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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Quinta-feira, 21.08.14

jagunçada

(Coronel imortalizado por Jorge Amado que espera poder votar nas primárias do PS)

 

Uma candidata às eleições da Federação Distrital de Braga, apoiada por António José Seguro, escreveu ao JN repudiando declarações publicadas neste jornal que lhe foram atribuídas, esclarecendo que nunca as proferiu. Em causa estavam as afirmações, entre aspas, de que o pagamento de quotas de militantes já falecidos por familiares seria "normal" e de que tal pagamento constituiria uma "espécie de homenagem" aos mortos. Até prova em contrário darei crédito ao desmentido de Maria José Gonçalves.

Só que, entretanto, leio que Álvaro Beleza, outro "segurista" que há um ano considerava as primárias inoportunas e que este ano, devido ao repto de António Costa, rapidamente mudou de ideias, enaltecendo um processo preparado em cima do joelho que só tem servido para o achincalhamento público do maior partido da oposição, veio pedir que o pagamento de quotas deixe de ser obrigatório. Não sei se o objectivo será acabar de vez com a militância, colocando os militantes ao nível dos simpatizantes, americanizando os partidos portugueses, ou se será apenas mais uma tirada de ocasião. De qualquer modo, Beleza, de acordo com o DN, denunciou a existência no partido de um "sistema de jagunços" que funciona "como o nordeste brasileiro no tempo dos coronéis". Apontou o dedo a Mesquita Machado que "ganhou com certeza muitas eleições internas a pagar quotas dos outros". 

Como a procissão ainda vai no adro, surge agora Miguel Laranjeiro, a desvalorizar o pagamento de quotas por terceiros, ao mesmo tempo que recusa mostrar os comprovativos dos pagamentos feitos por estes porque, imagine-se, em causa estaria o "sigilo bancário". De caminho, lá por Coimbra, está o caos instalado, aguardando-se o resultado de uma providência cautelar.

Álvaro Beleza, "com certeza", para falar como fala sabe o que está a dizer. E, se assim é, as declarações de Miguel Laranjeiro até serão normais.

Tenho pena, de facto, que a invocação do sigilo bancário sirva, neste caso, para proteger jagunços. Porque para quem apregoa a transparência, a ética e outras coisas que às vezes dão jeito, o primeiro passo seria a denúncia dos jagunços que pagaram as quotas dos falecidos e de, pelo menos, mais vinte militantes. A primeira coisa que um líder sério, cujo poder é posto em causa por um "sistema de jagunços", deveria fazer seria esclarecer essas situações e promover a instauração de processos disciplinares, visando a expulsão de quem pagou as quotas dos falecidos e dos terceiros que, ainda vivos e com voz, se queixaram. Porque é essa jagunçada que descredibiliza a política e os partidos.

Invocar procedimentos incorrectos de ontem - por parte de quem até ajudou Seguro a chegar onde está - para justificar as golpadas de hoje, desvalorizando-as, só prova, afinal, uma coisa: que o sigilo bancário protege os jagunços. E também que as eleições para as federações e as primárias do PS são pouco transparentes e controladas por quem invoca o sigilo bancário para proteger a jagunçada de que fala Álvaro Beleza. Prova de que quanto aos métodos em nada se distinguem de quem noutros partidos usou dos mesmos para chegar à cadeira do poder.

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por Sérgio de Almeida Correia





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