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aventar

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.09.15

Correspondendo a um simpático convite, hoje escrevo no Aventar sobre as legislativas de 4 de Outubro. 

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turismo

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.15

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No final de um festival internacional de fogo-de-artifício e do festival do "Chong Chau", em plena semana dourada, com a cidade prestes a celebrar o Dia Nacional da China, às portas de mais uma edição do Festival Internacional de Música, que vai trazer o Fausto de Gounot, Mahler, Gideon Kremer, a Kremerata Baltica, Mozart e Salieri, I Profeti della Quinta, Patti Austin e Janis Siegel, a Orquestra Filarmónica da BBC, o Canto Siciliano, e sei lá que mais, a atenção que é dada à cidade continua a ser a mesma de sempre. A mesma não, muito pior. Porque agora o lixo já nem é varrido para debaixo do tapete e o cheiro é impossível de disfarçar. Às 14 horas, de hoje, em plena zona do NAPE, às portas do Ministério Público da RAEM e do luxo do Wynn, do L'Arc e do Star World, paredes-meias com a Direcção dos Serviços de Turismo, é este o espectáculo. Aterrador, por sinal, para uma cidade que se quer do turismo, cosmopolita e moderna. Cheiro nauseabundo, caixotes de lixo todos abertos e a precisarem de limpeza, ruas imundas, contentores virados. Nunca a cidade esteve tão porca, nunca a cidade foi tão maltratada, o que também explica o nível dos turistas que tem recebido. 

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incultura

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.09.15

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Nunca gostei do fulano e também já critiquei, há alguns anos, quando amiúde ainda acompanhava processos de natureza penal, o papel desempenhado por muitos juízes de instrução, o que me dá mais liberdade para escrevê-lo. E o homem, como muitos dirão, até pode ter todos os defeitos do mundo e ser um estafermo da pior espécie, mas é inaceitável que tenha chegado até aqui, como agora se vê, com menores garantias de defesa do que qualquer outro arguido, sendo prejudicado pelo facto de ser quem é ou por mero capricho daqueles a quem o processo está confiado.

Um atropelo de garantias de defesa é sempre um assunto grave em qualquer instância e qualquer que seja a identidade do arguido ou o crime que lhe seja imputado. O factos dos crimes em causa serem graves, e são, não justifica todos os atropelos. Mais grave ainda quando todo o sistema de justiça necessita urgentemente de se prestigiar aos olhos dos seus destinatários e isso acontece num Estado que se reclama de direito democrático.     

Quando um acórdão, que nuns pontos dá razão ao Ministério Público e noutros à defesa, vem dizer, por unanimidade dos senhores desembargadores, que "toda esta auto-estrada do segredo, sem regras, passou sem qualquer censura pelo juiz de instrução, desprotegendo de forma grave os interesses e garantias da defesa do arguido, que volvido tanto tempo de investigação, continua a não ser confrontado, como devia, com os factos e as provas que existem contra si", a única coisa que posso pensar é que a justiça continua doente, muito doente, e que se isto acontece uma vez deve acontecer duas, três, muitas vezes, com outros que não têm os mesmos meios para se defenderem, nem gozam de igual projecção pública.

É isso que me preocupa. É muito mau que um tribunal superior, qualquer que seja a imagem que cada um de nós tem do arguido, tenha necessidade de escrever o que escreveu, volto a frisar, por unanimidade, para repor a igualdade de armas entre o Ministério Público e a defesa do arguido.

Há qualquer coisa que está muito mal. E não é nas leis.

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porfiri

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.09.15

"Os alunos são imensamente talentosos. Nunca me canso de repetir isto. Nunca direi uma palavra contra a força de vontade dos meus alunos. São imensamente talentosos. Quando cheguei a Macau apercebi-me de que o nível era muito medíocre e quando falava com os professores o que eles me diziam era que os estudantes em Macau não eram muito bons, que não se esforçavam. Ao fim de alguns anos apercebi-me de que o problema não eram os alunos, mas sim os professores. O problema é quem educa: eles protegem-se a eles próprios, dizendo que os alunos não são bons, quando a verdade é que os professores é que não são suficientemente bons. Esta é a razão pela qual os alunos não se desenvolvem. Quando os alunos têm bons professores, os alunos são fantásticos. No meu entender, os alunos de Macau podem rivalizar com os alunos de Singapura e de Hong Kong se forem colocados num patamar que permita o seu desenvolvimento. O problema é que quem tem o poder em Macau não quer desenvolvimento. Estão interessados apenas em desenvolver a sua própria agenda étnica."

 

Esta entrevista de Aurelio Porfiri é um documento. Incómodo, é claro, mas especialmente importante porque é prestado por quem, não sendo português, nem chinês, nem natural de Macau, esteve por aqui durante sete anos, consagrando-os à cidade, à sua gente e aos seus jovens sem sofrer de qualquer complexo colonial. Deve ser lida e relida com atenção, e se possível discutida. O Ponto Final está de parabéns por mais este serviço oferecido aos seus leitores.

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transtornado

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.09.15

Transtornado fiquei eu. Porque quem coloca a fasquia ao nível do penico não tem razões para se transtornar. E só por hipocrisia se pode queixar.

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legislativas (4)

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.09.15

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Passada a fase da provocação, essencial para se manter o humor, a sanidade e ver o modo como as almas penadas reagem à jocosidade do escriba, convém que de quando em vez se volte a falar de temas mais sérios, deixando a contabilidade futebolística dos debates para os reclusos – no sentido virtual e real – e para os comentadores encartados e pagos.

Um dos aspectos em que José Sócrates, quando foi primeiro-ministro, se mostrou politicamente mais infeliz foi na radicalização do seu discurso e na posse do animal feroz que muitos aplaudiam e em que os seus acólitos se reviam (e revêem, como ainda recentemente se viu numa acção de campanha).

Essa radicalização, que se acentuou ao longo do tempo, permitiu depois a Passos Coelho, com o apoio do PR, ir-se distanciando, à medida que o país também se ia apartando de Sócrates e do PS. Num primeiro momento a radicalização funcionou a seu favor, depois contra si. O agravamento da situação do país em 2010 e 2011 aumentou a tendência radicalizadora. Deve haver quem ainda se lembre disso. Passos Coelho e o PSD trilharam o seu caminho na esteira desse clima e dele viriam a colher frutos, optando ainda hoje por um registo semelhante, ultimamente temperado por razões eleitorais, mas pronto a explodir assim que rodeado da sua malta e vislumbre a oportunidade de colher mais uns votos.

A derrota de Sócrates em Junho de 2011 e a agudização da crise funcionaram como um estímulo para a criação do espírito de trincheira que está em Portugal tão presente nas mais pequenas coisas. Da crónica jornalística aos comentários nos blogues. De um lado e do outro acentuaram-se as clivagens. A amargura funcionou como um estímulo de um lado e do outro, e os mais pequenos ganhos nas discussões parlamentares ou nos confrontos televisivos eram vistos como parte de uma jornada gloriosa que acabaria por aniquilar o adversário. O azedume que cresceu dos dois lados fechou a porta aos entendimentos necessários.

Isso também se viu nos debates entre Passos Coelho e António Costa. Em Outubro, Cavaco Silva vai receber uma batata quente nas mãos. E não vai poder largá-la porque sem maioria absoluta não há posse – presumo que o homem ainda se recorde do que disse – e vai ter de ser ele a resolver o problema para cuja agudização tanto contribuiu com a sua inépcia.

António Costa já disse que não viabiliza um orçamento da coligação PSD/CDS-PP, o que pode ter deixado muita gente estupefacta, não ter qualquer sentido nesta altura e, em meu entender, só pode ter sido mais um conselho que sobrou de um daqueles senhores que idealizaram os etéreos cartazes.

Pergunta-se agora, e com razão, quais as soluções possíveis? Um governo de iniciativa presidencial está fora de questão. Com uma eleição presidencial a escassos meses, com um Presidente em queda acentuada e perfeitamente desacreditado como futuro interlocutor do que quer que seja, qualquer solução para um impasse criado por uma vitória eleitoral sem maioria absoluta obrigará a acordos de incidência parlamentar. Estes são sempre possíveis, embora duvide que tal possa acontecer com os actuais líderes.

Mas se uma coligação à esquerda ou entre os partidos do centrão é pouco provável, então como desfazer o nó górdio?

Passos Coelho e Paulo Portas querem continuar a governar. É natural. As sondagens têm-lhes sido amigas, eles querem puxar por elas, até aí tudo bem. Mas estão longe de uma maioria absoluta e sem esta como vão formar governo? E com quem? Com o PCTP/MRPP? E quem lhes dará posse? Bruno de Carvalho? 

António Costa também pede uma maioria absoluta. E por aí faz bem. Saber se com aquela primeira linha que levou a Vila Real chegará lá é outra história. De qualquer modo, se for o PS a vencer as eleições, essa poderá ser a solução mais conveniente em termos de governabilidade. Se não conseguir essa maioria, a alternativa vai depender da votação do Livre, porque não creio que, apesar das sondagens, o BE entre nestas contas. Apesar de tudo nunca se sabe e ainda faltam muitos dias. 

Se a votação do Livre não for suficiente para formar uma maioria, então a alternativa poderá vir de onde menos se espera. A mudança de líder no PSD, com um eventual congresso extraordinário e a chamada de Rui Rio, com quem Costa já mostrou que se entende razoavelmente bem, não me parece plausível no imediato. E leva tempo. Além de que qualquer derrota eleitoral do PSD quando está no poder, se for de novo o caso, faz o partido entrar em transe.

A solução que resta pode estar no CDS/PP. O interesse nacional, ou o instinto de sobrevivência do partido, pode levá-lo a distanciar-se da coligação logo após as eleições. Na AR será cada um por si. Resta saber se os deputados do CDS/PP serão suficientes para formar uma maioria de governo com o PS e manterem o partido no poder. A hipótese é menos estrambólica do que poderá parecer. As hostes centristas não enjeitam, nunca, uma possiblidade mesmo remota de se manterem no poder. Estamos no campo da lucubração, eu sei, mas não custa nada ir pensando nisso. E desta vez não estou a gozar.

A solução, por vezes, vem de onde menos se espera. E num país onde os candidatos a primeiro-ministro se fazem acompanhar nas acções de campanha por quem não devem, dançam o vira e bebem vinho "Amnésia", enfiando os pés pelas mãos quando se trata de falar de uma coisa tão comezinha como a segurança social, enfim, num país há muito sem solução, todas as hipóteses que à partida possam resolver problemas são plausíveis. E ainda quando não se queira discuti-las, por serem inconvenientes, não há nada que proiba que sejam encaradas.

 

P.S. Costa patinou no segundo debate quando instado a esclarecer onde iria arranjar dinheiro para poupar 1020 milhões de euros nas prestações sociais não contributivas. Passos Coelho tem patinado todos os dias e a toda a hora, mesmo sem debate, como ainda agora se viu quando afirmou que Portugal iria antecipar um pagamento ao FMI ou quando remeteu para a mesma concertação social a que António Costa se referiu o valor do plafonamento que tanto apregoou, revelando-se de novo como um fala-barato impreparado, embora tenha criticado o adversário e esteja há mais de quatro anos ao leme da governação, o que lhe deveria dar outro conhecimento de uma matéria tão essencial e delicada. 

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diversificação

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.09.15

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 (Foto: Jornal Tribuna de Macau)

À versão autonómica de 2005 do "Grande Salto em Frente" segue-se agora, dez anos depois, o "Grande Espalhanço de Bruços". As notícias que dão conta do desvio de "turistas" dos hotéis de luxo da cidade para o Parque de Campismo de Coloane são um primeiro sinal da tão desejada diversificação da economia local. Com tendas tipo iglu enfiadas dentro de gaiolas de rede, dotadas de ar condicionado natural, humidificador permanente e transporte à porta para as hordas de turistas, começa a ganhar forma o cumprimento do desígnio de Beijing quanto à diversificação económica da RAEM. À pujante economia de casino sucede a alta finança do campismo de massas. Os novos espaços têm características ecológicas únicas, espaço suficiente para se guardarem os sacos de compras das cadeias Louis Vuitton, Emporio Armani e Fendi, e ainda sobra um cantinho junto às redes para se deixarem os chinelos antes de se entrar nas tendas. Espera-se que em breve as tendas sejam classificadas de acordo com o número de pés quadrados de área útil e que os preços da ocupação dos espaços reflictam a qualidade do serviço prestado e as perspectivas de crescimento do mercado. Em 2049, quando terminar o cumprimento da Declaração Conjunta, o número de tendas disponibilizadas pelo IACM deverá ser suficiente para cobrir todos os espaços disponíveis do Cotai, havendo a possibilidade de algumas serem reservadas para jogadores VIP, instaladas nos jardins contíguos aos casinos e dentro de algumas suites, junto aos lagos Nam Van, para rentabilização dos espaços daquelas, à semelhança do que já hoje acontece nalguns apartamentos das urbanizações Nova City e Nova Taipa. Para já, com excepção do fumo das salsichas grelhadas e daquele que é disponibilizado junto às tendas pelos sumptuosos autocarros das concessionárias, não está prevista a tolerância de qualquer outro tipo de vícios, aguardando-se que seja divulgado o estudo encomendado pela tutela aos serviços competentes para se avaliar a hipótese de se instalar um novo tipo de casinos com mesas amovíveis de fórmica mais adaptadas ao gosto dos "turistas".

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refugiados

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.09.15

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O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e alguns outros funcionários dessa entidade recordaram há dias o que aconteceu durante a crise de 1956 que levou mais de 200.000 húngaros a sair do seu país. Cerca de 180 000 fugiram através da Áustria e 20 000 pela Jugoslávia. Entre o fim-de-semana de 4 de Novembro e o final desse mês passaram 113 000. Na altura foram inúmeros os países que abriram as portas para receber e apoiar os húngaros que escapavam à repressão soviética. Começaram a sair de um dia para o outro para a Áustria, um país que ainda prestava apoio a 150 000 refugiados da II Guerra Mundial. E que apesar da sua pequenez, argumento que também tem sido abusivamente usado para justificar a acção do governo de Viktor Orbán, não fechou portas a quem se refugiava.

Não existiam os mecanismos de apoio e cooperação que hoje temos, e apesar de estar em vigor a Convenção de 1951, mesmo os estados que não eram parte não regatearam esforços para acolher os refugiados.

Entre os países que se prontificaram a acolher refugiados húngaros também estava o Portugal bem comportado e obediente de Salazar, que se predispôs a receber temporariamente um número até 7 000 crianças. 

Inclusivamente, e este é outro ponto que tem sido referido para defender a posição húngara em relação aos refugiados que procuravam dirigir-se para a Alemanha, quando em 1956 o representante da Arábia Saudita junto das Nações Unidas levantou a questão da falta de documentos dos que fugiam, o representante austríaco respondeu que essas questões deviam ser tratadas depois de serem satisfeitas as necessidades básicas dos refugiados. Como aqui se escreve, também nesse tempo muitos do que fugiam utilizaram traficantes para poderem fazê-lo, porque não tinham alternativa para escapar ao flagelo comunista. Não foi a falta de documentos de identificação que impediu a sua aceitação como refugiados e não foram erguidos muros. O paralelo que se tem tentado estabelecer entre os que fogem da guerra e os refugiados económicos que procuravam entrar por outros locais não tem comparação possível, apesar de merecer igualmente atenção. Como a própria chanceler Merkel sublinhou, uma coisa são os que fogem da guerra, outra os que procuram melhores condições de vida. As situações não são comparáveis.

Por outro lado, também já em 1956 o sistema de quotas foi discutido de maneira a que o peso do apoio fosse repartido por todos os países em função dos números das respectivas populações, face à diminuta capacidade da Áustria em acolher condignamente todos os que fugiam. No final, a Áustria foi aliviada do peso dos refugiados no seu território e reembolsada dos 12 200 000 USD que gastou pelas contribuições feitas por outros países, directamente ou através do Secretário-Geral da ONU e do ACNUR. 

E, já agora, convém deixar aqui alguns números sobre o destino final dos refugiados de 1956:

"First of all, most of the Hungarian refugees were relocated or resettled outside Austria. Eventually 410 refugees settled in Austria, the others left for 36 other states: Argentina (1,020), Australia (11,680), Belgium (5,850), Brazil (1,660), Canada (27,280), Chile (270), Colombia (220), Costa Rica (30), Cuba (5), Cyprus (2), Denmark (1,380), Dominican Republic (580), Ecuador (1), Federation of Rhodesia and Nyasaland (60), France (12,690), Germany (15,470), Iceland (50), Ireland (540), Israel (2,060), Italy (4,090), Luxembourg (240), Netherlands (3,650),New Zealand (1,090), Nicaragua (4), Norway (1,590), Paraguay (7), Portugal (4), Spain (19), Sweden (7,290), Switzerland (12,870), Turkey (510), Uruguay (37), Venezuela (780), Union of South Africa (1,330), United Kingdom (20,990), and the United States (40,650). Even more states had offered to accept Hungarian refugees: Bolivia had offered places for 500 families, Guatemala, Honduras and Tunisia had offered 100 places each, and Peru had offered 1,000 places." (Marjoleine Zieck, The 1956 Hungarian Refugee Emergency, an Early and Instructive Case of Resettlement).

Sasha Nagy lembrou o que aconteceu ao seu próprio pai em 1956, mas muitos mais exemplos haverá. Não será assim de admirar que havendo quem tenha sofrido  o drama de 1956 agora escreva que o que está a acontecer envergonha a Hungria

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estabilidade

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.09.15

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(Michael Apt Amazing Grace, foto do HojeMacau

A estabilidade sem frutos não serve para nada. A estabilidade de que a R.A.E.M. goza tem de servir para alguma coisa. Tem de servir para melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos, cimentar a autonomia e prosperar. E não para ir acomodando os recados de Beijing. - 14/09/2015

Por alguns momentos voltei a pensar em Macau. O resultado foi esta manhã para as páginas do HojeMacau, num texto que poderá ser lido na íntegra aqui.

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banhadas

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.09.15

"Tem havido manifestações de interesse por parte de várias instituições";

"Estou em crer que haverá condições para vender muito antes do prazo";

"Como tal, a venda deve ser rápida, o que não significa à pressa nem ao desbarato";

O Paribas já começou a identificar potenciais interessados como, por exemplo, três bancos espanhóis, um inglês, um brasileiro e vários fundos financeiros”;

"É uma boa notícia, o Governo entende obviamente que é uma boa notícia, quer o processo estar a decorrer normalmente, quer ter havido manifestações de interesse várias, o que demonstra alguma competitividade e concorrência que é sempre salutar nestes processos";

"É a demonstração de uma boa saúde por parte do sistema financeiro".

(intervalo para negociações com os lorpas)

A Fosun recusou subir a oferta de 1,5 mil milhões de euros, valor que nem chega a metade dos 3,9 mil milhões de euros que o Estado meteu no Fundo de Resolução. Perante este impasse, depois do falhanço da venda à Angbang, a venda será adiada até que sejam conhecidos os resultados dos testes de stress do Banco Central Europeu que ditam em quanto terá de ser reforçado o capital da instituição herdeira do BES. Ainda há a possibilidade de chamar à mesa os americanos da Apollo, mas dado que tinham a oferta financeira mais baixa, o Banco de Portugal, governado por Carlos Costa, pode nem iniciar negociações finais

Segundo a SIC, as negociações com os chineses com a Fosun já terminaram com o mesmo resultado que tiveram as negociações com os também chineses da Anbang, ou seja, o fracasso. Os candidatos estão a oferecer preços muito abaixo dos mínimos pretendidos pelo Banco de Portugal, pelo que se espera que as ofertas possam ser mais elevadas assim que se conhecerem melhor as necessidades de recapitalização da instituição. Recapitalização esta que terá, assim, de ser feita pelo Fundo de Resolução.

 

Partindo do princípio de que a bola de cristal de Marques Mendes está baça, o que inviabilizou a apresentação das contas da Segurança Social que António Costa e Catarina Martins já pediram e permitiram que a ministra da Justiça avançasse com umas sugestões (bitaites), o melhor será o primeiro-ministro e a ministra das Finanças porem-se ao caminho, meterem uma "cunha" ao Dr. Mário Soares, que vai lá trocar impressões com alguma regularidade e pode ser que o convença a arranjar espaço na agenda entre as visitas habituais, e irem falar com o inquilino do número 33 da Rua Abade Faria. Não custa nada. Quem sabe se oferecendo com o banco uns computadores Magalhães, uns pares de sapatos e o dr. Marques Mendes, o problema não ficava resolvido?

Estou em crer, com excepção do sempre inconveniente António Lobo Xavier, que Sócrates será o único com experiência acumulada sobre este tipo de situações. O único, como diria o prof. Marcelo, que sabe disto a potes, capaz de transformar situações duvidosas em sucessos retumbantes, e em posição de ajudar a encontrar os parceiros ideais para este tipo de negócios. Talvez fosse a maneira de tramar o António Costa, dar gás ao Seguro, encontrar o consenso nacional que pede o Presidente da República, e poupar mais uns cobres aos novos milionários. Indirectamente, é claro. Essa gente nunca aceitaria benefícios directos. 

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diferenças

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.09.15

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"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

 

O que Vasco Pulido Valente escreveu há quase um ano está actualíssimo depois do debate de ontem. Os comentadores e analistas já decidiram quem ganhou o debate e porquê. Aos pontos ou por "K.O." para o caso é irrelevante, porque a decisão final será tomada em 4 de Outubro pelos que se predispuserem a ir às urnas. Sobre essa estatística não me pronuncio.

Notarei, no entanto, que pela primeira vez se viu uma diferença abissal entre Passos Coelho e António Costa. Refiro-me ao estilo, à  abordagem das questões, na substância e na forma, em especial na clareza. Miguel Relvas dizia depois do debate que Passos Coelho tinha de ser mais agressivo e esta leitura já diz quase tudo. Agressivo? Em quê? Como? Era preciso que Passos Coelho tivesse argumentos.

Da ausência destes resultou a forma como se foi esfarelando sem glória ao longo do debate, o modo como se esgueirava às questões (aliás, habitual nele), querendo a todo o tempo repescar um passado que não contou com António Costa na proa para a sua triste caminhada para o abismo, trocando e rectificando os milhões - cinco milhões eram afinal cinco mil milhões e meio, confusões normais mas que antes serviram para se gozar com Guterres e Centeno -, com Judite de Sousa a insistir para que respondesse, uma, duas vezes, ele dizendo que a resposta era simples mas sem a dar, levando forte e feio por causa das despesas de 2015 continuarem no mesmo nível de 2011, encaixando o crescimento da dívida e a queda do crescimento, completamente aos papéis na acusação de que deixou o país mais endividado do que encontrou e fazendo como seu trunfo o cumprimento de um programa de ajustamento que qualquer outro governo na mesma situação teria cumprido, tal como outros antes dele também cumpriram. Com gráficos ou sem gráficos, na retórica de Passos - sem programa e sem contas, como Costa bem sublinhou - só cabia o discurso gasto, passista e passadista. E é evidente que Costa não poderia deixar passar em branco as suas vitórias eleitorais em Lisboa - é sempre aborrecido recordá-las - ou o programa de incentivos ao retorno para jovens emigrantes, verdadeiro número de ilusionismo político, digno de uma feira para parolos, destinado a abranger 20 pessoas num país que só em 2012 e 2013 viu sair mais de 200.000 pessoas

O erro de Passos Coelho e de quem o aconselhou foi o de pensar que tinha à sua frente para o debate mais um produto formatado numa jotinha, alguém do tipo "Sócrates". Alguém a quem, com a sua verve e a experiência entretanto adquirida, seria fácil cilindrar com meia dúzia de patacoadas e o agitar dos fantasmas do passado. Enganou-se. António Costa é politicamente também o produto de uma jota, mas tem claramente a seu favor muito mais do que isso. Aquilo que Sócrates não tinha, e Passos Coelho também não tem, nem nunca terá, é a consistência curricular, académica e profissional. O que cavou o abismo foi a diferença entre ter uma escola, um passado e uma carreira que são conhecidos de todos, e não ter nada. Foi também a diferença entre depender de si ou depender de uma jota, dos padrinhos no partido, do subsídio de reintegração ou dos amigos para sobreviver, ir enchendo chouriços e se manter à tona da água até chegar a sua hora. Encostado às cordas por Miguel Macedo e a trapalhada dos "vistos gold", a Passos Coelho faltou claramente a muleta de Paulo Portas. Está tudo explicado.  

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atraso

por Sérgio de Almeida Correia, em 09.09.15

O simples facto do presidente do Governo Regional da Madeira ter tido necessidade de sair a terreiro para assumir uma posição em defesa do acolhimento aos refugiados sírios, diz bem do atraso cultural e civilizacional da região. Foi esse atraso que Alberto João Jardim cultivou durante 40 anos, o mesmo que lhe permitiu ganhar dezenas de eleições de cada vez que desfilava de tanga ou se punha aos saltos no Chão da Lagoa com um copo de poncha na mão. O resultado é o que se vê.

Com toda a limpeza, Miguel Albuquerque pôs os pontos nos iis, recordando o peso dos números da emigração na Madeira. Se venezuelanos e sul-africanos tivessem a mesma atitude que foi sugerida pelos autores da página do facebook para com os madeirenses que por lá estão, que seria da Madeira? Por aqui se vê que em causa não está ser-se de direita ou de esquerda. O problema é civilizacional e cultural. Quanto mais montanheses mais xenófobos, quanto mais ignorantes mais racistas. Esteve bem o presidente do Governo Regional, tal como tem estado bem Angela Merkel.

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legislativas (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.15

O maná de promessas que está a desabar sobre os portugueses é de tal forma assustador que o português que pretenda ser esclarecido e recordar-se de tudo o lhe foi prometido quando iniciar o seu período de reflexão já começa a ter dificuldade em catalogar as que lhe foram feitas, assinalar a autoria de cada uma e o ano da futura legislatura em que serão cumpridas. As excepções também são tantas, não vá o diabo tecê-las, que já não há papelinhos amarelos que cheguem para tomar nota. E saber que ainda faltam cumprir mais quatro semanas de promessas não ajuda a levantar o moral. Se um tipo não desligar já, por uns dias que seja, corre o risco de pirar muito antes de 4 de Outubro. 

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cornudos

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.15

No dia 9 de Julho de 2015, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, através do Louvor 340/2015, reconhecia a qualidade do desempenho do adjunto do seu gabinete, enfatizando o seu papel na reestruturação do sector da água e dos resíduos.

Menos de dois meses volvidos fiquei a saber pelo Expresso que a Águas de Portugal (AdP) aprovou para o conselho de administração de uma das suas empresas, a AdP Serviços, a entrada desse mesmo adjunto que até ao final de Junho trabalhara com Jorge Moreira da Silva na reestruturação do sector da água.

 

Para alguns, o serviço público continua a ser uma via verde, rosa, laranja, azul-bebé, a cor é indiferente, para se ser premiado e subir na vida.

Há tempos, alguém reproduziu-me uma frase que ouvira a um seu antepassado que fora ministro: "no dia em que entrei para o Ministério os meus cavalos estavam calçados a prata, quando eu saí estavam calçados a ferro". Os tempos mudaram e já ninguém exige que o serviço público seja um serviço à borla e que uma pessoa não seja devidamente compensada pelas funções que desempenha em benefício da comunidade. Um tipo não deve, não pode, ser prejudicado, mas o exercício desse serviço à comunidade não pode servir de razão para que se transformem funções banais, desempenhadas num qualquer gabinete ministerial, num tgv social e profissional. Por muito mérito que possua quem prestou esse serviço, essa é uma imagem errada que continua a ser transmitida para as futuras gerações. Qualquer que seja a cor do governo.

Aquilo que era uma vergonha - e para mim já era e continuará a ser - com os antecessores, repete-se à beira das eleições com os laranjinhas. E não há sequer a preocupação de lhes arranjar um lugar noutra área que não tivesse estado na sua dependência ou numa relação directa com o ministro de onde se saiu. Quando o lugar desejado não é soprado ou imposto, sabe-se como se faz. Dá-se o lamiré, avança-se com a sugestão, formula-se a recomendação, e rapidamente os serventes põem o comboio em marcha. O decoro, o pudor, a vergonha, a decência, tudo isso são conceitos que há muito caíram em desuso. Nas universidades e escolas de quadros estivais ensina-se hoje que tudo deve ser feito com "transparência", às claras, tal e qual como alguns outros de má memória faziam, para que ninguém seja "prejudicado" na "carreira". Tudo de janela aberta, se possível escancarada, com direito ao louvor da praxe no jornal da caserna para que ninguém duvide dos méritos do elogiado. Às vezes, se bem me recordo, os méritos resumem-se ao transporte da mulher e dos filhos de quem elogia durante o período em questão.  

Tempos houve em que a mulher de César era e fazia questão de parecer séria. Hoje em dia tudo mudou. Caiu em desuso. Nos dias que correm a mulher de César não precisa de parecer séria porque toda a gente sabe que é uma devassa das piores, uma concubina que gosta de se exibir toda descascada nos jornais, nas revistas cor-de-rosa e nas televisões populares e do regime. E não se importa de ser vista como uma devassa porque só assim garante o futuro. Os seus amantes também não se importam de partilhá-la e de vê-la publicamente partilhada porque entram invariavelmente pela porta do cavalo, são promíscuos, dependentes e poucos dados ao recato. César, esse, lá vai pagando os seus impostos, enquanto vai fazendo figura de cornudo.

No dia 4 de Outubro, César irá colocar a cruzinha nas promessas que lhe fizeram durante dois meses. Para que tudo possa continuar na paz do Senhor. Como convém a qualquer cornudo agradecido por os amantes o deixarem continuar a viver lá em casa. Na sua casa. Na terra dos cornudos agradecidos.

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tristeza

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.09.15

Depois de ver e ouvir o vídeo desta reportagem que me enviaram, dei comigo a pensar se nas escolas de jornalismo não devia ser criada uma disciplina de pizzas. Não é por nada, mas quem sabe se depois não teríamos profissionais da comunicação social de "pepperoni com extra queijo" especializados na entrega de pizza ao domicílio. Um país nos píncaros.

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