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agruras

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.03.16

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Se ainda não viu, ainda está a tempo de visitar a estupenda mostra de pintura austríaca, cobrindo um século entre 1860 e 1960, que está patente no Museu de Arte de Macau. Dividida em Sonata, Andante, Minuet e Finale, a exposição reúne 89 obras de 34 colecções de entidades públicas e privadas. Partindo do evento designado como Secessão de Viena, no século XIX, podemos apreciar obras de Klimt, de Schiele, de Moser, de Kokoschka, de Pauser, de Olga Wisinger-Florian e de muitos outros. Naturezas mortas, auto-retratos, paisagens de montanha e do campo, algumas de cidades de Itália, como Positano e Nápoles, também de Xangai, cenas do quotidiano, circos e alguns nus belíssimos. 

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Lamentável é que a língua portuguesa continue a ser tão maltratada pelas entidades oficiais da RAEM. O estatuto de igualdade das línguas é cada vez mais uma miragem. Dos discursos oficiais à prática dos serviços públicos, dos tribunais à cultura, sem esquecer o que aconteceu recentemente na Universidade de Macau, a língua portuguesa continua a levar tratos de polé sem que as autoridades oficiais portuguesas lhe dêem a atenção que o assunto merece.

Aquilo de que a comunidade chinesa se queixava, com razão, no período anterior a 1999, e que durante tanto tempo foi descurado pelas autoridades portuguesas, e depois tão mal e tão tardiamente resolvido pelo último soba que por cá andou, é agora alegremente praticado pelas entidades responsáveis da RAEM, inclusive num domínio como o da cultura e num Museu, um dos mais importantes da cidade, numa mostra com características internacionais.

Como pode dizer-se que Macau é uma cidade de turismo, virada para o turismo, multicultural e aberta ao mundo e a quem nos visita, quando uma exposição tão importante como "Um século de arte austríaca 1860-1960" nem sequer tem um catálogo bilingue? Já nem digo em português, que isso é um resquício colonial, mas ao menos em inglês. Quando procurei o catálogo disseram-me que desta vez só havia em chinês. E neste nem os nomes dos pintores aparecem de outra forma que não seja em caracteres chineses. Também as explicações relativas a cada obra só existem em chinês, bem como os painéis informativos relativos aos pintores. Com excepção do painel da entrada e dos que abrem cada uma das partes da exposição, que surgem em chinês, português e inglês, o resto é tudo só para falantes e leitores chineses.

E se isto é assim num Museu de Arte e numa cidade que se diz internacional, quando ainda estamos a mais de trinta anos do final do período de transição, imaginem em que estado chegará a Língua Portuguesa a Dezembro de 2049. A avaliar pelo interesse e abastardamento a que tem sido votada pelas entidades oficiais de cá e de lá, presumo que será vista como uma lamentável excentricidade da Lei Básica da RAEM e da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a Questão de Macau com a qual ninguém se importa e que só serviu para alguns pavões retirarem dividendos políticos e receberem as bugigangas alusivas, que sem qualquer pudor ainda penduram ao peito.

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1 comentário

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De Pedro Coimbra a 01.04.2016 às 08:11

Não era nada assim com o Guilherme (Ung Vai Meng).
Pelo contrário, éramos elogiados pela qualidade de trilinguismo nos catálogos.

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