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Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.
Já calculava que alguns dos "debates" entre os candidatos às próximas eleições presidenciais seriam muito pouco interessantes, iriam esclarecer nada ou quase nada, e que só serviriam para continuar a transmitir uma péssima imagem dos nossos (deles) actores políticos, mostrando nalguns casos a sua manifesta impreparação, falta de sentido de Estado, oportunismo, irresponsabilidade política e total desprezo pela situação do país e dos portugueses.
Confesso que nunca pensei é que se viessem a revelar bem piores do que aquilo que poderia imaginar nos maiores pesadelos.
Da falta de ideias à de educação, da linguagem desbragada ao estilo carroceiro, com frases e apartes de estrebaria, gritaria, mãos e braços no ar, sem esquecer mentiras, insultos, falsas verdades, omissões convenientes e incoerências, nada tem faltado.
O pseudodebate de ontem entre Catarina Martins e André Ventura, que aproveitei para ver durante a minha hora de almoço, é apenas mais um exemplo de algo que nunca deveria ter acontecido. E admiro a paciência do entrevistador, por muito bem paga que seja.
Aos debates que se têm visto seria preferível o silêncio.
Este seria bem mais enriquecedor, educativo e muito menos ofensivo da dignidade nacional.
E os portugueses continuariam tão esclarecidos sobre as ideias dos candidatos presidenciais como estavam antes. Sem "debate".

Após os dois últimos tufões, nas minhas corridas nocturnas, tenho verificado o estado em que se encontram os cabos, não sei se eléctricos se telefónicos, em Coloane.
Nos primeiros dias após a passagem dos tufões, habitualmente, há a preocupação de remover a areia dos caminhos pedonais e dos parques de estacionamento automóvel, normalmente os locais mais afectados, como é o caso na Praia de Cheoc Van, sendo compreensível que isso não possa ser feito de imediato em todo os locais ao mesmo tempo e logo no dia seguinte. Há prioridades, o pessoal e os meios são limitados.
Há, porém, situações que exigem a maior urgência e em que há o risco de ocorrerem acidentes graves.
É o que se verifica com os cabos eléctricos e telefónicos. Já passaram mais de três semanas e até agora ninguém fez nada.
Alguns cabos caíram, há cabos soltos, outros descarnados, que estão à altura de uma criança e ao alcance de qualquer pessoa. Num dos percursos que habitualmente faço deparei-me com cabos que atravessam o caminho e nos quais só reparei quando estava em cima deles. Não há sequer sinalização a avisar do perigo.
As fotografias que aqui deixo reflectem o estado de abandono, desleixo, incúria em que os cabos estão há cerca de três semanas.
Não sei quanto tempo mais a situação se irá prolongar, nem se a responsabilidade é da CEM, da CTM, do IAM ou de outra entidade qualquer.
Em todo o caso, fica aqui o registo. Porque se acontecer alguma acidente grave, e oxalá que não, não se há-de vir dizer que ninguém avisou ou que não se sabia. E nessa altura alguém terá de ser responsabilizado.




(créditos: daqui)
Quem acompanha aquilo que vou rabiscando e escrevendo por aí, incluindo neste blogue, sabe que sou convictamente republicano e considero que a república é a forma de governo mais consentânea com os valores que defendo para mim e para os meus.
Dito isto, é-me fácil reconhecer onde estão esses valores, sendo certo que muitos são partilhados com a monarquia, e não sendo a virtude, a honra, a prossecução do bem comum, a defesa do interesse público, da história ou de seculares tradições exclusivo de uma ou outra forma de governo.
Em rigor, não é por serem republicanos ou monárquicos que os homens e as mulheres de bem se distinguem; antes pela sua praxis, pelo modo como conciliam as suas convicções com a sua acção, a teoria com a prática, aquilo em que acreditam e os valores que defendem com o exercício quotidiano da vida em sociedade, o interior com o exterior, dentro e fora de casa, à luz do dia e na escuridão.
E como em tudo na vida há bons e maus regimes, boas e más acções, gestos que dignificam e enobrecem e atitudes e comportamentos desprezíveis.
Impõe-se por tudo isso, e porque também há décadas procuro estar sempre em sossego com a minha consciência, gozando o sono dos justos, dizer uma palavra sublinhando, na linha do que havia sido feito pela sua falecida mãe, a atitude de Carlos III e da Coroa britânica em relação ao que é publicamente conhecido das relações de André (Andrew) Mountbatten-Windsor com Jeffrey Epstein e seus amigos.
Ao contrário do que se tem visto do outro lado do Atlântico, de onde só chegam péssimos exemplos, não houve equívocos nem hesitações, muito menos protecção do poder a quem, ainda que invocando a respectiva inocência, não terá estado à altura dos seus direitos e das suas obrigações. Não se arranjaram desculpas, não foi preciso um clamor público, nem manifestações de rua. O que já se sabia, aliado às memórias póstumas de Virginia Giuffre, retiraram qualquer margem de manobra à Coroa. E na hora de decidir impuseram-se a dignidade e o dever. Sem alarido, sem dramas, sem teatro.
Muito haverá a criticar, certamente, sobre a acção ou os privilégios dos monarcas numa democracia, em especial em relação à de Westminster, mas é dali, e de um outro farol cada vez mais trémulo, que contra o temporal de insânia e os ventos que sopram de diversos quadrantes que ainda nos chega a luz do exemplo. Exemplo para outras monarquias, mas também para democracias consolidadas e autocracias, sejam estas de direita, de esquerda ou de raiz teológica.
O que aconteceu no Reino Unido não será muito diferente do que fez Filipe VI em relação ao seu pai e à defesa da Coroa espanhola. E que também aqui mereceu na altura o destaque merecido.
E se é verdade, o que acredito, que a nobreza não está no sangue, como bem se vê comparando irmãos, sejam Carlos e André ou William e Harry, mas antes na elevação do gesto, no rigor do comportamento, pois que é daí que vem o exemplo, a dignidade e a autoridade moral de uma elite, de quem governa, de quem nos representa, na república ou na democracia, neste momento impõe-se dizer que a Carlos III "honor is due".
A cada um o que é devido. O resto será com os historiadores.
Quando virem este táxi a aproximar-se de uma passadeira é melhor terem cuidado.
Hoje à hora do almoço não fui atropelado por muito pouco em plena Alameda Dr. Carlos D' Assumpção.
Quando saí do escritório, e me preparava para atravessar para o jardim, não parou na passadeira no sentido descendente, seguindo em direcção ao rio, embora houvesse outros veículos parados.
Depois, minutos volvidos, do outro lado do jardim, no sentido ascendente, quando os carros das outras duas faixas também já estavam imobilizados, e os peões haviam iniciado a travessia, só parou travando a fundo no sítio que a imagem documenta.
Passado o susto fica o registo.
As câmaras do sistema "olhos no céu" terão registado tudo.
A fotografia foi tirada às 13:08. Havia muitos peões a circularem e a atravessarem a passadeira.
E é evidente que o facto do tipo ter saído do carro para me pedir desculpa não serviu para nada porque vai voltar a fazê-lo noutra passadeira qualquer.
A PSP se quiser que actue.
(créditos: daqui)
Francisco Pinto Balsemão (1937-2025)
(créditos: Alpine)
Se há coisa que se possa dizer de António Félix da Costa, "Formiga", é que para além de um piloto extremamente rápido, seguro, disponível, simpático e fiável, é um profissional de mão cheia, apesar de nem sempre ter tido a sorte do seu lado.
Mas parece que desta vez o vento está a soprar de outro quadrante e com cada vez mais intensidade, empurrando o campeão português para voos mais altos.
Após a saída da Porsche e o seu ingresso na equipa Jaguar de Formula E, o António viu serem-lhe abertas as mais do que merecidas portas de uma equipa de fábrica na categoria maior do WEC, o Mundial de Resistência.
Ao ser escolhido para integrar a equipa da Alpine, e ao ler as mais do que encorajadoras palavras de Nicolas Lapierre, também ele um velho senhor das pistas, do WEC e de Le Mans, onde participou por 17 vezes, vencendo a categoria LMP2 em 2015, 2016, 2018 e 2019, não restam dúvidas, se dúvidas ainda as houvesse, que o António terá ali carro e apoios para triunfar:
"His speed, experience and knowledge of the world of endurance racing and the 24 Hours of Le Mans have attracted Alpine." (...) "He is a complete, determined and charismatic driver, who will quickly integrate into our structure."
Embora ainda não se saiba com quem o António fará equipa ao volante de um dos carros da Alpine, depois da mais do que aguardada vitória da escuderia francesa nas 6 Horas de Fuji, no passado mês de Setembro, fica a certeza de que continuaremos a ver nas pistas e nos pódios, assim se espera, a bandeira portuguesa.
Daqui segue um abraço para o António e votos de muito sucesso nesta nova etapa da sua carreira, que o Macau Daily Times continuará a seguir com toda a atenção na esperança de o ver fazer nas 24H a corrida da sua vida.
(créditos: SAC, direitos reservados)
(créditos: SAC, direitos reservados)
(créditos: Macau Daily Times)
As notícias são da semana passada, mas não devem por esse motivo merecer menos atenção face à urgência de resolução do problema e ao estado calamitoso a que chegou o serviço de táxis e de rádio-táxis em Macau.
De Hong Kong chegou a notícia, via Macau Daily Times, de que os seus legisladores aprovaram um diploma para regulamentar os chamados "online ride-hailing services", visando o licenciamento de plataformas como a UBER no sentido de se permitir que os seus veículos e motoristas sejam habilitados à prestação de serviços de táxi, colocando-se um ponto final na resistência dos lobbies locais à sua introdução.
Em Macau continua tudo por fazer.
E em cada dia que passa são piores as notícias que chegam, apesar de há dias nos ter sido dada a promessa de que alguma coisa irá mudar.
Enquanto não se sabe quando, esta manhã lá veio mais um dado assustador e que devia envergonhar os dois anteriores Chefes do Executivo e os titulares da pasta dos Transportes e Obras Públicas: os taxistas praticam cada vez mais irregularidades e o número de infracções aumentou quase vinte vezes nos últimos quatro anos. É obra.
Ou seja, o serviço de táxis é mau, não há veículos em número suficiente e apesar disso as infracções cometidas pela casta aumentaram desmesuradamente.
Este é um bom indicador da impunidade em que os taxistas têm vivido e do total desinteresse de anteriores governos em resolver satisfatoriamente tão candente problema em benefício de toda a população e dos que nos visitam.
Esperemos que com a mudança de titular na Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego, e a nomeação de Chiang Ngoc Vai, seja possível dar resposta às exigências do serviço público de táxis numa cidade de turismo. O Natal está aí à porta.

Se não encontrares resposta para a tua pergunta podes enviar-nos a tua dúvida através do formulário, escreveram no site.
Uns dizem "Benfica vencerá", outros querem "Benfica acima de tudo", havendo quem diga que "Só o Benfica conta", que tenha o "Benfica no sangue", "Voltar a ganhar" ou que são, simplesmente, "Pelo Benfica".
Eu não encontrei resposta e como não sei como será possível vencer, ter o Benfica acima de tudo, voltar a ganhar, andar com o Benfica no sangue e ser pelo Benfica sem benfiquistas, resolvi escrever para manifestar a minha indignação:
"Caros benfiquistas,
Pelos vistos há benfiquistas de primeira e benfiquistas de segunda. Se todos devem votar e todos os votos contam, por que razão os benfiquistas que vivem na Ásia e na Oceânia não podem votar?
Em Macau há imensos benfiquistas, quase todos com 50 votos, e nenhum vai poder votar.
Podia ser muito fácil ter aqui uma mesa de voto, até mesmo no Consulado (o SLB é instituição de utilidade pública desde 1960, tendo recebido várias ordens honoríficas portuguesas) ou no Restaurante "O Santos", verdadeira embaixada do SLB na Ásia, onde vários presidentes já comeram, tal como muitos jogadores e lendas do Clube (Coluna, Mário Wilson, Carlos Moya, etc.), e até os britânicos Rolling Stones.
Aquilo que nos fizeram é uma vergonha. Só contam connosco para pagar quotas e renovar o Red Pass.
Cumprimentos,
Sérgio de Almeida Correia (sócio 29601)"
Descontado "o abuso" de sugerir o Consulado e a tasca do meu amigo Santos, fica o registo, incompreensível, numa altura em que somos bombardeados com emails das candidaturas apelando ao voto.
Não custava nada terem criado condições para todos, mesmo todos, os benfiquistas poderem votar.
Assim está mal. Muito mal. Somos duplamente proscritos.
(Estação Ferroviária da Beira - Moçambique)
Ao contrário do meu avô Miguel, a quem o Barreiro e o sindicalismo português prestaram justa homenagem, nunca tive qualquer relação profissional com os comboios.
As minhas relações com tais viaturas e as vias-férreas remontam à infância e pertencem ao domínio da felicidade. Algo que, não sei se sabem, está muito para além dos sonhos.

Fosse porque quem mais me queria me segredava histórias de comboios antes de adormecer, me levava a fazer belas viagens entre Moçambique e a Rodésia, pela linha da Machipanda, da Beira a Vila Pery, hoje Chimoio, de Manica – Que saudades da piscina, meu Deus! – a Salisbury, passando por Umtali, hoje Mutare, e imensos apeadeiros, lugares, lugarejos e vilas perdidas no tempo e nos confins da história colonial, vislumbrando a serra da Vumba em carruagens confortáveis, marcadas pelo afago e o brilho da madeira bem tratada, refeiçoando numa carruagem-restaurante com toalhas e guardanapos cheios de goma e imaculadamente brancos, com um serviço simpático e sempre atencioso para com o “menino”, gargalhando com ele, com o nariz achatado e colado contra as janelas largas e luminosas, também sempre embaciadas e com as minhas dedadas, avistando Machipanda, Manica e os animais livres na distância, percorrendo as carruagens até cair de cansaço, dormindo entre belos lençóis, sempre embalado pelo balancear das composições, o som característico do rodado nos carris, e ao tempo também pelo tão penetrante e alucinatório cheiro do carvão e do vapor que saía das locomotivas.
Tempos inesquecíveis que por vezes se prolongavam na notável estação da Beira, projectada por Garizo do Carmo, Francisco de Castro e Melo Sampaio, onde quase diariamente me deixavam depois das aulas para eu percorrer o átrio em todos os sentidos, radiografando quem passava, admirando os carros em exposição, enquanto esperava que a Mélita ou o Fernando Luís descessem das suas ocupações para depois então me levarem exausto e satisfeito para casa.

Foram todas essas memórias, mais as da minha primeira adolescência, quando para minha satisfação me punham num comboio e me despachavam para Tavira, onde sabia que os meus primos, o sol e o mar da ilha e da ria cuidariam de mim durante algumas semanas de Verão, e, ainda, as recordações da minha vida de estudante universitário, que me levariam a percorrer a Europa de Interrail, e das viagens de que depois fiz na Austrália, na Suíça, no Japão, onde volto sempre que posso para percorrer o país no Shinkansen, que me entusiasmaram quando o Pedro se lembrou de me enviar o convite para visitar uma exposição de comboios em Carcavelos.
Já sabia do gosto e interesse do meu amigo por comboios depois de uma noite me ter revelado os seus tesouros, resultado de infindáveis horas de engenho, paixão e paciência, mas nunca imaginei ver o que vi no Pavilhão dos Lombos: uma magnífica exposição de modelismo ferroviário que me levou de novo a viajar no tempo e por estações e paisagens que me foram familiares.
Havia prometido a mim mesmo escrever umas linhas sobre o evento que ali ocorreu para vos dar conta da minha satisfação, talvez mais encanto, pelo que encontrei. E pela alegria que vi nos olhos de tantas crianças, algumas namorando com o parceiro e com as fantásticas maquetas, com filhos e netos, umas mais crescidas do que outras, com e sem barriguinha, por vezes de calções e cabelos brancos, partilhando curiosidade e paisagens de lugares espalhados por Portugal e mundo fora, incluindo numa recriação e lembrança do horror que se vive na Ucrânia, onde não se poupam crianças, novos, velhos, escolas, hospitais, museus, comboios ou estações.

Não será grande coisa o que à pressa aqui fica, eu sei, embora haja sempre a esperança de para o ano voltar com mais tempo. Se possível com o João. Para vermos comboios circulando por montes e vales a toda a velocidade, sem perderem, ao contrário do fantasma da nossa CP, carruagens pelo caminho, e sem deixarem os passageiros apeados, iluminando os olhos de quem os vê.
Se não for para sonhar de novo, recordar outros tempos, ao menos que seja para, pelo menos, levar, como desta vez, um amigo pela mão. Ou vários. Pequenos e graúdos, fazendo-os entrar naquele mundo mágico das geografias do contentamento, levando-os a percorrer comigo aqueles pequenos carris que têm a virtude de nos trazer os antigos por onde andámos, de diferente bitola, com outras paisagens e outros cheiros, mas com a mesma alegria da memória com que os vi e me receberam.
E a gratidão a quem me mostrou o caminho até ali, proporcionando-me o prazer de escrever estas linhas e de vos deixar com as imagens possíveis de um fotógrafo menor.


Noite curta e mal dormida, pese embora a enorme satisfação. É desta que aqui vos quero dar conta porque não podia passar em branco a qualificação dos Tubarões Azuis para o Mundial de Futebol de 2026.
O pai Eurico e o meu amigo Jorge Monteiro, se ainda estivessem entre nós, teriam exultado de alegria. Não estão eles, estou cá eu e a nota devida aqui fica.
Uma nação jovem, que ainda este ano completou 50 anos de independência, cheia de dinamismo, vontade de fazer melhor em cada dia para o seu progresso e o de todos.
Terra de gente boa, sã, alegre, trabalhadora e que connosco partilha a língua e o sentimento. Terra de saudade, de músicos, de poetas, de escritores, de emigrantes, como nós, de boa comida e melhor mar. Pátria da morabeza.
Ontem viveu-se um momento mágico no Estádio Nacional, na cidade da Praia, acompanhado à distância a partir do meu posto de observação, aqui em Macau, e ao qual como português, amante de futebol, apaixonado pelo seu mar e as suas gentes não posso deixar de me associar.
Uma qualificação notável da selecção de futebol de Cabo Verde, ultrapassando gigantes como os Camarões e Angola. A vitória por 3-0 sobre Eswatini (em português, Essuatíni), antiga Suazilândia, é justo e merecido prémio para o pequeno farol atlântico da lusofonia erguido entre continentes. A prova de que com trabalho e dedicação não existem sonhos impossíveis.
Acompanho por isso a alegria das suas gentes e envio daqui um forte, caloroso e fraternal abraço a todos os meus amigos cabo-verdianos. Para elas também um beijo. E que continuem a fazer história no futebol.

Durante cinco anos, por vezes longos, de outras vezes fugazes e etéreos como a paixão que chegou e partiu sem que houvesse tempo de a agarrar, estudando e seguindo regras, foi-se preenchendo uma quadrícula em que a palavra direito era a que mais vezes figurava, alternando com a de justiça. Entre a devoção e a alegria, o choro, a coragem ou o medo do futuro, com uns abraços e uns beijos à mistura, no final cada um seguiu o seu caminho.
Do que me lembro, a despedida, para alguns, das paredes que nos acolheram foi penosa. Para outros abriu-se uma avenida, larga e soalheira, onde se cruzaram múltiplas vidas, romances, aventuras, alegrias e desgostos. Até ontem.
Muitas vezes me recordei deste e daquele, de algumas com evidente e, com o correr dos anos, envergonhada paixão, à medida que a distância e o tempo me afastavam de rostos, de abraços fraternos e sinceros, de sorrisos, cheiros, e de alguns beijos que me foram tão próximos e reconfortantes durante aqueles cinco anos. Foi ontem, podia ter sido hoje.
Aprendemos, quase todos, a ler, a citar, a sublinhar, a glosar, a escrever e a pensar de forma diferente. Sentimos a autoridade do saber, identificámos trastes e embustes, olhámos para os exemplos. Criticámos, discutimos fervorosamente cada vírgula. Houve quem cultivasse hábitos de trabalho, de colaboração com o outro, de respeito para com a diferença. Muitos tornaram-se amigos, camaradas, parceiros, sócios; outros amantes. De gente e de muitas coisas. Poucos de leis, mais pela justiça, que pela liberdade todos trilhámos o caminho e aprendemos a lição.
E no fim cada um seguiu o seu rumo. Até hoje.
Se pensarmos no que ficou, nas quatro décadas que se eclipsaram à velocidade de um fósforo, talvez nos vejamos submergidos num carrossel de lembranças e de emoções.
Mas antes que tal acontecesse, que tombássemos sob o peso de uma memória cada vez mais distante e traiçoeira; e aquelas que tão queridas nos foram se desvanecessem, houve tempo, pese embora algumas ausências, ora ditadas pela incontornável lei da vida, outras pela geografia ou o utilitarismo táctico do quotidiano que nos rege, e que tantas vezes nos afasta de nós próprios e impede o livre fluir da genuína afectividade, de convocar a preceito os últimos resistentes de uma tribo que entendeu preservar e cultivar a memória, a fraternidade e a amizade.
Foi assim que correspondendo ao apelo, porventura na evocação da linhagem de um Shakespeare – “But if the while I think on thee, dear friend, All losses are restored and sorrows end” – ou de Alberoni, para quem a amizade será um “instante de verdade”, ou, como alguém escreveu, “uma ilha de ética num mundo sem moral”, oitenta e oito almas, dissseram-me, alinharam-se para um conveniente e fraterno encontro que ignorou continentes, atravessou fronteiras, e por momentos se estendeu da Alameda da Universidade a um hotel das redondezas, onde foi então possível voltar a trocar abraços e a beber dos mesmos rostos e sorrisos que há tanto nos encantaram.
Talvez por isso, depois da primeira confrontação com a realidade, no átrio da faculdade, e da aceitação da irreversível mudança provocada pelo sulco dos anos, que se prolongou numa romaria ao Anfiteatro 1, com a tão generosa quanto inesperada presença do carismático mestre, no seu genuíno e simpático estilo cartooniano, despido de funções protocolares, se entendeu sublinhar a autenticidade do encontro com a gravação da simplicidade da passagem do tempo na austera eternidade da pedra. Sem gongorismo, sem prosápia, sem ademanes desnecessários. “No devagar depressa dos tempos”, frase lapidar e incontornável de um senhor da diplomacia.
Como é próprio de quem reconhece a gratidão do que lhe foi transmitido, sentimento maior dos que prezam a integridade, a virtude, e rapidamente identificam nos outros, nos seus semelhantes, nos que o merecem, a grandeza do carácter, a autenticidade dos justos, a lhaneza no olhar, a frontalidade do percurso.
Ao redor de uma mesa, sorrateiramente contemplando rostos na distância, redescobrindo nomes, entre um brinde e um piscar de olhos, vendo a música escapar-se pelos anos oitenta de outra era, ou imaginada ao largo do golfo de Sorrento na voz de Lucio Dalla, “qui dove il mare luccica e tira forte il vento", enquanto uma mão me tocava e um sorriso se recuperava, as vozes voltaram a tornar-se familiares. Próximas.
Como se sempre ali tivessem estado, e a ternura de outrora, o afago, o sorriso, se recuperasse em cada abraço, no brilho do olhar, ao mesmo tempo que se ignorava o que nos ia passando pelo prato.
Enfim, saboreando cada gole de vinho entre dois dedos de conversa como se por ali corresse um Romanée-Conti, poderoso, ajudando as folhas a voltarem-se sozinhas com as nossas caricaturas.
E foi bom, deveras foi, recuperar para aquele cenário Armindo Ribeiro Mendes, como há quarenta anos, com a disponibilidade, a simpatia e a proximidade de sempre, exclusivo dos maiores, que de cagança só se fazem os tolos.
No regresso, pelo silêncio de estradas que há muito deixei de percorrer, vendo cair no ruído dos faróis com que me ia cruzando as primeiras chuvas de Outono, recuperei a solidão interior, que tão próxima me é, também a alegria das longas noites de estudo, boémia e paixão, e preparei-me para a saudade do dia seguinte.
Reconfortado para mais uma longa viagem até ao outro lado do mundo, puxando o fio de um longo novelo. Esperando em breve poder rever os que faltaram à chamada, os que não pude abraçar, e que aqui e além vão andando pelas suas vidas.
Ciente de que a ausência, uma vez mais, por muitos anos que passem, não é mais do que um detalhe no compasso de espera do reencontro. Na eternidade, como a Mélita me transmitiu, dos abraços que fizeram, e fazem, de nós aquilo que somos. E que jamais esquecemos.


O Lyceé Français Charles Lepierre de Lisboa é uma escola internacional sob tutela do Governo de França. Os objectivos visados não serão muito diferentes daqueles para que aponta a Escola Portuguesa de Macau.
Mas enquanto ali se exibe orgulhosamente em território português a bandeira francesa [foto tirada em 26/9/2025], sem que ninguém se sinta menorizado, envergonhado ou ofendido, aqui, na escola portuguesa da RAEM, o pavilhão português ou está escondido ou é remetido para os cantos.
Como se houvesse um qualquer complexo imbecil de inferioridade colonial que nos desviasse do respeito e da dignidade devidos aos anfitriões e impedisse a bandeira portuguesa de estar na fachada do estabelecimento ao lado da bandeira chinesa, com o mesmo destaque e com as mesmas dimensões, tal como fizeram as autoridades de Pequim e o Chefe do Executivo de Macau aquando da última visita de um primeiro-ministro português.
O que, aliás, seria próprio e é adequado entre pessoas e povos de bem, entre gente que se respeita e cujos traços distintivos do seu carácter e da sua cultura não desaparecem com as mudanças de regime e as circunstâncias do momento.

(créditos: AP Photo)
Em Portugal, aqui há anos, passámos pelo mesmo.
À direita e à esquerda, desencartados, indigentes, ignorantes, houve políticos que se quiseram fazer passar pelo que não eram. Do preenchimento das suas fichas de deputados na Assembleia da República, à aquisição fraudulenta de diplomas – com a conivência de alguns professores e universidades –, aos currículos em que por vezes surgiam menções do tipo "frequência de ... " qualquer coisa, gente sem habilitações, qualificações, mérito, ou outros conhecimentos que não fossem os da chico-espertice, das tramóias e das moscambilhas em que se especializaram nos partidos políticos, eram pomposa e enfatuadamente chamados de "doutor". Havia até quem na assinatura de cartas e ofícios o escrevesse antes do nome, não fossem os destinatários pensar que não o fossem.
É claro que esses verdadeiros "doutores da mula ruça" nunca foram licenciados em coisa alguma, sendo que por extenso só mesmo a esperteza e a rasteirice das suas acções.
Desta vez, o caso surgiu em França e o protagonista é o jovem – tem 39 anos – Sébastien Lecornu, novo primeiro-ministro francês nomeado por Macron.
Pois bem, o jornal Mediapart descobriu que o dito, que tem sido ministro do Governo de França desde 2017, afirmava nos seus currículos que depois de ter efectuado os estudos secundários em Vernon (Eure), e obter um "bac économique et social (ES)", que constitui um diploma que marca o fim do ensino secundário e habilita o seu titular para a prossecução de estudos superiores, o antigo ministro acrescentou possuir uma licenciatura em direito pela Universidade de Paris II-Assas e ter um mestrado em direito público da Universidade de Paris II Panthéon-Assas.
Descobriu-se agora que desde 2016 andou a aldrabar o currículo, e nunca obteve qualquer mestrado em direito público.
Apanhado em flagrante, o site 20 Minutes revelou que se apressou a mudar a sua biografia na página oficial. De titular de um diploma passou apenas a "estudos de direito". A tal frequência, ao que parece apenas do primeiro ano.
Quando um tipo se predispõe a mentir, querendo mostrar os galões que não possui, recorrendo a vias tão canhestras, como se não houvesse outras pessoas que tivessem efectivamente frequentado as mesmas escolas e obtido diplomas reais, e não fictícios, revela a sua pequenez, a sua mediocridade, e fica-se com a certeza de que gente desta pode servir para muita coisa mas para o serviço público é que não serve mesmo.
E tanto faz ser em Portugal como em França. Quando a matéria-prima não presta não se pode esperar grande coisa do resultado final.

Nunca seria a minha escolha, embora estejam volvidos 25 anos sobre a sua passagem pela velha Luz. Entretanto, construiu-se um novo estádio e mais de uma dezena de treinadores sentaram-se no banco.
Os tempos são outros, é verdade, mas nem o clube nem o homem, ao contrário do que este possa afirmar, mudaram.
O clube continuou a crescer. Ele, depois de atingir o Olimpo, veio por aí abaixo até voltar a aterrar em Lisboa.
Normalmente, rude no diálogo com a comunicação social, provocador, demasiado quezilento, com árbitros e adversários, muitas vezes inconveniente e mal educado. Enfim, características que casam mal com os pergaminhos da casa.
Todos sabem que é um líder, reconhece o talento onde quer que esteja com facilidade, mas tacticamente, muitos dizem, parou no tempo.
As suas equipas jogam um futebol feio, excessivamente defensivo, pouco atraente, embora por vezes possa apresentar resultados. Mas agora que lhe foi dada uma segunda oportunidade espero que a aproveite e mostre um futebol de encantar.
A partir de hoje é o meu treinador. O treinador de todos os benfiquistas. Esperemos que seja capaz de lhes devolver os títulos, a glória, que recupere o Universo. Com humildade, classe e muito fair play.
Para já chegou bem, em grande estilo, num carro ao nível da instituição – Ferrari 612 de uma série especial de apenas 60 unidades –, o que constituiu um bom sinal. Que não lhe faltem as mãos e uma boa garagem, não vão os cavalos constiparem-se.
E esteve bem na conferência de imprensa, tal como o azarado Rui Costa. Por agora fica apenas a faltar o resto, que é quase tudo.
Bom trabalho, e muita sorte, que sem esta não há esforço que valha a pena, é o que se deseja.
E nada melhor do que começar a mostrar ao que vem já com uma vitória, amanhã, na Vila das Aves. A Champions é já ali.
(créditos: José Sena Goulão/LUSA, CM)
(créditos: daqui)
A justificação dada à comunicação social pelo responsável da Assembleia de Apuramento Geral das eleições legislativas para impedir a verificação pública dos votos nulos realtivos às eleições do passado domingo, 14 de Setembro, é no mínimo incompreensível.
A Comissão Eleitoral até podia impedir essa verificação, mudando a prática seguida nos anos anteriores, visto que nada na lei obriga a que os votos nulos sejam mostrados à comunicação social. Estes devem ser verificados nos termos do art.º 119.º da Lei n.º 3/2001(Regime Eleitoral da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau), com as alterações introduzidas pela Lei n.º 8/2024, integralmente republicada por Despacho do Chefe do Executivo n.º 94/2024, em 03/06/2024. E nada mais.
Quer isto dizer que após terminadas as operações de escrutínio, os "candidatos, os mandatários de candidatura ou os delegados têm o direito de examinar, em seguida, os lotes dos boletins de voto separados, sem alterar a sua composição, e de suscitar dúvidas ou deduzir reclamações quanto à contagem ou quanto à qualificação dada ao voto de qualquer boletim, que devem fazer perante o presidente e, neste último caso, se não forem atendidas, os reclamantes têm o direito de, juntamente com o presidente, rubricar no verso do boletim de voto em causa".
Embora sem obrigação de amostragem dos votos nulos à comunicação social, é certo que numa sociedade aberta essa até me parece uma prática salutar para que não restem dúvidas sobre a sua qualificação e uma maior transparência do processo eleitoral.
Que se impedisse que esses votos fossem fotografados, em especial para se evitar a divulgação daqueles que contivessem insultos ou palavrões, também não me pareceria mal, ainda que se fosse contra uma "tradição" de anteriores apuramentos eleitorais. Desde que houvesse fundamento legal, obviamente.
Mas a proibição pura e simples cai sempre muito mal. Em especial quando a justificação apresentada não tem suporte jurídico e a invocação do dever de sigilo me parece descabida.
Sigilo de quê, perguntar-se-á, se ninguém sabe quais foram os eleitores que anularam os seus votos? Ao contrário do que se disse, a votação não deixou de cumprir o dever de sigilo. Além do mais, o dever de sigilo aqui não está em causa porque já estamos no âmbito de uma operação de contagem e qualificação dos votos. Os votos não têm nome, número de telefone, morada, número do BIR, fotografia, assinatura. O que é que se quer proteger? Ou retirar ao escrutínio público? Não faz sentido invocar o sigilo.
Não se esqueça, por outro lado, que o dever de sigilo não só não é absoluto como se desdobra em duas dimensões: (i) primeira, ninguém é obrigado a revelar o seu voto, antes ou depois; (ii) segundo, nada na lei impede um eleitor de revelar em quem votou mesmo no próprio dia das eleições, desde que esteja a mais de 100 metros do edifício onde esteja localizada a assembleia de voto. É o que resulta em termos inequívocos no art.º 100.º da referida lei.
Parece-me, pois, que o princípio continua a ser o oposto, o da transparência. Ou deveria ser, que é aquele, estou certo, que a maioria dos residentes defende.
O problema está em que todo este processo, penso eu, está ainda condicionado por algumas mentalidades que, apesar de toda a sua abertura, voluntarismo e adequação ao segundo sistema, admitamos, foram formatadas numa cultura de opacidade, temor, subserviência a quem quer que mande e dite as ordens, com manifesta falta de flexibilidade na hora de encarar e resolver problemas quando estes se colocam.
O resultado acaba por ser transportado para decisões, com as quais não foram anteriormente confrontadas, que apenas se apoiam em argumentos de autoridade, sendo por isso reveladoras de insegurança e que, não raro, radicam no domínio do arbítrio. E quando são pedidas explicações muitas vezes refugiam-se no silêncio.
É sempre a aposta no grande salto em frente, com ou sem suporte legal. Se não houver norma atira-se qualquer coisa, invoca-se um princípio qualquer. Os residentes engolem tudo, pensam. E não há mais perguntas.
Seria interessante saber por que razão os votos julgados inicialmente nulos foram depois repescados para que se pudesse perceber qual o critério que esteve na base dessa decisão. Se houve critério, e acreditamos que sim.
Sem isso estar-se-á a abrir a porta, uma vez mais, a que amanhã, não a uma dezena e meia mas a milhares, votos nulos possam vir a ser considerados válidos por alta recriação do mandante e assentimento servil dos candidatos, mandatários e delegados das listas que assistem.
Note-se, ainda, que em 30 de Julho pp., na sequência da conferência de imprensa do dia anterior, os jornais referiam que a CAEAL dizia que não via qualquer sinal de uma elevada taxa de abstenção nas eleições que se aproximavam (vd. Macau Daily Times – CAEAL sees no signs of lower voter turnout for Sept. 14 election, p. 4 – e Ponto Final – CAEAL recebeu 18 queixas de propaganda eleitoral, p. 3). O resultado foi o que se viu.
Seria interessante, por isso mesmo, tanto mais que "há muitos factores", que ainda não foram esclarecidos, depois de todo o excelente trabalho realizado, da alteração das leis eleitorais, da exclusão de candidatos e de listas, para se garantir que Macau seria governada por patriotas e se reforçar o princípio "um país, dois sistemas", alguém responsável desse a cara e viesse justificar a terceira taxa de participação mais baixa de sempre (mesmo com a eliminação de 4500 eleitores dos cadernos eleitorais), assim como o elevadíssimo número de votos brancos e nulos.
Desta vez não havia pandemia, não havia mosquitos, os transportes eram à borla, houve imensa informação, criminalizou-se o apelo à abstenção e ao voto nulo e em branco, instaram-se as concessionárias e empresas a facilitarem a saída dos seus trabalhadores para votarem, apelou-se aos funcionários públicos, em suma, houve uma campanha como nunca antes se viu.
E no fim, num ambiente "justo, imparcial e íntegro", disso ninguém duvide, com um ambiente eleitoral melhorado e a participação incentivada, com mais oitenta câmaras de voto, quem ganhou o sufrágio directo foi a Nova Esperança e o José Pereira Coutinho. Não sei se era isto que esperavam, mas ao vencedor são devidos parabéns. E aos vencidos está reservada a glória.
Recorde-se que com a revisão da lei eleitoral se pretendia, de acordo com os termos da consulta pública, entre outros objectivos e melhorias, o "aperfeiçoamento do mecanismo de apreciação da qualificação dos candidatos a deputados da Assembleia Legislativa" e o "combate ao incitamento público ao acto de não votar, votar em branco ou nulo".
Perante este cenário, e com os resultados alcançados, é de perguntar o que falhou na participação? O que falhou na revisão das leis eleitorais? Por que razão aumentaram tantos os votos nulos e brancos? Não havia alternativas suficientes? A população não confiou nos candidatos aprovados e apresentados a concurso? Falhou o mecanismo de apreciação dos candidatos? Os qualificados não eram suficientemente bons? Os esclarecimentos da CAEAL aos eleitores foram insuficientes? Quais serão os próximos passos para melhorar a participação e reduzir os votos nulos e brancos? Prevêem-se novas alterações legislativas? Vão tornar o voto obrigatório? Vamos ter em futuras eleições um sistema de lista única sem possibilidade de uso de qualquer carimbo, caneta ou de recurso ao voto em branco, como se fez na Associação dos Advogados de Macau? E isso será "democrático"?
Durante os últimos meses não me pronunciei sobre estas questões. Aguardei para ver. É este o momento para voltar a pensar em voz alta. Sem tibiezas. Com a lealdade de sempre para com quem governa e os residentes. Com frontalidade. Sem enterrar a cabeça na areia, não fazendo de conta que nada aconteceu, sem folclore, porque aquela também não é a forma de se melhorar o que quer que seja na RAEM.
Dito isto, como residente, estudioso destas questões e cidadão interessado, gostaria de conhecer as explicações oficiais dos talentos que engendraram estas soluções. E ver quais as respostas para os problemas equacionados.
Para que todos possamos, em conjunto, continuar a aprofundar o princípio "um país, dois sistemas", com toda a transparência, até ao final do período de transição previsto na Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre o Futuro de Macau, assinada em 13 Abril de 1987, e depositada pela República Popular da China junto das Nações Unidas. Estamos todos no mesmo barco.