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reprise

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.10.22

Vista 1110 2022.jpg

E três meses volvidos regresso a uma "cela" do Hotel Tesouro.

Entre 27 de Junho passado e 10 de Outubro houve uma melhoria substancial dos procedimentos de chegada ao aeroporto de Macau e entrada no hotel de quarentena.

Se antes fui largado de manhã à porta do hotel, pouco passava das 7:00 horas, tendo chegado no dia anterior pelas 16.30, desta vez realizei o check-in pelas 21:40, depois de  aterrarmos às 16:10. 

Já não foi preciso ficar-se uma hora e meia dentro do avião, e fomos poupados ao espectáculo da desinfecção das malas na pista.

Assim que saímos do avião transportaram-nos para uma sala de "convívio" dentro do próprio aeroporto, com melhores condições de acolhimento, mais limpa, com casas de banho decentes, ar condicionado, assentos mais confortáveis e com tudo muito mais bem organizado. A nossa bagagem foi transportada para esse local por alguém que não nós. Por aí, sendo nós obrigados a vivermos com este estapafúrdio regime de quarentenas, a melhoria foi apreciável e valeu a pena chamar a atenção das autoridades. Não sendo o ideal, os ganhos de eficiência e tempo são consideráveis. Será preciso, porém, continuar a porfiar.

Mas há coisas que as pessoas tardam em perceber. Uma delas é que saindo o avião da Scoot de Singapura pelas 12:10, e com refeições sofríveis a bordo, não é com uma caixa de sopa de fitas instantânea que se satisfazem os futuros "reclusos". É incompreensível que chegando-se ao hotel àquela hora da noite, após um dia de viagem, pelo menos, e uma espera estafante, não se possa tomar uma refeição decente, mesmo fria. Ou encomendá-la. Pagando. Qualquer hotel mediano tem serviço de quartos. Se uma pessoa tem de pagar pela quarentena, e tem serviço de quarto, também pagaria de bom grado por uma refeição quente à chegada. E umas bebidas, se também não querem abastecer o frigorífico do quarto. Bastava uma máquina automática na entrada do hotel. No meu caso, que não como noodles, muito menos aves, valeu-me meia sanduíche de atum. Ah, e também umas bolachas de água e sal e um chocolate que trazia na mochila. E foi tudo o que me passou pelo estreito até ao pequeno-almoço desta manhã documentado por uma das fotos que aqui deixo: dois ovos cozidos, um pão doce seco e uma garrafa de água. Bem sei que com MOP$600 por dia não se pode esperar caviar, mas para pão fresco, uma fatia de fiambre ou de queijo, iogurte e um sumo devia dar.

Quanto ao mais, lamento não me ter lembrado de guardar algumas saquetas de café e de chá do último hotel por onde passei. Estes são bens preciosos e inexistentes neste "hotel" de quarentena, tal como sal ou açúcar. Temos água ("purified driking water" e "mineralized water") e é um pau, como qualquer outro recluso. E o máximo que se consegue é aquecê-la na chaleira eléctrica. Dizem que faz bem à digestão.

De resto, o regime de reclusão penalizadora e cara para quem ousa sair e regressar a Macau mantém-se em toda a plenitude. O hotel continua a não ter Internet capaz nos quartos, e nem mesmo uma chamada telefónica para o exterior utilizando a rede do hotel se pode fazer. Quando liguei para a recepção para saber qual o número para realizar uma chamada local, ligando-me à rede da CTM, foi-me dito que tal não seria possível. Se quisesse teria de usar o meu telemóvel ou então, alternativa simpática, a recepcionista telefonaria para o número que eu queria contactar, pedindo a quem atendesse para me ligar de volta. E quem não tem telemóvel ou ficou com este avariado como poderá fazer? Não soube explicar. Não vinha no manual.

Desconheço, porque ainda lá não pernoitei, se o regime do "Coloane Hilton" será muito diferente deste, mas daquilo que me apercebo este hotel onde estou não se distingue do que se passa nalgumas prisões onde os detidos só podem falar para o exterior com autorização do director do estabelecimento e direito a escuta.  

Escuta não sei se aqui também temos. Todavia, posso garantir que o privilégio da guarda é uma realidade sempre presente e que me entra pelos olhos de cada vez que me aproximo da vidraça hermeticamente fechada da "cela" que desta vez me reservaram. Há sempre o risco de me querer escapar para uma corrida nos trilhos e depois fugir para a liberdade ... em Hengqin.

Breakfast 11102022 Treasure Hotel.jpg

Segurança Quarentena 11102022.jpg

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1 comentário

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De Pedro Coimbra a 12.10.2022 às 03:44

Mais uns tempos e sou eu a viver essa experiência.
Uma das tais de dispensava de bom grado.
E que não tem qualquer justificação.
Demasiado mau para ser compreensível.
Um abraço

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