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leitura

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.11.22

f4121930-6776-45c1-aba5-0576dd2c3e40_206e403d.jpg(fonte: Getty Images/TNS)

My Take, by Zhou Xin (South China Morning Post, 29/11/2022)
China faces moment of truth on its zero-Covid-19 policy amid public defiance, pandemic fatigue

"China’s zero-Covid drive is not going as smoothly as Beijing wished: the country has found itself locked in an impossible battle after trying for nearly a year to contain the Omicron variant, using its old playbook of mass lockdowns and mandatory testing to fight a faceless enemy that cannot be eradicated.
That approach, which had once convinced Beijing of the supremacy of its governance system, is looking increasingly cumbersome, costly and unsustainable.
A well-implemented zero-Covid policy is supposed to do the trick of containing the virus while keeping economic activities humming and ensuring that development is on track. But the hard reality is that the virus is now out of control, the economy is in tatters, and angry citizens are showing public defiance.
The Chinese government this month relaxed some Covid-19 controls and introduced what is known as the “20 measures”, offering hope that the country is finally pivoting to living with the virus. But if this counts as a pivot, it is a weak one, as Beijing’s overall guiding principle remains unchanged. Unsurprisingly, the move has created confusion and the big question lingers: what does Beijing really want?
For local governments, it is a burning question that awaits a clear answer. If Beijing’s ultimate goal continues to require rooting out virus transmissions in communities as quickly as possible, local authorities have no choice but to maintain universal testing, impose snap lockdowns and drag patients into makeshift hospitals deemed by some people as “coronavirus gulags” that often consist of hundreds of beds crammed together under one big roof.
A number of Chinese cities, including Shanghai, have even imposed fresh restrictions, such as keeping domestic travellers away from restaurants and pubs – a clumsy upgrade of a similar three-day ban in Hong Kong directed at international arrivals. That means tourists at the Shanghai Disney Resort can have fun taking rides and watching character parades, but they cannot dine in indoor restaurants.
Yet under the new “20 measures”, local authorities are explicitly told to refrain from imposing additional restrictions. In other words, they are directed to steer left even when the destination is on the right. Some grass-roots officials have resorted to the informal way of governance by giving out verbal instructions for lockdowns so as to leave no written evidence for people to file complaints to higher-level authorities.
Such tricks, however, have backfired as residents under lockdowns demanded proof of authorisation. In Beijing, several communities tried to negotiate over the weekend with grass-roots Communist Party committees, which are legally self-organised bodies without government authority, to lift lockdowns. Piece by piece, China’s zero-Covid system is crumbling under its own weight.
t has been a year since the World Health Organization declared the arrival of Omicron, calling it a new and different variant that would change the pandemic trajectory. Since then, many countries are forced to, or have voluntarily chosen to give up on zero-Covid-19 as a strategy.
But China, which achieved stellar performance in minimising death while maintaining economic growth in 2021, neglected the warnings and doubled down on its approach, wrongly assuming that Omicron would make no difference.
China earlier this year budgeted a 5.5 per cent GDP growth target for 2022, a clear sign of excessive confidence, and it briefly pushed for mainland-style universal testing in Hong Kong. In May, the government promptly quashed debates about Shanghai’s painful two-month lockdown by declaring war against any words or actions that “doubt, distort and negate” zero-Covid.
A lot of things have happened over the past year. China’s pursuit of zero-Covid is losing support and no longer resonates with the great majority of the population, who have had enough lockdowns and testing. It is time for Beijing to face the reality and make the right choice."

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esclarecer

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.11.22

1-RM_LiCanfeng_RaimundodoRosario3.jpg.webp(foto daqui, do Macau Daily Times)

Numa terra onde os arguidos em processos criminais normalmente escusam-se a falar e a esclarecer, preferindo a opção pelo direito ao silêncio, registam-se as declarações prestadas em juízo pelo anterior director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.   

Que tenha rejeitado as imputações de culpabilidade que lhe foram feitas pelo Ministério Público, e se tenha declarado inocente da prática dos crimes por que vem acusado, não é nada que se estranhe.

Importante é, todavia, o facto de se ter declarado inocente apontando responsabilidades, quanto às decisões tomadas e a todos os atropelos verificados no projecto de Alto de Coloane, a Chui Sai On e ao actual Secretário para as Obras Públicas, acusando o primeiro de ter dado as ordens para o reinício das obras e "coordenado pessoalmente" o processo, com  instruções específicas para que andasse depressa, logo no primeiro dia no cargo.

É público que a escolha do ex-director das Obras Públicas foi uma opção pessoal de Raimundo do Rosário, secundada pelo anterior Chefe do Executivo. Na altura em que essa decisão foi tomada, o próprio Chui Sai On justificou a escolha dizendo que Li Canfeng foi escolhido depois de avaliadas "a sua disciplina, as suas habilitações e a sua experiência", critérios que foram tidos em consideração. Chui Sai On ainda acrescentou que Li Canfeng foi nomeado pelo secretário em consideração a tais critérios, e que embora tivesse sido testemunha no processo de corrupção que envolveu o ex-secretário Ao Man Long "nunca foi arguido". Saiu, pois, em sua defesa.

Recorde-se que no processo de Ao Man Long, a então testemunha evidenciara preocupantes sinais de falta de memória. Agora vê-se que recuperou. Eu congratulo-me com isso. Ainda bem que assim foi. Urge tirar partido desse facto antes que o arguido volte a ter falhas de memória, apurando-se com urgência todas as responsabilidades.

A prudência, e tudo o que aconteceu naquele processo que ditou a prisão do antigo secretário, aconselharia a que quem directa ou indirectamente tivesse estado envolvido naquela pouca vergonha nunca mais pusesse os pés na Administração Pública e no Governo da RAEM, ou que para este trabalhasse, fosse como dirigente, a apresentar projectos ou a fiscalizar obras. Mas não foi isso que se viu. Fizeram-se ouvidos moucos a todas as suspeições e críticas. 

Para quem está de fora, olhando para os factos conhecidos, os "artistas" – alguns que antes eram amigos dos arguidos e disso se ufanavam continuam inexplicavelmente na sombra  – e as noticias publicadas ao longo dos anos, verifica-se que corresponde tudo ao mesmo padrão de actuação, aos mesmos esquemas, que acabavam sempre com o enriquecimento de uns quantos figurantes, respectivas famílias e amigos. Sempre os mesmos.

Seria por isso importante que perante a gravidade das acusações feitas – até porque poderá haver gente de boa fé envolvida na lama contra a sua vontade, por temer represálias, e que tem o direito de ver o seu bom nome protegido, seja o secretário ou o contínuo, o caso Sun City ainda não acabou e os negócios desta empresa cruzaram-se múltiplas vezes com a acção governativa e diversos departamentos, evidenciando-se ao longo dos anos ligações múltiplas e extensas ao poder político –, se investigasse tudo até ao fundo.

Isso também poderá ajudar a avivar a memória de mais algumas pessoas, evitando-se que pelo meio haja quem procure atalhar a que se saiba o que não é conveniente, para alguns, para assim se impedir que a verdade a que todos os residentes têm direito não seja integralmente conhecida. 

O Ministério Público tem a obrigação de investigar tudo, a começar pelas denúncias feitas em juízo, mandando extrair certidões e iniciando novos processos, mesmo que isso envolva anteriores administrações ou gente ainda em funções, apurando-se eventuais pressões ilegais ou enriquecimentos injustificados dos próprios, das respectivas famílias e dos seus amigos e parceiros de negócios.

O combate à corrupção tem de ser integral e não pode proteger ninguém. Muito menos quem no passado tiver praticado actos com contornos criminais que provocaram, a diversos níveis, o empobrecimento da RAEM.

Macau e as suas gentes já foram demasiadamente prejudicadas. É urgente esclarecer.

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critérios

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.11.22

9e13084c13d3e9fe8df1c7a178a6e7de.jpg(foto daqui)

Seria importante perceber quais os critérios do Governo de Macau e dos Serviços de Saúde em matéria de controlo dos riscos epidémicos porque há cada vez mais gente que não consegue entender a razão para que sejam tomadas decisões díspares num curto espaço de tempo.

Em 30 de Outubro pp., detectada que foi a existência de um caso de Covid-19 numa trabalhadora de um casino e seus filhos, as autoridades determinaram de imediato o encerramento do casino, o sequestro dos hóspedes do hotel e frequentadores do casino durante vários dias no seu interior, o cancelamento do último dia da Festa da Lusofonia, bem como de diversas outras actividades desportivas e culturais, obrigando-se toda a gente na cidade a fazer testes durante vários dias.

Pouco mais de duas semanas volvidas, em plena semana de Grande Prémio e com um festival gastronómico a decorrer na cidade em barracas ao ar livre, em situações em tudo idênticas às verificadas na Festa da Lusofonia, mas com muito mais gente, e durante mais dias, há uma turista vinda do interior da China, em 14 de Novembro, que se hospeda no Hotel Harbourview e que quatro dias depois de se andar a passear pela cidade testa positivo. Uma outra pessoa, também vinda do outro lado, instalou-se no edifício "The Residencia Macau", na Areia Preta.  

E que dizem os Serviços de Saúde? Que o risco para a comunidade é baixo, não se mostrando necessário realizar testes em massa, e podendo, naturalmente, o Grande Prémio e o Festival de Gastronomia, que trouxeram à cidade uns milhares de visitantes, prosseguir sem limitações, ainda que ninguém tivesse de apresentar testes de ácido nucleico negativos para se sentar nas bancadas ou conviver à volta de uns petiscos.

A mim não me pareceu mal que as actividades programadas continuassem a decorrer durante o passado fim-de-semana, uma vez que entendo que a situação devia ser gerida de outro modo e que Macau, não sendo propriamente uma aldeia nos confins do mundo entregue a um chefe tribal, já há muito devia ter regressado a uma vida normal.  

Uma coisa é os visitantes de um conhecido restaurante da cidade não compreenderem a razão para deixarem de ter guardanapos decentes às refeições. Este é apenas um problema deles e de quem gere os custos insignificantes dos guardanapos, e que só tem repercussões no bem-estar dos comensais e na imagem e nível do estabelecimento. Um problema privado de caserna.

Outra coisa é todos os residentes perceberem quais são os critérios que guiam as autoridades sanitárias, para além obviamente dos políticos, para que em situações em tudo aparentemente idênticas haja diferentes decisões. Aqui, contrariamente ao exemplo anterior, os custos são elevadíssimos, dizem respeito a toda a população e têm graves consequências na saúde e bem-estar dos residentes e das empresas. Um sério problema público.

Não se percebem as exigências absurdas, e com custos elevados, para algumas situações que à partida não oferecem qualquer risco visível – outro caso de absoluta desproporcionalidade foram as limitações impostas à publicidade, aos advogados e ao exercício de direitos de defesa de arguidos num julgamento que está a decorrer invocando-se razões sanitárias –, e outras em que, pese embora estejam envolvidas milhares de pessoas que nem sequer residem em Macau, trazendo o vírus do exterior e circulando livremente pela cidade, se relaxem as medidas.

Todos nós percebemos que há cada vez mais discriminação em relação aos estrangeiros e não falantes de mandarim, embora também não compreendamos, mas ao menos que se conheçam, as razões em matéria de saúde.

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distúrbios

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.11.22

Em Macau nunca houve qualquer problema em matéria de segurança, fosse antes ou depois da aprovação da Lei n.º 2/2009 (Lei Relativa à Segurança do Estado). Esta lei nunca foi aplicada.

Recentemente, algumas sumidades criaram a ideia da necessidade da sua revisão e alteração para fazer face a umas ameaças que nunca ninguém disse claramente quais eram. Mas ontem, na Assembleia Legislativa, de acordo com o relato da imprensa, o Chefe do Executivo disse que "[Em 2022] foi, de forma abrangente e eficaz, prevenida a interferência e a destruição de Macau por forças externas e elementos relacionados com o terrorismo". 

Não sabemos que interferência e destruição seriam essas, que forças externas estariam tão interessadas em ocupar o Clube Militar, apropriarem-se do nosso minchi e da água do Lilau, em especial sabendo-se que devido às restrições pandémicas continuamos praticamente fechados ao exterior, o que, todavia, não invalida que fiquemos satisfeitos e sumamente agradecidos, enquanto residentes, por termos sido protegidos, por mim falo, dessas ameaças.

Em Hong Kong, onde não havia legislação que desse cumprimento ao artigo 23 da Lei Básica, Pequim encarregou-se de aprovar a legislação necessária, substituindo-se ao Legislative Council, e acabou com as manifestações, com os pró-democratas, correu com os arruaceiros, com os cortes de estrada, com o sistema eleitoral anti-patriótico e colocou travão à destruição de propriedade pública. Agora, felizmente, é só progresso e prosperidade.

Ontem, curiosamente, aqui na provincía ao lado de Macau e de Hong Kong, onde existe uma lei de segurança nacional em vigor há vários anos, onde o acesso à Internet é limitado, onde as redes sociais são censuradas, onde existe um sistema socialista, onde não há forças externas, onde impera a tolerância zero e a liberdade de imprensa é, diria, a suficiente para a prosperidade e felicidade do povo, ficámos a saber que os casos de Covid-19 continuam a ser aos milhares – quando se estão quase a perfazer 3 (três) anos sobre os primeiros registos do vírus – e que as pessoas violaram as regras do confinamento imposto pelas autoridades, foram para as ruas, destruíram propriedade pública, manifestaram-se, provocaram distúrbios, viraram um carro da polícia, enfim, fizeram tudo o que não era natural fazerem numa "democracia que funciona" com boas leis, com boa governança e tolerância zero.

Não se compreende a sua insatisfação e tão despropositada reacção estando as autoridades a protegê-las. 

Em que ficamos? Então para que servem as leis numa "democracia que funciona"?

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inacreditável

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.11.22

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Compreendo que todos queiram saber o que se passa na sua terra. E também me parece pertinente que lhe seja dado algum destaque no espaço informativo mais importante do único canal de televisão em língua portuguesa. Só que daí até ao que se tem visto, começa-me a parecer um exagero sem sentido e sem qualquer justificação.

Refiro-me ao tempo de antena que é dado às conferências de imprensa dos Serviços de Saúde e às descrições detalhadas dos percursos de cada vez que aparece um infectado. Sim, um infectado. Ou dois, vá lá.

Um director de serviços agarrado a uma folha de papel a descrever minuciosamente todos os passos do infectado? O telejornal dando-lhe cobertura durante minutos a fio? Ninguém se enxerga?

Bem sei que somos candidatos a "Centro Mundial de Turismo e Lazer" com a dimensão e a mentalidade de uma recôndita paróquia transmontana ou beirã nos anos 50 do século passado, mas era escusado brindarem-nos com os números "CT" do pai, da mãe, da filha, e com a descrição detalhada da vida de cada um, do estágio que a filha está a fazer num restaurante, com indicação do nome deste, mais o que fizeram às 11:18, as carreiras de autocarros que utilizaram, e por aí fora. Podemos agradecer que não se fizessem acompanhar de animais de estimação, com o que nos pouparam aos resultados dos testes do canário e da tartaruga e ao percurso do cachorro quando foi à rua alçar a perna.

Enfim, se há momentos deprimentes em televisão, os do Telejornal da TDM, a propósito da situação epidémica, nalgumas ocasiões conseguem bater todos os recordes. Ontem foi um deles. Estavam lá ingredientes com fartura para se mudar de canal. A descrição detalhada e desinteressante para o público em geral, as imagens descoloridas num cenário vazio, o tom monocórdico, um tempo longo e vagaroso, a sensação de que nunca mais acaba a lengalenga, o martírio. E depois, quando a apresentadora regressa, as cores frias e distantes do fundo e a falta de gosto do painel também não ajudam. Cores mais alegres e mais quentes também são importantes para o estado de espírito de quem está em casa a ver. Ou em observação num hotel de quarentena.

Se em vez de um caso, de tempos a tempos, como tem acontecido, tivéssemos dezenas ou milhares de casos diários, iriam fazer o mesmo com todos? O director dos SSM não tem mais nada com que se entreter? Qual o interesse de durante largos minutos nos estarem a dar a vida do infectado e da família próxima? E a TDM tem de embarcar nisso? Isso não podia ser resumido? Qual é o critério editorial?

Tomem as medidas que se impõem, aprendam a viver com o vírus, evoluam, usem os neurónios. E poupem-nos a mais deprimência. Já basta como estamos.

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hércules

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.11.22

Unknown-5(foto de Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

A frase tem tanto de genuína e singela quanto de ingénua. Revela bem a natural preocupação de um pai pelo destino, neste caso político, do seu filho. E pertence ao pai do novo secretário-geral do Partido Comunista Português.

Mas qual é a frase?, perguntar-se-á com razão.

Pois bem, o que o pai de Raimundo disse foi tão só que ter um filho, de 46 anos, a receber um partido nas mãos, nas condições em que o PCP está neste momento, não é algo que se deseja”.

Ele lá saberá por que a disse naquele momento. E não valerá a pena discorrer, por agora, sobre o que estará na base da sua conclusão sobre "as condições em que o PCP está". Presume-se que não sejam as ideais.

Para já acompanhemos o pai de Raimundo na sua apreensão, manifestando-lhe a nossa solidariedade.

Por muito que acredite nas competências e potencialidades do filho, e com ele partilhe dos mesmos ideais, o homem não anda a dormir, e não se deixa cegar pela ideologia ou o amor filial.

Assim se vê, não a força do PC, mas antes qual a natureza dos trabalhos em que o Raimundo se meteu.

Os comunistas deviam conversar com o senhor José Raimundo. O Paulo Raimundo, depois do discurso que fez na sua cerimónia de entronização, também. Fazia-lhes bem uma aproximação à realidade. Aos portugueses. Deixarem-se de ronaldices.

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fantochada

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.11.22

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Na passada sexta-feira, 11 de Novembro, as autoridades da RPC anunciaram a redução das suas quarentenas para observação médica para um período de cinco dias mais três, sendo os primeiros em hotel.

Como seria de esperar, logo o Governo da RAEM e os Serviços de Saúde de Macau, que, ao contrário do que acontece com os seus homólogos de Hong Kong, seguem acriticamente tudo o que seja feito do outro lado da Porta do Cerco, sem ao menos curarem da respectiva utilidade para Macau, copiaram a decisão do Governo Central e reduziram as quarentenas em Macau, para quem chega de Hong Kong, de Taiwan ou do estrangeiro dos anteriores sete dias mais três (7+3) para cinco dias mais três (5+3).

Aparentemente tratar-se-ia de uma redução. Na prática não é, e isto foi desde logo notado pelo Macau Daily Times e por todas as pessoas que não embarcam na conversa para tontos das autoridades locais. A redução é afinal um aumento de quarentena de 7 para 8 dias.

Na verdade, se antes uma pessoa estava em quarentena sete dias e depois saía, poderia fazê-lo com código amarelo, o que sendo limitativo da sua liberdade de deslocação e para poder levar uma via normal, pelo menos permitir-lhe-ia deslocar-se livremente durante os três dias seguintes sem necessidade de ficar confinado às paredes de uma casa.

Agora, com a tal "redução", as pessoas saem com código vermelho, são obrigadas a ficar em casa, só podem sair para irem fazer testes nos três dias seguintes, os táxis podem recusar-se a transportá-las, não podem andar de transportes públicos, não conseguem sequer ir às compras, caso não tenham nada em casa, e as próprias habitações devem cumprir regras especiais se as pessoas não viverem sozinhas. O único benefício será uma redução do custo do hotel para quem tem de pagá-lo. Mas se houver uma única dessas pessoas que nos três dias seguintes à saída do hotel testar positivo, todos os que o rodeiam, e que vivam na mesma casa e no mesmo prédio, estarão em risco. Os transtornos serão superiores aos benefícios.

É óbvio que esta "redução" não tem qualquer impacto para o turismo, para a melhoria da economia da RAEM ou para a vida das pessoas, servindo apenas a propaganda oficial e para enganar os tolos para quem os SSM continuam a falar nas conferências de imprensa.

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perspectivas

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.11.22

Nunca se tinha visto nada assim.

Ontem, o Diário de Notícias referia que em Portugal, país onde toda a gente sabe que a democracia tem imensos problemas, não sendo tão boa como a "nossa", "a taxa de desemprego foi estimada em 5,8%".

Aqui, na nossa avançada "democracia", graças à magnífica governança e à política de tolerância zero dinâmica, a taxa de desemprego no final do terceiro trimestre já era de 5,5%

E para termos um Natal diferente ainda vieram os senhores deputados manifestar-se preocupados com as "perdas milionárias no Fundo de Segurança Social, Fundo de Pensões e Reserva Financeira" e a queda nesta última de quase 13 mil milhões de patacas, só no mês de Agosto.

As perspectivas podem não ser risonhas, mas vermelhas são com toda a certeza.

 

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adjectivação

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.11.22

Benfica goleia Haifa, ultrapassa PSG e assume a liderança do Grupo H da Champions  League | LANCE!

Jogar de amarelo não é normal. Na Liga dos Campeões ainda menos. E se me perguntassem o que penso disto iria certamente começar a adjectivar. Mas hoje não há adjectivação. Só factos. E estes estão à vista de todos. Não há muito para dizer. É mesmo melhor que cada um guarde para si o que tem a dizer e se limite a viver o momento. A senti-lo. Porque há muitos anos que não se via nada disto. E só nós sentimos assim. Disse-o um dia o Mário Coluna. E sabia o que estava a dizer.  Este é um desses dias. Que seja eterno enquanto dure. A bênção, Senhor. 

Benfica only pipped PSG to the top of the group on away goals following a list of tie breakers

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exercício

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.11.22

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De vez em quando também há boas notícias. Nem tudo são quarentenas, máscaras, rondas de testes em massa, tufões, cretinos e afins.

Desta vez o motivo é de regozijo e prende-se com a instalação por parte do IAM de equipamento desportivo na Estrada do Alto de Coloane. Quem teve a ideia, lembrou-se bem.

E se não for pedir muito, pode ser que numa próxima oportunidade possam ser instalados revestimentos anti-derrapantes para as mãos nalgumas barras, para que aquelas não fiquem todas queimadas e cheias de calos. Quando está calor não dá muito jeito andar de luvas.

 

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ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.10.22

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"(...) Depois de mais de setenta anos no exercício do poder, o PCC logrou constituir-se como uma dinastia orgânica – a primeira dinastia orgânica da história da China. Essa osmose com a cultura política tradicional viu-se fortalecida com a adopção de uma institucionalidade própria que assegura uma série de regras para evitar que os processos de sucessão, tão delicados nestes sistemas, gerem lutas fratricidas." (p.373) 

O que ali se escreveu já perdeu, entretanto, actualidade com a revogação da regra da limitação de mandatos ou a incerteza da idade de aposentação em relação a alguns dirigentes, mas o nome de Xulio Ríos é suficientemente importante entre os estudiosos e analistas do fenómeno chinês actual para não poder passar despercebido.

Natural seria, por isso mesmo, que o seu último trabalho merecesse a devida atenção, tanto mais que foi traduzido e publicado em português. Não havia desculpa para não estar incluído na minha lista de prioridades.

Tivesse aguardado mais uns meses e o autor poderia ter alargado a sua análise ao XX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC). Seria interessante conhecer a sua interpretação do episódio Hu Jintao.

Não obstante, e pese embora uma incorrecção e uma ligeireza na parte que diz respeito à geografia de Macau e a Luís de Camões (vd. p. 149), trata-se de um trabalho de fôlego, produzido com isenção e independência, embora nem sempre possa estar de acordo com o autor.

Xulio Ríos passa em revista toda a história do PCC, nos seus momentos mais marcantes, desde a sua fundação, congresso a congresso; sem esquecer as influências externas, o conflito com o KMT, a fundação da RPC, até chegar à situação de Hong Kong, aos problemas do Tibete, de Xinjiang e Taiwan, a reaproximação ao confucionismo e ao legismo, e o processo de sinização do marxismo até ao neo-mandarinato actual e ao xiismo.

Irrepreensível divisão histórica, capítulos bem alinhados, conclusões pertinentes e a merecerem discussão. No final, possui uma interessante bibliografia, alguns números relativos aos congressos e um índice onomástico para ajudar os leitores menos comprometidos com a realidade chinesa e as dinâmicas do PCC a compreenderem os papéis de alguns dos protagonistas.

Valeu a leitura, recomendo-a, e agradeço à minha amiga F. a generosa oferta que me fez.

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aterrar

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.22

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Com a qualificação para os oitavos de final da Liga dos Campeões garantida com classe e distinção, após um percurso imaculado e uma jornada épica na catedral da Luz, é tempo de voltarmos ao essencial.

O campeonato está de volta.

Regressemos à terra, pois, concentremo-nos no essencial, e sigamos o exemplo de Roger Schmidt, deixando as "peixeiradas" para outros.

Ah!, e já agora, deixem os meninos e os rapazes em paz, dêem-lhes espaço.

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carrossel

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.22

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E ao fim de quase três anos voltamos ao mesmo. Desta vez, o alerta foi no Fai Chi Kei. Uma mulher de 66 anos, sem vacinas, que regularmente se passeava entre os dois lados da fronteira. E uma vez mais o caso é detectado pelas autoridades de Zhuhai, que depois avisam os Serviços de Saúde de Macau.

Trata-se de um filme repetido, que de novo conduziu ao fecho de uma zona da cidade, à realização de testes em massa, ao desperdício de dinheiros públicos, à insatisfação da população.

Vivemos numa espécie de carrossel que nunca mais pára, com imensas luzes e uma música horrível e repetitiva, onde nos obrigam a andar e de onde não nos deixam sair sem que haja uma montanha de limitações e exigências. A não ser que seja para se ir ao interior da China onde continuam a nascer, e continuarão, casos de infectados. Com ou sem tolerância zero, com zero dinâmico ou com outro nome qualquer que dê cobertura à teimosia.

As autoridades de Macau continuam preocupadas com os que chegam de avião, do estrangeiro, ou de Hong Kong, pessoas que estão sempre controladas, que só viajam com testes negativos e são mantidos sob sequestro durante dias a fio sem qualquer justificação. Mas, curiosamente, as situações que levaram em Macau a situações de confinamento, ao encerramento de moradores nas suas residências, ao fecho de ruas, de bairros e da própria cidade, como sucedeu há três meses, vieram do interior da China, de e para onde muitos residentes de Macau se deslocam nos dois sentidos, de férias e em excursões, uma delas promovida por uma "escola patriótica", sem qualquer vacinação e sem estarem sujeitos às regras apertadas que se impõem a quem chega são e vacinado do estrangeiro, ou que aqui vive diariamente sem se deslocar a qualquer outro lado.

Agora dizem que vão apertar as regras das excursões, exigir mais testes e em períodos mais curtos, mas a irracionalidade mantém-se em relação ao que está errado e se recusa a corrigir. Sem qualquer justificação racional ou científica. Basta ver que para se ir à Oktoberfest do MGM é preciso realizar teste de ácido nucleico, mas se for para se andar "à molhada" e aos encontrões na MIF, num espaço interior, exíguo entre expositores, onde há muito mais gente a circular, já ninguém quis saber dos testes. Qual a diferença? Quando dentro de algumas semanas se realizar o Grande Prémio caseiro e um tipo for para o meio daqueles milhares na curva do Hotel Lisboa ou na bancada do reservatório também vão pedir testes? Será que tudo isto continua a ter algum sentido?

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insultuoso

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.22

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Para quem reside em Macau e ao longo dos últimos dois anos e meio se viu impedido de levar uma vida normal devido às restrições impostas pela pandemia, tendo estado sujeito, caso se ausentasse para o estrangeiro, fosse por que razão fosse – tratamento médico, visita a familiares, acompanhamento de um funeral, participação em seminários ou congressos ou férias – a quarentenas de 14, 21, 28, 10 e, mais recentemente, de 7 dias, acrescidos de mais uns quantos de observação médica em casa, com código amarelo e acompanhados de múltiplos testes de ácido nucleico, não deixa de ser insultuoso ouvir a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura dizer que está agora, a um mês da corrida, a ser estudada a hipótese de redução de quarentena para os pilotos que queiram vir ao Grande Prémio

E isto acontece, note-se, depois do Presidente do Instituto dos Desportos ter pomposamente anunciado a vinda de mais de dez pilotos estrangeiros.

Ora, se estes fizessem questão de vir a Macau, ainda que com quarentena, não haveria necessidade de estar a negociar com eles, a menos de um mês da data prevista para as corridas, a sua vinda. Muito menos a negociar a entrada de apenas meia-dúzia de pilotos, da metade inferior, diga-se de passagem e com o devido respeito por todos eles que não têm culpa nenhuma do que está a acontecer, admitindo-se um eventual regime de excepção de duração mais reduzida.

Já todos tinham percebido que de um ponto de vista político, social e económico a gestão da crise pandémica em Macau tem sido um desastre. Mas desportivamente não fica atrás, tendo-se apostado em igual nível. E não só nos desportos motorizados, também no futebol, no hóquei em patins, no voleibol e noutras modalidades. 

Aquilo que havia de verdadeiramente importante em relação ao Grande Prémio de Macau era a obrigação de preservar o seu estatuto internacional, o que foi desprezado a partir do momento em que em todo o mundo se começou a regressar à normalidade e aqui ficou tudo na mesma, sendo incompreensível para muita gente do desporto automóvel mundial, como ainda este ano me pude aperceber quando acompanhei a última edição das 24 Horas de Le Mans, que se tivessem deixado cair as principais provas internacionais.

Muito mais importante do que trazer um punhado de pilotos de motas ao Grande Prémio de Macau era ter assegurado este ano, depois de dois anos de interregno, a continuidade da corrida de F3, a Taça do Mundo de GT e a etapa macaense do Mundial de carros de turismo.

Ao invés, anda-se a enganar as pessoas, atirando-se-lhes areia para os olhos, anunciando-se a vinda de pilotos – e os mecânicos e demais pessoal das equipas também vão ter um regime de excepção em matéria de quarentenas? – que ainda ninguém sabe se virão, a gastar dinheiro com eventos absurdos (melhor prova são os reduzidos patrocínios angariados este ano), sem qualquer interesse desportivo, e a negociar a vinda de pilotos para a corrida de motas, invertendo-se as prioridades e sem a mínima noção do mal que se está a fazer a Macau, ao seu Grande Prémio e ao prestígio internacional de uma jornada do desporto automóvel construída ao longo de décadas e que se tornara incontornável no calendário mundial.

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trapalhadas

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.10.22

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Regresso à leitura da actualidade local. Com excepção das habituais tiradas, começam a saltar à vista as "trapalhadas" do concurso que decorre para atribuição de seis concessões de jogo em casino.

A infelicidade de algumas das alterações introduzidas na legislação, o tempo que aquelas demoraram a ser paridas pelas entidades competentes, a deficientíssima técnica legislativa e as lacunas que ainda assim foram imediatamente perceptíveis, aliadas, mais recentemente, à confusão entretanto gerada com a ausência antecipada de critérios quanto ao peso dos factores de ponderação que deveriam ser seguidos na análise das propostas, colocando em causa a sua transparência, só por si não augurariam nada de bom.

Se a tudo isto juntarmos a tomada de posição da Asian American junto da Comissão do Concurso, as notícias veiculadas a partir de Pequim, em vésperas do XX Congresso, por Liang Wannian, de que não existe um calendário para saída da política de tolerância zero, sufragadas por declarações de Wang Changbin e Sonny Lo, e na linha de afirmações anteriores do Chefe do Executivo, que quer continuar alinhado com a política de Covid-19 do interior do país, o mínimo que se pode esperar é a continuação do caminho do Governo da RAEM em direcção à irrelevância e ao abismo.

O secretário-geral adjunto do Fórum Macau, ainda em Setembro, teve a coragem de apontar o dedo ao irrealismo oficial. Desconfio que poucos, e certamente nenhum dos que devia ter tomado atenção, terá percebido o que se disse sobre o conteúdo dos discursos.

É por isso mesmo estranho, ou talvez nem tanto, que no cenário actual, numa altura em que as acções das concessionárias descem a todo o vapor, ainda haja quem queira saber "qual a calendarização dos investimentos das futuras concessionárias e quanto é que as operadoras estão dispostas a investir ao longo dos próximos anos". Haja sentido de humor.

Não sei se alguém ligado às concorrentes, desses de quem se espera que "abram os cordões à bolsa", já terá tentado explicar à Comissão que nenhum investidor é louco, e que ninguém está disposto a apostar no escuro, prometendo mundos e fundos, empenhando a sua palavra e o seu património sem saber quando e quantos potenciais clientes irá ter. Nem digo daqui a dois ou três anos, mas daqui a seis ou oito meses.

Sem se saber quando é que Macau abrirá as suas fronteiras, quando voltará a ter uma relação normal com Hong Kong, com carreiras marítimas e de helicóptero, nem quando é que o aeroporto retomará o funcionamento a que nos habituou e se acabará com esta loucura das quarentenas, verdadeira sangria de dinheiros públicos e privados, descendo-se por um dia à realidade e reentrando-se no mundo dos vivos e das pessoas normais, não será possível dar descanso às múmias, aos feiticeiros, aos "académicos", aos moços de recados, e nem mesmo aos censores e polícias encartados da imprensa e das redes sociais.

Gostava de poder pensar que todos têm a noção do que andam a dizer e a fazer. Infelizmente, chego à conclusão de que há quem não veja grande diferença entre organizar um concurso para notários privados ou um festival de fogo de artifício e um concurso internacional que coloca à prova a reputação da China, as suas responsabilidades perante  terceiros, e o futuro da RAEM e dos seus residentes.

Enfim, não são coisas que se resolvam levando os investidores internacionais, a Bloomberg, a Reuters ou a France Press numa excursão aos campos de algodão. Isso só resulta com alguns filibusteiros e montanheses que não aprenderam nada nos tempos do garimpo. No mundo empresarial, em especial do jogo, duvido que ainda haja adoradores de totens quando em causa está o valor de títulos cotados em bolsas internacionais. Títulos bilingues e trilingues.

Se alguma virtude teve o anterior concurso, que trouxe a Macau a prosperidade que agora tão facilmente e em tão pouco tempo se delapida, foi a de ter sido conduzido por profissionais.

Esse é hoje, perante aquilo a que se assiste, o maior elogio que nesta matéria — tenho dúvida que haja outras — pode ser feito ao primeiro Chefe do Executivo da RAEM. Apesar de tudo.

E já então foi muito, objecto de crítica e ainda hoje discutido nos tribunais.

Constitui um enigma saber até quando se prolongarão os folhetins ainda em curso, e para quê, se no final nada sobrar de relevante do sistema aqui deixado e se tornar indiferente viver na Taipa ou em Zhuhai. O pastel de nata não sabe ao mesmo na Garrett e em Cantão.

Dir-me-ão que há muitas maneiras de fazer pastéis de nata, é verdade; mas também conheço muitas pastelarias, em locais centrais, que foram ao fundo em pouco tempo. E não foi preciso patrão novo. Bastou mudar a criadagem e entregar a gestão a um chefe de messe.

Espero, de qualquer modo, que alguém se tenha lembrado de distribuir uns coletes aos membros da Comissão. Cheira-me que nem todos saberão nadar.

E, em todo o caso, convirá ter presente que se o barco se afundar nem os pastéis de nata se salvarão. Ninguém come pastéis molhados. E não faltará quem, noutros locais, aparecerá a produzi-los com mais elegância e sem necessidade de coletes ou aventais.

Um barco só se afunda uma vez. A confiança também.

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