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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.


Terça-feira, 27.06.17

confiança

Um erro, um deslize, uma falha qualquer pessoa pode ter. Ainda que esse deslize venha de um ex-primeiro-ministro, vencedor das últimas eleições legislativas e, na actualidade, seja (ainda) o líder do maior partido da oposição. Só um cretino não tem falhas.

E é verdade que com o mesmo ar de cátedra compungida com que anunciou suicídios de fonte segura, esse homem veio depois pedir desculpa. Como se para uma pessoa na posição dele e com aquele estatuto essa fosse a coisa mais natural deste mundo.

Mas depois do que aconteceu, depois de o próprio candidato a presidente da câmara pelo PSD e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande ter confessado ser o "autor do crime" e de nada ter acontecido, o que se pergunta é que confiança os portugueses podem ter em quem assim actua? Que confiança se pode ter, amanhã, num presidente de câmara que transmite a um candidato a primeiro-ministro e líder do seu partido, como sendo de fonte fidedigna, a boateira dos compinchas, contribuindo para um indecoroso espectáculo de aproveitamento político de uma tragédia? E que confiança pode merecer um candidato a primeiro-ministro que recebe uma informação, susceptível de colocar em causa a dignidade do próprio Estado e a confiança nos agentes políticos e nas autoridades administrativas, e sem a confirmar vai a correr para as televisões divulgar a mentira aos quatro ventos? É assim que o PSD pretende ganhar a confiança dos portugueses? É assim, com um ouvido na vizinha, um olho no burro e a boca no megafone que se preparam para ser de novo governo?

Feliz o primeiro-ministro que tem um Passos Coelho a liderar a oposição. Pobres o país e o povo que não podem confiar na oposição que é feita a quem está no poder para  o escrutinarem. 

 

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por Sérgio de Almeida Correia

Segunda-feira, 29.08.16

indigestões

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Em 2013, num processo que levantou muitas incompreensões entre os seus militantes, Passos Coelho impôs a candidatura de Pedro Pinto à Câmara de Sintra, abrindo caminho à vitória de Basílio Horta.

Na sequência desse processo, em que foi recusado o nome (consensual para as estruturas locais) de Marco Almeida, e apesar deste ter na altura o apoio de oito presidentes de juntas de freguesia do PSD, vários militantes foram expulsos por se terem rebelado contra a decisão da direcção do partido e terem apoiado ou resolvido candidatar-se em listas, e não só em Sintra, contra o seu próprio partido. Outros houve que, entretanto, descontentes com a situação saíram pelo seu próprio pé evitando a expulsão automática prevista nos estatutos.

Volvidos estes anos, que não foram tantos como isso, depois do PSD e Pedro Pinto terem sido cilindrados em Sintra, perdendo Marco Almeida a Câmara para o PS por menos de dois mil votos, eis que surgem notícias dando conta de um mais do que provável apoio desse mesmo PSD, ainda e sempre dirigido por Passos Coelho, a uma recandidatura do referido Marco Almeida nas autárquicas de 2017.

Em 7 de Junho p.p., num texto de Cristina Figueiredo, o Expresso anunciava que o PSD estaria a considerar o "endosso" à candidatura de Marco Almeida (Sintra) e, eventualmente, à de Paulo Vistas, em Oeiras. E citava declarações do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, em que este dizia que o partido não iria limitar as suas opções desde que fossem coerentes com "o projecto".

Depois, em Julho, o Público avançava com a notícia do apoio do PSD, do CDS, do MPT e do movimento "Nós Cidadãos em Sintra" à candidatura de Marco Almeida.

Já este mês, no dia 3, o jornal OJE esclarecia que em Sintra, "apesar de nenhuma voz oficial o confirmar, o processo estará também encerrado do lado dos social-democratas", adiantando-se que "várias fontes confirmaram mesmo ao OJE que o acordo entre Marco Almeida e a cúpula do PSD já está fechado, faltando apenas acertar detalhes e nomes integrantes da lista a apresentar."

Na sexta-feira passada (26/08/2016, p. 6) foi a vez do Público informar que Marco Almeida, depois de já se ter reunido com outras forças políticas, entre as quais o PSD, recebeu por unanimidade o apoio da JSD para se candidatar à presidência da Câmara de Sintra.

É, pois, neste momento quase seguro, embora não se saiba muito bem qual "o projecto" autárquico do PSD, que Passos Coelho e a sua direcção se preparam para engolir não um mas várias famílias de sapos, das mais variadas espécies e proveniências, nas autárquicas de 2017, para evitarem uma humilhação política. Humilhação que após a gritaria, aliás inconsequente, para impedir o governo da dita "geringonça" passa agora por fazer um duplo mortal à retaguarda, ainda que para isso seja necessário participar na criação de novas "geringonças" que pragmaticamente garantam o acesso ao poder e o ganha-pão das suas clientelas.

Sabíamos, pelo passado recente, que a coerência não era um forte deste PSD de Passos Coelho. Quanto a esse ponto não há nada de novo. Contudo, seria interessante desde já saber até onde irão o perdão e o acto de contrição e se, por hipótese, Marco Almeida resolver incluir na sua lista alguns dos que foram antes expulsos, convidando de novo, por exemplo, António Capucho, o histórico ex-militante e fundador do PSD, para encabeçar a lista para a Assembleia Municipal de Sintra, se ainda assim o PSD o apoiará. Ou, quem sabe, se o nome desse e de outros ex-militantes, como é agora o de Marco Almeida, que saiu do partido e encabeçou uma lista contra Pedro Pinto, é também negociável em nome do tal "projecto".

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por Sérgio de Almeida Correia

Domingo, 14.02.16

anedotário

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Ter um primeiro-ministro acompanhado por um presidente de câmara e da respectiva vereação a inaugurar, em pleno no século XXI, uma escola com capacidade para pouco mais de trezentos alunos do ensino pré-primário e primário não devia ser motivo de notícia, a não ser pelo ridículo que daí pudesse resultar.  

Agora, ter um ex-primeiro ministro, líder da oposição, a inaugurar em Fevereiro de 2016 essa mesma escola que, por acaso, entrou em funcionamento no ano 2013/2014, além de ridículo é sinal de uma cultura provinciana e clientelar de tal forma aberrante que dir-se-ia ter a escola sido paga com as contribuições dos militantes do partido a que preside, e não com o dinheiro dos contribuintes portugueses. 

E não, não se trata de uma escola numa região remota da Sicília ou da Calábria. É em Lordelo, concelho de Paredes, e espera-se que não falte a banda da terra e o padre da paróquia. A cena é de tal forma surrealista que é anunciada na página oficial do PSD. E também não consta que alguém se tenha rido.

 

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por Sérgio de Almeida Correia

Quarta-feira, 18.11.15

pântano

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De um sabemos da forma como se "licenciou", da sua função agilizadora nos "negócios" e do modo como se foi embora, numa espécie de reedição da saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado, quase que a pontapé. Do outro fica-se agora a aguardar o julgamento.

E registo o que a senhora procuradora, que não é anónima mas que mostra, coisa rara em Portugal, ter tomates, e contra quem certamente se iniciará agora mais uma campanha de desacreditação, escreveu na acusação sobre o arguido Miguel Macedo: "o muito grave e acentuado desrespeito pelos deveres funcionais e pelos padrões ético-profissionais de conduta, evidenciando total falta de competência e honorabilidade profissionais” e a "incompatibilidade absoluta" com a manutenção de qualquer cargo público que pressuponha "zelo, isenção e lealdade".

Mais forte era difícil para a santíssima trindade abençoada por Cavaco Silva e à qual o líder do CDS-PP deu o aval. 

Confesso que não alcanço o que leva tanta gente da nossa classe política, à direita e à esquerda, a agir desta forma, prestando-se a este tipo de situações (confusões?) no exercício de cargos públicos, onde a simples estupidez se confunde com a má formação ética e política, deitando-se tudo a perder: o nome, a carreira (ainda que construída à sombra da politiquice), a reputação.

Dos crimes poderá vir a ser absolvido, do juízo de censura é que não se livra. Ele e quem o meteu lá. Com bananas ou sem bananas, de avental ou em pelota.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 10.09.15

diferenças

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"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

 

O que Vasco Pulido Valente escreveu há quase um ano está actualíssimo depois do debate de ontem. Os comentadores e analistas já decidiram quem ganhou o debate e porquê. Aos pontos ou por "K.O." para o caso é irrelevante, porque a decisão final será tomada em 4 de Outubro pelos que se predispuserem a ir às urnas. Sobre essa estatística não me pronuncio.

Notarei, no entanto, que pela primeira vez se viu uma diferença abissal entre Passos Coelho e António Costa. Refiro-me ao estilo, à  abordagem das questões, na substância e na forma, em especial na clareza. Miguel Relvas dizia depois do debate que Passos Coelho tinha de ser mais agressivo e esta leitura já diz quase tudo. Agressivo? Em quê? Como? Era preciso que Passos Coelho tivesse argumentos.

Da ausência destes resultou a forma como se foi esfarelando sem glória ao longo do debate, o modo como se esgueirava às questões (aliás, habitual nele), querendo a todo o tempo repescar um passado que não contou com António Costa na proa para a sua triste caminhada para o abismo, trocando e rectificando os milhões - cinco milhões eram afinal cinco mil milhões e meio, confusões normais mas que antes serviram para se gozar com Guterres e Centeno -, com Judite de Sousa a insistir para que respondesse, uma, duas vezes, ele dizendo que a resposta era simples mas sem a dar, levando forte e feio por causa das despesas de 2015 continuarem no mesmo nível de 2011, encaixando o crescimento da dívida e a queda do crescimento, completamente aos papéis na acusação de que deixou o país mais endividado do que encontrou e fazendo como seu trunfo o cumprimento de um programa de ajustamento que qualquer outro governo na mesma situação teria cumprido, tal como outros antes dele também cumpriram. Com gráficos ou sem gráficos, na retórica de Passos - sem programa e sem contas, como Costa bem sublinhou - só cabia o discurso gasto, passista e passadista. E é evidente que Costa não poderia deixar passar em branco as suas vitórias eleitorais em Lisboa - é sempre aborrecido recordá-las - ou o programa de incentivos ao retorno para jovens emigrantes, verdadeiro número de ilusionismo político, digno de uma feira para parolos, destinado a abranger 20 pessoas num país que só em 2012 e 2013 viu sair mais de 200.000 pessoas

O erro de Passos Coelho e de quem o aconselhou foi o de pensar que tinha à sua frente para o debate mais um produto formatado numa jotinha, alguém do tipo "Sócrates". Alguém a quem, com a sua verve e a experiência entretanto adquirida, seria fácil cilindrar com meia dúzia de patacoadas e o agitar dos fantasmas do passado. Enganou-se. António Costa é politicamente também o produto de uma jota, mas tem claramente a seu favor muito mais do que isso. Aquilo que Sócrates não tinha, e Passos Coelho também não tem, nem nunca terá, é a consistência curricular, académica e profissional. O que cavou o abismo foi a diferença entre ter uma escola, um passado e uma carreira que são conhecidos de todos, e não ter nada. Foi também a diferença entre depender de si ou depender de uma jota, dos padrinhos no partido, do subsídio de reintegração ou dos amigos para sobreviver, ir enchendo chouriços e se manter à tona da água até chegar a sua hora. Encostado às cordas por Miguel Macedo e a trapalhada dos "vistos gold", a Passos Coelho faltou claramente a muleta de Paulo Portas. Está tudo explicado.  

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por Sérgio de Almeida Correia

Domingo, 16.08.15

némesis

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(Global Imagens)

Só em quatro de Outubro é que a deusa se manifestará, dando a uns o que merecem e castigando os que tiraram partido da fortuna para se arruinarem e arruinarem os seus. Assim que passe o Verão estaremos lá. Nessa altura se saberá qual a medida da punição, que a acreditar nos sinais não serão benevolentes.

Aceitar a integração do CDS/PP nas listas do PSD foi uma decisão politicamente acertada e susceptível de acautelar perdas eleitorais substanciais com inequívoco reflexo no número de deputados do CDS na composição da próxima Assembleia da República. Fazer figura de Heloísa Apolónia e ir abrilhantar a festa do Pontal, como se o CDS/PP fosse uma espécie de Verdes alaranjados, é que não me pareceu uma decisão inteligente. Com o Pontal deste ano só houve uma pessoa a ganhar: Ribeiro e Castro.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quarta-feira, 05.08.15

clone

Como clone do chefe não está mal. Bruno Maçães não responde ao que lhe é perguntado e quando não lhe convém desliga. Só lhe interessa a propaganda sem contraditório. É para isso que lhe pagam. Sim, de facto só na perspectiva de um projecto satírico é que esta malta faz sentido. Phillippe Legrain ainda demorou alguns tweets a perceber. Para topá-los à légua, só pelo cheiro, só mesmo Pacheco Pereira.

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por Sérgio de Almeida Correia

Terça-feira, 21.04.15

promiscuidades

"Mas o que sobressai são as aplicações financeiras que António Varela, que tem uma larga carreira no sector financeiro e foi indicado pela ministra das Finanças para o cargo que actualmente exerce, possui em diferentes bancos. De acordo com o documento, que, como manda a lei, chegou ao Palácio Ratton após a nomeação, o gestor detém 1357 acções do Santander e uma acção do BCP, além de títulos de outras cotadas portuguesas, como a Mota- Engil e a Portugal Telecom. E é ainda dono “de metade”, como o próprio refere, de outras 506.261 acções do BCP, de 37.824 do suíço UBS, de 1253 do Santander Central Hispano, de 110 do Deutsche Bank e de 25 acções preferenciais do Banif (com o valor nominal de 1000 euros).

O portefólio de investimentos do administrador do Banco de Portugal abrange ainda obrigações (dívida) de diferentes entidades, incluindo uma do Santander US, com um valor de 100 mil euros, duas do BCP (avaliadas em 50 mil euros cada), uma do BBVA no mesmo montante e ainda 50 do Banif (a 1000 euros cada). António Varela também é detentor de obrigações de outras empresas, como a EDP ou a Telefónica, tendo investido igualmente em dívida grega.

A carteira declarada ao Tribunal Constitucional estende-se ainda a participações em diversos fundos de investimento, alguns dos quais rela- cionados com a evolução de títulos da banca, de divisas ou de dívidas soberanas. (...)" - Público, 21/04/2015, p. 18

 

Como é possível transmitir uma imagem de seriedade e confiança aos portugueses - já nem falo em garantir a isenção e a independência de actuação e decisão - quando se nomeia para regular quem tem interesses naquilo que regula?

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por Sérgio de Almeida Correia

Domingo, 19.04.15

remake

O que se passou em Espanha com um Rato passou-se em Portugal com um Coelho. Desconheço se o facto de serem ambos roedores, comungarem do mesmo credo, e cada um à sua maneira fugir às obrigações cujo cumprimento exigia aos outros, e que eles não cumpriam, os torna gémeos. Mas lá que são muito parecidos, até no discurso, lá isso são.

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por Sérgio de Almeida Correia

Sábado, 18.04.15

apesar

Apesar de ser um badameco é primeiro-ministro

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 16.04.15

maquiavel

Há quatro anos que governa com uns arremedos de oposição. O parceiro de coligação segue pela trela, tosquiado e em classe económica, vertendo uns esguichos quando se abeira da sua perna. O Parlamento é uma espécie de secretaria-geral do Governo comandada pelos jotinhas dos shots. O Conselho de Ministros funciona como um economato para chancelar os formulários que os fiéis lhes apresentam para aquisição de sabonetes e desodorizantes. E em Belém os inquilinos estão tão excitados a fazer caixotes e a mostrar as instalações aos que vão respondendo aos escritos nas janelas que ainda nem se deram conta de que o discurso do 25 de Abril terá de ser todo reformulado para não parecer um guião escrito pelo Filipe La Féria e a Katia Guerreiro.
Com o leite-creme cheio de grumos e colado ao fundo do tacho qualquer pessoa vê que o cozinheiro foi o menos responsável. As baratas que vinham nos cestos que os ajudantes foram buscar à bagageira do carro, com os ovos chineses, é que tiraram todas as hipótese de um tipo se poder concentrar. Não há nada como ver o mar de um forte no Estoril enquanto a governanta trata do leite-creme.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 26.03.15

cábulas

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma "minimização" de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.

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por Sérgio de Almeida Correia

Domingo, 15.03.15

hipocrisia

farófias passos coelho.jpg

Hipocrisia é um tipo andar a mostrar casa e a sua vida familiar nas revistas sociais, colaborando com esse tipo de reportagens para se promover, apresentando a mulher, as filhas, as cadelas e as farófias, como se não houvesse intimidade nem vida privada para poder ganhar votos, transformando em público o que deve ser por natureza discreto, para depois querer tratar como assunto privado o escrutínio público dos seus rendimentos e o pagamento das suas contribuições e impostos para com a sociedade. Como se não fosse primeiro-ministro. Como se isso fosse mais privado do que saber das farófias.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quarta-feira, 11.03.15

insuspeito

Desde que tomou posições favoráveis aos cortes efectuados pelo Governo, defendeu a constitucionalidade do orçamento e criticou o Syriza, tem sido muito citado pelas hostes passistas. Até um vice-presidente do PSD o referiu para atacar a oposição; sem esquecer aquele senhor que faz declarações sobre o sorriso das vacas à hora dos noticiários e que agora anda preocupado com as qualificações que ele próprio não tem mas que gostaria que o seu sucessor tivesse. Como desta vez o cavalheiro desanca forte e feio nos esquecimentos contributivos do primeiro-ministro, creio ser altura de voltarem a citá-lo. De preferência no Povo Livre. Como dizia há dias um conhecido autarca laranja numa rede social, o professor é "insuspeito". Espero que não seja só quando lhes convém e, também, que lá mais para o Verão o convidem para a Festa do Pontal. 

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por Sérgio de Almeida Correia

Segunda-feira, 02.03.15

ignaro

É o mínimo que se pode pensar de um político profissional, que foi também deputado e administrador de empresas, quando apanhado em falta com o cumprimento de obrigações impostas a qualquer cidadão e empresa, se atreve a dizer, para além de que "não tinha consciência da obrigação para pagar essa dívida desse período", que "estava convencido de que, na época, era opção". Pagar, entenda-se.

E foi assim durante cinco anos, até depois da prescrição, indo depois pagar quando confrontado com o facto por um jornalista.

Os ignaros e os chicos-espertos causam-me asco. À esquerda ou à direita.

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por Sérgio de Almeida Correia

Sábado, 28.02.15

desconfiança

Um tipo que se abalança a ser líder de um dos principais partidos políticos portugueses e primeiro-ministro com um lastro de esquecimentos, inclusivamente ignorando a lei que o obrigava a descontar para a Segurança Social, durante cinco anos (não foram cinco meses), que  tem a latosa de dizer que nunca foi notificado para pagar o que devia, cuja dívida prescreveu cinco anos depois, e ainda arrisca dizer que as críticas que lhe são feitas são especulações infundadas, ou é um tipo muito mal formado ou um cretino.

Em qualquer caso, a única coisa que merece é que os seus concidadãos, que sempre descontaram e pagaram, alguns com dificuldades por terem rendimentos exíguos, lhe manifestem a sua desconfiança. E em democracia só há uma maneira de fazê-lo: censurando-o nas urnas.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 20.11.14

república

Dauphin-4.jpgEm tempos, a portuguesa, teve um diário. Prestava um serviço aceitável, apesar de nunca ser o desejado. Depois, chegou o Governo de Passos Coelho e resolveu reformá-lo. Hoje não chega a ser a sombra do que era, tão mau é o serviço. Razão tem José Manuel Meirim. O outro queria que lhe devolvessem a Alexandra Lencastre, a original. Eu não vou tão longe, sou mais modesto. Bastava que me devolvessem o Diário da República, o que funcionou razoavelmente bem até se meterem a fazer reformas. Pior do que esta coisa que fizeram ao DR só mesmo a reforma do Citius. Mais um desastre.

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 09.10.14

facturas

fe0336f1-e299.jpg(a foto pertence ao Expresso e foi tirada daqui)

Gente séria tê-lo-ia admitido desde o princípio, tal como muitos atempadamente alertaram. 

É mais um "tecno-embrulho" que, de novo, não constava do pacote testamentário recebido dos antecessores. E volto a dizer que não estou a discutir a bondade da solução encontrada, nem se é melhor ou pior que a do BPN, apesar de sem rebuço admitir que em princípio será menos má. 

Em causa está, porque é isso que me preocupa no padrão comportamental dos dirigentes políticos, a actuação política em concreto de quem decidiu e as declarações que a suportaram, destinadas a atirar areia para os olhos dos contribuintes.

Se pode ser estabelecido um paralelo entre este caso e o BPN, para lá da inenarrável actuação do supervisor, ele encontrar-se-á na forma como em ambos os casos se assumiram riscos iludindo a opinião pública sobre os custos inerentes. Sem frontalidade, sem transparência, fazendo dos outros tolos. A começar pelo Presidente da República.

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por Sérgio de Almeida Correia

Segunda-feira, 04.08.14

oásis

 

Passos Coelho tinha dito que o Estado não seria obrigado a salvar o BES. Que não haveria dinheiro dos contribuintes lá metido, que seriam os privados a arcar com os prejuízos. Concluí, ingenuamente, que seriam os "capitalistas" a resolver o problema. Mas o que se vê, ao contrário do que foi afirmado e da mensagem que o governador Carlos Costa quis passar, é que estamos perante uma nacionalização encapotada do BES. Ainda que temporária será paga com o dinheiro que não saiu do bolso dos seus accionistas, que não saiu do bolso dos privados e cujos custos serão pagos, uma vez mais, pouco ou muito, com juros ou sem juros, por todos.

Já sei que muitos dirão que o dinheiro do Fundo de Resolução não é dos contribuintes - a CGD já foi privatizada? -, que o que não vem de lá veio da troika, e outras falácias de igual quilate que servirão para enganar o povinho enquanto o primeiro-ministro vai a banhos no Algarve, o Presidente da República - que sabe sempre tudo e avisa sobre tudo e mais alguma coisa a tempo e horas e nunca fala quando deve falar -, está mudo e calado, e a ministra das Finanças desapareceu em combate.

Os incómodos ficarão para o Banco de Portugal - este também ainda é público, penso eu - e o seu actual governador. Afinal o mesmo que desde Setembro de 2013, apesar de já ter ideia do que se passava, acreditou durante quase um ano que aquela corja que permitiu que se andasse a gozar com o dinheiro que os depositantes lhe confiaram se podia manter em funções, situação que só terminou in extremis há bem pouco tempo. E foi preciso para tal ver os esqueletos começarem a fugir dos armários onde se iam desconjuntando, ao mesmo tempo que se estatelavam desamparados à nossa frente assim que a porta se entreabria. De repente, eram tarsos e metatarsos para um lado, fémures caindo por outro, rótulas e tíbias deslizando soalho fora. Só então o Banco de Portugal se apercebeu que aquele ia ser mais um buraco sem fundo.

O BES, que respirava saúde, a tal instituição financeira sólida de que o primeiro-ministro e o Presidente da República falavam, liderado por e ligado a gente que abominava o Estado e a intervenção deste na economia, enquanto engordavam engravatados porquinhos cor-de-rosa que aproveitavam todas as oportunidades para se queixarem da falta de liberalização da economia e viam qualquer intervenção do poder político na sua coutada como uma ofensa de lesa-pátria, acabam a ter de ser salvos, ao soar do gongo, por esse mesmo Estado.

Todos esses quadros muitíssimo competentes que passaram por algumas das, agora sinistras, organizações desse universo de que o BES fazia parte e que  estão a contas com a justiça (sujeitando-se à intervenção pública dentro e fora de portas, como é normal entre arautos do neoliberalismo de pacotilha), entretanto alcandorados ao exercício desses lugares de serviço público onde se "perde dinheiro", de repente desapareceram todos. Evaporaram-se. Não há agora um desses merceeiros ricos, dos que convivia com os senhores do BES e da Goldman Sachs e se passeavam por Nova Iorque, que apareça para dar cara pelos amigos ou, pelo menos, para vociferar na televisão pública contra esta intervenção. Não há um que se chegue à frente e diga ao Banco de Portugal para ficar quieto porque já reuniram, entre eles evidentemente, os fundos necessários para acudirem à situação e safarem os seus depositantes. A matilha desapareceu. E quando um ou outro é apanhado numa esquina e lhe põem um microfone junto às beiças já não vociferam. Deixaram de falar mal do Estado e limitam-se a lamentar a sorte dos compinchas. Dos tesos ricos.

Esta é a incontornável verdade que a muitos dói, em especial a todos aqueles que sempre acharam excessivo o que o Estado gastava com a saúde e com a escola dos portugueses. Os que queriam tudo privatizado, até um bem tão essencial como a água, ao mesmo tempo que escondiam milhões na Suíça e em paraísos fiscais de além-mar aproveitando para promoverem a construção de hospitais privados e apoiarem as iniciativas das escolas privadas que os ajudariam a progredir ainda mais nos negócios, contando que o Estado lhes financiasse o negócio para atenderem os seus próprios contribuintes.

Sim, porque em causa nunca esteve qualquer reforma do Estado, qualquer melhoria das qualidade dos serviços que este prestasse, a procura de uma relação equilibrada entre o custo e o benefício para uma maior eficiência. Em causa esteve sempre, esse foi o objectivo desde a primeira hora, o desmantelamento do Estado para benefício de meia dúzia de figurões que sempre dependeram da teta do Estado, das PPP's e de mais umas quantas aberrações que inventaram para prosperarem com dinheiros públicos nos seus negócios privados, se necessário fosse abusando da confiança de terceiros, colocando a máquina do Estado ao serviço dos seus interesses particulares. É para isso que na sua perspectiva serve o Estado. 

E eu, que não sou, nem nunca fui, apologista da presença do Estado em áreas onde não deva estar e que admito a sua presença nalguns sectores em sã concorrência e sem favores com os privados, vejo o El Pais escrever que "aunque el Banco de Portugal no pronuncie la palabra, es una nacionalización en toda regla".

De igual modo, o USA Today diz-me que é Portugal, leia-se o Estado, quem saiu em auxílio do BES e que "the Bank of Portugal was spurred to action after it realized that using public funds seemed to be the most viable solution". O New York Times, que deve ser uma espécie de Acção Socialista do camarada Obama, esclarece que "the Portuguese government will provide most of the money for the rescue in the form of a loan", e o Estado de Minas, via France Press, esclarece os seus leitores que "4,4 bilhões serão retirados do envelope de 12 bilhões destinado à recapitalização dos bancos no âmbito do plano de resgate de Portugal". E a insuspeita Bloomberg escreve que "Banco Espirito Santo has been forced to take public money after regulators uncovered potential losses on loans to other companies tied to Portugal’s Espirito Santo family and ordered the lender to raise capital". Até o Figaro escreve que "Le gouvernement a, semble-t-il, hésité à puiser dans l'enveloppe de 12 milliards d'euros réservée aux banques dans le cadre du plan de sauvetage du Portugal. Mais aujourd'hui, avec les 6,4 milliards d'euros qui lui restent à disposition, il était le seul à pouvoir renflouer l'établissement dans les plus brefs délais".

Perante isto, com a imagem externa que esta operação tem, bem podem dizer aos portugueses que a solução encontrada não é uma nacionalização. Por mim até lhe podem chamar Euromilhões. Ou Ajuda de Berço. Ou Banco Alimentar. Ninguém acreditará. Nem mesmo a chanceler Merkel, a tal que disse acreditar no PEC IV. Lá fora ninguém acreditará numa só palavra do que digam sem ver as contas finais.

E quanto aos portugueses, estão tão fartos de aldrabões que até quando aparece alguém sério desconfiam. Eu também.

 

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por Sérgio de Almeida Correia

Quinta-feira, 19.06.14

ancoradouro

Colocadas as coisas em termos tão claros e lisonjeiros, apesar de tudo, para quem promoveu tamanho aborto, assinale-se que a resposta desta vez veio sem votos de vencido. Depois de tudo o que as criaturas disseram, acaba por ser saudável que tudo acabe assim. Em bem. O Tribunal Constitucional no lugar que lhe compete. O primeiro-ministro à procura de vaga na universidade de Verão. Oxalá consiga.

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por Sérgio de Almeida Correia




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