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despedida

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.01.26

árvore

Sabemos que os anos passam, que as luas mudam, e que as nossas energias por mais que se renovem não conseguem contrariar esse determinismo. Um dia a máquina entra em greve. Pára.

Este ano cairá num sábado. Seria dia de lhe telefonar no dia 28 e dar-lhe um abraço de parabéns (antecipado). Tal como ele invariavelmente fazia no dia do meu aniversário. Era assim há anos. Já não irá acontecer.

Conheci-o como o pai dos meus amigos. Depois tornou-se ele próprio meu amigo, nesta família alargada e sempre presente que me segue, e ampara, na distância. Há décadas.

Estamos nesta vida para nos acompanharmos uns aos outros. Para repartirmos a pele. Se possível com muito humor, rindo e confraternizando quando se proporciona, trocando ideias e experiências, lutando pela dignidade da pessoa humana, pelo nosso semelhante; que ao fazê-lo só nos estamos a ajudar a nós próprios, defendendo o conforto, cada vez mais privilégio de muito poucos, de se poder viver em liberdade. Connosco e com os outros. E de senti-lo e valorizá-lo em cada momento.

É o que faz de nós gente. Humanos.

Ele sabia-o como poucos, e transmitia-o com gosto.

Não obstante a ausência, que agora se prolongará, sei que continuará sempre presente, na galeria dos que tornaram mais luminosos e harmoniosos muitos dos meus dias. E as noites, não se pode esquecer, pelos livros que me deu e me continuarão a acompanhar.

E jamais esquecerei aquela manhã em que sem a menor hesitação, já retirado, se meteu no carro e fez centenas de quilómetros para depor num tribunal. Não pelo amigo, que ali era o que menos importava. Pelo colega de profissão que cumprira o dever e o que a deontologia lhe impunha perante a ignomínia da acusação. De tal forma que após as inquirições, no momento das alegações, e aproveitando o intervalo, o acusador se esgueirou, como se não tivesse sido nada com ele, e mandou o noviço recém-chegado pedir a absolvição do arguido. 

Que o seu exemplo perdure e se transmita às próximas gerações.

À Maria João, minha irmã afectiva, e ao Fernando, companheiro de todas as horas, vai daqui um forte abraço. Que ainda iremos celebrar muitos 29 de Fevereiro.

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