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castigo

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.13

Do que disse em 1 de Janeiro de 2013 não se aproveitou nada. Uma vírgula que fosse. Nem os partidos da sua coligação lhe deram ouvidos, precipitando uma crise política que custou ao País mais uns milhares de milhões de euros. Houve de tudo: demissões em barda, declarações patéticas de quem saiu empurrado pela porta dos fundos a dizer que saía pelo próprio pé, remodelações a intervalos regulares, manifestos irrevogáveis, cartas de fazer corar um santo. Enfim, aconteceu tudo o que a criatura disse que não queria que acontecesse em matéria de credibilidade externa, estabilidade e cooperação institucional, segurança interna, confiança dos mercados e equilíbrio social. Será que ele ainda acredita que tem alguma coisa de relevante para dizer? E que nós teremos de ouvi-lo? Será que os portugueses não sofreram já o suficiente para serem poupados ao seu monocordismo?

 

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resumo

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.12.13

"Porque as grandes felicidades aqui são todas feitas de escapar à tragédia, uma e outra vez, até ninguém ser mais capaz de escapar à tragédia. Porque é isso que acontece. Com o tempo, a atrocidade abrevia tudo a toda a gente, e o que sobra é de uma tristeza para sempre. A tristeza para sempre é o que mais identifica esta comunidade. Ainda que a heroicidade não o mostre, não o permita aos olhos descuidados de quem vê apenas em passagem." - Valter Hugo Mãe, Adiar, Público, 29/12/2013.

 

Poucos se atrevem a ser tão claros. Por isso podia ser um resumo de Portugal em 2013.

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ilusionismo

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.12.13

Escrevia esta manhã o Público (página 17) que o "ministério tutelado por Pedro Mota Soares prevê receber 47,9 milhões, mas, até agora, apenas entraram 12,3 milhões, ou seja, menos 74%. Já no caso da contribuição de 5% sobre o subsídio de doença, o montante esperado é de 2,4 milhões de euros, tendo arrecadado 1,6 milhões. De acordo com o Ministério do Emprego e da Segurança Social, uma explicação para este desvio prende-se com a descida da taxa de desemprego ao longo dos últimos trimestres".

Admira-me que o ministro ainda não tenha convocado uma conferência de imprensa. Se um desvio nas contas de 74% é culpa do emprego e a taxa de desemprego se mantém nos 15,6%, então o melhor é ficar quieto. Está visto que pela lógica do ministério de Mota Soares a diferença entre uma situação de emprego e outra de desemprego é mais ou menos a mesma que entre uma Vespa e um Audi: equiparam-se em tudo menos nos consumos.   

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vénus

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.12.13

Dia de Natal. A deslocação concretizou-se hoje. Tinha-a programado no primeiro minuto que soube da sua visita. Começámos por subir a escada larga do Rossio onde somos recebidos por um par de sorrisos que nos oferece um pequeno prospecto anunciando a aproximação à imagem que se acredita ter sido de Simonetta Vespucci. Sobre um mármore impecavelmente luminoso penetramos na sala que, por um largo corredor, nos transporta até à Florença renascentista. Primeiro é o próprio retrato de Botticelli, depois o de Rafael, a seguir vejo a imagem de Leonor de Toledo com seu filho Giovanni di Mantua num retrato imortalizado por Agnolo Bronzino. De caminho ainda me posso deliciar com as imagens da Madonna e Criança com Oito Anjos, com La Calumnia, com Madonna Magnifica, Criança e Cinco Anjos, com Il Porcellino de Pietro Tacca e o Nascimento de Vénus. Uma viagem que à medida que avançava se ia tornando esplendorosa pelas recordações que trazia à memória. Com excepção do Porcellino, junto do qual, assim que me abeirei fui convidado a esfregar o focinho não fosse a boa estrela não querer nada comigo, tudo o resto eram fotografias em tamanho real que preparavam o caminho até Vénus. De relance a recriação da Piazza della Signoria e eis que entramos na sala escura onde ela nos recebe. Apenas alguma luz marcando-lhe as formas voluptuosas. Ali estava ela em toda sua beleza. Tal qual como Sandro a vira. I Uffizi ou a Sabauda não se mudaram para Macau, é claro que não. Mas ali estava ela enquanto os meus olhos se deixavam enternecer pela imagem.

Há presentes de Natal que parecem caídos do céu.

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natal

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.12.13

Há lugar para tudo. Para todos também, embora alguns nunca cheguem lá. Durante meia dúzia de horas trocam-se abraços, sorrisos, palavras piedosas, votos e presentes, muitos, sobretudo inúteis, porque faz parte da quadra, do espírito. Tretas. De permeio empanturram-se de bacalhau, de broas, bolo-rei e afins, esquartejam perus, desafiam as leis da natureza com as quantidades colossais de álcool e de doces que ingerem e ficam no ponto para atacar o Ano Novo com redobrado vigor. Até que a sua parte mais genuína volte ao caminho de sempre, ao alheamento, à rotina, aos números, aos atropelos diários, ao esquecimento, à intolerância. Ao ano civil.

O resto é a revisitação do apelo. O reencontro. O que me faz levantar os olhos e olhar para o lado. Não os ver sentindo que estamos juntos. Como se fora aqui. Sem chorar. Saber que apesar de tudo ainda é capaz de gostar de mim mesmo quando não O reconheço nas entrelinhas, no caminho que me fez chegar até aqui. Não será uma bênção. Mas é seguramente uma parte boa. Talvez a única que me consegue confortar.   

 

Feliz Natal.

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fala

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.12.13

(19/12/1924 - 21/08/1986)

 

Fala a sério e fala no gozo

fá-la p´la calada e fala claro

fala deveras saboroso

fala barato e fala claro

Fala ao ouvido fala ao coração

falinhas mansas ou palavrão

Fala à miúda mas fá-la bem

Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe

Fala franciú fala béu-béu

Fala fininho e fala grosso

desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar

fala com elegância muita e devagar.

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deleite

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.12.13

O vetusto Teatro D. Pedro V abriu as suas portas para o receber. Numa noite fria, duas mãos percorreram-lhe o corpo. Dedos que se alinhavam e desalinhavam enquanto a melodia se desprendia e nos envolvia na intimidade e aconchego de uma sala centenária. Sobretudo silêncio. E também a limpidez entrecortada pela serenidade do intérprete nos seus curtos diálogos com o público. Jóia, diamante, será o que quiserem. Um momento de puro deleite na contemplação da eternidade. O efémero tem as suas virtudes.

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escurinho

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.12.13

A edição desta manhã do Público confere destaque - chamada à primeira página e mais quatro de desenvolvimento no caderno principal - à adjudicação, em 2002, a uma empresa (NTM) do antigo deputado do PSD e actual secretário de Estado da Segurança Social, Agostinho Branquinho, e da qual o actual ministro da Defesa se tornou presidente da respectiva assembleia geral após a adjudicação, de uma campanha de comunicação do programa Foral, no valor de € 450.000,00, decidida pelo gabinete do então secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, o excelso Miguel Relvas.

Branquinho é mais uma daquelas personagens saídas do obscuro universo que promove jotinhas e pseudo-maçons - os verdadeiros maçons são gente de bem que não se mete nestas alhadas - sem méritos conhecidos e que ascendem na política e no mundo empresarial sem que ninguém perceba a que se devem os seus méritos e ascensão, para além das estranhas ligações que vão exibindo ao longo do seu percurso e que lhes permitem ir saltitando de S.Bento para empresas privadas que lhes eram "desconhecidas" até lhes surgir a hipótese de nelas enriquecerem, e destas para cargos públicos, sempre com a mesma ligeireza e desfaçatez.

Se a forma como o antigo deputado saltou para a Ongoing já era susceptível de deixar qualquer cidadão de cara à banda, o que depois se seguiu, com a sua nomeação, no regresso do Brasil, para a Santa Casa da Misericórdia do Porto e, mais recentemente, para o governo de Passos Coelho, revela a falta de vergonha e de memória que esta gente tem.

Enojado como saí de Portugal com tudo a que por lá assisti na última década, a única coisa que posso desejar, longe como estou, é que a sociedade civil portuguesa, o Ministério Público, os tribunais e a imprensa livre cumpram o seu papel de forma rápida e transparente. Importa, pois, que a adjudicação do programa Foral à NTM, independentemente do trabalho que depois terá sido feito, seja posta no branquinho, para que todos possam compreender como essas coisas se fazem, por quem, qual a sua dimensão e ramificações, e, em particular, com que critérios os caseiros dão as cenouras aos insaciáveis coelhos, sabendo-se que a tal NTM já fechou portas com um milhão de euros de dívidas.

Deve haver alguma maneira civilizada de pôr travão a este estado de calamidade permanente que se abateu sobre os portugueses.

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evocação

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.12.13

Daquilo que convivi com ele, se tivesse de defini-lo em poucas palavras escolheria apenas três: discrição, afabilidade e inteligência. A ordem dos factores pode ser arbitrária porque todas estavam presentes em igual medida. O seu percurso não chegou ao fim, estupidamente quebrado no momento em que a onda se preparava para atingir a praia, desfazer-se em espuma e inundar a areia, molhando-nos os pés. Ele não chegou a bom porto, chegaram os seus papéis, que ganharão nova vida nos olhos e na reflexão de outros que pensam numa língua diferente.

Quem esta tarde ali esteve sabia que percorria mais um troço de uma avenida que ele ajudou a projectar, rasgar e consolidar. Sem se preocupar com o fontanário e os passeios. Nessa medida, o que ficou nunca será uma obra inacabada.

Uns fazem fontanários nas avenidas que os outros constroem. Depois enfeitam-nos e cortam a fita. No final convidam quem passa a aplaudi-los e nunca mais ninguém se lembra deles. Secam.

Outros rasgam avenidas sem se preocuparem com os passeios. Ou com quem passa.

Os fontanários secam. As avenidas deixam-se inundar. E dez anos depois continuam lá. As avenidas. Recebendo quem chega, dando pistas a quem projectará as novas.

Foi isso que marcou. Como se fosse ontem. Discreta, afável e inteligentemente.

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o "low-cost" sai caro

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.12.13

Quando até um espírito aberto como João Miguel Tavares, que se auto-posiciona à direita do espectro político e admite ser liberal, seja lá o que isso for, desconfia da bondade das soluções encontradas para o processo relativo aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), um tipo fica de pé atrás. Quando um destacado deputado municipal de Viana do Castelo e militante do CDS/PP, partido que participa no Governo e sustenta a coligação parlamentar que o apoia, qualifica o processo de subconcessão dos ENVC como "facto sui generis" e "negociata low-cost" (vd. Público de hoje), a gente começa a remexer-se nas cadeiras. Quando depois é o presidente da Câmara de Viana, que até é de outro partido político, quem esclarece que "mesmo ao lado dos ENVC, a multinacional alemã Enercom, do sector eólico a quem os ENCV subconcessionaram, em Junho de 2006 até 2031, uma parcela com 106.607 m2 para a instalação de duas fábricas" paga "55 cêntimos por metro quadrado", sabendo-se que a Martifer irá pagar "cerca de 12 cêntimos por metro quadrado", não custa acreditar, como também disse o tal militante do CDS/PP, que "estamos perante uma declarada e óbvia negociata".

O  problema do meu país não são as negociatas "low-cost" que a maltosa engendra. O problema do meu país é que hoje em dia tudo é "low-cost". Quando se tem um governo "low-cost", dirigentes "low-cost", políticas "low-cost", primeiros-ministros e ministros "low-cost" e com formação "low-cost", é natural que os resultados alcançados sejam também "low-cost", que as reformas sejam "low-cost", a cultura "low-cost", os direitos sociais "low-cost", a justiça recorrentemente "low-cost", as PPP "low-cost", a educação "low-cost", os serviços consulares abaixo de "low-cost", a saúde "low-cost", e por aí fora, até ao ponto de haver quem deseje uma Constituição "low-cost".

Como normalmente também acontece com tudo o que é "low-cost", em especial quando se trata de bens "high-cost" como o interesse público, a educação, as políticas de saúde ou de apoio social aos mais carenciados, o preço que depois há a pagar por um serviço com um custo normal acaba por ser demasiado elevado. É nessas alturas que se percebe que as reformas também foram "low-cost", que o "low-cost" acaba por ser caro e é irreversível, havendo bens e serviços que não podem ser fornecidos em "low-cost" sob pena de não serem de todo fornecidos a quem precisa deles e não os pode pagar num mercado regulado "low-cost". A promessa da excelência "low-cost" conseguida à custa de todos é uma ilusão. O ex-ministro Gaspar ainda o conseguiu perceber a tempo de se pirar. Alguns nunca quererão perceber a razão por que pagamos duas vezes.

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protocolo

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.12.13

As imagens têm corrido mundo.

São ambos relativamente jovens, intelectualmente interessantes, e, cada um à sua escala, poderosos. Ela tem, para um homem, a vantagem de ser elegante. Diria mesmo bonita, bem sabendo que os padrões são sempre relativos e dependem dos olhos de quem vê. O momento não seria o mais apropriado para a galhofa, mas admito facilmente que ambos se enterneceram reciprocamente. Isto é normal entre gente que se entende, que fala a mesma linguagem e tem nos olhos o espelho da alma.

O tempo de um olhar é muitas vezes o tempo que dura um flirt. E que bem faz à alma!

Foram autênticos. Será isso criticável, esquecendo obviamente as questões protocolares? Não creio.

Evidentemente que não posso falar por ela. Nem colocar-me no seu lugar, embora saiba que como homem dificilmente resistiria. Como ele não resistiu. Não há nada como uma mulher interessante, genuína, para nos tirar do sério. Detesto os emplastros protocolares. E o ciúme.

Os que não conseguem perceber a profundidade de tudo o que se esconde por detrás da autenticidade de um gesto simples, de uma troca de sorrisos, de um olhar rápido e furtivo, nunca perceberão nada da vida.

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pressas

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.12.13

À medida que a legislatura avança, sem o ruído que a distância me proporciona vou-me apercebendo de contornos e de sombras que antes me eram dificilmente apreensíveis. A reforma da justiça foi uma delas.

Depois da saída, para mim inesperada, do anterior chefe de gabinete da ministra, e de ter lido o artigo que aquele há uns meses publicou no Expresso, manifestando as suas preocupações, a edição desta manhã do Público traz mais alguma luz sobre o problema dos julgamentos sumários.

Um professor de Direito esclareceu, sem deixar de referir outros exemplos vindos de fora, que a única vez em que na nossa história houve julgamentos com processo sumário tão expeditos para aplicação de penas superiores a cinco anos foi no tempo ... das Ordenações Filipinas ("compilação jurídica conhecida por Código Filipino que data de 1603 e que vigorou em Portugal, com alterações, até 1852").

Em tempos houve quem quisesse queimar etapas na transição de Macau. Viu-se no que deu.

Agora, sabendo-se que o Tribunal Constitucional já por três vezes, em decisões unânimes nas quais intervieram dez dos seus treze juízes, considerou inconstitucional a norma atinente aos julgamentos sumários da senhora ministra - não são só as normas dos orçamentos que padecem de tal vício -, parece-me que anda alguém a querer apressar a história. E quando isso acontece, em regra, o final não costuma ser feliz. Nem para os protagonistas, nem para a justiça, que se quer célere e em tempo útil mas nunca apressada e inconstitucional.

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madiba

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.12.13

Sobre ele, o que então escrevi continua perfeitamente actual. Esta é uma marca que distingue os únicos, os irrepetíveis: o que ontem escrevemos permanece perene ao longo da sua vida, e mesmo depois da sua partida. O engano nunca acontece.

Os elogios deixo-os para os outros. Se Madiba nunca os apreciou em vida não irá apreciá-los depois da morte.

Prefiro reservar cinco minutos do meu tempo para olhar para a sua fotografia. Para recordar o seu legado, a força penetrante do seu olhar, das suas palavras, a serenidade do gesto.

Mais do que a luta, a prisão, a resistência, a lição que ficará e que marcou a diferença em qualquer latitude foi o modo como exerceu o poder, como soube libertar-se do espartilho do partido e colocar-se acima dele, dos seus grupos e facções, como usou a tolerância e a temperança na construção da unidade nacional, na procura da decência. E até na sua vida privada foi capaz de estabelecer, num país minado pela diferença, pela violência sem sentido e pela corrupção, a fronteira entre o ser e o dever, entre o ser e o parecer. Sem equívocos.

Nunca o verso de Pessoa, já recordado pelo meu amigo Fernando Moura Santos, teve mais sentido: "Morrer é apenas não ser visto". Quanto ao resto fica cá tudo.

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dois pesos, muitas medidas

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.12.13

Se havia ministro em quem acreditasse, em Junho de 2011, independentemente de um diferente posicionamento político-ideológico, que seria capaz de desempenhar um papel à altura das exigências do país era Nuno Crato. Com ele trazia a qualificação académica, a intervenção cívica, uma presença assídua na imprensa pensando com exigência questões pertinentes. Enfim, um conjunto de atributos e qualidades que à partida o distinguiam de alguns dos seus pares.

Volvido este tempo, em que se tornou patente o aumento da crispação dentro das escolas, a degradação do sistema de ensino, a desvalorização (a martelo) do papel da escola pública, dos professores e da comunidade educativa no seu todo, pensava eu que já estava tudo estraçalhado. Errado. Ainda faltava voltar a dar o dito por não dito pela enésima vez em matéria de avaliação de professores e de exames.

Quanto a esta última parte duvido que neste momento, para além dos visados, que têm sido tratados como bolas de golfe sujeitas às pancadas de um principiante da modalidade num driving range, alguém acreditasse na virtualidade de um modelo, qualquer que ele fosse, imaginado na 5 de Outubro.

O golpe de misericórdia acabou agora de ser dado. Inscrições obrigatórias, e pagas, ameaças várias, promessas sem fim, conferências de imprensa sem sentido e todo um rol de situações aparentemente sem solução, no final resumia-se a uma questão de números.

As proclamatórias declarações de princípio - e não apenas do ministro e do ministério mas também de alguns sindicatos - foram convertidas em números e sumariamente negociadas. Como na lota. Para quem deve, e continua a dever, quase tudo o que é hoje à escola pública e aos seus professores, e acompanha de fora, e longe, o permanente e surreal folclore negocial, torna-se difícil acreditar se será possível algum dia reconstruir o que se destruiu, restaurar a credibilidade das instituições, a estabilidade do sistema educativo e prestar um serviço capaz à comunidade. O espectáculo é deprimente.

Reformar todos viram que não foi possível. Mais difícil será amanhã um professor, com o sentido da sua missão, explicar a um aluno interessado, em termos que este possa entender e que um dia isso lhe possa ser útil, o que é uma questão de princípio. E, em especial, para que serve.

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promoção

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.12.13

O País definha, e enquanto definha também empobrece. Alguns vendem as casas por não conseguirem pagar os empréstimos à banca, mas há quem tenha na crise uma "janela de oportunidade". Como ele. E sem precisar de emigrar tratou de se mudar para a linha do Estoril, para Santo Amaro de Oeiras. Trocou a vista da serra pela do mar. Que serão pouco mais de € 800.000,00 por uma casa e obras num país em crise? Mendes Bota não poderá voltar a dizer no Calçadão de Quarteira que ele é "como nós", que é de Massamá, que não é como os outros. 

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