cumprimento para o seu próprio eleitorado. Pelo menos para aquele que reclama representar: reformados e pensionistas, jovens, quadros técnicos da classe média, pequenos investidores bolsistas, pequenos aforradores, pequenos e médios empresários. Foram estes os que mais sofreram com o cumprimento do programa de ajustamento e com o desvario fiscal, aqueles que mais sentiram nos bolsos o descontrolo das contas públicas e a incapacidade do Governo para fazer os ajustamentos na máquina do Estado e da Administração Pública que impedissem a limpeza que fizeram às carteiras dos contribuintes. Estes, ao mesmo tempo que viam os seus rendimentos e parcas poupanças (os que as tinham) desaparecer, assistiam à forma complacente como "o partido dos contribuintes" assimilava os cortes nas reformas e as taxas e "taxinhas" extraordinárias em matéria de IRS, e assistiam ao crescimento da despesa do Estado.

Um mau resultado da coligação PSD/CDS-PP será sempre um mau resultado de quem liderou o Governo, e não uma consequência do desempenho mais ou menos infeliz dos ministros do CDS-PP. Levar em conta os resultados de 2011, por este prisma, como parâmetro seguido para a elaboração das futuras listas dos candidatos a deputados, foi um bom negócio para Paulo Portas. E um bom negócio será se houver um bom resultado eleitoral da coligação. Porque neste caso esse bom resultado só acontecerá, di-lo-á Paulo Portas no rescaldo, "porque o CDS-PP se manteve fiel aos seu princípios, dando o seu aval à coligação, conferindo-lhe o apoio necessário para que este resultado, de que o CDS-PP se orgulha, fosse possível". 

Habituado como está a percorrer tudo o que é feira e mercado e a assistir ao regateio dos preços, Paulo Portas percebeu que este não é o momento de fazer exigências. No final se verá se foi um bom negócio para os seus eleitores ou se só o foi para o homem dos chouriços.

Autoria e outros dados (tags, etc)

oportuna

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.04.15

ng4175555.jpg(foto JN)

A decisão de PSD e CDS-PP de se apresentarem coligados às próximas eleições legislativas é uma decisão oportuna por várias razões.

Em primeiro lugar, porque é natural que quem governou em coligação se apresente ao eleitorado nos mesmos termos em que governou, ou seja, em coligação. Se governaram juntos, se foram parceiros nas boas e nas más decisões, se entendem que o caminho que percorreram deve continuar a ser trilhado no futuro, então a decisão é perfeitamente compreensível e, em meu entender, sensata. Essa será a melhor forma do eleitorado avaliar o desempenho do Governo de Passos Coelho e manifestar o que pensa sobre o futuro que deve ser reservado aos coligados.

Depois, é uma decisão oportuna porque introduz clareza numa área tradicionalmente confusa. A coligação é uma medida higiénica que traz transparência ao eleitorado, promove uma adequada separação de águas e mostra ao eleitorado que ao centro há, por agora, pelo menos dois caminhos. Um mais à direita, outro mais à esquerda.

Também é uma decisão oportuna porque permitirá ao PS saber com o que conta, podendo dessa forma ver facilitada a sua estratégia eleitoral e consolidar as suas propostas para o país. Os portugueses sabem que o PS não irá manobrar nos bastidores um qualquer governo de "consenso" para o país.

Por outro lado, é ainda uma decisão oportuna porque também responsabilizará daqui para a frente o Presidente da República naquilo que disser e no que pontualmente venha a fazer quanto ao pouco, pouquíssimo, que lhe for exigido. Se Cavaco Silva pensava que ia ter um final de mandato calmo, fica agora com a certeza de que depois de todas as "asneiras" que promoveu as suas hipóteses de chegar ao fim sem mais problemas ficam ainda mais reduzidas. Essa é para ele uma recompensa merecida pelo seu desempenho até aqui.

Finalmente, a coligação que acabou de se apresentar ao país para as próximas eleições é também uma decisão oportuna porque mostra aos portugueses o pânico que grassa entre as hostes do PSD e do CDS-PP. Depois de todos os amuos, traições, sacudir da água do capote, intrigas e golpes a que o país assistiu, a coligação é uma imagem do estado a que chegaram e é a prova acabada de que só existe e só é anunciada nesta altura porque o desastre foi tão grande que nenhum dos partidos se sente à-vontade para se apresentar sozinho a eleições.

Esta é, pois, uma boa notícia para o país e que deve por isso mesmo ser devidamente saudada.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Calendário

Setembro 2021

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D



Posts mais comentados