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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.

A frase do L' Équipe é enganadora.
Trubin não selou a vitória contra o Real Madrid, despachando-o para o play-off de acesso aos oitavos de final, não foi quem atirou o Olympique de Marselha, uma vez mais, para fora da Liga dos Campeões, nem entregou o apuramento directo ao Sporting. Trubin marcou o quarto golo, sim. E ontem foi um colosso a defender e a atacar.
O Benfica, que em Novembro apresentava zero pontos, após a quarta derrota consecutiva, estava para muitos mais do que eliminado da edição deste ano da Champions, sendo alvo da chacota e do gozo dos vizinhos da Segunda Circular, voltou a mostrar a sua grandeza internacional e hoje saltou para as primeiras páginas de todo o mundo.
Trubin está lá, mas não sozinho. Com o ucraniano esteve toda a equipa, o seu incansável treinador, que montou um esquema táctico capaz de funcionar na perfeição contra a equipa mais titulada do velho continente, e está a nação benfiquista espalhada por todo o mundo, representada nos mais de 64 mil adeptos que estiveram nas bancadas da catedral da Luz.
É justo sublinhar a forma como Mourinho tem feito jogar uma equipa que estava condenada, com imensos jogadores medianos, conseguindo deles o impossível. Mérito de quem treina, esforço de quem se empenha e dá o seu melhor quando veste a camisola do glorioso. Desta vez, não obstante aquela estupenda defesa e desvio de Courtois a um remate de Prestianni – um jogão do miúdo – , que por momentos nos recordou o pior desta época, não falhou.
Foram quatro golos, podiam ter sido mais, não fosse a sucessão de situações criadas e os falhanços na primeira parte, mas convenhamos que depois de estar a perder por um zero só Mourinho e os benfiquistas acreditaram que era possível dar a volta. E deram. Remataram 22 vezes à baliza com apenas 35% de posse de bola, contra 16 remates do Real.
Uma noite de classe como há muito tempo não se via por aqueles lados, um hino ao futebol, contra uma das melhores equipas do mundo, debaixo de chuva, onde todos puderam brilhar e mutuamente se ajudaram para construírem um resultado e carimbarem uma noite histórica.
Agora é aguardar o sorteio.
E esperar que esta campanha se prolongue, sendo de justiça sublinhar o magnífico percurso do Sporting e a subida de Portugal ao sexto lugar do ranking da UEFA, por troca com os Países Baixos. Depois da vitória da Selecção Nacional de Andebol, umas horas antes, contra a Espanha, foi uma noite aziaga para os nossos amigos peninsulares. Haja fair play.