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ressaca

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.07.21

Por estes dias de intensa e renovada canícula, enquanto se aguarda a chegada dos inevitáveis tufões sazonais, duas breves notícias chamaram a minha atenção.

Uma dizia respeito aos resultados das receitas do jogo durante o mês de Junho. De acordo com o que foi noticiado, o mês findo constituiu o pior mês do ano, assinalando uma quebra de 77,4% face ao primeiro semestre de 2019 e menos 37,4% de receita em relação ao mês de Maio. Junho foi também o pior mês desde Novembro de 2020. Os números não mentem e são absolutamente avassaladores para uma economia que depende quase exclusivamente do jogo para sobreviver.

A outra notícia rezava que assistimos à primeira queda anual do consumo de energia desde 1972 quando foi fundada a Companhia de Electricidade de Macau (CEM). Este é um dado assustador. 

Estamos a viver tempos de pandemia, sabemos isso, e daí? A pandemia não pode servir de justificação para tudo.

Se o ano passado, quando a situação epidémica na China e internacionalmente era muito mais complicada, ainda não havia vacinas, como justificar neste ano de 2021 os números de Macau, quando aqui as vacinas estão a ser ministradas desde Fevereiro? Como pode o Chefe do Executivo defender-se perante tais números quando a situação este ano até é melhor à nossa volta do que era no ano passado? Se a situação não fosse melhor não teríamos tantas viagens para o interior da China, a Air Macau ainda estaria a voar muito menos do que está e nem sequer se pensaria em negociar com Hong Kong a vinda de turistas do outro lado do delta.  

A conjugação desses dados, mais os cancelamentos de todas as actividades turísticas e promocionais que poderiam aumentar a receita – o Festival Internacional de Fogo de Artifício foi de novo cancelado – geram cada vez mais dúvidas e incertezas.

Está visto que não é pela distribuição de cartões de consumo que a economia vai ter qualquer melhoria. Até porque o dinheiro não dura sempre e não se pode continuar a oferecê-lo aos residentes como se caísse do céu sem nada se produzir.

Neste momento, há residentes que não arranjam trabalho e continuam a fazer muita falta trabalhadores não-residentes para inúmeras actividades. Muitas pessoas e empresas passam por dificuldades fora da Administração Pública. 

Todavia, qualquer pessoa medianamente sensata quando verifica que errou procura corrigir o erro e melhorar.

O mesmo se diga quanto a um Governo ou a um partido político. O Partido Comunista da China várias vezes no passado fez  exercícios de auto-crítica. E isso foi também estimulado por alguns Secretários-Gerais.

Por isso mesmo, hoje, em relação a momentos e episódios da sua história centenária de que não se orgulha, tratou de rectificá-los, corrigiu a sua análise histórica e postura e, inclusivamente, omitiu-os nas celebrações em curso. Isto é possível confirmar, por exemplo, pela exposição fotográfica que está patente no Fórum Macau. Quando foi preciso enveredar pelo capitalismo para o país crescer e arrancar milhões à pobreza, em Pequim não se hesitou em mudar a cartilha.

Isto leva-me a colocar a dúvida de saber quando é que na RAEM se começarão a dar passos em direcção a uma vida mais normal. Não faltam, pelo que tenho ouvido, os que começam a duvidar das capacidades de gestão política e económica locais. Que não se conseguia diversificar a economia já nos tínhamos apercebido. Mas não poderemos continuar eternamente fechados ao exterior enquanto a RAEM e os residentes empobrecem e à espera que a crise passe. Isso é muito pouco saudável e não contribui para a resolução da crise.

Se em Macau ninguém consegue ver isto, talvez seja altura de alguém dar orientações a quem precisa delas e não tem iniciativa própria. Além de não ser crime é do interesse de todos.

E também não é muito difícil de perceber que quem se comporta sempre como se tivesse o rei na barriga, pensando que sabe tudo e se mantém numa atitude passiva, de expectativa, dificilmente alguma vez obterá resultados.

Da maneira que estamos, isto é, pior do que no auge da pandemia, é que não poderemos continuar. Não se pode permitir que a recuperação seja ainda mais dolorosa do que foi o período crítico da doença.

Já nos bastou o tufão Hato para aprendermos alguma coisa.

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