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galgos

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.09.22

Training Guide for Greyhound Dog(créditos: daqui)

Alguém devia dizer ao marçano que o Muro de Berlim já caiu, que a Stasi já não está a recrutar. E que há limites para a baixeza, a subserviência, mesmo quando paga em suaves excursões aos campos de algodão. 

Mas lá que o laparoto tem lata a falar dos “brancos”, lá isso tem. 

Pena é não saber que há “jornalistas” a quem os anfitriões nunca dizem o que escrever porque já sabem o que eles vão escrever antes de lhes sugerirem.

Ao fim de décadas, qualquer burocrata está cansado de saber que há sempre alguns desses que são pavlovianos por antecipação, em razão do carácter e do feitio.

Acontece em todas as profissões, mas nalgumas é mais evidente porque o crescimento das barrigas e das peidas é público. Embora haja quem tente disfarçar puxando as calças para cima, até ao pescoço; resultado do hábito de se enterrarem na lama à medida que os bolsos enchem, na esperança de salvarem algum que seja limpo. Sério.

Enfim, uma espécie de galgos que são usados para correr em canídromos sem lebre mecânica. O que não constitui, porque correm por gosto, e com gosto, violação dos direitos dos animais. Se fosse com lebre, por convite, já era. O bom do Albano explicou-me essa parte teórica, que eu percebi, e com a qual concordei.

Só que esses galgos chamados de "semi-brancos" — também há alguns semi-amarelos, outros semi-ruivos, uns semi-castanhos, de tanto lamberem os tratadores, e por aí fora — ainda não se aperceberam de que só servem para fazer número. São incaracterísticos, não acrescentam nada à espécie, à raça.

Não contam para o campeonato dos galgos de quem todos querem saber o que correm, como e quando. Ou seja, traduzindo, o que pensam e o que escrevem.

É que ainda há galgos letrados. E uns são brancos, outros amarelos. Nenhum é semi. E aposto que nenhum consegue ler as instruções de um televisor Blaupunkt no idioma original. Não há galgos perfeitos.

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prosperidade

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.09.22

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Ainda não me tinha apercebido do sucesso da política de tolerância zero, ou do "zero dinâmico", em Hong Kong, região que entretanto a abandonou, reivindicando a sua autonomia para fazer diferente. E teve toda a razão para isso. 

Bastou-me passar pelo Aeroporto de Hong Kong para sentir a dimensão da asneira, da falta de bom senso, da ausência de inteligência e racionalidade.

Tirando o vendedor de bebidas espirituosas e charutos, com um pequeno quiosque de circunstância, não há nada. Tudo fechado. Sem aviões, sem gente, sem lojas. Uma dor de alma, mais de dois anos e meio após o início da epidemia.

Aquela que foi a porta de entrada, de passagem e de saída de uma das mais vibrantes cidades do mundo, um porto de acolhimento, um entreposto único de culturas e gentes, uma meca dos negócios, onde todos se queriam estabelecer ou possuir um escritório, pequeno que fosse, para poderem crescer, surge agora como uma sombra desfocada de si.

O Aeroporto de Chek Lap Kok é actualmente uma viagem à tristeza, ao desacanto, ao desconforto, a um sistema que aos poucos desaparece. Ali, tal como na Macau de hoje, que não passa de uma pequena aldeia mal governada, sem carisma ou apelo, a política da prosperidade comum passou num ápice a política da miséria comum.

A prosperidade transferiu-se para outras paragens. Aqui ficaram cartões de consumo, um paliativo que não gera investimento, não potencia a criação de riqueza, e não contribui para a alegria e a felicidade de pessoas sãs, normais e trabalhadoras.

John Lee ter-se-á apercebido a tempo do que lhe estava destinado, no seguimento de um desastre político e governativo de contornos épicos, não sendo por isso de admirar que tenha decidido correr o risco de abrir, desafiando a politica de tolerância zero e invocando para tal a autonomia de Hong Kong, no que foi apoiado pelas autoridades do Governo Central.

A notícia da eliminação das quarentenas pode vir a ser o balão de oxigénio de que Hong Kong necessita para tentar sobreviver e manter-se à tona. Por agora.

Temo, apesar de tudo, que chegue tarde e seja insuficiente.

Em todo o caso, chegará sempre muito mais cedo do que em Macau, onde ainda se procura ver de onde soprará o vento a partir de Outubro. E se espera que haja condescendência para se continuar a "enterrar" a economia de Macau e a transformar o apregoado centro mundial de turismo e lazer num incaracterístico, mas muito seguro, centro nacional de excursões para compatriotas.IMG_6467.JPGIMG_6465.JPG

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dependências

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.09.22

RM_SenadoSquare.jpg(créditos: MDT)

Leio esta manhã uma pequena notícia dando conta de que "Pequim estuda medidas de apoio ao Turismo em Macau".

Aliás, já tinha ouvido qualquer coisa sobre isso na rádio, e visto algo mais no site da TDM.

Não deixa de ser impressionante que garantindo a Lei Básica de Macau, a qual foi aprovada no âmbito da Constituição da RPC, ao abrigo do seu art.º 31.º, um alto grau de autonomia, reservando para o Governo Central e o Comité Permanente da APN as questões de defesa e negócios estrangeiros, agora qualquer indivíduo, chegado ontem a Macau, bota faladura sobre toda e qualquer matéria inserida no âmbito da autonomia de Macau. Mesmo sobre as questões mais corriqueiras e que apenas dependem do conhecimento, da competência e das qualificações de quem está à frente do governo local e dos serviços.   

Então, mas agora é Pequim que tem de estudar soluções para a governança local? Para o Turismo? Nesta fotografia ficam todos mal, quem o diz e quem conta que outros façam em Pequim o seu trabalho.

Para que servem o Chefe do Executivo de Macau e toda a sua equipa governativa? Não é para governar a RAEM dentro do alto grau de autonomia conferido pela Lei Básica? Será que não há ninguém no Governo da RAEM que seja capaz de pensar soluções no âmbito do Turismo, da Saúde ou da Economia? No âmbito da Segurança, quer se queira quer não, há quem as pense e as aplique a toque de caixa. Podemos é depois não concordar com os métodos e as soluções, mas essa é outra história.

E só com a pandemia é que "todos os sectores da sociedade de Macau" obtiveram “uma compreensão mais clara dos problemas da estrutura económica”? Todos? Devem estar a brincar com o povo. Mas que sectores de Macau são esses que só agora se aperceberam do descalabro? Andaram a  dormir até à pandemia do mesmo modo que andaram a dormir até ao tufão Hato?

O que o senhor vice-director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Huang Liuquan, veio dizer é que na RAEM são todos incompetentes. Até para as questões mais básicas dentro do âmbito da autonomia de Macau. E o mais absurdo é que os da terra o aplaudiram. Não viram que os visados são eles próprios.

Em Macau, o poder já está "firmemente na mão dos patriotas". Pelo menos desde 20 de Dezembro de 1999. Por isso é que os escolheram. Eu não tenho qualquer dúvida sobre isso, não tenho nada a dizer ou a criticar, e sempre achei muito bem.

Mas há quem não consiga perceber que o problema não é de patriotismo. Nunca foi. É, sempre foi, um problema de escolhas e de competência. Ou de incompetência. Não vale a pena querer mascará-lo.

Aqui não há fantasmas, nem agentes externos. Há gente que gosta de Macau e que vê os desmandos, a falta de capacidade de decisão e de governança. Há muitos anos.

A incompetência nunca foi patriótica. Ponto.

Nem aqui, nem em Pequim, onde muitos foram afastados por serem incompetentes e violarem a "disciplina do partido", nem em qualquer outro país do mundo. Nada mais.

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dúvidas

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.09.22

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De todos os líderes dos países que estiveram representados no convénio de Samarcanda, quantos usaram máscara de "modelo KN95 ou superior" ou máscara cirúrgica? Quantos respeitaram uma distância entre si de, pelo menos, 1,5 metros? Quantos têm uma política de tolerância zero ou "zero dinâmico" nos seus países? Quantos destes paíes retomaram a normalidade? Quantos mantêm populações confinadas e obrigam ao uso de máscara? Quantos obrigam os seus residentes e os viajantes oriundos do estrangeiro a programas de quarentena em hotel? Quantos vão fazer quarentena no regresso? Dos países ali representados, quais é que são, tirando os que enfrentam situações de guerra, instabilidade interna ou embargos internacionais, os mais atrasados na sua recuperação económica e que se confrontam com mais problemas desde o início da pandemia?

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saudades

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.09.22

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Mais um dia, mais um ano. Hoje seria dia de celebração, mas não será pela sua ausência que deixará de o ser. Que uma vida de dádiva, de cuidado e de ternura imensa tem de ser sempre celebrada. E não tem fim para todos os que aqui continuam, como eu, órfão da eternidade dos seus abraços, da luz imensa dos seus olhos. Celebremos, pois, o largo mar da vida e da memória. Feliz aniversário, Mélita. Até um destes dias.

P.S. Fizemos um grande jogo em Turim. Foi de antologia.

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cegueira

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.09.22

2917.jpg.webp(créditos: The Guardian/WPA/Getty Images)

Talvez muita gente ainda não tenha reparado, mas para além dos problemas cientificamente identificados causados directamente pela Covid-19 ao organismo humano, nas suas diversas variantes virológicas, existe um outro efeito colateral que se tem manifestado de múltiplas formas através da acção concreta de alguns governantes.

Nos primeiros meses da pandemia este efeito colateral não se evidenciou de modo tão evidente. O decurso dos anos permitiu a muitos países, alguns no seguimento de recomendações da própria OMS, a procederem a ajustamentos nas suas políticas. Foram estes ajustamentos que lhes possibilitaram compreender a natureza da doença, esse tipo de efeitos colaterais, e a necessidade de se tratarem rapidamente para fazerem regressar a normalidade às suas vidas quotidianas.

Houve outros, porém, que persistindo na chamada política de tolerância zero, ou mais recentemente do "zero dinâmico", não só não apresentam resultados positivos satisfatórios, como revelam um efeito de longo prazo designado por alguns cientistas pelo termo "cegueira covidiana caleidoscópica".

Os sintomas da doença são facilmente identificados pela análise de casos concretos, sendo que actualmente o flagelo é mais visível na região de Macau, onde os seus dirigentes ainda não se aperceberam da dimensão do problema e vivem numa realidade paralela da qual não conseguem libertar-se devido às consequências psicológicas e às deformações provocadas por essa mesma doença no globo ocular.

O custo desta nova forma de cegueira tem tido reflexos na reserva financeira de Macau, que no espaço de dois anos se viu reduzida em dezenas de milhares de milhões de patacas. Outros sintomas manifestaram-se na quase paralisação total da actividade económica, no aumento do desemprego e das falências, no crescimento das tendências inflacionistas, no abandono da RAEM de muitos quadros técnicos qualificados, na redução de trabalhadores não-residentes imprescindíveis para a normalidade da actividade de muitas empresas, na redução de falantes de língua portuguesa e outros idiomas estrangeiros, no desaparecimento de turistas, internos e externos, e, no que é particularmente grave, num aumento desenfreado de consultas públicas e da actividade legislativa ao nível dos meios de controlo da população, traduzido na proposta de revisão de leis que nem sequer chegaram a ser testadas no crivo da realidade com o argumento, imagine-se, de que não servem.

Esta última situação corresponde, grosso modo, ao caso de alguém que possui um Ferrari novinho em folha na garagem e nunca aprendeu a conduzi-lo, mas no dia em que resolve levá-lo para a rua, previamente, foi pedir a um mecânico de Zhuhai, daqueles que faz biscates ao fim-de-semana, para lhe mudar as velas e as pastilhas de travões com o argumento de que como o carro está parado aquelas devem estar gastas e é preciso aumentar a segurança em dias de chuva.

Essa forma de cegueira decorrente da chegada da Covid-19 à RAEM tem natureza caleidóscópica porque os pacientes, normalmente gente com responsabilidades políticas e administrativas, de cada vez que querem avaliar a situação, em vez de abrirem os olhos e olharem à volta, agarram num caleidoscópio, convencidos de que é um microscópio, e fecham-se numa sala com alguns crânios locais para estudarem cientificamente a realidade enquanto comem uns dumplings. O resultado é que como o caleidoscópio é um instrumento de óptica recreativa, os governantes não conseguem focar a crise e encontrar a melhor receita para resolverem os problemas da população.

Atentas as características intrínsecas do aparelho que usam, formado por múltiplos pequenos espelhos inclinados e fragmentos de vidro colorido, os governantes tendem a ver uma realidade colorida que se vai multiplicando até à exaustão sem que se apercebam do cerne do problema. À medida que vão rodando o aparelho vêem magníficas composições que lhes provocam o agravamento da cegueira, levando-os a ver nos vidrinhos encarnados os milhões de patacas das futuras obras públicas, nos amarelos imaginam hordas de turistas, nos verdes vislumbram os prémios das novas concessões do jogo, e nos azuis, curiosamente, vislumbram patos de plástico amarelo berrante com uma boina à Che Guevara a fazerem corridas no circuito da Guia.

Esta enfermidade é uma espécie de cegueira invisível, altamente viciante, que ainda esta semana, durante as festividades do Bolo Lunar (Chung Chao), apresentou resultados significativos com a queda em três dias consecutivos dos números de pessoas entradas em Macau. Números que, de acordo com a TDM, "ficam muito aquém das previsões mais conservadoras dos Serviços de Turismo", pelo que fácil é inferir-se que os caleidoscópios ao serviço da DST devem ser do modelo usado pelo IAM. A doença manifesta-se em termos tais que até simples previsões, ao nível de uma pequena aldeia chinesa, saem distorcidas sem que os espreitadores dos caleidoscópios se apercebam do grau de cegueira de que padecem. Um drama.

Em Hong Kong, em determinada altura, aquela forma de cegueira chegou a manifestar-se, mas terá havido um dia em que o número dois de Carrie Lam, e actual Chefe do Executivo, se apercebeu de que os resultados da acção política do seu governo não podiam ser avaliados com caleidoscópios comprados nas últimas férias em Hainão, pelo que logo venderam os sobrantes para terceiros, assim melhorando a visão global, os resultados económicos e o estado de espírito dos seus empresários.

Por cá, contudo, há quem tenha esperança no aparecimento de um antídoto que chegue com as primeiras visitas ao estrangeiro, desde o início da pandemia, dos dirigentes máximos do país. 

Admito que, apercebendo-se do que se passa lá fora, vendo as pessoas nos outros países a levarem uma vida normal, enchendo estádios, teatros, cinemas, aeroportos, praias, autódromos, recebendo milhões de turistas de todo o lado, com as economias a tentarem recuperar para níveis pré-pandemia, com o rei Carlos III a confraternizar e cumprimentar os seus súbditos, com total à-vontade e liberdade, sem o aparato da segurança, sem que se fechem as ruas à sua passagem, sem uma máscara KN95 e sem medo de qualquer ómicron; e com o Presidente Xi num périplo internacional, os nossos governantes possam ver para além dos caleidoscópios e dos vidros coloridos.

Oxalá que alguém, inadvertidamente, tropece e lhes dê um encontrão quando estiverem com o aparelho a fazerem as previsões para os feriados de Outubro. Pode ser que os caleidoscópios se estatelem e fiquem em cacos. Talvez seja essa a única forma deles poderem ir depois a um oftalmologista, recuperarem a visão, deixarem de seguir os programas pré-pandemia e pré-revolução cultural da TDM, e voltarem a ver as transmissões televisivas dos canais internacionais.

Ficávamos quase todos a ganhar. E digo quase porque só os vendedores de caleidoscópios iriam perder. Há sempre alguém que se trama.

Enfim, na verdade, estes, e as respectivas famílias, também já ganharam muito nos últimos trinta anos sem que se dessem, ao menos, ao trabalho de melhorarem os modelos que venderam à Administração desde o tempo de Rocha Vieira.

Como também não se deram ao trabalho de melhorar a rede de esgotos, o que teria sido óptimo para evitarem os maus cheiros enquanto espreitavam para dentro dos caleidoscópios.

Mas compreendo que com o correr dos anos, tal como perderam a visão, alguns tenham perdido o olfacto, e se adaptassem aos maus cheiros. Não é fácil uma pessoa libertar-se dos aromas intensos a que se habituou durante uma vida inteira, mais a mais depois de se declarar patriota e passar a andar de máscara.

 

(qualquer coincidência com a realidade é pura ficção caleidoscópica)

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preocupações

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.09.22

Pelo andar da carruagem, vamos ter funeral até dia 19 de Setembro. Até lá, assistiremos nas televisões portuguesas ao desfilar de toda a plebe de ignaros e de comentadeiras de copa e sacristia.

Depois desse dia seguir-se-á o debate pós-funeral e a análise aos melhores lances.

Não seria mau se deixassem a senhora descansar em paz. Pelo menos durante uns dias. E aproveitavam para ler alguma coisa. Seria uma forma de homenageá-la, instruindo-se e respeitando a sua memória com algum recato. Decência.

Ela era discreta, gostava do sossego e apreciava a leitura. O resto é com os seus súbditos e com a História.

Muita falta faz um Vasco Pulido Valente. 

País de pacóvios. País de republicanos monárquicos.

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académicos

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.22

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Ontem e hoje a comunicação social em português (A um passo do céu, na edição impressa) e inglês (Local scholars Consider Gov’t pandemic response faultless’) deu conta de um estudo (research paper) de dez académicos, nove de Macau e um da RPC, publicado no International Journal of Biological Sciences, 2022, vol. 18., sob o título "COVID-19 prevention and control strategies: learning from the Macau model.".

Estou certo de que toda a gente vai aprender imenso com o que se publicou. O estudo é demonstrativo do talento de alguns académicos que temos por cá. Estão de parabéns.

Houve quem reparasse no facto dos reviewers, que eu desconheço quem foram, e que aprovaram o estudo para publicação tivessem sido indicados pelos autores, o que para mim é uma novidade, pois que normalmente os reviewers ou peer reviews são personalidades com prestígio científico, independentes e anónimas da escolha da publicação, que se admite prestigiada, onde se pretende publicar e que a validam.

Contudo, há sempre novidades nos meios académicos de Macau, e aquela foi uma delas. A outra, o que confere ainda mais elevado valor científico ao estudo, é que apenas 30% dos reviewers tinham de ser de outro país. Um número ainda assim alto.

Outro dado interessante é que o referido estudo, presume-se que na sua versão final, pois que não me parece razoável enviarem-se rascunhos para análise científica, foi submetido para apreciação em 17/12/2021, aceite para publicação em 16/7/2022, e publicado em 21/8/2022.

Não fossem esses detalhes e eu não teria reparado, por mero acaso, que tendo o estudo sido submetido em Dezembro de 2021 e aceite para publicação em 16 de Julho deste ano, já contém dados até 11 de Agosto de 2022. Brilhante. Fiquei a pensar se essas alterações introduzidas depois da aceitação para publicação mereceram qualquer apreciação pelos reviewers, mas não deixa de ser notável, quase fantástico que assim tivesse acontecido. Um verdadeiro contra-relógio. Mais uma semana e sairia com os dados de Outubro e antes destes serem conhecidos.

É claro que um estudo com estas credenciais só podia recorrer a fontes altamente credíveis. E elas estão lá todas. Das 67 (sessenta e sete) referências bibliográficas – vamos chamar-lhes assim – , é citado 1 (um) artigo de 2020 (vol. 16), por acaso publicado na mesma revista.

A esta referência juntam-se 30 (trinta) citações de artigos de imprensa publicados pelo Macau Daily (Ou Mun Iat Pou), mais 16 (dezasseis) consultas a documentos e locais da Internet do Governo de Macau (SSM, DST, PSP, IAS, GPPDP, DSEC, Portal do Governo, DSAL, etc.), 5 (cinco) referências a documentos existentes na Internet da OMS (WHO) e da ONU, e, espantoso, ainda 2 (duas) citações da BBC, e mais algumas de sites tão reputados como os da Tencent, Sina, Zhuhai News, Weixin ou a Xinhua Net. A destoar ficaram apenas 2 (duas) citações das únicas fontes que me pareceram pouco fiáveis: a Revista Lancet e a Johns Hopkins University. Tenho pena que em 67 (sessenta e sete) citações só haja 2 (duas) que não sejam de locais na Internet, embora uma delas também aí esteja disponível.

Porém, num trabalho desta envergadura é natural que não se possa exigir mais.

Tudo isto confere uma aura de tal cientificidade ao trabalho dos académicos de Macau que deviam ser estes aqueles a quem na Assembleia Legislativa alguém se referia dizendo que tínhamos de empregar em Macau alguns prémios Nobel e medalhados olímpicos. Estes ainda não o serão, mas se continuarem a publicar a este nível os académicos da Universidade de Macau (UM) são capazes de receber esse tão respeitado galardão do Nobel. Não uma, nem duas, nem três, mas várias vezes, com o que poderão dispensar mais uns quantos TNR e comprar mais terminais para acederem a mais locais interessantes na Internet.

Motivos que me levam a deixar aqui registado com comovida satisfação uma parte das conclusões finais a que a imprensa deu justo destaque: "Generally speaking, the measures and methods for managing COVID-19 in the Macau region have almost reached perfection, with the only shortfall that the economy has not yet recovered to its level as of before the pandemic outbreak because the economic connections between Macau and other countries are almost at a standstill.".

Perfeição. Evidentemente. Melhor era impossível, tanto no conteúdo quanto nas fontes.

Já antevejo o salto que a UM vai dar no ranking das universidades. No mínimo serão uns 200 a 300 lugares para gáudio do Prof. Rui Martins, do Prof. Jorge Godinho, e de todos os outros académicos que associam o seu nome à UM e que de quando em vez nos ofertam estas pérolas. 

O talento está aí. Não há nada como ver a credibilidade e a reputação internacional da UM a treparem pelos rankings acima.

Todos os PhD., MSc, Ed. D. e MD que assinam o "research paper" estão de parabéns. Este valeu por uma dúzia. Oxalá façam muitos mais assim. Macau agradece. Bem hajam.

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