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estagnação

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.05.24

Dos resultados das eleições regionais da Madeira, que ontem tiveram lugar, a primeira e mais óbvia conclusão é que o regime da poncha, tal como sucedeu com os seus homólogos do Continente e dos Açores, estagnou.

A solução mais comum por estes dias dias é o impasse. Impasse nos parlamentos, nos entendimentos e nas soluções governativas. Em todos os casos com muita gente a colocar-se em bicos de pés.

Cingindo-me à Madeira, os resultados destas eleições sublinham a ausência de soluções e a continuação da erosão dos partidos tradicionais – PSD, PS e CDS.

Se nas eleições regionais de 24//9/2023 a coligação da AD obtivera 43,13%, equivalentes a 58399 votos, e que se converteram então em 23 mandatos, agora o PSD sozinho obteve apenas 19 mandatos e 36,1% dos votos expressos. O CDS-PP ficou-se pelos 3,96%, elegendo 2 deputados. Recorde-se que nas Legislativas de 10 de Março p.p., a AD conseguira 52922 e uma percentagem de 35,38%.

O PS obteve percentagem idêntica (21,3%) à alcançada nas eleições anteriores para o parlamento regional, onde somou 28844 votos, sendo que nas eleições nacionais de Março se ficara pelos 19,84% e 29723 votos.

Regionalmente, face aos 8,88% de Setembro do ano passado, o Chega pouco cresce, apresentando-se desde ontem com 9,23%, embora mantendo os mesmos deputados no parlamento regional, mas com um resultado muito aquém dos 17,56% das eleições legislativas de há dois meses, o que sublinha uma vez mais a diferente natureza destas eleições. Diferença reforçada pelo curto período que mediou entre os diversos actos eleitorais, acentuando a dificuldade quando se estabelecem comparações, por isso desaconselhadas, entre eleições subordinadas a pressupostos desiguais e destinadas a cumprir objectivos distintos.

A percentagem e o número de deputados resultantes da votação do JPP (Juntos pelo Povo), numa sistema constitucional que proíbe a existência de partidos regionais (cfr. art.º 51.º, n.º 4 da CRP), não escondem essa alma dissimulada, atentos os 9 deputados eleitos para os seus 16,9%. Em Março passado, o JPP viu serem depositados a seu favor 14344 sufrágios, que nessa altura representavam 9,58%.

A vassourada dada ao BE e ao PCP, que saem do parlamento regional, merece ser assinalada. E se quanto ao primeiro ainda será possível imaginar uma eventual recuperação em próximos actos eleitorais, já quanto ao PCP parece ser cada mais certo o seu destino em direcção à irrelevância, tanto a nível nacional como regional.

Em rigor, os resultados que começamos a ter são fruto da falta de renovação dos partidos, do seu afunilamento e apartamento cada vez maior da sociedade, inseridos nas suas próprias lógicas de poder e de conquista e manutenção de privilégios para os seus membros.

Com este cenário, em que a governabilidade e a estabilidade política se tornam metas dificilmente alcançáveis, é natural que os dirigentes da estagnação se assemelhem a uma bailarinas desajeitadas à procura de parceiro para um grand pas de deux, espreitando em bicos de pés por uma oportunidade de chegarem ao "pote" quando na verdade não têm soluções governativas e tudo lhes serve.

Na situação em que se encontra o desnorteado, diletante, e ultimamente também acossado, Albuquerque, bem ao contrário do seu antecessor, a quem nunca faltou a coragem, a verve e por vezes também o destempero para defender as escolhas políticas do jardinismo, as suas posições pessoais ou a qualidade da poncha do seu regime, não será fácil encontrar agora alguém que esteja destinado a governar com o actual PSD-M e as suspeitas que sobre si recaem.

O que não quer dizer que isso justifique a figura que Paulo Cafôfo, o número um do PS-M, começou logo ontem a fazer, predispondo-se a configurar mais uma "geringonça", não importa com quem. Triste número, mesmo para quem vê de longe.

Aguardemos, então, a continuação de mais esta novela.

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