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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Sexta-feira, 24.01.14

foguetório

Penso que não haverá ninguém, salvo um ou outro mal intencionado, que não fique satisfeito com o facto de Portugal cumprir as suas obrigações internacionais. A drª. Manuela Ferreira Leite, como muitos outros entre os quais me incluo, tem dúvidas que o caminho prosseguido tivesse sido o mais aconselhado, questionando mesmo se as medidas tomadas não terão sido excessivas. Todos sabemos qual foi a dimensão dos sacrifícios pedidos aos portugueses. Os resultados provisórios temo-los agora. Até aí tudo bem. Não vale a pena entrar na discussão dos números sem as contas finais. O que está feito, feito ficou. A mim quer-me parecer é que o foguetório é excessivo. Muito.

Chegar ao resultado do défice a que se chegou (5%) depois de uma revisão dos objectivos iniciais, à custa de um agravamento substancial dos impostos, com recurso a despedimentos e cortes substanciais nas reformas e prestações sociais, com a economia depauperada e custos que ainda estão por avaliar, quer sociais, quer na qualidade dos serviços prestados em áreas fundamentais da intervenção do Estado como a Saúde, a Educação ou a Justiça, e, ademais, com a agravante de ainda se ter feito recurso ao "saco" das privatizações, não me parece que seja motivo bastante para a festa que por lá já se faz nas hostes governamentais.

Chegar ao fim de uma etapa do Tour de France em último lugar, depois de ser empurrado pelos espectadores, fazendo a maior parte do percurso agarrado aos carros de assistência e ainda assim completamente exaurido, sabendo que ainda se tem de enfrentar o Col du Tourmalet, não devia ser motivo de orgulho.

O mal daquele País, de todos nós, é que os resultados mais insignificantes são vistos como gloriosas epopeias. O que devia ser motivo de reflexão é motivo de orgulho, razão para mais uma festa e, se possível, uma troca de galhardetes. Não há meio termo. Não há seriedade.

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por Sérgio de Almeida Correia





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