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resumo

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.10.13

Uma pequena frase de Balzac poupar-nos-ia, a todos, jornalistas incluídos, à leitura de apreciações sobre o "affaire" Carrilho: "L'escroquerie emporte après elle l'idée d'une certaine finesse, d'un esprit subtil, d'un caractère adroit" (Oeuvres Diverses, Code des Gens Honnêtes).

Não há nada de mais transparente, nem de mais sórdido. Tudo foi premeditado. Até o epílogo.

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preocupações

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.10.13

Não consegui perceber se a preocupação da ministra com cachorros e gatos se deve a questões de higiene, se de número, ou, ainda, se a qualquer outra não vislumbrável. Presumo que o número não seja indiferente, mas também não percebi se para a ministra ter cães São Bernardo num apartamento é o mesmo que dar guarida a uns pinscher miniatura, daqueles a "pilhas" que chateiam toda a gente e mais alguma e que eu seria incapaz de aturar. Também não me parece que seja um caso de "fascismo higiénico" embora não me custe acreditar que este último seria bem visto por muitos se em vez de referido ao número de animais de companhia o fosse ao número de dejectos que são largados nos passeios sem que ninguém se preocupe ou seja convenientemente multado. Ou se reportado ao cheiro fétido que emana de algumas paredes, cantos, colunas por esse país fora. Aqui onde estou vejo ultimamente muitos donos a passearem os seus cães com luvas, sacos, rolos de papel e até umas pequenas garrafas com um espécie de lixívia que é largada nos locais de deposição. E espaços reservados nos parques, e vedados, para que as criaturas não façam as necessidades onde os meninos gostam de se rebolar. E não creio que o primeiro-ministro tenha sido ouvido, logo ele que em tempos confessou a uma dessas revistas que fazia as delícias do casal Carrilho ter umas quantas cadelas em casa. Em Massamá. Enfim, não sendo seguramente uma preocupação agrícola ou ambiental, nem um caso para ser tratado pela troika, o melhor é ver na atitude da senhora ministra uma preocupação pós-parto. Tudo se torna mais claro. E compreensível. Duvido é que justifique o salário que lhe pagamos.

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medo

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.10.13

Raul Rêgo (Diário Político), estando preso, falava de incompreensão relativamente a Angola e aos movimentos que na década de sessenta do século passado lutavam pela autodeterminação e a independência, não se esquecendo de referir que do outro lado da sua cela também estava preso Agostinho Neto. Quatro décadas volvidas e de novo se fala em incompreensão. Mas incompreensão de quê?

Fátima Campos Ferreira fez desfilar no Prós e Contras de ontem à noite uma multitude de figurantes, entre gente séria e laparotos, para discursarem sobre as relações entre Portugal e Angola e as pretensas incompreensões que "poluem" as relações entre os dois países. No final, bastaram duas palavras para demonstrar o tempo que se perdeu naquele estúdio. Entre a ingenuidade e a "cabotinice" - que terá o bacalhau a ver com as relações entre Estados? - a apresentadora fez questão de sublinhar a dificuldade que era ter outros convidados em estúdio e que muitos havia que, tanto de um lado como do outro, mesmo depois de se comprometerem acabavam por rejeitar a comparência em estúdio.

Como alguém ajuizadamente referiu, a literatura pode ter algumas respostas aos problemas recentes, incluindo para a ausência dos convidados que se fazem desconvidar e para a forma pressurosa como alguns empresários, cujas laranjas não apodrecem dentro do porão dos navios à vista de Luanda,  correm a deitar água na fervura. A leitura das memórias do dia-a-dia de Angola desse grande artífice das relações entre os dois povos, recentemente desaparecido, que foi o embaixador Pinto da França, pode ser um bom começo para quem queira perceber o que se esconde por detrás do actual relacionamento e das declarações do senhor "dos Santos". 

Não há nisto nada de incompreensivo. Como não havia no tempo de Raul Rêgo.

O que há, sempre houve, é o medo a pairar sobre as relações ente Estados e sobre o carácter dos homens. Há medo nos negócios, como há medo nos compromissos políticos. Há medo do que possa vir do outro lado. Sobretudo há medo das palavras. Quer se queira quer não as relações entre Portugal e Angola são relações assentes no medo. Não é preciso ler o Jornal de Angola nem o Expresso para se perceber isso. O medo de um é a liberdade do outro.

Enquanto prevalecer o medo não haverá estratégia, não haverá perenidade nas relações, inexistirá a confiança, que é a base de qualquer relação. Porque é a confiança que torna credíveis as expectativas, porque é a confiança que aproxima os homens. Os povos já perceberam isto. As actuais elites nunca perceberão. 

O mau político tem medo. Da mesma forma que o corrupto também tem. O medo é a força dos cobardes, dos fracos, dos receosos, da gente de carácter mole. As relações entre Portugal e Angola desde 1975 que assentam no medo. Por isso não passam de relações circunstanciais e interesseiras.

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lou reed

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.10.13

Na liberdade nos reencontraremos.

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imi

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.13

Sou surpreendido, mesmo longe da pátria, com uma notificação para pagar mais uma prestação do famigerado IMI. Nada de que não estivesse já à espera desde Agosto. Desta vez, porém, ao contrário dos anos anteriores, o pagamento da terceira prestação é para efectuar durante o mês de Novembro. Mas não só. Afinal o montante da prestação também não será igual às prestações precedentes. É quase o dobro. De caminho, fiquei a saber da existência da Circular n.º 4/2013. Aparentemente tudo muito claro; na prática, e traduzindo por miúdos, a única salvaguarda é do fisco que garante o seu aumento da colecta. As prestações únicas viram nascer adicionais, as terceiras prestações cresceram à medida da gula fiscal. 

 

Há nisto tudo, nesta maneira de actuar, na forma como se procede à liquidação e arrecadação de receita, algo de profundamente sádico, diria mesmo ultrajante para o contribuinte. Aquela circular era de Março, podia ter sido devidamente divulgada e dada a conhecer logo nessa altura. Que diabo, se mandam toda a trampa e mais alguma para as nossas caixas postais e de correio electrónico, incluindo notificações para pagamento de dívidas prescritas, será que não podiam ter procedido à publicitação do que iria agora acontecer para as pessoas não serem apanhadas desprevenidas?

 

Já cá não temos, para mal dos nosso pecados, nem o Prof. Saldanha Sanches nem o Manuel Torres para nos defenderem destas "pauladas" fiscais, mas espero que ainda haja quem tenha voz para se manifestar. E repare-se que apesar deste saque contínuo a dívida atingiu no segundo trimestre 131,3% do PIB. Os únicos que são esfolados e cumprem o Memorando com a troika são os contribuintes.

 

Não podemos ficar em silêncio. Não podemos ser coniventes com os estafermos. Não podemos ser como eles.

 

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indecências

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.10.13

A forma como em Portugal alguns protagonistas políticos (os "ex" continuam a sê-lo a partir do momento que adquirem uma tribuna onde exibem semanalmente os colarinhos) se pronuncia sobre os problemas que diariamente afectam os portugueses, o modo como aqueles comentam as afirmações alheias e discorrem sobre questões de lana-caprina, é aterradora. Quando daqui a trinta ou quarenta anos um Joaquim Furtado transformar as cenas da nossa vida pública numa série televisiva deverá haver muita gente que se interrogará sobre a verdadeira natureza desse guião. E confundi-lo-á com pura ficção. Um trolha pode não saber distinguir a decência da indecência, ter dificuldade em comportar-se noutro ambiente que não o das obras, ou lidar com gente fora do seu meio. Em educação não se fazem milagres. Em política também não. Um político devia saber, por dever de ofício, que tem de lidar com muita gente, de múltiplas origens e diversos estatutos. Ignorá-lo, usar um argumentário ética e intelectualmente indigente, fazer dos outros parvos, variar o discurso em razão da natureza das audiências ou da cor do microfone, não constitui um artifício político, nem sequer uma "chico-espertice". É desconhecer os limites da decência e aceitar a indecência como instrumento da luta política.      

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inteligência

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.10.13

Um venceu as eleições com uma pedrada no charco. O outro perdeu-as com dignidade, cumprindo o seu papel para com o partido e os seus eleitores. O primeiro podia ter sido o candidato do segundo. E esteve por um triz até à última hora. Terminada a contenda, remetidos os figurantes e valdevinos à galeria de onde nunca deviam ter saído, surge o tempo de construir, de dar resposta ao mandato, de respeitar as escolhas sem deturpá-las. Fossem outros, os mesmos de sempre, e tudo teria voltado a ser como antes. Onde antes faltou inteligência impera hoje o bom senso. Alguma coisa teria de mudar um dia para que as moscas não continuassem a sentir-se em casa. Ganha o Porto, ganha a cidadania, também ganha o partido que revela sentido institucional e percebeu os riscos de continuar a percorrer a via da insensatez. Perceber o sentido das escolhas que se fazem é um passo no caminho da lucidez. O Manuel António Pina, se fosse vivo, teria escrito alguma coisa sobre isto. E apreciado o gesto.

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divórcio

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.10.13

 

A distância e o isolamento têm o condão de muitas vezes nos alertarem para realidades que estando próximas vogam em águas longínquas. Não sei como será a relação da RTP Internacional com as outras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, mas quanto à de Macau rapidamente me apercebi que é uma relação de total divórcio. Sei de como era difícil manter a televisão local em língua portuguesa, com produção própria e programação decente para o seu público, tão exíguo este é. Todavia, confesso que nunca pensei que a programação da RTPI fosse tão má como me é dado constatar. A diferença horária não ajuda, eu sei, mas convenhamos que há programas que são inaceitáveis em qualquer horário, seja às três, às onze ou às vinte e uma horas. Não entretêm, não divertem, não educam. São uma aberração. E tornam-se desadequados pela hora a que são exibidos. O "5 para meia-noite", que em Macau passa por volta das 8 horas, quando um tipo se prepara para tomar o pequeno-almoço e sair de casa, é um destes programas. Presumo que na Europa Central passe a horas mais tardias do que em Portugal e que, em contrapartida, na América do Norte ou no Brasil possa ser visto pelas criancinhas à hora da sopa. É tudo tão anacrónico e surreal como ver na TDM noticiários em inglês, em horário nobre, ou ter de levar com a bimbalhada aos saltos, mais as suas protuberâncias carnudas, com o Malato, com a gravidez da Marta Leite Castro ou com as graçolas daquele espécime do Baião a toda a hora. Será que a RTPI não podia aprender alguma coisa com as outras televisões europeias que têm canais internacionais? E dar algo menos confrangedor aos portugueses que a vêem por esse mundo?     

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símbolos

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.10.13

Ontem, pela primeira vez, assisti a uma cerimónia oficial num estado estrangeiro. Levantei-me quando no início da sessão tocou o hino, diferente daquele a que me habituara noutros tempos. Confesso que me senti como se tivesse passado, de certa forma e passe o exagero, da condição de cidadão à de súbdito. E com a dificuldade acrescida de ter de recorrer a um equipamento de tradução simultânea para poder acompanhar a sessão. No final, os presentes levantaram-se enquanto as individualidades, os protagonistas, saíam, envolvidas numa espécie de marcha que conferia elevação, poder e distância a homens que, na essência e não há muito tempo, foram gente como nós.

 

A afirmação do poder pelo recurso a símbolos é de todos os tempos. Nos poderes mais jovens torna-se crucial. Compreender o porquê das coisas, a razão de ser de certas tradições, conhecer o lugar do outro e o nosso próprio, tudo isso facilita a assimilação desses símbolos e a nossa inserção em mundos alheios. Porém, qualquer que seja a latitude, o modo como se produz essa afirmação do poder estabelece a fronteira entre uma democracia genuína e o mero cumprimento de rituais. É a diferença entre o que se deseja e o que se pode ter.

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a terceira posição

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.10.13

Escreveu Garrett que são três as posições em que um homem público se pode colocar. Do lado do poder que reina, a posição mais fácil e mais brilhante, aquela em que imperam os aplausos; a posição dos que aparentando "integridades de Catão" esperam pela recompensa, e a dos homens inteiros descritos por Horácio, aquela por que ele optou e que traz consigo toda a espécie de vexames, degredos, cárceres e calúnias. É a posição do "homem de ninguém", a do prisioneiro da sua consciência.

 

Não serei tão dogmático quanto Garrett, embora não me custe reconhecer a justeza das suas afirmações. Conciliá-las com os dias que vivemos é que não será fácil. Eu diria que as três posições de Garrett corresponderão a uma espécie de tipos puros do modelo weberiano aplicados ao homem público, ao político. Os tipos ajudam-nos a compreender a realidade. Por vezes também deformam a nossa concepção do mundo. Deve ser esse o meu caso. Vivo num mundo onde já não há tipos puros. Talvez por isso também eu leve uma vida inteira, como alguém já escreveu, a corrigir um erro de trajectória. Esta é que é a verdadeira terceira posição.

 

A virtude deve estar algures entre Cícero e Horácio. Em qualquer caso, muito longe de Catão. Se não for assim será impossível corrigir os erros de trajectória e encarar a realidade sem sofrimento.

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confrontação

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.10.13

Recordo Maria Filomena Mónica. À medida que avançamos na idade, e não é preciso avançar muito, somos confrontados com o desaparecimento de outros. No curto espaço de duas semanas vi partirem, sem sequer ter tido a possibilidade de lhes dar um abraço ou um beijo, dois que muito tinham a dar-nos e de quem era legítimo esperar muito mais. O grande Unamuno, numa das suas obras-primas, falava de um sentimento trágico da vida. Não me parece que deva ser assim. Conhecendo as leis da vida e da morte não será possível transformar a segunda na primeira. Mas talvez seja possível encarar a segunda como um complemento da primeira. Não há aqui nada de místico, nem de paróquia. A confrontação com a dor é um daqueles momentos em que nos despojamos de todos os dogmas, de toda a aprendizagem passada e assimilada, e somos capazes de olhar para os que partem e para nós num plano exterior à nossa relação com os que partiram. Quem sabe se hoje, havendo vida do outro lado, não estarei mais próximo dos que partiram? Talvez um dia eles me possam responder. Até lá, espero que, pelo sim pelo não, o M. e a I. continuem a zelar por nós. Como sempre fizeram enquanto cá estiveram.  

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modelos

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.10.13

A forma como se exibe e insinua não esconde de onde vem, nem até onde quer ir. O que continua a espantar é o estilo com que pretende fazê-lo. Na vida, na política, na diplomacia, na escola, aprende-se muita coisa. Qualquer homem é capaz de reconhecê-lo. É esse processo de aprendizagem que ao longo da vida lhe transmite segurança e humildade. Mas há alguns que já nasceram ensinados. Por isso, quando apanhados em flagrante, apressam-se a disfarçar a incomodidade das suas tibiezas. Talvez seja este último facto – a forma como se encara as fraquezas – que  distingue os homens. 

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frases

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.10.13

 

 

Viver é muito mais trabalhar no caminho duma esperança possível do que ver completamente realizadas as nossas aspirações.” – António Alçada Baptista, Documentos Políticos, Lisboa, Moraes Editores, 1970.

 

O tempo da memória é aquele em que olhamos para o futuro sabendo o que está por trás. Não há reencontros dolorosos. Apenas memória. Aprender a lidar com ela é um passo no caminho da plenitude.

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recuperação da memória

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.10.13

Decidi não os procurar e esperar que as coisas fossem acontecendo. Por vezes não é fácil fazer a recuperação da memória. Sorrateiramente comecei a vê-los, a encontrá-los. Prefiro que seja assim. As coisas tornam-se mais fáceis quando sabem que estamos sem que nos vejam.  As pessoas adaptam-se à nossa presença pressentida. E nós entramos, ficamos, fazemos a nossa vida discretamente, pontuando-a com aparições fugazes. Como se nunca tivéssemos saído. 

 

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prelúdio

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.10.13

 

O bom viajante tem o dom de surpreender-se. Tem um interesse perpétuo pelas diferenças que encontra entre o que conhece no seu país e o que vê no estrangeiro. (...) Sinto-me muitas vezes cansado de mim mesmo e tenho impressão de que viajando posso enriquecer a minha personalidade, e assim mudar um pouco. Nunca regresso de uma viagem exactamente com o mesmo que levei comigo.” – Somerset Maugham, Um gentleman na Ásia, Lisboa, Tinta-da-China, 2013.

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