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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.
(créditos: SLB)
"Não estamos na mesma categoria, sabíamos disso antes, tentámos pressioná-los, mas isso confirmou que não estamos na mesma categoria», afirmou o treinador do Nice, após o encontro."
Até pode-se não se jogar muito bem, falhar na boca do golo ou deixar transviar alguns passes, quando se sabe que o importante é mesmo jogar em equipa e não faltar a entreajuda nos momentos decisivos. Daí que não destaque nenhum deles. Dos nossos.
Aos poucos far-se-á uma grande equipa.

A única língua verdadeiramente importante é aquela em que nascemos, crescemos, pensamos, sentimos e nos exprimimos. Todas as outras são línguas de circunstância, embora esteja lá sempre presente a música e a poesia para nos aproximar a todos.
Vem isto a propósito de um espectáculo proporcionado há dias pelo Instituto Cultural aos afortunados que conseguiram bilhete para ouvir Tito Paris e a Orquestra Chinesa de Macau no Centro Cultural.
À orquestra vou escutando de tempos a tempos, mas talvez há mais de uma década que não escutava o rapaz do Mindelo. Ambos continuam a cultivar a qualidade e a proximidade ao público. Cada um no seu jeito é muito bom no que faz.
As músicas vão e vêm, cada qual no seu tempo, provando que em qualquer voz ou instrumento é possível falar vários idiomas com o português por fundo.
Porém, o que se afigura extraordinário é ver como a língua que aqui nos aproxima volteia entre acordes, ora em ritmos mais africanos de sabor lusíada, onde imperam a batida forte da percussão, os acordes do baixo, da guitarra, e a doçura do cavaquinho embalada pelo acordeão ou o violino; seja nas sonoridades orientais do gaohu, do erhu e zhonghu, nas cordas do guzheng ou da pipa e nos instrumentos de sopro tradicionais chineses, sempre navegando por um crioulo lusófono que baila e aconchega encurtando distâncias entre a doçura de uma morna ou a alegria da coladeira e do funaná, sem nunca sair daquele espaço miscigenado que faz a riqueza, a doçura e a ternura da língua em que nos perdemos quando amamos ou choramos.
Em qualquer canto, em qualquer outro idioma, qualquer que seja a forma de expressão, na música, na poesia ou num sorriso, Tito Paris e os músicos da Orquestra Chinesa de Macau, superiormente dirigidos, voltaram a provar que a minha língua portuguesa é uma fonte inesgotável de conforto, de prazer e de partilha. De Lisboa ao Mindelo, do Mindelo a Macau.
Só na diferença nos revemos. E só na distância nos aproximamos usando uma única bússola no oceano lusófono em que comunicamos e abraçamos quem chega, quem nos acolhe e quem parte.