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farsa

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.03.21

festival-holi-1.jpg(foto daqui)

Houve muita gente que desde a primeira hora duvidou que a manifestação promovida pelo deputado Au Kam San, contra a política governamental de distribuição de cupões electrónicos, tivesse alguma vez lugar.

A aprovação pela PSP da comunicação que fora apresentada, poderia indiciar uma correcção de rumo das autoridades relativamente a um direito constitucionalmente consagrado em Macau e que no espírito do legislador nunca estivera dependente de qualquer autorização, entendimento que como sabemos tem vindo a ser alterado "à força" e sem qualquer suporte jurídico sério.

Claro que desta vez era necessário atirar o odioso para cima de outra entidade, tendo calhado a vez aos Serviços de Saúde de Macau (SSM). A razão, conhecida, para o impedimento da manifestação foi o de que não estavam reunidas as condições para garantir o cumprimento das normas de prevenção epidémica.

Ciente dessa proibição, até porque os verdadeiros democratas são normalmente ordeiros e respeitadores da lei e da autoridade legítima, o promotor da manifestação, quando soube da proibição, "exortou a população [a] não se reunir no local para onde estava previsto o protesto, de modo a “evitar mal-entendidos e que alguém seja acusado pela polícia de reunião ilegal”.

Para as autoridades isso não seria suficiente, pelo que, para se evitar a eventual presença de meia-dúzia de gatos pingados que não tivessem sabido da desconvocação da manifestação, se tomou a decisão drástica de fechar a praça à circulação, inundando-a de polícias, de fitas e de barreiras metálicas, em mais uma absurda demonstração de excesso de zelo com contornos intimidatórios.

Apesar disso houve, talvez, uma dúzia de pessoas, na maioria velhotes e creio que reformados e desempregados, fosse por ignorância ou descontentamento,, resolveu aparecer no local sem convite e quis expressar a sua indignação, acabando naturalmente detida e conduzida à esquadra.

Se o zelo da PSP e dos SSM fosse idêntico em todas as situações ninguém estranharia. Porém, continuamos a ver uma política de dois pesos e duas medidas. Quer porque a mesma preocupação em relação às medidas preventivas da pandemia não se verifica noutras situações, quer porque é cada vez mais notório que as preocupações da pandemia só ressaltam quando estão em causa manifestações de cariz político. Estranha coincidência.

Não se vê qual a preocupação dos SSM em que Au Kam San tirasse a febre aos manifestantes quando a mim ninguém me tira a febre antes de entrar diariamente em autocarros e elevadores apinhados de gente. E necessidade de guardar distância de segurança de um metro para quê se enquanto se aguarda pela vacina no hospital, se espera por uma inquirição no MP ou por um despacho nos Serviços de Migração todos podem sentar-se encostadinhos uns aos outros. E até me obrigam no CHCSJ a sentar-me numa cadeira quente, avançando de cadeira em cadeira, para ocupar o lugar do que acabou de entrar para a vacina, como se fossemos todos gado. 

Já no Centro Cultural de Macau, para o concerto de 1 de Abril, fui informado de que só me podiam vender bilhetes para o espectáculo deixando uma cadeira de intervalo entre a minha mulher e eu próprio, embora vivamos na mesma casa e eu me sente todos os dias nos autocarros ao lado das mulheres dos outros, que não conheço de parte alguma e que acabaram de entrar pelas Portas do Cerco para irem às compras à Rua do Cunha, onde todos levamos com os seus encontrões.

Mas se dúvidas houvesse quanto à forma como se é selectivo no cumprimento da insensatez, bastaria ler a edição desta manhã do matutino Ponto Final e verificar, lado a lado nas páginas centrais, a notícia do que aconteceu na Praça do Tap Siac e o evento – outro tipo de manifestação – que ocorreu em Coloane, na praia, com as celebrações do Festival Holi, em relação ao qual não tenho nada contra, onde não houve distância de segurança nenhuma, nem máscaras.

E quanto a estas, convenhamos, que não há nenhuma razão para que continuem a ser obrigatórias na RAEM. O ridículo de em eventos oficiais, com membros do governo e da administração pública, estar toda a gente sem máscara e depois irem todos a correr colocar a máscara para a fotografia não merece mais comentários.

Está visto que o vírus, tal como vimos nas imagens da última Assembleia Popular Nacional, onde havia uma elite sem máscara e todos os demais com máscara, é inteligente, descarado e selectivo.

O vírus não ataca a elite oficial. Também não ataca no interior de autocarros, elevadores, supermercados e outros locais de grande concentração de pessoas. Teme-se sim que compareça sempre, mesmo sem ser convidado, e numa terra onde há um ano não há casos locais de COVID-19*, em todos os eventos promovidos por associações de cariz político ou destinados a protestar contra políticas oficiais, o que coloca a PSP em trabalhos dobrados, obrigando-a a fechar ruas e praças e colocando em risco a saúde dos membros da corporação que são obrigados a acudir a esta situações. Já em museus, espectáculos desportivos e outros de natureza cultural ou religiosa depende da natureza do evento.

Talvez não fosse mau que o Chefe do Executivo, o seu governo e os SSM se aplicassem numa campanha de vacinação efectiva da população de maneira a que todos se vacinassem. A começar pela população chinesa que parece muito pouco apostada em vacinar-se. Podia ser que nessa altura o vírus deixasse de ser tão inconstante e de se comportar como uma prima donna que afasta os patriotas da vacina como o diabo da cruz.

Houvesse um pouco de inteligência, bom senso, direcção política e equilíbrio e seríamos todos poupados a este espectáculo que só desprestigia os seus promotores.

 

* - sabemos que este figurão do vírus tem, pelo menos, variantes inglesa, sul-africana, mexicana e brasileira sem que ninguém nesses países, isto é, dirigentes políticos, se sinta muito incomodado com as "nacionalidades" que lhes foram atribuídas, nem se considerem estigmatizados por tal facto. 

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efeméride

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.21

Declaracao conjunta.jpg

Foi há exactamente trinta e quatro anos, em 26/03/1987, que foi rubricado em Pequim, pelo embaixador Rui Medina e pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da RPC, Zhou Nan, o texto acordado entre as delegações de Portugal e da China para a Declaração Conjunta sobre a Questão de Macau, o qual viria a ser assinado em 13 de Abril seguinte e regeria até 1999 o modo como se processaria a reversão do território para o seu legítimo soberano. A partir daí seria a Lei Básica da Região Administrativa Especial a marcar os segundos, os minutos e as horas.

Este aniversário ocorre num momento de fricção entre a China e os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido; e entre aquela e alguns dos aliados dos outros na Ásia e no Pacífico.

Macau, apesar do clima de paz, estabilidade e segurança de que beneficia desde há mais de duas décadas também tem sofrido as consequências da conjuntura internacional e da geografia em que se insere. E estas fazem-se sentir ao nível das liberdades, em especial em matéria de direitos fundamentais, os quais têm sido objecto da imposição de constrangimentos, nuns casos mais dissimulados do que noutros, e de acções que transformaram uma região de cariz mediterrânico, numa extensão rica do estado autoritário, policial, censor e persecutório que comanda os destinos do sistema socialista e controla os mais ínfimos e inócuos movimentos dos seus cidadãos.

De um ponto de vista formal poucas coisas mudaram. Numa perspectiva substancial mudou quase tudo. E há muita coisa que até agora ou não foi cumprida de todo – continua a não haver sindicatos e a inexistir uma lei da greve –, ou está a ser restringida em termos nunca antes previstos – liberdade de imprensa, direito de reunião, manifestação e desfile –, muito embora o discurso oficial seja muitas vezes, tanto o português – cada vez mais desvalorizado e desrespeitado na comunicação oficial, na administração pública, nas polícias e nos tribunais – como o chinês, um discurso que continua a querer fazer passar uma mensagem que não corresponde a realidade, por vezes destinado a compô-la para os olhos externos ou a disfarçá-la para os internos que se habituaram a comer sofregamente e sem nada questionarem tudo o que lhes põem no prato.

A pandemia do Covid-19 tem servido de cortina para muita coisa. A coberto desta e da contribuição da RAEM para a segurança nacional foram criados sistemas de controlo dos residentes dignos de uma novela de Orwell, não raro complementados com decisões kafkianas e com uma visão do segundo sistema incompatível com o princípio da separação de poderes.

A aceleração do processo de integração na RPC comportou mudanças em relação às quais não se ouviu uma palavra dos responsáveis de Portugal, aliás na linha daquele que é o entendimento de alguns compatriotas, de que não obstante os compromissos internacionalmente assumidos, consideram que a permanência da nossa comunidade residente é uma situação de favor e que esta justifica todos os silêncios e atropelos que sejam cometidos, dos mais ligeiros aos mais graves, desde que no final apareça um prato de lentilhas, haja um arraial anual, vinho tinto e chouriço.

Mudanças que merecem a compreensão e até são aplaudidas por alguns contorcionistas, que os há em todo o lado, em todos os tempos e de todas as nacionalidades, ou por um ou outro titular de currículo menos recomendável por aqui estabelecido, mas que para a maioria trabalhadora, que só se manifesta discretamente nas reuniões familiares, em rodas de amigos ou que de todo evita manifestar-se, é um peso suportado mais com desgosto, tristeza, abnegação e fé do que com sacrifício.

Afinal os mesmos sentimentos que emergem de cada vez que se vê partir um rosto querido da comunidade, levando consigo a história dos lugares e a memória das suas gentes, se ouve um embaixador desculpar os atropelos, um ministro asneirar (o acordo entre Portugal e a China não se chama Lei Básica; Portugal não tem quaisquer obrigações a cumprir no âmbito desta, e também não podia ter visto que se trata de uma lei interna chinesa), ou se vêem os cronistas do império acordarem estremunhados e desinformados para realidades longínquas, para as quais de quando em vez são despertados, que os ultrapassam e que para eles continuam desconhecidas ao fim de tantos anos. 

IMG_8341.JPG

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estímulos

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.03.21

Foi ontem anunciado pelo Governo da RAEM um novo programa de estímulo à economia destinado a aumentar o consumo e a dinamizar o mercado local. 

À partida seria apenas mais uma boa medida, mas aquilo que se conheceu do programa é no mínimo genial. E merece incansável aplauso.

Numa sociedade em que o desemprego aumentou, muitos perderam os seus empregos e quase todos viram os seus rendimentos diminuídos, querer estimular o consumo com o dinheiro dos outros, e que estes não têm, parece-me uma medida muito inteligente. Ou, como agora se diz, muito patriota.

Se, como bem sublinhou João Santos Filipe, para se obterem 4.800 patacas em cupões de consumo é preciso primeiro gastar 14.400, é evidente que quem perdeu rendimentos não está nada preocupado em recuperá-los e se predisporá a gastar o que não tem, nem lhe foi adiantado pelo Governo, para obter uns magníficos cupões de consumo que para terem algum proveito o obrigarão mais tarde a gastar ainda mais.

A deputada Agnes Lam, que está sempre no contra, aproveitou para vir dizer que o programa favorece os mais ricos e exclui os mais desfavorecidos e desempregados, bem como todos aqueles que sejam crianças, e que não terão direito aos cupões, nem os que não queiram instalar nos seus telemóveis a aplicação necessária. Duvido que seja bem assim e a crítica ao Governo parece-me injusta.

O programa, para além de poder candidatar algum talento local ao Nobel da Economia, terá a virtualidade de levar todos aqueles trabalhadores desesperados da construção civil, que foram espontaneamente manifestar-se há dias junto da Direcção dos Assuntos Laborais, obrigando a uma amena confraternização com a polícia, a convocarem nova manifestação "espontânea" para exprimirem a sua satisfação e apoio incondicional às políticas económicas do Chefe do Executivo e do seu governo.

 

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mentecaptos

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.03.21

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(foto daqui)

Um articulista do Global Times, um dos órgãos de comunicação social em língua inglesa do regime chinês e que é citado regularmente por alguma imprensa de Macau ("tablóide estatal" chamou-lhe há tempos um profissional do HojeMacau), publicou um texto com o título "Western media should investigate deaths and serious injuries related to Pfizer vaccine", em que reportando-se a uma publicação online que denominou "Christian Daily", quando efectivamente se queria referir ao "Christianity Daily", que se publica em língua inglesa e coreana, veio colocar em questão a fiabilidade e eficácia da vacina produzida pela Pfizer-BioNtech, dando eco a verdadeiras notícias falsas e até hoje não comprovadas em nenhuma instância, ou seja, aquilo a que o troglodita Donald Trump chamaria "fake news".

Acontece que o dito articulista, um tal de Hu Xijin, e o próprio Global Times que o acolhe, divulgando rumores e suspeitas infundadas, ao quererem mostrar o seu patriotismo, não só dão guarida e divulgam notícias objectivamente falsas, vindas de radicais fundamentalistas da direita norte-americana e com ligações à Coreia do Sul, como dão um verdadeiro tiro no pé contra o seu país, a República Popular da China.

É que ao atacarem as vacinas da Pfizer-BioNtech estão a esquecer-se que tal vacina é produzida na China pela Fosun Pharma,  que desde o início da pandemia da COVID-19 trabalha em estreita colaboração com a BioNTech, sendo apresentada pelo seu presidente e CEO, Wu Yifang, como um modelo de colaboração internacional que recebeu o apoio do "Joint Prevention and Control Mechanism" do Conselho de Estado chinês, da Administração Nacional de Produtos Médicos, da Comissão Nacional de Saúde, do Ministério da Ciência e Tecnologia e de "outras autoridades relevantes" da RPC. 

E esquecem-se, ainda, que a Fosun Pharma faz parte de um grupo líder chinês fundado em Xangai em 1994, cujas vacinas foram aprovadas pelas entidades reguladoras chinesas,  sendo distribuídas em Macau e Hong Kong.

Por aqui se vê qual a credibilidade que merece a imprensa dita "patriótica" e subserviente ao poder. E também a quem se destina.

De outro modo, jamais daria guarida e eco a negacionistas mentecaptos que colocam em causa a ciência, a mais avançada do mundo, e as decisões das suas próprias autoridades que aprovaram, autorizaram a produção da vacina no seu território e a inoculação aos seus compatriotas de Macau e Hong Kong.

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prémio

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.03.21

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Muito embora o processo de vacinação esteja a correr bem, verifica-se que na maior parte dos serviços e empresas a população está a manifestar uma grande rejeição às vacinas.

Desconfiança que se agravou com o facto de depois de já terem sido vacinadas pessoas com mais de 59 anos, com a vacina da Sinopharma, se veio aconselhar esse grupo etário a escolher outra vacina, a da Pfizer-BioNtech.

Este foi um erro dos Serviços de Saúde de Macau que não devia ter acontecido num momento tão crítico, e em especial depois de já ter sido dito por especialistas que aquela vacina era desaconselhada às pessoas mais idosas.

Há muitos que entendem que pelo facto de não haver casos activos de COVID-19 em Macau, a vacina se torna desnecessária. Todos sabemos que não é essa razão que leva à necessidade das pessoas se vacinarem, mas sim o objectivo de se obter imunidade de grupo, aliada à hipótese de na eventualidade de surgirem novos casos a situação poder ser resolvida de forma mais fácil e com muito menos custos para o sistema de saúde e a saúde de cada um.

À falta de uma campanha eficaz de sensibilização das pessoas só vejo uma forma do Governo da RAEM atingir os seus objectivos. E esta passaria por fazer condicionar a atribuição do cheque da comparticipação pecuniária anual à vacinação.

Estou certo que muitos dos renitentes correriam a vacinar-se para garantirem o recebimento do "prémio". 

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montaigne

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.03.21

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"Pouco me interessa saber se um lacaio que tenciono contratar é casto; cuido apenas de me informar se é diligente. Não me assusta tanto um palafreneiro viciado no jogo como um que seja imbecil, nem tanto um cozinheiro praguejador como um incompetente. Não me ocupo de dizer o que se deve fazer no mundo – já há bastantes que o dizem – mas de dizer o que eu nele faço. 

(...)

À mesa opto pela companhia de convivas prazenteiros e não dos prudentes; na cama prefiro a beleza à bondade; nas conversas de sociedade, procuro estar com gente inteligente ainda que não proba.E procedo identicamente quanto ao mais." (Montaigne, Ensaios – Antologia, Relógio D'Água, 110/111) 

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cancelamento

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.03.21

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"The World Press Photo Exhibition 2020 in Hong Kong, arranged by a local organizing committee, and sponsored by the Netherlands Consulate General in Hong Kong and Macau, was due to open at the Koo Ming Kown Exhibition Gallery at the Hong Kong Baptist University on 1 March. On Thursday 25 February, we were made aware of the cancellation of the exhibition by the venue, citing campus safety and security, and concerns related to the spread of the COVID-19 pandemic."

A segurança assim o impõe. Compreende-se.

Por razão de protecção da saúde ou de protecção da segurança nacional.

Nos dias que correm é tudo uma questão de segurança. Ou de insegurança. Depende da perspectiva do que se quer proteger.

Uma fotografia não é uma arma de subversão. O medo é. E tem muita força.

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