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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Quinta-feira, 30.04.15

negócio

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(Foto José Coelho, Lusa) 

 Já aqui tinha assinalado as razões pelas quais me parecia oportuna a reedição da coligação PSD/CDS-PP para as legislativas do Outono. Aproveitando a aprovação pelo Conselho Nacional do CDS-PP do acordo entre Passos Coelho e Paulo Portas, hoje registo a forma inteligente como o CDS-PP se "integrou" nessa coligação.

De acordo com o que foi conhecido, os termos desse acordo e a formação das listas respeitarão os resultados das legislativas de 2011. Em princípio, atendendo ao desgaste de quatro anos de Governo, às muitas decisões polémicas, ao número de casos obscuros - alguns em investigação, outros a iniciarem esse caminho -, às brechas no relacionamento entre os dois partidos e à diferença de discursos, seria pouco previsível que houvesse coligação. Mas o que é facto é que há e vai continuar a haver coligação. 

À partida, os resultados de 2011 para a elaboração das listas e inclusão de candidatos de cada um desses partidos favorecerá mais o CDS-PP do que o PSD. Porquê? Porque com a apetência do método de Hondt para favorecer os maiores partidos, se os partidos concorressem  isolados uma quebra da votação teria efeitos mais gravosos para o CDS-PP, em termos de deputados eleitos, do que teria para o PSD. Mas, por outro lado, também seria admissível que a verificar-se uma queda eleitoral dos partidos da coligação - ainda por provar -, essa queda seria mais pronunciada para o PSD, que liderou o Governo, do que para o CDS-PP. Para já, o PSD parte com 108 mandatos e o CDS-PP com 24, ou seja, a coligação parte com 132 deputados.   

Porém, aquele que para mim é o facto mais relevante é verificar que o CDS-PP desvaloriza a circunstância de não ter havido qualquer acordo em relação aos cabeças de lista. No PSD deve haver muita gente a esfregar as mãos. No CDS-PP talvez não tantos, pois seria natural que nalguns círculos, como por exemplo em Aveiro, aparecesse o próprio Paulo Portas a encabeçar a lista. Ao recusar o tal braço-de-ferro com o PSD por causa dos cabeças de lista, o líder do CDS-PP protege-se, ao mesmo tempo que protege o seu próprio partido.

O cumprimento do programa de ajustamento, ainda que indo muito para além da troika e com resultados péssimos ao nível do défice, da procura interna, do desemprego, da qualidade de vida dos portugueses, bem ou mal foi levado até ao fim. Se o CDS-PP se pode "orgulhar" disto não poderá, certamente, contornar as consequências desse cumprimento para o seu próprio eleitorado. Pelo menos para aquele que reclama representar: reformados e pensionistas, jovens, quadros técnicos da classe média, pequenos investidores bolsistas, pequenos aforradores, pequenos e médios empresários. Foram estes os que mais sofreram com o cumprimento do programa de ajustamento e com o desvario fiscal, aqueles que mais sentiram nos bolsos o descontrolo das contas públicas e a incapacidade do Governo para fazer os ajustamentos na máquina do Estado e da Administração Pública que impedissem a limpeza que fizeram às carteiras dos contribuintes. Estes, ao mesmo tempo que viam os seus rendimentos e parcas poupanças (os que as tinham) desaparecer, assistiam à forma complacente como "o partido dos contribuintes" assimilava os cortes nas reformas e as taxas e "taxinhas" extraordinárias em matéria de IRS, e assistiam ao crescimento da despesa do Estado.

Um mau resultado da coligação PSD/CDS-PP será sempre um mau resultado de quem liderou o Governo, e não uma consequência do desempenho mais ou menos infeliz dos ministros do CDS-PP. Levar em conta os resultados de 2011, por este prisma, como parâmetro seguido para a elaboração das futuras listas dos candidatos a deputados, foi um bom negócio para Paulo Portas. E um bom negócio será se houver um bom resultado eleitoral da coligação. Porque neste caso esse bom resultado só acontecerá, di-lo-á Paulo Portas no rescaldo, "porque o CDS-PP se manteve fiel aos seu princípios, dando o seu aval à coligação, conferindo-lhe o apoio necessário para que este resultado, de que o CDS-PP se orgulha, fosse possível". 

Habituado como está a percorrer tudo o que é feira e mercado e a assistir ao regateio dos preços, Paulo Portas percebeu que este não é o momento de fazer exigências. No final se verá se foi um bom negócio para os seus eleitores ou se só o foi para o homem dos chouriços.

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por Sérgio de Almeida Correia




1 comentário

De João Carlos Reis a 01.05.2015 às 01:57

Prezado Sérgio,
votar nesta coligação ou em qualquer dos partidos que tem assento parlamentar é o mesmo que dizer que se quer que tudo continue no mesmo marasmo. É que (e não me orgulho absolutamente nada do que vou escrever, bem antes pelo contrário, pois o meu desejo é que invertamos o estado a que chegámos...) infelizmente a escumalha que nos tem governado desde o 25 de Abril de 1974 tem sido oriunda dum qualquer destes partidos que têm assento "paralamentar" e que nos levaram ao estado a que chegámos... Posto isto, o meu apelo é o seguinte: façam como eu: votem em partidos que não tenham assento parlamentar...
Também a dado passo escreve que "incapacidade do Governo para fazer os ajustamentos na máquina do Estado e da Administração Pública"... não sei exactamente a que se refere, mas um coisa é certa: a máquina do Estado e a Administração Pública não têm funcionários a mais, bem antes pelo contrário. Poder-me-ão dizer que estão mal distribuídos e/ou mal preparados... concordo total e completamente... Mas agora também se os quiserem despedir, estejam à vontade, mas isso não melhoraria muito as contas do país, pois não se podem despedir todos os funcionários... depois não se queixem...
O que efectivamente o país precisa não é de despedir funcionários a máquina do Estado e da Administração Pública, mas sim de desenvolvimento da economia do país de modo a gerar riqueza para poder sustentar o estado social e as demais funções administrativas, nomeadamente no ensino e na saúde de modo a proporcionar melhores condições de vida aos nossos compatriotas. Pois... mas isso de criar políticas de desenvolvimento económico exige trabalho e raciocínio, algo a que infelizmente os nossos governantes não estão habituados, sendo muito mais fácil, dado que não exige raciocínio nem é preciso ser inteligente, reduzir nos salários e despedir pessoas do que fazer o país ficar mais rico e com melhores condições de vida para os seus cidadãos...

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