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inteligência

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.10.13

Um venceu as eleições com uma pedrada no charco. O outro perdeu-as com dignidade, cumprindo o seu papel para com o partido e os seus eleitores. O primeiro podia ter sido o candidato do segundo. E esteve por um triz até à última hora. Terminada a contenda, remetidos os figurantes e valdevinos à galeria de onde nunca deviam ter saído, surge o tempo de construir, de dar resposta ao mandato, de respeitar as escolhas sem deturpá-las. Fossem outros, os mesmos de sempre, e tudo teria voltado a ser como antes. Onde antes faltou inteligência impera hoje o bom senso. Alguma coisa teria de mudar um dia para que as moscas não continuassem a sentir-se em casa. Ganha o Porto, ganha a cidadania, também ganha o partido que revela sentido institucional e percebeu os riscos de continuar a percorrer a via da insensatez. Perceber o sentido das escolhas que se fazem é um passo no caminho da lucidez. O Manuel António Pina, se fosse vivo, teria escrito alguma coisa sobre isto. E apreciado o gesto.

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divórcio

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.10.13

 

A distância e o isolamento têm o condão de muitas vezes nos alertarem para realidades que estando próximas vogam em águas longínquas. Não sei como será a relação da RTP Internacional com as outras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, mas quanto à de Macau rapidamente me apercebi que é uma relação de total divórcio. Sei de como era difícil manter a televisão local em língua portuguesa, com produção própria e programação decente para o seu público, tão exíguo este é. Todavia, confesso que nunca pensei que a programação da RTPI fosse tão má como me é dado constatar. A diferença horária não ajuda, eu sei, mas convenhamos que há programas que são inaceitáveis em qualquer horário, seja às três, às onze ou às vinte e uma horas. Não entretêm, não divertem, não educam. São uma aberração. E tornam-se desadequados pela hora a que são exibidos. O "5 para meia-noite", que em Macau passa por volta das 8 horas, quando um tipo se prepara para tomar o pequeno-almoço e sair de casa, é um destes programas. Presumo que na Europa Central passe a horas mais tardias do que em Portugal e que, em contrapartida, na América do Norte ou no Brasil possa ser visto pelas criancinhas à hora da sopa. É tudo tão anacrónico e surreal como ver na TDM noticiários em inglês, em horário nobre, ou ter de levar com a bimbalhada aos saltos, mais as suas protuberâncias carnudas, com o Malato, com a gravidez da Marta Leite Castro ou com as graçolas daquele espécime do Baião a toda a hora. Será que a RTPI não podia aprender alguma coisa com as outras televisões europeias que têm canais internacionais? E dar algo menos confrangedor aos portugueses que a vêem por esse mundo?     

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