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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Quinta-feira, 17.08.17

marcello

"Julgo que todas as vidas são falhadas, mesmo aquelas que aparentemente foram conseguidas. Não falo dos domínios profissionais, mas do nosso foro íntimo, através das afetividades, dos encontros ou desencontros, das nossas ações, da diferença entre o sonho e a verdade, entre ambição e realidade... Somos todos uns falhados, uns mais do que outros, uns conseguem esconder isso melhor. Há no fundo de todos nós um recheio de obsessões íntimas e a vida é uma tentativa de nos resgatarmos dessas obsessões e dessa sensação de fracasso."

"Agora, vou ver se publico um livro sobre o meu pai. Estou entretido nesta ocupação, além disso, sou muito pessimista. Estou sempre convencido de que tenho uma espada sobre a cabeça... Tive três cancros e, portanto, estou à espera do último. O próximo vai ser definitivo, creio, e vivo um pouco com essa mania do que me irá acontecer."

"A meu ver, o país vive doentiamente ligado ao futebol, existe uma omnipresença desse desporto entre nós. Também vivi na Bélgica, em França, no Brasil e na Argentina, e em nenhum destes quatro países onde o futebol é importantíssimo tem esta dimensão na sociedade. Até as tradições são esquecidas à conta do futebol."

 

Da entrevista ao DN de Marcello Duarte Mathias, um autor que muito aprecio e ao qual recorrentemente volto, respigo estas três tiradas.

Admiro nele a escrita, mas mais este modo simples e directo de estar na vida. Na Abuxarda. Ele é um dos poucos que ainda sabe olhar para nós, portugueses, com os olhos de quem os estima e os ama sem com isso perder a razão e a distância necessária para ver com olhos de ver. Vejo nisso uma continuação do serviço público que durante décadas nos prestou. E que continua a prestar.

Não sei porquê, mas a serenidade que me transmite de cada vez que o leio ou ouço ajuda-me a reecontrar a medida das coisas. O mundo.

Quem sabe se um dia não tomaremos um café.

 

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por Sérgio de Almeida Correia





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