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naufrágios

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.06.24

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[À] force d’excès de transparence, de mandats rabotés, de rémunérations plafonnées et de prérogatives réduites, on ne trouvera bientôt en politique que des moines soldats prêts a tout à sacrificier pour le bien public ou des personnalités narcissiques en quête effrénée de pouvoir et reconnaissance.

Le centriste Hervé Marseille, président de l’Union des démocrates et indépendants (UDI) et pillier du Sénat, qui traine ses guêtres en politique depuis quatre décennies, caricature à peine : « Ce n’est plus la politique pour les nuls, c’est la politique par les nuls! »”.

 

Porque o tempo não é elástico e há razões que me ultrapassam, não pude aqui deixar um comentário, pequeno que fosse, ao que aconteceu nas eleições europeias, tanto em matéria de candidaturas como de resultados. Em todo o caso, não me passou despercebida a forma tão pouco razoável como Pedro Nuno Santos e o PS violaram o contrato com o eleitorado que nas legislativas de 10 de Março havia votado no partido, convencido de que Marta Temido, Francisco Assis e Ana Catarina Mendes iriam respeitar e cumprir o mandato para que haviam sido eleitos.

Se a ideia era candidatá-los nas eleições europeias, então para quê fazê-los eleger para a Assembleia da República? Para depois se fazerem substituir por nulidades que ninguém conhece? Como é possível gente séria e decente estar na política e prestar-se a isto?

Bem se pode vociferar contra o populismo e o cavalgar extremista das múltiplas ondas que vêm e vão, que será muito difícil, enquanto as actuais circunstâncias de exercício da política se mantiverem entre nós, conseguir quanto se perceba a razão que alguns têm. E recordo-me aqui de um dos últimos escritos da Ana Sá Lopes, do muito que o Pacheco Pereira, o António Barreto, o Manuel Carvalho e também a Maria João Marques, entre outros, que também têm escrito e analisado o estado de indigência política e cívica em que nos encontramos. De tal modo que já nem o Presidente da República ou a magistratura escapam ao escrutínio dilacerante da opinião popular, não pública, que faz as delícias do jornalismo trash.

 O livro que aqui vos trago – Les Naufrageurs – acabou de sair e faz parte de um conjunto de três que recentemente adquiri. Dos outros falarei a seu tempo. Foi escrito por uma conceituada jornalista e grande repórter do Point – Nathalie Schuck – que se deu ao trabalho de procurar investigar as causas deste estado de deserção cívica em que caiu a classe política francesa, dando a palavra, como ela escreve, aos “premiers acteurs de cette machine qui s’est dangereusement grippée: les responsables politiques”.

E nesse exercício, realizado numa França cada vez mais turbulenta e que vai de novo para eleições dentro de muito pouco tempo, escutou primeiros-ministros, uns mais recentes outros mais antigos, os conselheiros e pesos-pesados dos governos de Chirac, Sarkozy, Hollande e Macron, bem como presidentes de câmara, responsáveis partidários, aspirantes ao Eliseu, altos funcionários, membros do Conselho Constitucional e do Conselho de Estado.

Tem a chancela das Éditions Robert Laffont, custou-me 19 Euros e acabou de chegar às livrarias francesas.

Não perderão nada em lê-lo, creio, independentemente do posicionamento político-ideológico que cada um assuma.

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victor

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.06.24

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Não poderia faltar. Por isso lá estive. 

Onde? Perguntar-me-ão.

Ali, na Casa Garden, paredes-meias com o Jardim Luís de Camões, onde está o espartano busto do dito, gravado no tempo da antecâmara feita na solidez da rocha que o protege das intempéries.

Ontem esteve lá o Victor. O autor, em 1989, da capa do I Glossário Jurídico Luso-Chinês. Nessa altura ninguém sabia quem era ele. E ainda hoje não sabem. Os portugueses. Os outros sabem.

Pois bem, o Victor lançou um livro, imaginem só, com todos os desenhos que fez para os cartazes do Dez de Junho. Desde 1990. Falhou dois anos. Houve um espírito menor iletrado que passou pelo Instituto Cultural sem ter percebido quem era o Victor.

A bem dizer não é um livro. É uma enciclopédia. Uma novela. Um filme. Está lá tudo. Até o quase de que quase nunca ninguém fala. Mais a senhora dona Amália e o Eusébio.

Mas ontem o Victor falou. Disse umas palavras com tudo aquilo que lhe ia na alma. Emocionou-se. Eu vi. E foi como se a noite anterior ainda não tivesse acabado. E o Álvaro, o Miguel e eu, que quase nunca estamos com o Victor, tivemos o privilégio de nos termos encontrado com ele de véspera. Mais o Nelson. Até parecia que tinha sido combinado. Ah, les grands esprits. Sauf moi.

E depois, aquela cumplicidade no olhar, tão querida e descomprometida, de quem já fez o caminho das pedras sem se perder. E voltou sempre. Deixando tudo no mesmo sítio, seguindo a ordem natural das coisas, a natureza dos homens, a beleza das mulheres, e o respeito por tudo aquilo que nos rodeia. O respeito e a gratidão.

O Victor sublinhou-o. Eu também o sublinho.

A ética dos homens livres, que sabem qual o preço da sua liberdade e o custo da ousadia, medem isso mesmo. Lêem todos o mesmo painel que o Victor registou. São três palavras muito simples, e que dizem tudo. Liberdade, respeito e gratidão.

A ordem dos factores não é aleatória. Não se nasce antes de morrer. Embora haja alguns que conseguem morrer sem nunca terem nascido. E mandam.

O Victor é tudo isso. Porque o talento dos grandes nunca sai desses parâmetros. Não há cagança, há discrição. Não há serodismo, há História.

Tal e qual como na profundidade do olhar do mocho, protegido na sua terna penugem, atravessando a cortina do tempo na verticalidade dos anos. Um após outro.

E depois, o Victor é um tipo de uma generosidade extrema, de uma alma imensa, com uma portugalidade tão vincada que me faz sentir o quanto sou pequenino, o quanto somos todos menores perante um traço maior que nos define nos cinco continentes. Para todo o sempre.

É claro que gostei do livro (obrigado pela dedicatória e o autógrafo), do momento, de sentir o quanto o Victor estava emocionado.

E recordei-me daquele dia de manhã em que me telefonou porque tinha levado o quadro errado, porque o meu não estava na galeria, estava em casa dele. Agora está em Cascais, onde pertence.

Mas não foi por isso que fiquei grato ao Victor, nem é por tal que escrevo estas linhas.

Eu escrevo porque gosto de cumprir as minhas obrigações.

Neste caso é mais do que uma obrigação. E ao contrário da minha sombra, eu não tenho gosto em deixar uma obrigação por cumprir. Cumpri-las também me dá gozo, me dá prazer, e é um acto intrínseco de liberdade.  Como quando bebo um gin & tonic e fumo um charuto. 

E escrevo aqui e agora, nesta hora de onde não avisto o golfo de Sorrento, porque os cartazes do Dez de Junho do Victor deverão, a partir de hoje, percorrer o mundo. E depois deverão ser expostos na Assembleia da República, no Museu da Presidência, percorrendo as escolas de Portugal e ilhas. Espero que a Isabel Moreira esteja atenta.

Espero que o outro Victor, o de Tóquio, ainda os possa acolher na nossa Embaixada. E que eu possa lá ir. Mais a outra sombra que me acompanha.

E que em Lisboa, no Porto, em Paris, em São Paulo, em San José, na Horta, talvez no Peter´s, onde for, encontrem um espaço e um mecenas, já que há tantos nas revistas, para pagar o transporte dos cartazes. Para que todos possam ver e conhecer o Victor. Em toda a sua simplicidade.

O que lá está não pode ser descrito. Não vemos todos a mesma coisa. E sabemos haver gente com olhos que não vê, e cegos que vêem para lá dos limites da Eternidade. Ou que viam. Como o meu padrinho Fernando Luís. Ou o Jorge Luís Borges. Que saudade, de ambos, meu Deus.

Em rigor, a razão de escrever estas linhas é que também há coisas que têm de ser ditas. Para que não se pense, um dia, que os portugueses importantes de Macau, e aqui agradeço ao anónimo, são pequenos lucíferes anões, milionários, sem pátria, que têm tempo de antena à segunda, terça e quarta-feira sempre com o mesmo fato e a mesma gravata.

Até porque o Victor não usa gravata. Não sei mesmo se ele sabe o que isso é, embora eu goste muito gravatas. De boas gravatas. E faça gosto em usá-las. Quando posso. Até se desfazerem. Às vezes depois disso.

Não, o que aqui me traz é muito mais importante do que tudo isso, só tendo paralelo na generosidade do Victor. E o Carlos irmão que me perdoe com toda a sua simpatia.

Porque o que é mesmo importante aqui ficar escrito, e os meus amigos que me desculpem, a começar pelo José Manuel, o Rui e o Luís, que já cá não estão, é que o Victor, que é igualmente um amigo, é o maior português de Macau desde os tempos do Camilo Pessanha. Isto tinha de ficar escrito.

E isto é tão rigoroso quanto a minha saudade pela Mélita, a minha paixão pela música do Brel, o encanto pela Loren, pela poesia do Fernando, a escrita do José ou do António, ou a minha paixão pela ternura da M.T. e os meus amigos.

O Victor é uma espécie de Serge Gainsbourg que fala português. Sabe rir em chinês e ainda pisca o olho aos amigos.

Não falo nelas porque nisso ele é como eu, e eu não sei quem é a sua Jane Birkin. Não temos tempo para lhes piscar os olhos porque gostamos de os ter bem abertos quando mergulhamos no seu olhar. E nos perdemos até reencontrarmos o caminho de volta.

Tirando isso, que acima ficou escrito para memória futura, recomendo-vos que façam uma visita à Catarina Cottinelli e à Casa Garden.

Certamente que já não encontrarão por lá a Amélia, nem o Carlos, que têm outras vidas, e já fizeram o seu trabalho, como outros também o fizeram, a partir do Porto, para trazerem, e entregarem, verdade seja dita, o Victor a Portugal e aos portugueses.

E uma vez mais, no mesmo dia em que Portugal estraçalhou os nossos amigos turcos em Dortmund, sob a batuta de um inspirado capitão, recomendo-vos a liberdade, o olhar, a generosidade, o encanto e a serenidade de um português de Macau.

Português como nós. Quer dizer, um bocadinho maior do que nós. 

Coisas que todos os milionários querem comprar, mas que só está ao alcance de espíritos superiores.

De génios na sua arte. De talentos que não se mercadejam. De gente como o Victor.

Saravah, Victor. A bênção, Senhor.

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P.S. Fez bem em estar presente o cônsul-geral de Portugal, Alexandre Leitão. Amanhã, provavelmente, será também caricaturado. Como muitos outros o foram. Mas só os imbecis não são suficentemente inteligentes para não se rirem da sua própria caricatura.

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inacreditável

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.06.24

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O Campeonato Europeu de Futebol 2024 começou na Alemanha. A festa do futebol está de volta. Para todos.

Isto é, para quase todos em todo o mundo e em toda a China menos para os residentes de Macau.

Ainda há dias, com toda a pompa e múltiplos encómios, aliás merecidos, se celebraram os 40 anos da Televisão de Macau, enaltecendo-se o investimento realizado, a qualidade do trabalho produzido pelos seus profissionais ao longo dos anos e a importância que este teve, e continua a ter, para aproximar Macau da China e do mundo global.

Mas logo agora que começou o Campeonato Europeu de futebol, que milhares de adeptos viajaram de toda a China para a Europa e Alemanha para acompanharem os jogos ao vivo, que o turismo chinês para a Europa é impulsionado por esse evento, como também refere o Global Times, que centenas de jovens chineses seguem os jogos ao vivo com o apoio de empresas chinesas e que milhões vêem os jogos em directo na China, os residentes do Macau, que no discurso oficial são fundamentais no esforço patriótico de segurança nacional e no apoio ao desenvolvimento de Hengqin e da Grande Baía Macau/Hong Kong/Guangdong, são inexplicavelmente deixados à margem deste grande acontecimento mundial, impossibilitados de acompanharem os jogos, em directo ou em diferido, e nem sequer a pequenos resumos dos jogos têm acesso. Vergonhosamente, os principais telejornais da TDM limitam-se a apresentar fotografias dos jogos que vão ocorrendo quando referem os resultados dos que vão ocorrendo na secção desportiva dos noticiários.

Em Macau, quem queira ver os jogos do Euro 2024 não pode contar em nada com a TDM. Que, em contrapartida, transmite jogos da Liga Japonesa. Jogos do Euro 2024 em Macau, para quem conseguir ter acesso, só através do canal CCTV 5 da televisão chinesa. Ou através de esquemas manhosos via Internet e telemóveis. Na TDM, em canal aberto, nicles. 

Todos os chineses e os portugueses residentes de Macau e fãs da Selecção Nacional e das estrelas portuguesas que iluminam relvados por todos os estádios do mundo com a sua classe e genialidade, nesta era da globalização e da meditização de tudo, ficaram arredados. E nem com a estupidificante RTP Internacional do Nicolau Santos podem contar.

É inacreditável como é que a TDM, que desde 1984, como há dias alguém lembrava, quando havia muito menos riqueza, transmite todos os jogos dos campeonatos da Europa de futebol, este ano ficou de fora.

O problema não será certamente financeiro. Se há dinheiro para a Administração andar a lançar foguetes, organizar festas, jantaradas e afins, também deveria haver para prestar serviço público a todos. Dos mais jovens, estimulando-os à prática desportiva e ao interesse pelo futebol, mostrando-lhes o melhor, para que aquele se possa desenvolver capazmente em Macau e na China, onde continua atrasadíssimo apesar dos investimentos milionários que já se fizeram, quer entretendo os mais velhos com algo mais interessante do que o seu triste dia-a-dia entre quatro paredes minúsculas num vigésimo andar da Areia Preta ou seguindo programas de propaganda avulsa e os "enlatados" para patriotas e broncos, como agora acontece com programas de debate futebolístico produzidos em Portugal, que já chegaram às emissões em horário nobre, transmitindo em diferido as elevadíssimas e importantíssimas discussões do "chuto-na-bola" em futebolês lusíada.

E se fosse preciso algum patrocínio para a transmissão dos jogos, certamente que teria sido fácil à TDM obter o apoio dos casinos ou de empresas chinesas, como a Fundação Macau, que subsidia tudo e mais um par de sapatos, o Banco da China ou o BNU, ou até a Alibaba, que também paga a David Beckham para promover o Euro 2024, tal como a Sands China lhe paga para promover o Londoner e os seus casinos, ou até a BYD dos automóveis eléctricos que levou mais de uma centena de miúdos chineses à Alemanha

Em qualquer sistema decente, os responsáveis da TDM já teriam sido chamados à pedra por tão grande manifestação de incompetência e falta de patriotismo para com os residentes de Macau, deixando-os à margem de um evento com a importância desportiva do Euro 2024. Num sistema de natureza cacical e paroquial, que premeia o carneirismo, o espirito acrítico e cultiva a ignorância e o chico-espertismo, em lugar da ética, da inteligência e da responsabilidade individual, ainda havemos de os ver condecorados. É só uma questão de tempo.

Esta falha da TDM, que deveria valer um pedido de desculpas à população por parte dos polícias que nela mandam, gravíssima pelo grau de incompetência que revela e que seria impensável no tempo de Manuel Pires e antecessores, até faz lembrar os tristes episódios da contratação de professores não-residentes pela Escola Portuguesa de Macau. 

A esperteza, a pesporrência e o talento só os inclinam para a asneira. E da grossa.

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chef

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.06.24

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Os sabores portugueses sempre se comeram muito bem. O número de bons restaurantes, dentro e fora dos grandes centros, espalhados por todo o lado, tanto no continente como nas ilhas, é a melhor prova disso mesmo.

Nas últimas décadas, depois do vinho, a nossa culinária também se internacionalizou.

Primeiro com os muitos que nos visitavam e que apaixonados pelo sol, o azul profundo, a luz, o acolhimento, o vinho e a comida boa e acessível voltavam. Mais tarde com a saída dos nossos grandes cozinheiros, que modernamente desapareceram e se tornaram todos "Chefs", e foram trabalhar para restaurantes vanguardistas fora de portas, mostrando a excelência, aqui sim com toda a propriedade, da nossa gastronomia.

Contudo, nem todos adquirem o estatuto e a projecção nacional e internacional, ultimamente reflectida no número de estrelas Michelin que ostentam, de alguns. E entre estes está, numa pequena elite que paira muito alto, um dos grandes e mais respeitados portugueses contemporâneos. O Chef por excelência. Por opção e amor à arte, hoje presente no rectângulo à beira do Atlântico, venerada em inúmeros programas de televisão, em livros, e espalhada por vários continentes, em verdadeiros templos de devoção aos sentidos e ao aconchego dos estômagos. De Miami a Londres, dos Países Baixos ao Egipto e a Macau.

Com a sua natural simpatia, sem entrar na guerra dos cifrões de algumas pretensas estrelas, cativa qualquer comensal com o seu extraordinário talento.

Desta vez, à boleia dos seus Sabores do Atlântico, foi possível começar com um amuse bouche de atum, a que se seguiu uma vieira com tomate, alcaparra e caviar.  Após esta explosão inicial, que serviu para preparar o palato, brindaram-nos com uma notável lula recheada, num caldo de lula e ervas, acompanhada no exterior por uma outra lula, a modos de tempura, de uma frescura e macieza irrepetíveis.

O que se seguiu, não desfazendo a sua criação de carne de porco alentejana presa, com massa de pimentão, amêijoa e jus de coentros, entrou na minha memória no domínio do eterno: uns pedacinhos de lagosta com milho, alho francês e uma fabulosa emulsão de amêndoas.

O final, com uma sobremesa de morango, pimento vermelho, iogurte e framboesa atirou-me de vez ao chão.

Seria difícil chegar a Dez de Junho com uma descarga de sabores e de cores nacionais mais intensa e saborosa, com uma personalidade e um carácter bem vincados e em tons camonianos.

A quem proporcionou mais este encontro, desta vez perfeitamente inesperado, e talvez por isso mais encantador, com o Chef anfitrião, só tenho que agradecer. Isso e os vinhos.

E desejar, para além de uma vida longa e saudável para ambos, na cozinha ou à volta de uma mesa, partilhando os melhores néctares lusitanos, que um, o Henrique Sá Pessoa, continue a levar a sua arte pelo mundo fora, e o outro, o Luís Herédia, a organizar bons momentos e a trazer-nos vinhos produzidos no nosso país que sendo capazes de levar qualquer espírito mais reticente à conversão nos lavam a alma nos dias escuros, chuvosos e tristes, por várias razões, que de vez em quando, ultimamente com mais frequência, nos visitam. Tanto lá como cá.

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(P.S. O Henrique Sá Pessoa estará no Chiado, ali no Londoner, só até amanhã)

 

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picanha

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.06.24

Sempre tive uma óptima opinião de Braga. 

Fui do Algarve até lá para fazer julgamentos. E gostei, apesar de Faro ser longe.

Aproveitei sempre para comer muito bem. Em matéria de comes, carnes, guisados ou doces conventuais, não há quem bata os abades e afins.

Tem gente muito especial.

A simples memória da M.C., que deixou muitas saudades, continua a comover-me. E mantém-se bem viva.

E até o Rui Rocha, antes de entrar na vida política e chegar a presidente do Iniciativa Liberal, vivia lá quando escrevia no Delito de Opinião. Foi o Rui, aliás, quem teve a gentileza de me indicar o excelente e moderno hotel onde me hospedei antes da Maria de Belém me cortar o pio num congresso do PS, no tempo em que ainda tinha militância activa e me preparava para pedir contas a um amigo do Presidente Lula que chegou a primeiro-ministro e falava francês em notas soltas. 

O João Marques também é de lá, e joga bem futebol. Como muitos outros que vi jogarem aos meus pés e foram campeões.

Continuo, pois, a manter ao longo dos anos uma boa impressão de Braga e das suas gentes. E estou certo que não vai ser um depoimento, apesar de ter quase duas horas e uma pessoa se poder perder, que irá contribuir para mudar de opinião.

E como o bom do Francisco Peres, homem do Norte, de direita e às direitas – a quem devo não ter pago uma única mensalidade no Almada Negreiros, durante o meu ano propedêutico, por aquelas magníficas aulas que recebi do Carlos Piçarra, professor como tantos outros que diariamente recordo e todos os dias agradeço o quanto me deram por em mim acreditarem, quando lá em casa se alguém acreditava ninguém dizia nada –, não está cá hoje, não lhe posso perguntar, num daqueles cafés que tomávamos no Monte Carlo, nos intervalos das aulas e do bilhar, em que parte daquele depoimento do "Acacinho" devemos levar o depoente a sério. 

Percebe-se, como outros perceberam, que num rodízio bem regado, no calor do Verão tropical, há sempre aparições. Umas mais estranhas do que outras. A do "senhor Jorge" foi uma dessas. E foi quanto bastou para colocar o depoente em transe perante uma comissão parlamentar da Assembleia da República.

Mas de quem se predispôs a fazer um voo transatlântico com umas lâmpadas para um Alfa Romeo no meio da bagagem – dou muito valor a este gesto que me abstenho de comentar por estar em situação de conflito de interesses e não ser especialista em crime –; acreditou piamente no "senhor Jorge", embora admitindo alguma ingenuidade, e depois reincidiu com um homónimo mais de vinte anos volvidos, só posso pensar que é uma excelente pessoa. E óptimo contador de histórias.

Não sei se o Paulo Branco, depois do que lhe ouvi em 2019, no final de uma exibição de "A Herdade" do Tiago Guedes, mais quem me levou até ele e testemunhou, continuará disponível para produzir um filme usando um guião escrito com a minha colaboração baseado em histórias verídicas.

Sei é que depois de ouvir de fio a pavio o depoimento acima referido prestado à comissão parlamentar de inquérito pelo nosso, digamos, pastorinho, fico na dúvida sobre se os pais dos alunos da EPM que virem as imagens, com toda a gesticulação mexicana, e ouvirem os depoimentos, não ficarão daqui para a frente com o credo na boca.

Não sou sequer capaz de imaginar o que poderá acontecer dentro de alguns dias quando o Cesário aí chegar e os seus conselheiros lhe mostrarem o vídeo.

E tenho pena que o Armandinho – abraço para aí moço, outro para a Idalina – já cá não esteja para me pedir para levar umas postas de bacalhau para os músicos e as sambistas do Saci Pererê, em Tóquio, agora que está lá o Vítor Sereno, e nos dar o ritmo à melodia. Ou a sua bênção, como o Vinicius tantas vezes deu.

Sim, lá "porque o samba é a tristeza que balança", toda a gente que aqui está sabe que  "a tristeza tem sempre uma esperança"; a esperança "de um dia não ser mais triste não". 

 

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trapalhadas

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.06.24

(créditos: Macau Daily Times)

A cidade foi sacudida nos últimos dias por um conjunto de notícias, inicialmente rumores, relacionadas com a Escola Portuguesa de Macau (EPM). Más notícias na forma e no conteúdo.

Após anos de passividade, inércia e de uma gestão temerosa e sem rasgos, e pese embora alguns “casos” relacionados com a vida da instituição, aparentemente havia tudo, e estavam reunidas as condições, para se conduzir uma transição suave para a “Nova Era”.  

Seria legítimo esperar uma renovação atenta a nomeação de um novo responsável pelo Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM) e a chegada de um novo director com experiência e currículo adequados à função. Mas, como diz o povo, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. 

Neste caso, as águas rebentaram demasiado cedo. E o parto arrasta-se destrambelhado com o novo rebento a levar palmadas na praça pública de parteiros e ajudantes sem se perceber, face à berraria do petiz, porque as dão.

A valente trapalhada que na semana finda deu à costa em todo o seu esplendor, com a "dispensa" de uma dezena de professores e uma técnica, começou com a inusitada escolha do presidente da FEPM, logo a seguir a ter sido “enfiado” no Conselho Consultivo da área consular de Macau.

Afastado, ao fim de mais de duas décadas, da rocha onde estava alapado desde 1995 na Associação dos Advogados, com um curto interregno de dois anos no início deste século, perdendo a posição de administrador-delegado de uma concessionária de jogo, com parceiros de negócio e clientes caídos em desgraça, logo alguém pensou ser necessário dar-lhe ocupação na pré-reforma que encetou à beira dos quase oitenta anos.

Obrigado a mais este serviço público, tratou de recrutar o novo director. Ao que transpirou recomendado por um burocrata da 5 de Outubro que deixou sombra num dos piores governos de Portugal. Era o tal que enquanto ministro dizia não haver dinheiro para compensar os professores e, logo a seguir, indo apoiar o fedayin Pedro Nuno Santos na sua corrida ao estampanço, admitiu que a reivindicação, que sempre considerou ser “justa”, embora nada tivesse feito para lhe dar corpo, poderia ser satisfeita logo que a viu incluída na moção daquele à liderança do PS. Com a condição, óbvia, de que seria preciso o candidato socialista vencer as eleições legislativas de 10 de Março para se assistir a uma nova  multiplicação dos pães. 

Tirando esse facto, mais a dispensa em praça pública do anterior director, esquecendo-se que ao fazê-lo não se humilhava o dispensado, mas sim a própria EPM e quem o manteve em funções durante uma década, pensava-se que tudo iria acalmar com a preparação do próximo ano lectivo.

As primeiras declarações do novo director, com uma postura discreta, seguida algum tempo depois de uma entrevista bem conduzida à TDM, pese embora a ingenuidade de uma ou outra tirada e a assunção do discurso que lhe passaram adaptado à cartilha patriótica, fizeram-me pensar que melhor ou pior, com ou sem avental, estaria encontrado o rumo para se introduzirem as mudanças que tardavam.

Percepção cimentada quando me chegaram relatos comparando a postura do anterior director, que se fechava em copas no gabinete e não falava com ninguém, com a do actual, que circulava, cumprimentava os alunos, trocava impressões com as pessoas e ia tomando o pulso à escola.

Os episódios da semana finda mostram o quanto me enganei.

É evidente que as “opções de gestão” da nova direcção são perfeitamente legítimas. E toda a gente, alunos, pais, opinião pública em geral, sabia que, há muitos anos (esqueça-se o início trapalhão da EPM no mandato do último governador), as vistas curtas e os umbigos hipotecaram a existência de uma escola para o século XXI, com espaço, equipamentos modernos, potencial de crescimento, longe dos casinos, da poluição e confusão do centro da urbe. A EPM precisava de mudar. Para melhor, claro, e sem ser aos trambolhões.

Ao longo dos anos fui algumas vezes à EPM. Uma vez a convite dos Rotários, para falar aos alunos sobre a minha profissão. Uma outra a convite do Gilberto Lopes e da TDM para o defunto Contraponto. De todas as vezes disse o que entendia dever ser uma escola portuguesa na China. Não vejo hoje razão para pensar de maneira diferente: o que se está a passar deu-me razão e não posso assistir calado a esta desprestigiante tourada. 

Depois de uma afirmação de portugalidade, que com os anos, a dependência económica e a subserviência se tornou cada vez mais tímida, havendo pelo meio uma estória pouco edificante com uma bandeira que foi despejada e realojada no canto de um gabinete, certo é que a EPM cumpriu a sua função com os professores que tinha, formou gente capaz, interessada, socialmente útil e que se afirmou fora de portas com excelentes resultados académicos e profissionais. Mérito que se deve tanto aos alunos como aos professores que os acompanharam e aos seus pais. Pelo menos aos que se interessam e participam no dia-a-da dos filhos e que serão quase todos.

Porém, quando se tomam “decisões de gestão” pouco transparentes em relação a professores, mais do que estimados, queridos e respeitados pelos seus alunos, passados e actuais, e que cumpriram no passado, no presente, e queriam cumprir no futuro com a nova direcção, colocam-se muitas questões.

Três dos que saem são doutorados, dizem-me, com vasta experiência de ensino local, conhecimento da sua realidade e do meio social onde se inserem os seus alunos – que é diferente da de qualquer outro local do mundo onde há escolas portuguesas –, e cujo trabalho se revelou crucial para o sucesso da EPM, dando inúmeras provas de competência profissional, com qualificações e qualidades humanas, e entrega perfeitamente altruísta ao seu múnus. Aparecerem agora, a pouco tempo de merecidas reformas, enfiados num saco de dispensas sem critérios conhecidos – “opções gestionárias” não é nada sem que se perceba em que consistem e qual a razão que está subjacente às escolhas feitas – levanta sobrolhos e dúvidas que sem transparência e esclarecimento razoável só servem para preocupar pais, alunos, a comunidade em geral, e uma vez mais deixar mal a EPM e a minúscula comunidade portuguesa.

Depois das novelas da Casa de Portugal, dos atrasos nos subsídios, do queixume das rendas, da falta de apoios e das decisões inexplicáveis sobre festas populares, só nos faltava mesmo a EPM ser palco de lutas de perus e motivo de vergonha e achincalhamento para Portugal em Macau.

Todos perceberam que a alteração do modelo de gestão passou pela introdução de uma verdadeira liderança bicéfala, agora repartida entre o presidente da FEPM e o director. Este, com todos os seus méritos, caiu aqui de pára-quedas e foi rapidamente capturado por um pequeno grupo de marretas e avençados, pretensos conhecedores da terra e das suas especificidades, que, não obstante estar há muitos anos a perder protagonismo e poder, continua convencido que é o detentor das chaves dos segredos do Santo Graal.

O presidente da FEPM já sentiu necessidade de prestar declarações à TDM e perguntar o que pode a direcção do estabelecimento de ensino fazer se não puder seleccionar os docentes. E também referiu que não é com abaixo-assinados e barulho que se vai resolver o problema da escola. Adiantou ainda que deu esclarecimentos ao Ministério da Educação, cujo chefe de gabinete agradeceu, que a anterior direcção teria perdido a confiança da Direcção de Serviços de Educação e de Desenvolvimento e Juventude (DSEDJ), e que não há nenhum professor que venha por “alvedrio” do director.

A direcção da EPM pode, e deve, entre outras funções escolher professores competentes e que dêem garantias de bom desempenho em razão das suas qualidades profissionais e humanas. Deverá, contudo, fazê-lo com critério e transparência. Se tivesse havido não teríamos hoje o sururu que temos e ele não teria necessidade de sair em defesa do director da EPM.

Concordo que não seja com abaixo-assinados que se vão resolver os problemas da EPM. O presidente da FEPM aqui tem razão. Mas se há abaixo-assinados de antigos e actuais alunos e dos encarregados de educação em defesa de professores dispensados (não é por parte dos sindicatos que cá não existem, ou de outros professores, que se o fizerem vão para o olho da rua), é porque alguma coisa aconteceu.

Por outro lado, dar resposta e agradecer a recepção dos esclarecimentos prestados, como fez o chefe de gabinete do ministro da Educação, é uma regra de cortesia e boa educação. Como ele disse “até ver, está tudo bem”. Só que a resposta não significa adesão às justificações contidas nas respostas. O presidente da FEPM não está a falar para uma manada de serventuários e boçais numa qualquer assembleia geral.

A referência à perda de confiança da DSEDJ na anterior direcção é grave. A anterior direcção esteve lá durante uma década. Em termos escolares com bons resultados (dizem-no os rankings), pelo que o Governo de Macau terá de esclarecer este ponto. E também, se for verdade, por que razão não se agiu antes. Para bem de todos e para que a população possa confiar nos dirigentes da DSEDJ, certa que de futuro não se permitirá a manutenção em funções de quem não merece confiança, nem dá garantias de serviço público perante “um sem-número de situações que importa corrigir”. Quais? Que andaram a FEPM, o Ministério da Educação e a DSEDJ a fazer durante anos? A fechar os olhos? Estava tudo mal e agora vai ficar tudo bem? Que diz o Dr. Manuel Machado?

E quanto ao facto de nenhum professor, “destes que vêm”, e cito, vir por “alvedrio do director que diz: “eu vou mandar vir este porque é meu amigo"; não, não é isso”, fico muito satisfeito por saber que nenhum daqueles, ao contrário do que me afiançaram, chega por amiguismo, compadrio, concubinato ou outro tipo de relações. Trazer a amiga ou o namorado seria um caso de nepotismo. Vir por necessidade com a garantia de que “não tem competências inferiores” (mas têm mais, são melhores, dão garantias de continuidade?) é coisa bem diferente.

Seria bom esclarecer, em todo o caso, se as dispensas dos professores que saem não se devem a motivos disciplinares, quais são as razões que lhes estão subjacentes? Fastio? Birra? Inimizade com alguém da direcção ou da FEPM? Incompetência? Há relatórios sobre o seu trabalho? Foram-lhes dados a conhecer? Dizem-me que houve professores que andaram a assistir às aulas de outros. Muito bem. A que conclusões chegaram? Informaram os visados sobre os resultados dessas “avaliações”? Quantos foram objecto desse escrutínio? Se não se fez a todos, se for o caso, qual foi o critério?

Neste momento, com a falta de informação séria e credível sobre esta bagunça, o que sabemos é que foram “dispensados”, eufemismo de despedidos, cerca de uma dezena de professores, e mais uma psicóloga que há anos ali trabalhava, numa espécie de “dispensa colectiva” sem justa causa.

O director da EPM ficou agastado. Digo-o pelo tom usado com as questões que a imprensa lhe colocou. Só que tendo sido publicados anúncios a recrutar novos professores para os mesmos lugares, e acabando-se a contratar gente desconhecedora da realidade local, mal paga para o que lhes vai ser exigido, sujeitos a títulos blue card para aqui trabalharem, numa situação idêntica à de qualquer assalariado que chegue do Nepal ou do Paquistão, o que os colocará, pese embora as funções desempenhadas e a secular amizade luso-chinesa, numa posição humilhante, subserviente e dependente, permanentemente com uma espada de Dâmocles sobre as suas cabeças, limitar-se-ão a cumprir ordens sem fazerem perguntas sob pena de não lhes ser renovado o blue card no final do ano lectivo, integrando um rebanho de serviçais, à semelhança desses desgraçados das empresas de segurança que trabalham doze horas por dia sem direito a lamento.

Os factos e os esclarecimentos prestados, ou a falta destes, depois de termos sido informados de que alguns passaram, tal como o actual director da EPM, por Timor-Leste, o que não foi referido logo de início, sem subterfúgios, quando se falou em "experiência internacional", fazem-me temer que na escolha dos substitutos haja também critérios de combate ao isolamento. Essa será uma outra opção de gestão, tal como serem pessoas de confiança para o projecto educativo que se quer cimentar, embora isso não seja impeditivo de ser logo dito e assumido por quem escolhe. Aqui, pelo menos, não se correrá o risco de vir um magistrado jubilado para compor o parco pecúlio da sua reforma, tornando-o assalariado da EPM à socapa do Conselho Superior de Magistratura.

Apesar de tudo, espero que depois desta “entrada a pés juntos”, perfeitamente desastrada, em que o status quo se transformou num “status caos”, numa espécie de deslegitimação pelo procedimento, ao contrário do que Luhmann ensinara, tudo se possa compor e seja possível retomar a tranquilidade, colocando um ponto final na vergonha de andarem inspectores da DSEDJ a averiguar o que se está a passar na Escola Portuguesa, como se em causa estivesse uma rixa entre taberneiros.

Na EPM também não há o risco de acontecer o que sucedeu a outras instituições, transformadas em clube de amigos de direcções que se dedicam à distribuição de benesses e que não cumprem a sua função profissional, social e/ou cívica devido ao estado letárgico para que foram atiradas.

De igual modo, ninguém espera que a principal função da EPM passe a ser a organização de jornadas de convívio, excursões turísticas e visitas às exposições sobre a segurança nacional, até porque tem a concorrência de mais escolas e há uma que aí vem que pretende entrar no seu mercado.

Porém, não sejamos crentes ao ponto de acreditar que se correr mal logo se verá. Ninguém acredita que o presidente da associação de pais, dada a sua posição em relação ao presidente da FEPM, alguma vez venha dizer que não correu bem. E se nessa altura tiver a coragem de o fazer já será tarde. Porque o mal já estará feito. E nesse dia o presidente da FEPM dirá que nada teve a ver com o assunto porque as opções foram da Direcção da Escola.

O Dr. Acácio de Brito, que não tem culpa nenhuma da maldade que lhe fizeram, e é pessoa bem-educada, que se abasteça de uma boa dose de lavanda, alfazema e canela. Ele e o Dr. Alexandre Leitão, Cônsul-Geral de Portugal para Macau e Hong Kong. E que se rodeiem de algumas corujas. Discretas.

Chegaram a um local cujo clima chuvoso, quente e húmido, é propício ao aparecimento de lacraus. E de bufos, tipo cristãos-novos, ultimamente mais do tipo patriotas-novos, que deambulam e amesendam pelas imediações da EPM. Muitos. Alguns disfarçados de jornalistas, advogados, professores sem doutoramento (académico; possuem outros) e beatos. Quando menos se espera estamos rodeados deles. Sem aqueles apetrechos vai ser difícil mantê-los à distância enquanto por aqui andarem. E fazerem com tranquilidade o trabalho que a comunidade espera deles.

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