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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Sexta-feira, 31.07.15

donativos

Um dos problemas de se estar longe é o de se saber o que se passa do outro lado do mundo em segunda mão. Às vezes pela forma mais estapafúrdia. É claro que o militante que faz um vídeo a manifestar as razões do seu descontentamento, e a sua expectativa quanto aos resultados eleitorais, está no seu direito à livre expressão. E não sendo anónimo, bem longe disso, de tal forma que até mostra a assinatura e o número de militante, tenho evidentemente de partir do princípio de que o aí relatado é verdadeiro. Não tenho, pois, razões para colocar em dúvida o convite de que no seu vídeo dá conta, formulado numa missiva assinada pelo secretário-geral do PS, quanto ao donativo que este lhe pede. Mas, de facto, se com esse pedido aos militantes se pretende igualmente dar publicidade aos doadores, não se vê em quê que isso pode contribuir para um bom resultado eleitoral, para a unidade do partido ou o fim pretendido.

Para além de ser constrangedor até para quem estaria disponível para contribuir - um tipo fica sem saber quanto há-de dar para depois, no momento da divulgação da lista e de ver o seu nome escarrapachado, não parecer mal aos olhos dos restantes militantes da sua concelhia e não ser acusado de pelintra ou de novo-rico -, há sempre o caso dos que não dão porque não têm meios para tal, porque estão desempregados ou porque lhes cortaram na reforma. Estes, para quem não conheça as razões, não deixarão de ser olhados de soslaio pelo facto de não terem contribuído. Não sei de quem partiu esta ideia peregrina de publicitar os donativos pelas secções, que pela sua natureza e dentro dos condicionalismos legais deviam ser naturalmente transparentes mas discretos. A mim parece-me uma insensatez.

Um partido político não é uma associação recreativa, um clube de charutos ou uma escola de tango. E a não ser que estejam também a pensar colocar placas ou azulejos com o nome dos doadores no Largo do Rato, transformando-o numa espécie de clube de futebol, o mais aconselhável seria o secretário-geral do PS dar instruções aos seus homens da campanha para ficarem quietos. E pensarem, pouco que seja, antes de agirem. De outro modo, poderão colocar ainda mais distante a cabazada de que o Nelson   está à espera.

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por Sérgio de Almeida Correia





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