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inqualificável

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.01.26

TrumCorina Globo.jpg(créditos: Globo)

Esta manhã leio uma notícia e vejo uma fotografia. A fotografia é do Presidente do EUA e da mais recente vencedora do Prémio Nobel da Paz, a oposicionista venezuelana María Corina Machado. Na imagem que acima reproduzo vê-se o primeiro com a medalha que a segunda recebeu em Oslo.

Depois de se ter auto-proposto como candidato ao Nobel da Paz, com uma contabilidade e revelando uma ignorância e argumentos que envergonhariam qualquer aldrabão de feira, e de por várias vezes ter publicamente afirmado que gostaria de ser o escolhido e de receber o Nobel, tal o despeito por o mesmo ter sido atribuído a um dos seus antecessores na presidência; e de ter recebido das mãos do indiscritível Infantino, primeiro responsável da FIFA, um "prémio" criado à pressão para lhe satisfazer o ego e a idiotia, chegou agora a vez de se predispor a aceitar da política venezuelana o galardão que a esta fora atribuído. 

A academia sueca já tinha avisado, ao saber das primeiras intenções de Corina, de ceder o prémio ao fulano, que tal não seria possível.

Os prémios, independentemente da justiça ou injustiça da escolha e dos méritos dos galardoados, são pessoais e intransmissíveis. Obedecem normalmente a um regulamento, sendo certo que podem sempre ser recusados, o que a venezuelana não fez.

Que Donald Trump, com toda a sua estultícia, rodeado por uma corte de outros como ele e uma multidão de esquizofrénicos, energúmenos e boçais, mais o seu vasto lençol de inanidades, insultos e crimes estivesse disponível para receber a medalha, aquela ou outra qualquer, nos dias que correm não será motivo de estranheza para pessoa medianamente informada. 

Saber que a dirigente politica venezuelana, depois de destratada e ridicularizada pelo próprio Trump, e do telefonema que lhe fez na sequência do recebimento do prémio, como se estivesse a desculpar-se pelo facto de ter sido escolhida, aceitou deslocar-se à Casa Branca para  oferecer a sua própria medalha e posar para as câmaras ao lado do anfitrião é do domínio do vexame. 

Duvido que o seu gesto possa trazer quaisquer frutos para o seu povo, melhore a sua qualidade de vida, reduza a conflitualidade, aumente a paz no mundo – que seria sempre um factor a considerar –, contribua para a sua causa ou restitua a democracia, a liberdade e algum amor-próprio aos venezuelanos.

Posso estar enganado, mas um ser humano, uma mulher, uma política que diariamente se rebaixa perante aquele ogre, saído directamente das profundezas da Idade Média para as margens do Potomac, mostra não estar à altura do prémio. Desse ou de qualquer outro.

Mais ainda da sua condição e do papel desempenhado antes da atribuição.

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insalubre

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.01.26

IQ1.jpg

Em 2024 a qualidade do ar foi pior que em 2023. Foram mais 46 dias de ar insalubre do que no ano anteriorO panorama piorou no ano passado, segundo as estatísticas do ambiente. O número de dias com qualidade do ar “insalubre” e “muito insalubre” aumentou em relação a 2023.

Em 2023 já havia sido pior do que em 2022: "foram registados mais dias com má qualidade do ar face ao ano anterior", os dias com ar “insalubre” e “moderado” foram muito superiores aos dias com “boa” qualidade.

É o que leio, o que vejo.

Já perdi a conta aos dias de ar insalubre e muito insalubre. Hoje foi dos piores. O ar esteve absolutamente irrespirável.

Desde Janeiro de 2021 que foi alterada a definição do índice de qualidade do ar. A monitorização é fundamental, mas só com esta nada melhora. Há três semanas que corro num ginásio. 

Andam sempre preocupados com o fumo nas paragens de autocarro, empenhados em acabar com espaços para fumadores, só que a este nível não há melhorias visíveis.

Os motociclos poluentes, os camiões e autocarros velhos continuam em grande actividade. O vento encarrega-se do resto, trazendo o que do outro lado é libertado para a atmosfera.

2025 vai pelo mesmo caminho.

As únicas preocupações residem hoje em saber quantos pseudo-turistas entraram, quantos saíram e quanto facturaram os casinos. A histeria noticiosa é total.

É para o que servem os canais da estação oficial. E para entrevistar os situacionistas militantes com a boca cheia de batatas. O enjoo é total. Começa logo às 8:00 da manhã.

A qualidade do ar piora. Um exame urgente no Hospital Conde de São Januário leva meses.

Vá lá que o silêncio aumenta. Para além dos preços nos supermercados. Haja alguma coisa que aumente.

Um futuro risonho. Oiço aplausos.

IQ2Untitled.jpg

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sapo

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.01.26

Fiquei há pouco a saber que o Sapo vai reformar-se. É uma má notícia para quem há tanto aqui anda.

Vou tentar descarregar uma cópia de todos os conteúdos aqui publicados. Oxalá consiga fazê-lo. De outro modo, terei de pedir a uma alma caridosa que o faça por mim.

A 30 de Junho também esta porta se fechará. 

Até lá, é ir andando. O caminho faz-se caminhando, como diria o Antonio Machado.

 

Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar

Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón

Me gusta verlos pintarse de sol y grana
Volar bajo el cielo azul
Temblar súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino se hace camino al andar

Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino sino estelas en la mar

Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar

Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
“Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”

Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar

Golpe a golpe, verso a verso

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herberto

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.01.26

Se eu quisesse JPG.jpg

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
Com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
Dentro do fogo.
– Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Para o fim guardado estava o melhor bocado. Às vezes acontece assim.

E também para o início, é verdade, porque só acabei de me empanturrar ao cair a noite de 1 de Janeiro do novo ano. De 2026.

Só que desta vez não foi de broas, bolo-rei, trouxas de ovos ou papos-de-anjo. Foi com palavras. Com letras escritas em papel branco, de cheiro e sabor intensos, degustadas calma e serenamente, enquanto as horas se escoavam, sem pressas, à medida que se aproximava a derradeira página.

Aí parei, respirei fundo, e dei graças a Ele, apesar de não saber qual a medida da Sua contribuição, e a ele, digo, a eles, em verdade a todos, aos que confeccionaram tal iguaria, muito em particular ao cozinheiro que teve o engenho e a arte de procurar e reunir os ingredientes, os melhores a que uma alma pode aspirar, consultando artesãos do mesmo e de outros variados ofícios, ao mesmo tempo que meticulosamente os misturava, dava forma, levando tudo depois ao forno, até retirar o manjar no ponto e o trazer até nós, leitores, imaculado, servindo-o com tal empratamento e cuidado que logo os olhos se encantaram, certo de que qualquer que fosse o lugar e a hora a que se servisse logo faria bom proveito aos olhos de quem lê e às papilas dos que nos dias poluídos, tristes e cinzentos que por aí andam ainda encontram espaço para aconchegarem horas infinitas de prazer, noite dentro, de genuíno gozo e de estímulo aos sentidos. A todos.

Quando em 23 de Março de 2015, esse meteoro resolveu abandonar a nossa órbita e prosseguir intacto, sem se desintegrar, a sua viagem no espaço sideral, todos sabíamos, há dezenas de anos, que jamais se desintegraria em pequenos meteoritos, e continuaria a projectar a sua imensa luz pela eternidade da língua que o elevou, há muito, à condição de imortal.

Faltava, porém, quem tivesse a ousadia de nos trazer as notícias, os factos em falta, arrumados no seu percurso, e de desenhar a sua carta astral, afectiva, carnal e espiritual, com as receitas por ele deixadas, e associá-la à genealogia da sua breve e fulgurante passagem por este planeta.

Não sei se também ele, o poeta, terá emergido dos confins da Atlântida, à velocidade de um míssil, para depois regressar pela porta da Rua da Carreira, em pleno Funchal, em 23 de Novembro de 1930.

O que sabíamos, muito pouco, fora-nos revelado pelos amigos, por aqueles que com ele conviveram, o leram em primeira mão, estudando o que ao longo da vida rasurava, publicava, para logo depois voltar a rasurar, cortar, burilar, afagar, amaciar, contornar suavemente com a ponta do dedo, ciente da linha que na sua textura é capaz de ser a um tempo bela e cruel, ora protegendo, dissimulando, escondendo a ternura, como que transformando-a numa lança que entrando pelo olhar rapidamente nos trespassa até alcançar as vísceras, marcando-nos para todo o sempre.

Cicatrizes múltiplas que possuem a particularidade de se deslocarem no interior do nosso corpo, incontroláveis, sem que nada se alcance fazer para impedir a sua circulação alucinante, o modo como nos penetram e deixam ficar um rasto de mil cores e perfumes do qual, felizmente, jamais nos libertaremos.

Durante oito anos, João Pedro George entregou-se ao trabalho hercúleo de reconstruir aquele que terá sido o percurso de vida de Herberto Helder, juntando ténues fios, mapeando a sua existência, refazendo percursos e caminhos, seguindo as marcas deixadas no tempo, os nomes, os rostos, as cartas, relendo vezes sem conta, pacientemente, as palavras que o tempo não apaga, trazendo-nos casas, cafés, ruas, memórias, espaços e cheiros, alguns familiares a muitos de nós, outros que nos passaram ao lado, muitos desconhecendo a própria figura do poeta que por ali evoluiu.

Se o que fica é a obra, para quem lê essa obra esta estará sempre incompleta se não for possível se desvendar o homem, o ser humano, neste caso o génio, que se esconde por detrás dela, espreitando por cima do verso.

Das origens familiares ao seu nascimento, dos primeiros passos na ilha que o viu nascer aos dramas de infância e adolescência, da perda da mãe à atribulada relação com o pai, com passagem por Coimbra e Trás-os-Montes, e à partida para o estrangeiro, revivendo os tempos de Angola e a passagem pela Bélgica, onde comeu o pão que o diabo amassou, percorrendo a sua Lisboa, por cafés e tascas, até chegar à Cascais onde se fixou e encontrou alguma estabilidade, situando-nos sempre comodamente no lugar do comensal, aqui com mais rigor e propriedade leitor, a quem, sem que este tenha qualquer trabalho ou incómodo, lhe é servida uma refeição completa, autêntica, genuína.

Cada parágrafo, cada capítulo, é um verdadeiro pitéu de boa escrita, que nos alarga horizontes, revela o cuidado e o prazer da entrega, a ternura colocada em cada palavra, em cada linha, por quem se abalançou a escrever a editar aquela é, digo eu, se não for o melhor – sobre isso sabem os entendidos, não os leitores vulgares – mais completo e mais importante trabalho em língua portuguesa sobre a vida de Herberto Helder.

O rigor da investigação, digno de uma tese de doutoramento, o manancial de factos e episódios revelados sobre a vida e a intimidade do poeta, a elegância da escrita, a actualidade da obra, fazem de “Se eu quisesse, enlouquecia – Biografia de Herberto Helder”, editada pela Contraponto, uma obra absolutamente incontornável para se conhecer e compreender muitos dos momentos da obra e do sentir daquele que foi, depois de Camões, penso, e ao lado de Pessoa, um dos maiores poetas em língua portuguesa.

A forma como João Pedro George nos dá a conhecer o universo das relações do poeta, académicas, pessoais e profissionais – se é que como tal se podem qualificar em relação a quem foi um profissional da poesia a tempo inteiro, que durante décadas sobreviveu com dificuldade, muitas vezes em condições de existência indignas para qualquer ser humano, alimentando-se miseravelmente, vivendo na rua e em tugúrios, ajudado por amigos, conhecidos e desconhecidos com quem se ia cruzando, até conseguir nos últimos anos alguns rendimentos compatíveis com o seu estatuto para poder seguir escrevendo e preservar a sua liberdade, mantendo o olhar na única distância compatível com o arrojo, o brilho e a profundidade da observação, guiando-nos a nós, leitores, pelas veredas mais perigosas e recônditas da língua –, as circunstâncias de viagem e de vida, que marcando o homem se imortalizaram na palavra escrita, são merecedoras de justíssimo destaque e reconhecimento.

Para quem viu o poeta sempre à distância, sem nunca com ele ter trocado qualquer palavra, embora muitas vezes sentado mesmo no banco do lado, no comboio de Cascais para Lisboa, ao início da tarde, nos finais da década de setenta e na primeira metade dos anos oitenta do século XX, estava longe de imaginar que alguma vez viria a ler um trabalho do calibre deste que me chegou às mãos.

No meu ano propedêutico frequentei, graças à generosidade do Francisco Peres, o “Chico, um pequeno externato, situado nas imediações do Monte Carlo e do Tony dos Bifes, acompanhando-o para uma refeição ligeira ou um café rápido enquanto aguardava por uma aula do Carlos Piçarra, antes de me esgueirar com os amigos para os matraquilhos ou as sessões de cinema do Palácio Foz, mas só agora fiquei a perceber muita coisa desse tempo, recordando rostos que na altura me foram relativamente próximos.

Depois, durante o meu percurso na FDL, na rotina diária das aulas, ou nalgumas tardes que se prolongavam noite fora, em Lisboa, desconhecia ter pisado o mesmo chão do poeta, merendado algumas vezes nas mesmas tascas, conhecendo umas quantas pessoas que tiveram o privilégio de com ele privar.

Por tudo isso, o trabalho biográfico de João Pedro George sobre Herberto Helder, foi como que um clarão no meu compartimento de memórias do poeta, desnudando sem pudor, nem a mais pequena clemência, o fundamental da sua passagem entre nós, portugueses, da sua relação com amigos, com as paixões, umas mais volúveis do que outras, com o poder, com outros anónimos, indistintos, ou com editores, realçando aqui a criada com a Porto Editora, quase no final, e com Hermínio Monteiro, antes da morte deste ainda na Assírio, cuja decisão transmitida a Herberto em relação à avença é igualmente ela própria prova de que nem todos os editores são iguais – “mas se não houver direitos a receber a avença é paga à mesma” – e há negócios que só o são porque há algo mais que estará para lá do simples merceeirismo editorial.

Relatando, em diversas ocasiões, episódios tão hilariantes que me fizeram alta noite rir sozinho a bom rir, quanto cómicos, caso da bifana surripiada da frigideira por Sebastião Alba, que terá acabado no bolso, quanto estranhos; como outros de uma doçura, candura e generosidade tão profundas – a relação com um carteiro de quem se tornou amigo durante o tempo em que trabalhou no serviço de bibliotecas itinerantes da Gulbenkian é a melhor prova –, João Pedro George revela-nos um pouco mais da dimensão extraterrestre de Herberto, onde ressalta a sua espessura psicológica, o calibre intelectual do homem, e a sua desarmante humanidade, com todos os seus vícios e impurezas, manifestamente incapazes de obscurecerem as suas qualidades literárias, a notável perseverança e perspicuidade de que sempre deu provas na busca da perfeição, a desarmante lucidez, o culto estético da língua e do corpo até ao fim, numa altura em que praticamente já não saía de casa e não abria a janela “porque, dizia, ‘o mundo está cada vez mais feio’ ”, tão bem ilustrado nessa recomendação à mulher de que quando fosse à rua não se esquecesse de lhe trazer os jornais, incluindo o Correio da Manhã, lembrança que, causando surpresa à destinatária, visto que o poeta nunca fora leitor desse matutino, o levou a dizer, como que à laia de justificação de adolescente, que era “para ver os rabinhos”.    

Agradeço, também, por isso ao autor da biografia, e pelas imensas referências e recordações que o seu trabalho me trouxe, incluindo sobre um dos médicos que acompanhou o poeta, e com quem, por múltiplas razões familiares que aqui nada acrescentam, também me cruzei. E ainda de algumas outras pessoas, gente que tenho o privilégio de ir por aí encontrando e com quem é possível partilhar uns momentos na vertigem dos dias, e cujas relações com Herberto e a poesia desconhecia totalmente.

Enigma para mim continuará a ser a razão do poeta para uma certa aversão à divulgação da sua obra, assim como a forma como se agarrava à edição de números tão reduzidos daquilo que produzia. O disparar dos preços que isso provocava, e o seu encerramento em círculos relativamente fechados de leitores, parecem-me contraditórios face à universalidade da sua escrita e à necessidade que qualquer oficiante da escrita tem de se dar a conhecer e chegar a um público mais vasto.   

A extensa lista de testemunhos e os agradecimentos do autor a quem colaborou nesta empreitada biográfica, com justíssimo destaque para Olga Lima, a incansável viúva do poeta, em tão completo e fantástico labor – só eu, leitor, que de literatura pouco sei respondo pelos encómios –, mostram que como em qualquer cozinha de um restaurante de eleição, o trabalho que nos chega ao prato é o resultado de um esforço colectivo, cujo prémio, a estrela, é entregue ao Chef. Para satisfação de todos. De quem imaginou o prato, de quem orientou e ajudou na sua preparação, e de quem o saboreou até ao fim.

As notas que acompanham a edição, as fontes e bibliografia utilizadas e o muito completo índice onomástico que encerram as quase novecentas páginas garantem a justeza das palavras de quem o escreveu: “Um grande poeta merece uma grande biografia”. E pode o autor ficar tranquilo que é uma grande biografia, em todos os sentidos, que não abusou nem do tempo nem da paciência deste seu leitor.

Deixo aqui, associando-me a João Pedro George, um lamento para a falta de colaboração de Daniel Oliveira, ao contrário da sua irmã, para o conjunto da obra. Espero que essa inexplicável ausência – desconheço quais as razões que certamente haverá e respeito-as – possa vir a ser em breve suprida pelo próprio, até porque seria importante conhecer e saber pelo filho, cujo talento como cronista não menosprezam os genes herdados, qual a leitura que faz do progenitor e da sua obra.

No final de um ano que foi na maior parte dos seus dias cinzento, chuvoso e húmido, na pele e na alma, a modos que solitário e atribulado, muitas vezes desgastante, triste, tenso e estuporadamente injusto, consegui chegar ao seu final lendo o que, estou certo, de melhor se escreveu e publicou em Portugal no ano findo. Venham mais livros como este. Se possível muitos.

Começar um novo ano ainda acompanhado pelos seus derradeiros capítulos, antes de virar a última página, alumiou em mim a esperança de que 2026 poderá vir a ser um excelente ano.

Assim o espero. E preciso, desejando que o dos que me lêem, e dos outros que a isso são poupados, possa ser incomparavelmente melhor do que o meu. Com mais paz, menos conflitos, mais justiça e uma cascata de bons livros.

E que todos tenham a saúde e o tempo necessários para lerem este livro, cujas notas que aqui vos deixo não fazem justiça suficiente à qualidade do trabalho produzido, e outros ainda melhores, se possível, que com tanto prazer e um imenso sentimento de gratidão – ao poeta e a quem o trouxe até à livraria onde o adquiri – acabei de ler.

Irremediavelmente iluminado e enriquecido pelas letras do biógrafo e do biografado.

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repetição

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.01.26

Pode-se mudar de ano civil, de Chefe do Executivo, de dirigentes, e até dizer que se vai mudar de políticas que há uma coisa que em Macau é imutável: a falta de táxis.

Tal como em anos anteriores, repetiram-se os mesmos cenários na noite de 31/12 e nas primeiras horas de Janeiro de 2026. A vergonha continua. 

Filas intermináveis à porta dos hotéis esperando por um táxi, gente com malas à beira das estradas e nas paragens de autocarro, procurando desesperadamente um transporte que os levasse para as fronteiras terrestres e marítimas da RAEM. Não há aplicação que funcione, não há carros nas praças, não há um serviço de transportes decente numa cidade que se diz de turistas e para turistas. Tudo tretas, conversa para tolos.

Para qualquer residente, a morte chegará primeiro que um serviço de táxis decente. Felizes os que moram no interior do país ou em Hong Kong.

Os responsáveis pela DST, pelos Assuntos de Tráfego, o Secretário para os Transportes e o Chefe do Executivo deviam andar pelas ruas a tentar apanhar um táxi. Eu não me importo de acompanhá-los.

Podia ser que assim percebessem a magnitude do problema. E o grau de incompetência, ou má vontade, de quem há anos gere o sector.

Talvez por isso tenham decidido ainda agora atribuir mais umas condecorações por "bons serviços". 

Pena que não sejam dadas por serviços prestados à pátria, aos turistas e visitantes de Macau, à melhoria da imagem internacional da RAEM ou do bem-estar dos seus residentes, mas antes, creio, às corporações e ao mandarinato local.

São estes os únicos que lucram com a actual situação e a manutenção do status quo.

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