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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.
(19/12/2025)
Esta manhã fiquei a saber que a Assembleia Legislativa "deu luz verde" a uma proposta de lei do Executivo que aumenta o salário mínimo em 1 MOP/por hora, ou seja, 0,11 cêntimos do Euro. Isto representa um valor de salário mínimo, para os que conseguem recebê-lo, de MOP$7.280,00, muito acima do que é pago aos trabalhadores domésticos.
Pelos números divulgados, apenas 18.200 pessoas, cerca de 4,4% do total dos trabalhadores, beneficiará desta "benesse" que, inclui dizer, não garante que recebam 13 meses de vencimento.
Enquanto isto acontece, continuamos a assistir ao encerramento de centenas de estabelecimentos comerciais de pequena e média dimensão pela cidade fora. Mesmo alguns há vários anos instalados em artérias principais fecham portas. Bem no centro da cidade, no Macau Square, onde funcionam múltiplas empresas, supermercados, lojas de conveniência e escritórios, incluindo Serviços do Ministério Público e o Tribunal Judicial de Base, em plena Avenida Infante D. Henrique, desaparecem lojas emblemáticas. Uma delas a Oriental Watch.
Não é, pois, apenas na zona do ZAPE e do NAPE que isso acontece. O fenómeno estende-se a toda a cidade.
(19/12/2025)
Diz-me um amigo que a "operação de limpeza" está para continuar.
Continuo sem perceber bem de quê ou de quem porque continuo a ver por aí muitas moscas que se limitam a mudar de um poiso para outro quando as enxotam. E algumas até têm boas perspectivas de continuidade.
E calculo que a diversificação também esteja para continuar, pese embora o constante aumento das receitas do jogo.
O esforço deve estar a ser colossal porque com os números que têm sido divulgados, com uma dezena de casinos-satélite já encerrados, com o Landmark a ser o último a fechar antes do virar do ano, é impressionante ver que as receitas continuam a aumentar e a dependência do orçamento do universo do jogo em vez de diminuir cresceu, e aquelas já sustentam 83% das receitas públicas.
Temia-se que com o "fim" do modelo vigente, o "extermínio" de alguns junkets e as mudanças operadas no mercado VIP, com a agulha a orientar-se para as diversas vertentes do mercado de massas, as receitas diminuíssem. Não foi isso que aconteceu.
Deve haver uma explicação "científica" para isso, tanto mais que o preço dos quartos em hotéis de luxo continua a cair, o volume do negócio a retalho caiu 5,4% e a inflação atingiu o valor mais elevado dos últimos 14 meses.
Entretanto, ficamos ainda a saber que o Aeroporto Internacional de Macau piorou o seu desempenho e fechará 2025 com menos 200 mil passageiros, e isto para já não falar na queda dos resultados nalguns bancos.
Os motivos de satisfação neste final de ano serão certamente muitos, embora eu não os esteja a ver correctamente nestes dias cinzentos e de ar insalubre. Os números é que enganam, deverá estar tudo truncado, mas garanto que a culpa não é minha.
Porém, enquanto não me chegam as análises radiosas, e radiantes, dos nossos especialistas, que contrariem os deputados Chan Lai Kei e Leong Sun Iok, que em vez de aplaudirem estes tempos que vivemos perdem tempo a alertar o Governo "para os problemas comunitários e para a necessidade de distribuir recursos financeiros de forma mais equitativa", fico-me com as auspiciosas palavras do nosso Chefe do Executivo: "a situação geral da sociedade de Macau permanece harmoniosa e estável, com progressos constantes no desenvolvimento económico e social".
Ainda bem. É só continuar como até aqui.
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(créditos: Alan Yung, 2024)