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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Terça-feira, 10.02.15

estroina

Ele pode ser o melhor do mundo, ser insuperável na sua arte, ser um prodígio de força, de técnica e de classe. Mas três bolas de ouro depois, e já condecorado por Cavaco Silva, começa a revelar por que razão títulos, muito dinheiro e prémios não chegam para fazer dele um homenzinho. A condecoração dou-a de barato, estando aliás ao nível de quem o condecorou antes do tempo. Têm sido tantos os condecorados que o seu valor é ridículo. Gostava sim que Cristiano Ronaldo, cujo futebol deveras aprecio, fosse efectivamente um exemplo para a sua geração, em todos os aspectos, mas quer-me parecer que alguma coisa deve estar a tolher-lhe a mente. As exuberantes manifestações de novo-riquismo e frivolidade começam a ganhar terreno ao exemplo do profissional, do futebolista e do homem que serve de modelo inspirador a muitas crianças e jovens. Primeiro foi aquele vermelho directo na sequência de uma estúpida agressão a um colega de profissão. Agora são os detalhes da sua festa de aniversário. Alguns dirão que são isso mesmo, detalhes, e que tudo lhe deverá ser perdoado. Não creio. A um Cristiano Ronaldo tem de se exigir muito mais na imagem que de si próprio quer transmitir para as gerações vindouras, tanto nas suas manifestações públicas como nas privadas que são publicamente divulgadas. E, em especial, perante os seus concidadãos. Numa época em que a crise se manifesta a todos os níveis, era de esperar da sua parte maior contenção, menos exuberância nos gastos, mais discrição na estroinice. Que imagem pode ser transmitida de quem derrete um rio de dinheiro numa noite? O dinheiro que muitas famílias levam anos para ganhar trabalhando arduamente. E se não era para ser divulgado, então devia ter sabido escolher os convivas.

Se é verdade que gastou 400.000 euros num único dia com a sua festa de aniversário, isso não pode servir de exemplo para ninguém. Muito menos para o seu filho. E é mais próprio de um estroina parolo e afectado, a quem por um bambúrrio saiu a taluda, do que de um desportista excepcional, de um homem feito a pulso, cujo exemplo deverá perdurar. Alguém devia dizer-lhe que num tipo como ele há comportamentos que uma exposição pública não tolera. E que só servem para dar cabo, em meia dúzia de minutos, de uma imagem que levou anos a ser construída. Há coisas que a juventude já não desculpa, Cristiano, e que era preferível não terem acontecido. Mas que tendo acontecido seria preferível não se saber.

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por Sérgio de Almeida Correia





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