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Visto de Macau

Linhas em jeito de diário. Inspiração. Homenagem a espíritos livres. Lugar de evocação. Registo do quotidiano, espaço de encontros. Refúgio de olhares. Espécie de tributo à escrita límpida, serena e franca de Marcello Duarte Mathias.



Quarta-feira, 23.10.13

indecências

A forma como em Portugal alguns protagonistas políticos (os "ex" continuam a sê-lo a partir do momento que adquirem uma tribuna onde exibem semanalmente os colarinhos) se pronuncia sobre os problemas que diariamente afectam os portugueses, o modo como aqueles comentam as afirmações alheias e discorrem sobre questões de lana-caprina, é aterradora. Quando daqui a trinta ou quarenta anos um Joaquim Furtado transformar as cenas da nossa vida pública numa série televisiva deverá haver muita gente que se interrogará sobre a verdadeira natureza desse guião. E confundi-lo-á com pura ficção. Um trolha pode não saber distinguir a decência da indecência, ter dificuldade em comportar-se noutro ambiente que não o das obras, ou lidar com gente fora do seu meio. Em educação não se fazem milagres. Em política também não. Um político devia saber, por dever de ofício, que tem de lidar com muita gente, de múltiplas origens e diversos estatutos. Ignorá-lo, usar um argumentário ética e intelectualmente indigente, fazer dos outros parvos, variar o discurso em razão da natureza das audiências ou da cor do microfone, não constitui um artifício político, nem sequer uma "chico-espertice". É desconhecer os limites da decência e aceitar a indecência como instrumento da luta política.      

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por Sérgio de Almeida Correia




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