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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.

Quem acompanhe a realidade de Cabo Verde, a sua história recente, conheça a sua geografia e dificuldades, vê o que as suas gentes aos poucos vai conseguindo, o que se tem dito e escrito nas últimas décadas sobre aquele pequeno país insular da costa de África, e não pode deixar de expressar a sua admiração, apoio e encanto com os resultados. Os indicadores não enganam e estimulam à continuação.
Torna-se assim particularmente gratificante acompanhar a série de reportagens e entrevistas que a TDM tem vindo a emitir todas as noites a seguir ao Telejornal, no canal português e também na rádio, com especial ênfase nas relações de Cabo Verde com Macau e a China.
A forma como o país criou um Estado de Direito, abandonou o sistema de partido único, fez a mudança para um sistema democrático multipartidário, e consolidou uma democracia digna desse nome, com pluralismo político, respeito pelas liberdades e os direitos fundamentais da pessoa humana, protegendo as minorias e as regras do jogo, por todos aceites e cumpridas, com eleições regulares, livres e competitivas, alternância no poder e transições pacíficas e civilizadas, sublinham a inteligência, ponderação e bom senso dos seus partidos políticos e dirigentes.
Ao mesmo que tempo que consolidava a sua democracia, o país não descurou a sua obrigação de promover a educação, a saúde, a habitação, apostando na formação de quadros, num desenvolvimento sustentado e na boa governança, o que o tornou hoje num exemplo em África e no mundo que deve ser motivo de satisfação para os seus nacionais, para todos os seus amigos e o mundo da lusofonia.
Gostei bastante de acompanhar a entrevista com o Presidente José Maria Neves, mas em especial de ouvir o ex-Presidente Jorge Fonseca, meu contemporâneo em Macau nos idos de Oitenta do século passado, aquando da minha breve e única passagem pela Administração Pública, e que aqui deixou e transmitiu o melhor do seu saber e humanismo na então recém-criada Faculdade de Direito, coordenando e leccionando, contribuindo para a formação de quadros competentes, mas também servindo a Administração portuguesa no desempenho de funções nos gabinetes governativos até à sua partida.
Espero que a excelente entrevista que Jorge Carlos Fonseca deu à TDM, onde inclusivamente relatou o delicioso episódio da sua coluna n' O Clarim, com o Pedro Correia e o saudoso João Carvalho, possa ser traduzida e legendada em chinês e inglês e se torne acessível a uma audiência mais vasta que não domina a língua portuguesa.
O exemplo de Cabo Verde mostra como uma democracia pluralista pode ser factor de fortalecimento de uma nação, de paz, de criação de oportunidades para todos e de desenvolvimento social e económico.
Embora ainda haja muito a fazer, é hoje claro que se o país estivesse entregue a um líder autoritário, auxiliado por um partido único esclerosado e patriotas de confiança escolhidos por esse mesmo partido e seus satélites em eleições de fachada, num simulacro de democracia, sem uma separação de poderes actual e efectiva, na linha de Montesquieu, e hoje não seria muito diferente de outros países com regimes autoritários, sumamente mal governados, onde as cliques incompetentes e corruptas só se aguentam no poder protegidas por modernos sistemas de vigilância e controlo policiais, pela força das armas, oprimindo o seu povo sem qualquer respeito pelos direitos humanos e a dignidade da pessoa, e institucionalizando o saque dos recursos públicos como meio legítimo de enriquecimento.
Dou os parabéns à equipa da TDM que esteve em Cabo Verde, sugerindo apenas ao entrevistador que em futuros exercícios, se possível, interrompa menos os entrevistados, deixando-os acabar o raciocínio e as frases. Para que assim possam expressar livremente as suas ideias, os telespectadores ouvir tudo sem ruído e sobreposição de vozes, e não pareça que, ainda que involuntariamente, se quer orientar ou condicionar os entrevistados, cortando-lhes o discurso a meio.
Continua a ser um dos cronistas, concorde-se ou discorde-se, mais estimulantes do South China Morning Post.
Tão depressa nos traz o sobressalto como contribui para a dissipação da dúvida. E a firmeza com o que Alex Lo o faz, suportada numa argumentação, por vezes, tão abstrusa quanto linear, não deixa margem para dúvidas.
Escreveu ontem, na sua habitual coluna "My Take", que "it's hard to trust anything Trump say", o que constituindo facto público e notório dispensa a prova dos factos.
E adiante acrescentou, confiando eu na segurança e credibilidade das suas fontes, que não em mera convicção, que "[d]espite Western propaganda about an invasion, any time now, after the Ukraine war, the mainland will never invade [Taiwan], except as a last resort. Mainland Chinese would consider war a failure of state craft, our own people spilling each other's blood. Seeing what has happened in Ukraine, a far better argument is that Beijing is even less inclined to pull the trigger. It wants to take back a prosperous island, like Hong Kong and Macau, not a wasteland.".
Num mundo conturbado e com governantes que apresentam laivos de doença bipolar, é bom saber que, pelo menos quanto a esta questão, não surgirá mais nenhum candidato ao Nobel da Paz.

Ao longo dos anos têm sido inúmeras as vezes em que os residentes e os turistas se queixam da falta de táxis em Macau. Neste momento, não me vou aqui referir à péssima qualidade do serviço prestado, à falta de educação e de simpatia da maioria dos condutores, aos modos rudes e ordinários de muitos destes, às irregularidades que aumentaram 17 vezes em três anos, ao mau estado de muitas viaturas e à poluição que os veículos mais antigos provocam, vendo-se sair nuvens de fuligem dos escapes quando arrancam ou nas subidas das pontes; enfim, veículos que em cidades que funcionassem com normalidade, com uma supervisão e fiscalização eficientes, e não estivessem à mercê dos lobbies, já teriam ido para abate.
Pois bem, ontem à noite, ao ver o Telejornal da TDM fiquei a saber que numa cidade onde há uma falta imensa de táxis, na maior parte das horas do dia, mas em especial entre as 17:30 e as 20:00, talvez porque os motoristas resolvam todos render e ir jantar à mesma hora, vamos passar a ter ainda menos táxis. Isto porque há 100 licenças de táxis que irão expirar já em Setembro.
Neste cenário, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que é uma entidade que vive completamente à margem da realidade, graças à incompetência de quem a tutelou e dirigiu na última década, e continua a dirigi-la, veio dizer que como no ano passado foram atribuídos 500 alvarás de táxis, e que estes já estão todos ao serviço, isso "compensa, praticamente, o número de táxis cuja licença expira". Então se compensa escusavam de ter aberto concurso para 500, porque já então teriam 100 em excesso.
É claro que na DSAT nenhum dos patriotas que lá trabalha tem de andar de táxi, nem nunca precisou de chamar um táxi entre as 17 e as 20 horas para ir até ao terminal da Ponte Macau/HK/Zhuai para apanhar um autocarro que o leve até ao Aeroporto Internacional de Hong Kong. Ou num dia de chuva. É que nem mesmo o agendamento funciona. Ainda agora tentei agendar um carro e como se pode ver pela foto da aplicação está tudo "full". O cenário de hoje repete-se para amanhã e todos os dias até ao final da semana. Será que alguém acredita que a aplicação que utilizei ou as outras funcionam bem? Tirando no momento de lançamento do serviço nunca mais foi possível agendar um carro na aplicação para as horas e dias que necessito. E já me aconteceu agendar, confirmarem e depois não aparecer ninguém à hora marcada.
Parece-me, pois, mais do que manifesto que na DSAT e em quem a tutela se padece de um défice de compreensão da realidade envolvente. Atente-se ademais no seguinte:
1. Em 29 de Outubro de 2024, o "director da DSAT, Lam Hin San, disse no final de Setembro que existem actualmente cerca de 1.500 táxis em funcionamento e haverá um aumento para 1.700 a 1.800 táxis depois da entrada em funcionamento de todos os novos táxis", acrescentando que "o número de táxis em Macau “tem vindo a aumentar”, e que serão feitos ajustamentos no futuro de acordo com as necessidades da sociedade". (...) "[A] DSAT recordou que a RAEM lançou “atempadamente” o concurso público para a atribuição de licenças gerais de táxis ao abrigo da nova lei de transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer, visto que alguns alvarás de táxis viram o seu prazo terminado sucessivamente, respondendo assim à procura do público no que se refere ao serviço de táxis".
2. Essa mesma entidade, em 8 de Janeiro de 2025, revelou que "até ao final do ano passado, cerca de 1.700 táxis estavam em operação em Macau, sendo que o número vai aumentar para cerca de 1.800 este mês, com mais 100 táxis a prestar serviço para responder à procura do público".
3. Em Fevereiro deste ano, 2025, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok, a mesma DSAT veio dizer que "está a preparar um novo concurso público para substituir as licenças que vão caducar este ano. As autoridades indicaram também que estão a estudar formas para aumentar a taxa de resposta dos táxis às solicitações."
4. Nessa ocasião, a DSAT acrescentou que “continuará atenta à actualização legislativa e os trabalhos complementares relacionados com a prestação de serviços de transporte de passageiros por marcação online nas regiões vizinhas”, indicando que vai proceder aos “estudos necessários em tempo oportuno” e que estava a estudar “o número de táxis especiais e formas para aumentar a sua taxa de resposta à chamada, continuando a auscultar as opiniões da sociedade e a apresentar sugestões, no sentido de responder às necessidades dos residentes e turistas”.
Perante isto, seria de esperar que a DSAT tivesse realizado os estudos que prometeu à população e que a urgência impunha, em tempo oportuno, como referiu, e que já tivesse estudado as formas de aumentar a taxa de resposta dos táxis às solicitações, estando neste momento em condições de fazer os ajustamentos e dar resposta às necessidades de residentes e turistas.
Em vez disso, temos a DSAT a dizer que só agora vai encomendar um estudo – que andou a fazer desde Fevereiro de 2025? –, embora não se saiba quando, nem a quem, nem quanto tempo esse estudo vai demorar e custar. E, como se isso não bastasse e andasse a brincar com a população, a DSAT ainda vem dizer que afinal os cem táxis que faziam falta em Janeiro de 2025 já não são precisos!
Eu sei que os dirigentes desta terra estão habituados a tratar os residentes como gente estúpida, ou como crianças sem formação adequada e destituídas de massa cinzenta, que precisam de ser orientadas e esclarecidas com aqueles cartazes, anúncios e vídeos publicitários infantilizados, que dir-se-ia preparados para mentecaptos, com que somos diariamente brindados pelas instituições públicas. Como se não fossemos todos adultos, com suficiente capacidade de entendimento e compreensão, podendo raciocinar sem a ajuda dos dirigentes. Escusavam era de ir tão longe.
O sector dos taxistas, diz esta manhã o Ponto Final, "tem uma opinião completamente diferente e acredita que é necessário repor as licenças de táxi de acordo com a situação real do mercado". O Presidente da Associação de Auxílio Mútuo de Condutores de Táxi sugere atribuir mais licenças aos táxis pretos, realçando o tempo que leva o processo de concessão de novas licenças.
O vice-presidente do Conselho Consultivo do Trânsito, Lam Chi Chiu, "concorda com a necessidade complementar o número de táxis, uma vez que os cidadãos e turistas em Macau continuam a encontrar dificuldades em apanhar táxis", acrescentando que "o número de turistas tem vindo a subir os residentes relatam sempre que não conseguem apanhar ou chamar táxis", pelo que "em breve [se] vai intensificar a falta de táxis".
A reportagem que a TDM ontem passou no Telejornal mostrou cidadãos chineses a compararem, em chinês, a falta de táxis em Macau com o bom serviço oferecido no Interior do país. Numa terra onde toda a gente critica sempre com medo, esses cidadãos não se coibiram de apontar o dedo ao péssimo serviço de táxis que aqui temos e que toda a gente vê menos os Secretários para as Obras Públicas e Transportes, a DSAT e os seus dirigentes, passados e actuais.
Toda a gente se apercebe do estado miserável em que está o serviço de táxis e da gritante falta de oferta, mas tal como acontecia antes, na equipa governativa que saiu e com ex-titular da DSAT, os actuais dirigentes continuam a querer fazer dos residentes estúpidos.
É com os táxis, mas é também com a poluição dos lagos Nam Van, com as obras nas estradas, com a falta de escoamento de águas de cada que chove um pouco mais, quase que reeditando o que aconteceu no tempo do tufão Hato, com tudo entupido e os carros a boiarem. A RAEM está em obras permanentemente. A região farta-se de gastar dinheiro. Aos empreiteiros, aos fiscais e aos consultores não falta trabalho. Todos enriquecem e continua-se a não se fazer nada de jeito. Os problemas são recorrentes e passam de um ano para o outro, de um Chefe do Executivo para o seguinte, sem solução e com o maior desplante de quem é pago, e bem pago, para servir os residentes.
O Comissariado de Auditoria em 30 de Junho passado dizia que a DSAT, nem mesmo com um medíocre serviço de táxis como o que temos nesta aldeia, foi capaz de cumprir “adequadamente as suas atribuições de fiscalização”, que "o problema é particularmente grave durante os horários de pico diurnos de tráfego” e que "prejudicou a realização do interesse público".
Perante isto, numa democracia decente, só haveria uma solução. Não, não me interpretem mal, não me refiro a "dar-lhes com um pano encharcado na fronha", que com isso não se resolveria nada, embora fosse o que muitos esperariam.
O que se impunha era demiti-los com o máximo escarcéu, como fazem com aqueles que "violam a disciplina do partido", pois que isto que se passa em Macau é tão ou mais grave, atentos os elevados salários que recebem e o pouco ou nada que produzem.
Impunha-se que se mostrasse à população que vão ser tomadas medidas urgentes, sérias e eficazes para se poder ter um serviço de táxis civilizado e normal, que se corrigissem todos estes desmandos, discursos, comunicados e respostas da DSAT que envergonham qualquer governação patriótica, ofendem os residentes e são uma afronta ao bom serviço de táxis que é oferecido aqui ao lado e nas principais metrópoles chinesas aos cidadãos e aos turistas que as visitam. Isso seria o mínimo.
Não há desculpa para tanto desprezo pelos cidadãos e o interesse público. Não há desculpa para tanta falta de vergonha.
Há quem não as use. Por opção, feitio ou espírito revolucionário. Há quem seja obrigado a usá-las e se sinta contrariado. Há quem fique desconfortável quando as coloca. Há quem prefira laços e lacinhos. Há quem não saiba fazer nós. Há quem pura e simplesmente não goste delas. E há, ainda, quem não gostando de se sentir apertado aprecie tecidos, cores e padrões, não passando sem elas. Por gosto, obrigação e culto.
No Estio, nos dias de mais calor, ou porque a estação apela a vestimentas mais ligeiras, podem tornar-se desconfortáveis. Noutras épocas suportam-se bem. Falo por mim.
Já terão percebido que me estou a referir a gravatas. E hoje lembrei-me delas por duas coincidências. Por causa de um filme de Sorrentino e de um documentário – Uma vetrina chi guarda il mare – realizado por Massimiliano Gallo. Ambos, aliás, belíssimos, e trazendo-me à memória recordações de uma passagem pela cidade onde todos são, como alguém disse, filhos de Parténope.
Tanto no filme do primeiro, como no documentário do segundo, as personagens, o perfume da fotografia, o recorte das imagens, as vozes que se tornam familiares, a música e o azul vesuviano deslocam-nos para uma outra dimensão do tempo e do espaço. Dir-se-ia que estes vêm e vão ao longo do fio das histórias, mergulhando na profundidade do tempo para sempre regressarem à leveza dos dias que acompanham as marés, à aurora e ao entardecer.
E falar de gravatas é lembrar Nápoles e a Via Riviera di Chiaia, 287, próximo da Piazza della Vittoria, assim chamada em homenagem ao final da I Grande Guerra.
É nessa morada que fica um pequeno estabelecimento comercial onde são produzidas algumas, sendo certo que o gosto é algo sempre muito aleatório e discutível, das melhores, mais finas e bonitas gravatas deste planeta, sem que eu saiba se haverá outro onde tal coisa se produza com tanto esmero.
Também lá se fazem camisas e fatos, e ultimamente houve um alargamento do universo da clientela, que deixou de ser exclusivamente masculina, a avaliar pelo que actualmente se encontra disponível na Internet para quem não queira ou não possa deslocar-se até lá, ou visitar uma das lojas que entretanto abriram noutras paragens.
Tudo começou em 1914, quando o fundador, Eugenio Marinella, se lembrou de começar a importar de Inglaterra gabardinas da Aquascutum, perfumes e águas-de-colónia de Floris e Penhaligon’s, guarda-chuvas da Bridge e da Brics, sapatos de J & Dawson e chapéus da Lock & Co., fazendo camisas e fatos de homem por medida. Pretendia-se que ali ficasse “un piccolo angolo di Inghilterra a Napoli” (Matilde Serao).
Endividou-se junto de Banco de Nápoles e ali abriu um estabelecimento de apenas 22 metros quadrados, que aguentou duas guerras, sobreviveu ao fascismo, a bombardeamentos, assistiu à chegada das tropas aliadas a Salerno, em 1943, ao desembarque das brigadas marroquinas, à libertação e, mais recentemente, a uma cimeira dos G-7, até produzir em 2021, numa colaboração com a Orange Fiber, os presentes oficiais dos G-20, em Roma.
As gravatas tornaram-se no principal objecto de produção a partir do final da II Guerra, inserindo-se na melhor tradição artesanal italiana. Feitas à mão, num trabalho cuidado e paciente, numa empresa em que “tudo o que ali nasce vem do passado”, e este é respeitado em “atenção ao futuro”, tornando-se num objecto de culto para os seus amantes.
E de tal forma é assim que entre os seus clientes estão registados nomes de reis, de presidentes, de famosos de todo o mundo, uns mais antigos, outros mais actuais, uns com boa fama, outros que ganharam má fama, dos Kennedy a Chirac, de Berlusconi a Clinton, de Obama a Sarkozy, de Giovanni Agnelli a Alberto do Mónaco, de Juan Carlos de Espanha a Aristóteles Onassis, de Carlos III a Trump, de Gorbatchev a Putin e Mubarak. Maurizio Marinella diz mesmo que fez gravatas para todos os presidentes dos EUA desde John Kennedy.
Os tecidos continuam a chegar de Inglaterra e a casa está hoje na sua quarta geração, com a cidade a ver abrir a sua loja, todas as manhãs, às 6:30. Até nisto se mantém o peso da tradição.
A qualidade da sua produção, o estatuto e prestígio conquistados, e a sua fama, levaram quatro gravatas da casa Marinella à exposição “Items: Is fashion modern?”, no Moma, em Nova Iorque, em 2017/2018.
Para a divulgação internacional das gravatas, que se espraia em várias línguas, em revistas e jornais de todo o mundo, foi fundamental o contributo de nomes como Enrico de Nicola, Francesco Cossiga e Giulio Andreotti. Famosas ficaram as ofertas dos dois primeiros, enquanto Presidentes de Itália, de conjuntos de cinco ou seis gravatas aos seus homólogos, que por essa via se terão tornado nos principais embaixadores da marca, hoje um símbolo da tradição, da qualidade e da excelência italianas.
Mas de que serviria tudo isso, como ascender a tal patamar, perguntar-se-á, se o produto em causa, as gravatas, não fossem elas próprias um hino ao bom gosto, à elegância e à beleza, ou a mais do que isso, à classe e ao culto de um certo estilo que jamais passa de moda e terá sempre os seus admiradores. Quantas empresas, marcas, produtos alcançaram sucesso e desapareceram no espaço de um século, sem que hoje ninguém saiba o seu nome nem o que foi produzido?
Há uma particularidade que aqui convém referir e que é o seu preço, acessível a quase todas as bolsas, sem atingir os valores estapafúrdios e disparatados de outras marcas que sem igual história, peso ou qualidade, muitas vezes com padrões horripilantes e materiais desconfortáveis e desagradáveis ao toque vendem as suas gravatas por valores absurdos para gente normal, e só ao alcance de ricos, novos-ricos, cleptocratas africanos, autocratas asiáticos, labregos endinheirados e criminosos à solta.
“Nada é normal em Nápoles”, diz-se no documentário que acima referi, no que não se deverá estar muito longe da verdade.
Mas numa cidade em que não há meio-termo, que se ama ou se odeia, e em que muitas vezes se tem a sensação de que tudo ali oscila entre extremos, da paixão ao ódio, da riqueza à miséria, da alegria à tristeza, da luz à escuridão, a história da Marinella, pelas vicissitudes por que passou, é modelo de equilíbrio e perenidade, cuja história será, à sua dimensão e salvaguardadas as distâncias, uma parte da própria história da cidade, e que com ela se confundiu a partir do momento em que se tornou, pela paixão e ousadia de um homem, em sua extensão e símbolo.
E se no final destas linhas ainda tiverem curiosidade, estando nós em Agosto e pela silly season, vejam então o filme de Sorrentino, com os olhos e a distância de quem vê cinema, e o documentário que vos recomendo.
Deliciem-se com as imagens, dêem um mergulho nas águas do golfo, aproveitando os dias quentes e longos, e atentem, em especial, no segundo, na belíssima canção que se escuta a partir do minuto vinte e dois.
(créditos: daqui, da Isabel e da Victória)
Sim, desta vez as luzes vieram do norte, é verdade, mas foi a sul que brilharam. Foram cortinas, espirais e raios luminosos que iluminaram o céu da Luz orientados pelas estrelas do nosso cruzeiro sulista formado por Otamendi, Silva, Ríos e Barrenechea. Mais acerto no passe e na hora de rematar, mais entreajuda, visão biónica e sorte a dobrar desejam-se já para dia 16 de Agosto, com o Estrela da Amadora, e depois, para a semana, no inferno de Istambul.

"Com os fundamentos acima expostos, o Tribunal Constitucional:
a) Pronuncia-se pela inconstitucionalidade da norma do n.º 1 do artigo 98.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, na redação decorrente das alterações introduzidas pelo artigo 2.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República, por violação dos artigos 36.º, n.ºs 1 e 6, 18.º, n.º 2, 67.º, n.º 1, 68.º, n.º 1, 69.º, n.º 1, 71.º, n.º 2, 72.º, n.º 1, da Constituição;
b) Pronuncia-se pela inconstitucionalidade da norma do n.º 3 do artigo 98.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, na redação decorrente das alterações introduzidas pelo artigo 2.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República, por violação dos artigosº, n.ºs 1 e 6, 67.º, n.º 1, 68.º, n.º 1, e 69.º, n.º 1, da Constituição;
c) Pronuncia-se pela inconstitucionalidade da norma do n.º 3 do artigo 101.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, na redação decorrente das alterações introduzidas pelo artigo 2.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República, por violação da alínea b) do n.º 1 do artigo 165.º da Constituição;
d) Pronuncia-se pela inconstitucionalidade da norma do n.º 1 do artigo 105.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, na redação decorrente das alterações introduzidas pelo artigo 2.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República, quando conjugado com o n.º 3 do artigo 98.º, na redação decorrente das alterações introduzidas pelo artigo 2.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República por violação dos artigosº, n.ºs 1 e 6, 67.º, n.º 1, 68.º, n.º 1, 69.º, n.º 1, da Constituição.
e) Pronuncia-se pela inconstitucionalidade da norma do n.º 2 do artigo 87.º-B, aditado à Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, pelo artigo 3.º do Decreto n.º 6/XVII da Assembleia da República, por violação dos artigos 20.º, n.º 1, 18.º, n.º 2, e 268.º, n.º 4, da Constituição.
f) Não se pronuncia pela inconstitucionalidade das demais normas que integram o pedido."
O Tribunal Constitucional deu razão às dúvidas suscitadas pelo Presidente da República e declarou cinco inconstitucionalidades nas alterações propostas pelo Governo à Lei n.º 23/2007, ultimamente conhecida como "Lei dos Estrangeiros".
O líder do Chega já se apressou a convocar uma manifestação – "grande concentração nacional" –, na linha do que costumam fazer os comunistas e a extrema esquerda, e recorrendo ao mesmo palavreado, "contra o veto presidencial à Lei dos Estrangeiros". A manifestação terá lugar à porta do Palácio de Belém, local adequadíssimo para o efeito.
Diz Ventura que "vamos [eles] à porta do Presidente da República fazer ouvir e sentir a nossa voz [deles]. O nosso país está-nos a ser roubado."
Bastante eloquente e democrático pelo que isso significa em matéria de aceitação das regras da democracia e do Estado de Direito.
E acrescentou, o dito Ventura, sempre muito agastado com tudo o que contrarie a sua narrativa, que "a decisão de inconstitucionalidade sobre a lei dos estrangeiros não é compreensível".
Se tivesse lido e se tivesse informado talvez se tornasse compreensível.
O jovem "ministro da propaganda", Leitão Amaro, veio esclarecer que poderá haver um ajustamento de rota, mas que o destino será o mesmo.
Tenho sérias dúvidas de que no momento em que fizeram essas inflamadas afirmações qualquer um daqueles tivesse sequer lido, com atenção, o teor do extenso acórdão e os respectivos votos de vencido, que aqui deixo na íntegra para quem quiser conferir.
Em todo o caso, seria bom que se percebesse, ao contrário da ideia que se quis fazer passar, que o problema não é de fácil resolução, que as inconstitucionalidades não são desprezíveis e/ou irrelevantes, e que a margem de rejeição não foi mínima, tudo não passando de uma cabala dos "esquerdalhos", para usar a sua elevada linguagem, motivada por preconceitos ideológicos de alguns, poucos, e ainda assim a maioria, dos juízes do Tribunal Constitucional.
Independentemente das considerações jurídicas que gente muito mais habilitada, e informada, do que eu possa fazer sobre o que está verdadeiramente em discussão, não deixei de registar que as inconstitucionalidades não se cingiram a uma ou duas normas, tendo sido apontadas múltiplas em relação a várias normas.
E também seria bom que se assinalasse que até senhores conselheiros indicados pelo PSD registassem a dado passo num dos votos de vencido que a "reda[c]ção destes preceitos está longe de ser famosa, causando especial perplexidade o uso das expressões «dentro» e «fora» do território nacional – matéria em que acompanhamos a interpretação proposta no acórdão (...)", o que é bem revelador do cuidado colocado pelo Governo nas alterações propostas e de que nem tudo o que foi proposto é isento de crítica, até por quem partilha, pelo menos nalguns pontos, das mesmas convicções ideológicas e foi indicado para aquele órgão de soberania pelo partido do Governo.
Outra nota que aqui gostaria de deixar à vossa reflexão resulta de uma notícia de ontem, no Público (Liliana Borges, página 11), em que se esclarece terem as primeiras duas normas julgadas inconstitucionais o terem sido numa votação de 8 contra 5. Já na terceira norma foi verificada a inconstitucionalidade por 9 votos contra 4. O resultado da votação quanto à quarta norma foi de 8 contra 5 e na quinta norma julgada inconstitucional foi de 7 contra 6, único caso em que a diferença de votação entre os senhores conselheiros foi de apenas um voto.
Bem sei que para a turba será irrelevante ler o acórdão, comprido e aborrecido, ou perceber o que tudo isso significa. O importante é cavalgar a onda e mergulhar na espuma, mas aqui ficam curtos reparos que me parecem devidos para quando forem plantar-se à porta do Palácio de Belém e do Tribunal Constitucional.
[Nota: Já depois de elaborado este postal, fui alertado para a eventualidade de haver um eventual erro na filiação partidária, que não na proximidade política, e exercício de mandato autárquico em Lisboa por parte de um dos senhores juízes, embora o dado estivesse/esteja disponível na Internet. Na dúvida, sem confirmação absoluta, editei o texto e eliminei essa passagem, já que esta em nada compromete o essencial do texto.]
(créditos: SLB)
"Não estamos na mesma categoria, sabíamos disso antes, tentámos pressioná-los, mas isso confirmou que não estamos na mesma categoria», afirmou o treinador do Nice, após o encontro."
Até pode-se não se jogar muito bem, falhar na boca do golo ou deixar transviar alguns passes, quando se sabe que o importante é mesmo jogar em equipa e não faltar a entreajuda nos momentos decisivos. Daí que não destaque nenhum deles. Dos nossos.
Aos poucos far-se-á uma grande equipa.
Algumas tinham começado anteriormente não obstante a contestação. Outras estão em curso. Há quem não se aperceba disso, mas importa que as mudanças não passem despercebidas. E há algumas que devem ser aplaudidas. Outras nem tanto.
Havia patriotas, locais e poderosos, que ainda pensavam que tudo ia ficar como antes. Despia-se um casaco Armani, fazia-se uma declaração mais emotiva, vestia-se uma túnica zhongshan, se necessário trocava-se de passaporte, e o assunto estava resolvido.
Tudo se traduziria, no final, em trocar uns quantos peões e seguir-se-ia em frente com os negócios. Fazendo-se o que sempre se fez. Fazendo de conta. E, como até há bem pouco tempo, os responsáveis máximos da governação e os representantes oficiais da RPC continuariam a confraternizar alegremente com as elites locais, frequentando os seus salões nos momentos festivos. Cortando fitas. Porque em Macau era essa a lei da sobrevivência e dos negócios e o status quo tinha muita força.
O Despacho do Secretário para os Transportes e Obras Públicas n.º 30/2025, publicado no Boletim Oficial de ontem, 6 de Agosto, está mais uma vez aí para provar que esse tempo acabou. Desta vez não estava em causa uma concessão para desenvolvimento imobiliário ou a construção de um qualquer hotel de luxo à sombra da promessa de umas mesas de jogo.
A Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, onde todos os poderosos tinham assento, fazia o que queria. Se durante dezenas de anos, pese embora a "caridade", fez como muitos outros, o despacho publicado é mais um sinal de mudança.
A imprensa também deu conta do seu conteúdo, que consistiu na declaração de rescisão e reversão de uma concessão, que desta vez fora atribuída gratuitamente, sublinhe-se, por causa da "caridade", em 1996, no tempo da administração colonial, situada nas cercanias da Rua do Barão, para "a construção de um parque para a Escola «Kiang Wu Peng Man Luen Hap»". Era utilizada como local de estacionamento de viaturas. A alguém serviu durante dezenas de anos a utilização indevida do espaço sem que daí viesse qualquer benefício para a comunidade. E com os fiscais, sempre os mesmos, a "fecharem os olhos". Até ontem.
A escandaleira e o comprometimento eram tão grandes que, di-lo o despacho, "a concessionária não se pronunciou, em sede de audiência escrita, sobre o sentido da decisão de declarar a rescisão da concessão", por "violação do dever de utilização do terreno em conformidade com os fins consignados no título da concessão".
Poderá vir a fazê-lo, é verdade, em sede de reclamação e/ou recurso, mas se houver vergonha nada fará. E continuará em silêncio. Por causa da caridade de que se queixam tantos pobres e remediados da terra.
Longe vai o tempo dos seminários e das conferências de imprensa de dedo esticado por causa das declarações de caducidade das concessões desaproveitadas e transaccionadas à pala da especulação, e que serviam para tudo menos para o seu aproveitamento em tempo útil e de acordo com as respectivas finalidades. Caiu o pano, acabou-se a lata.
Este é um bom sinal.
Pena é que não haja outros igualmente bons para darem ânimo e esperança à população.
E que, ao contrário, aqui e ali se confirmem uns quantos muito maus. Para todos.
E de que quase ninguém se quis aperceber. Ou apercebendo-se silenciou, quando se esperava que falasse, devendo falar, sempre à espera que alguém, outro, fosse para a cara do touro. Para não se comprometerem e passarem entre os pingos da chuva.
Hoje a chuva já não pinga. Hoje chove torrencialmente. Diariamente. E o céu de chumbo, os raios e os trovões entram-nos pelos olhos, seguindo até aos ossos.
Ninguém escapará a uma boa molha. Mesmo os inocentes. Com Portugal, de terço na mão, a ver-nos.


“Beleza e Drama”, em inglês apresentada como “Beauty & Drama”, assim se intitula a exposição integrada na 4.ª edição da Bienal Internacional de Macau que está patente ao público no mastodôntico Grand Lisboa Palace, no Cotai, até 26 de Outubro de 2025.
Trata-se de uma mostra de 143 artefactos pessoais, fotografias, gravuras, desenhos, esboços, esquiços, litografias, esculturas, peças de cerâmica, que visam apresentar um tempo diferente e menos conhecido de Pablo Picasso, da sua infância e da sua relação com sua andaluza Málaga natal.
Com curadoria de Mario Virgilio Montañez Arroyo e o apoio do Museo Casa Natal Picasso, da Agencia Pública para la Gestión de la Casa Natal de Pablo Ruiz Picasso y otros Equipamentos Museísticos y Culturales e do Ayuntamiento de Málaga, a exposição está dividida em sete áreas temáticas.

Começando por nos apresentar a sua genealogia, percorremos imagens da sua meninice, das suas primeiras roupas e sapatos de bebé, datados de 1882, aqueles com os quais começou a andar e ganhou liberdade para descobrir o mundo, e recordam-se os seus primeiros anos na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madrid, adolescência que lhe deu formação no realismo clássico dos grandes mestres. Por aqui acedemos ao conhecimento de detalhes de um mundo desconhecido da maior parte dos seus admiradores, que no entender do curador se mostram fundamentais para compreender a sua obra e evolução.

“Mulheres”, assim se chama a primeira área temática, presta homenagem às mulheres mais importantes da vida de Picasso, com especial destaque para Françoise Gilot e Jacqueline Roque. Seguem-se “Cerâmicas”, incursão tardia na vida do artista, explorada quando caminhava já para os 70 anos, “Beleza” e “Mitos” – “bons artistas copiam; grandes artistas roubam”. Aqui fica-se a conhecer a sua reinterpretação de narrativas antigas , antes de se chegar à quinta secção, e uma da mais belas, intitulada “Touros”, onde é possível ver fotografias do pintor com alguns dos toureiros que admirava, e uns quantos dos seus fantásticos desenhos de touros, cavalos e picadores, hoje controversos, mas nem por isso menos belos, da festa brava e de todos os seus protagonistas.

As duas última secções são “Técnica” e “Top Ten”. A primeira revelando-nos as suas experiências na gravura, impressão e recursos a técnicas mistas. “Top Ten” é um conjunto de obras essenciais, no entender do curador, demonstrativas do seu génio artístico, apego à família, à tradição e à sua maneira de estar revolucionária. São elas Figure with a Striped Bodice (1949), Paloma with her doll, Black Background (1952), Painter Picking up his Brush, and Model with Turban (1927-28, provavelmente início de 1930), Cavalier and Horse (1952), Flute Player (1951), Luncheon on the Grass (after Manet) II (1962), The Fauns and Centaurs (1947), The Great Bullfight (1949), Games and Reading (1953) e Bust of Woman with Bodice (Jacqueline in Profile) (1957-58).

Um dos pontos, que diria alto e polémico, aliás na sequência de uma série da BBC, já com alguns anos, reside no desenho (talvez mais correctamente sketch), da pequena Raymonde, com 13 anos, que Picasso e a sua companheira Fernande Olivier terão pretendido adoptar e acabou devolvida a um orfanato em virtude de se ter descoberto que a pintara nua.
Com um interessante e apropriado recurso à Inteligência Artificial, facultando o acesso a ecrãs interactivos, registo a excelente ideia de se fazer a ligação entre secções com painéis onde se vêem reproduções de edifícios andaluzes, laranjeiras e bancos típicos dos jardins andaluzes, numa atmosfera que permite ao visitante a experiência sensorial de deixar envolver pelos aromas do jasmim, tão típico daquela região espanhola e também da China. Existe um espaço próprio para crianças, bastante conseguido e bem decorado, para aquelas poderem entreter-se e desenhar. E no final quem quiser poderá ainda adquirir reproduções e múltiplos brindes numa pequena loja junto à saída.


Numa exposição única, original e imprescindível, fica uma nota menos para a dimensão quase minúscula e a fraca iluminação de muitas placas com os detalhes das obras, em especial nalgumas que estão em língua inglesa, e para a total ausência do português, língua oficial de Macau, e do castelhano nessas mesmas placas. Ponto a rever em futuras exposições.
Por fim, seria interessante conhecer os custos desta mostra. É público que as concessionárias de jogo estão obrigadas a múltiplos investimentos nas áreas social, cultural e de espectáculos, mas a nova política de tornar tudo confidencial deixa o público sem conhecer os contratos de concessão, que por natureza e tradição deviam ser públicos, e os valores dos investimentos que estão a ser feitos.
Até para se poder comparar as opções de cada concessionária e os custos relativos dos investimentos.
Porque uma sociedade onde tudo de repente se torna secreto e confidencial, mesmo as coisas mais corriqueiras, que sempre foram públicas e que devem ser do conhecimento público, é uma sociedade doente e de gente doente. E isso nunca é bom para ninguém.
(créditos: Miguel A. Lopes/LUSA)
Primeiro jogo a sério da época. Madrugada dentro. Não podia perder a noite. E só não a perdi porque valeu pela vitória.
As equipas ainda estão com pouca rodagem, à procura de novos equilíbrios nos diversos sectores.
O Benfica com gente nova, um ou outro apontamento decente, mas falta entrosamento, escasseiam rotinas nos movimentos. É preciso tempo.
Quanto aos reforços? O mais caro de todos fartou-se de falhar passes. Muito nervoso, ainda fresco, com um pormenor muito bom na jogada do golo. Tem de aprender a não se deixar cair. Todos se mostraram esforçados, há que dar tempo ao tempo. E há gente no banco a precisar de jogar mais.
Pavlidis, como sempre, soberbo na movimentação e na finalização. Rui Silva evitou o agravamento do prejuízo.
De resto, vão ter de estar muito melhor na próxima semana contra o Nice. Com cabeça fria, bom senso e muito futebol nos pés. A Champions não é para os "brinca-na-areia".
Venham então as outras, as próximas, que a décima vai direitinha para o Cosme Damião.
(créditos: daqui)