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crónicos

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.07.25

Não sei se já repararam, mas há dois temas crónicos no noticiário local: táxis e turistas. E quase sempre pelas piores razões.

Quando são referidos não é pela melhoria da qualidade de serviço dos primeiros, por os motoristas se terem tornado mais educados, prestáveis, polidos e corteses, ou pela subida de nível dos segundos, que começaram a gastar mais e a passar mais noites nos hotéis da cidade, ou porque são agora mais civilizados e estamos todos a beneficiar com a sua presença.

Esta manhã ao ler as notícias fui rapidamente confrontado com uma realidade que demonstra a falta de vontade e incapacidade, arrastadas ao longo de mais de uma década, dos responsáveis governativos para resolverem os problemas dessas áreas.

É verdade que Sam Hou Fai só está em funções há sete meses; só que também tardam aos olhos da população os verdadeiros sinais de mudança. Tirando, é claro, os que chegam da Assembleia Legislativa e que envergonham qualquer parlamento dos sistemas capitalistas.

Aliás, a indiferença pela mudança dos motoristas de táxi, que nas datas festivas da RAEM e da RPC correm a engalanar os seus veículos, é notória e comprovada pelos números revelados: o Ponto Final esclarece que o "número de irregularidades praticadas por taxistas aumentou 17 vezes em menos de três anos", que "em comparação com o primeiro semestre do ano passado, o aumento de infracções foi de 168%" e que já ultrapassou o total de 2024. Uma vergonha de que ninguém no sector se envergonha.

A estas "ninharias" junte-se a natureza das infracções dos senhores dos táxis: desrespeito pela ordem de chegada dos utentes às praças – irregularidade que aumentou seis vezes em relação a 2024 –, recusa de transporte, onde se verificou um aumento de 72%, e irregularidades atinentes ao "evidente desvio de trajecto, cobrança abusiva e velocidade inadequada". Se a isto somarmos a dificuldade que é conseguir-se um táxi, o não atendimento de telefones nas centrais e o desrespeito pelas marcações, ficamos com a imagem completa do caos. 

É por isso importante que se diga a quem aprovou o último aumento das tarifas de táxis que o problema não estava no seu valor. O serviço, a oferta e a postura dos motoristas não melhoraram por via desses aumentos. Pagamos mais por mau, e até pior, serviço. Podem continuar a fazer a vontade às associações e aos proprietários de táxis, aumentando as tarifas, que os infractores continuarão ao volante e a fazerem das suas para prejuízo de toda a população e enriquecimento das empresas.

Quanto ao turismo, um estudo citado pelo jornal Tribuna de Macau e pela TDM refere que mais de metade dos sectores económicos não beneficiou com a recuperação turística pós-pandemia e que apenas os sectores do jogo, da hotelaria e da restauração saíram a ganhar. Sempre os mesmos a ganharem: concessionários, seus associados, e patriotas milionários que dominam esses sectores.

Quer isto dizer que a esmagadora maioria da população e o comércio tradicional não retiram qualquer benefício da inundação dos seus passeios pelas hordas de excursionistas indigentes que invadem o centro, atravessando as ruas com o semáforo no vermelho, e que ocupam os passeios para se relaxarem de cócoras à porta das lojecas de bugigangas e de sopas de fitas nas proximidades do Centro Cultural enquanto comem umas sopinhas.

Táxis e turismo são duas áreas com problemas crónicos e cuja resolução é crucial para a melhoria da qualidade de vida de quem aqui vive e de quem nos visita.

Enquanto não se perceber por onde se deve começar, se não se apostar na resolução de problemas básicos da população, não vale a pena prometer o desenvolvimento de uma indústria tecnológica fabulosa, dizer que esta vai dar novo ímpeto a Macau e que vamos viver no melhor dos mundos.

Se não houver transportes decentes para os trabalhadores poderem ir trabalhar, táxis que funcionem para os residentes e para quem queira ir visitar essa futura indústria, e turistas e empresários estrangeiros com poder para adquirirem as maravilhas que ela um dia irá produzir, não vale a pena estar a prometer "disneylândias". 

Basta de conversa. E de estudos que não servem para nada. Há problemas que têm de ser resolvidos hoje.

Haja coragem, vontade política e capacidade de decisão.

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candidato

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.07.25

Martim Mayer CoutinhoSLB.webp

Quero liderar uma candidatura independente, livre de interesses instalados, de todos aqueles que gravitam à volta do nosso clube.”

“É preocupante que o clube gaste mais de 27 milhões de euros quando as receitas de quotas de sócios são de 24 milhões – não pode ser assim.”

“A transparência financeira e a disciplina orçamental são pilares inegociáveis da nossa proposta.”

“O Benfica não deve ter medo do Benfica”

Este é o meu candidato. Um candidato para honrar a história e a dimensão do clube. Um candidato para respeitar a transparência, a seriedade, a democracia interna, a civilidade e a elevação dentro e fora das quatro linhas.

Quem representa o Benfica tem de estar à altura dos seus pergaminhos e falar uma linguagem que todos possam entender, clara, séria e que respeite os seus valores. 

Os valores do Benfica são os nossos. São os dele. São os de sempre. O Benfica primeiro.  

E a partir de hoje farei campanha por ele.

Martim Borges Coutinho Mayer à Presidência do Benfica. Honrar o passado, liderar o futuro. Porque só nós sentimos assim. 

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calçadas

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.07.25

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O mês que há dias findou findou, desde há alguns anos dedicado a Portugal nesta terra que nos acolhe, trouxe algumas boas surpresas até Macau.

Quero aqui destacar a exposição de Cláudia Falcão, na Livraria Portuguesa, artista cuja obra desconhecia por completo e que apresentou os seus trabalhos em "Pequenos Mundos em Estado Sólido". 

Por me encontar ausente da RAEM não me foi possível estar na sua inauguração, nem visitá-la mais cedo, mas importava aqui deixar esta breve nota.

Merece-o a artista, pelo seu trabalho original e minucioso, que consistiu no recurso às tão populares pedras de calcário usadas na pavimentação dos passeios portugueses, acolhidas ainda no século passado em muitos locais da cidade, entretanto reduzidos, como aconteceu no Bairro de São Lázaro, devido à excelência de um crânio que passou pelo IAM e conseguiu deixar a marca da mediocridade da sua gestão espalhada pela cidade, em monos e na falta de higiene urbana, facto que sempre passou despercebido a alguma imprensa durante o respectivo mandato. Mas deixemos essa ladainha para outros rosários.

Cláudia Falcão conseguiu com o seu talento e engenho construir uma colecção de fotografias da cidade, dos seus espaços mais icónicos e do seu dia-a-dia, que como a própria expressou no belíssimo catálogo, ou livrete, não sei como lhe chamar, da sua apresentação, ficou dividida em seis séries, cada uma delas assim eternizadas na pedra, marcas de um tempo e de um mundo que aos poucos se vai tornando cada vez mais fugaz e que se acomoda a um lugar nos livros de história muito diferente daquele que foi.

Os trabalhos da exposição "Pequenos Mundos em Estado Sólido" merecem mais divulgação, tal como a sua criadora, e a sua arte devia ser levada a outros locais onde possa ser igualmente apreciada e valorizada.

Pela minha parte irei ficar à espera de uma próxima mostra dos trabalhos da autora, daqui lhe enviando os meus parabéns pelo resultado conseguido, com algumas fotos que só não fazem justiça à originalidade e beleza do trabalho exibido por manifesta falta de jeito do fotógrafo.

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