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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.

Em 2024 a qualidade do ar foi pior que em 2023. Foram mais 46 dias de ar insalubre do que no ano anterior. O panorama piorou no ano passado, segundo as estatísticas do ambiente. O número de dias com qualidade do ar “insalubre” e “muito insalubre” aumentou em relação a 2023.
Em 2023 já havia sido pior do que em 2022: "foram registados mais dias com má qualidade do ar face ao ano anterior", os dias com ar “insalubre” e “moderado” foram muito superiores aos dias com “boa” qualidade.
É o que leio, o que vejo.
Já perdi a conta aos dias de ar insalubre e muito insalubre. Hoje foi dos piores. O ar esteve absolutamente irrespirável.
Desde Janeiro de 2021 que foi alterada a definição do índice de qualidade do ar. A monitorização é fundamental, mas só com esta nada melhora. Há três semanas que corro num ginásio.
Andam sempre preocupados com o fumo nas paragens de autocarro, empenhados em acabar com espaços para fumadores, só que a este nível não há melhorias visíveis.
Os motociclos poluentes, os camiões e autocarros velhos continuam em grande actividade. O vento encarrega-se do resto, trazendo o que do outro lado é libertado para a atmosfera.
2025 vai pelo mesmo caminho.
As únicas preocupações residem hoje em saber quantos pseudo-turistas entraram, quantos saíram e quanto facturaram os casinos. A histeria noticiosa é total.
É para o que servem os canais da estação oficial. E para entrevistar os situacionistas militantes com a boca cheia de batatas. O enjoo é total. Começa logo às 8:00 da manhã.
A qualidade do ar piora. Um exame urgente no Hospital Conde de São Januário leva meses.
Vá lá que o silêncio aumenta. Para além dos preços nos supermercados. Haja alguma coisa que aumente.
Um futuro risonho. Oiço aplausos.

Fiquei há pouco a saber que o Sapo vai reformar-se. É uma má notícia para quem há tanto aqui anda.
Vou tentar descarregar uma cópia de todos os conteúdos aqui publicados. Oxalá consiga fazê-lo. De outro modo, terei de pedir a uma alma caridosa que o faça por mim.
A 30 de Junho também esta porta se fechará.
Até lá, é ir andando. O caminho faz-se caminhando, como diria o Antonio Machado.
Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar
Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón
Me gusta verlos pintarse de sol y grana
Volar bajo el cielo azul
Temblar súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino se hace camino al andar
Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino sino estelas en la mar
Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
“Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”
Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso